O maior ídolo do futebol argentino soltou o verbo nesta quarta-feira em entrevista coletiva na qual deu sua versão para não continuar no comando da seleção argentina.
Diego Maradona não poupou críticas ao presidente da Associação do Futebol Argentino (AFA), Julio Grondona, e ao coordenador de seleções, Carlos Bilardo, ao dizer que o primeiro "mentiu" para ele, e que o segundo o "traiu".
"Estou muito triste e ferido", afirmou o astro argentino.
Na terça-feira, a AFA anunciou que não chegou a um acordo para a renovação de seu contrato, poucas semanas após a eliminação da Argentina na Copa do Mundo da África do Sul com a goleada sofrida para a Alemanha (4 a 0) nas quartas de final.
Maradona esclareceu que lhe "dói na alma" deixar o cargo de técnico, e que não foi uma decisão tomada por ele.
"Depois da eliminação na África do Sul, Grondona me disse no vestiário, na presença dos jogadores e de outras testemunhas, que estava muito contente com o trabalho realizado e que queria que eu continuasse. Depois, na volta, na Argentina, as coisas começaram a ficar turvas", relatou.
"Na segunda-feira me reuni com Julio Grondona e com cinco minutos de conversa ele me disse que queria que eu continuasse, mas que sete pessoas da minha comissão técnica não deveriam continuar. Quando me disse isto, estava dizendo que não queria que eu seguisse no cargo. Ele sabia perfeitamente que era impossível que continuasse se não pudesse contar com meus colaboradores", afirmou.
O lendário ex-jogador, campeão do mundo em 1986, disse ainda que quando a seleção argentina estava "de luto" pela eliminação na Copa, "Bilardo trabalhava nas sombras" para afastá-lo.
"Assuma quem assumir a seleção, saiba que a traição está logo na esquina, e que há personagens que não querem bem ao futebol argentino. Só cuidam de seus interesses pessoais e de sua conta bancária", criticou.
O porta-voz da AFA, Ernesto Cherquis Bialo, anunciou ontem que o Comitê Executivo da AFA decidiu não renovar o contrato de Maradona "por unanimidade", depois de Grondona ter informado aos demais dirigentes sobre o conteúdo da reunião que teve com Maradona na véspera.
Maradona afirmou que foi chamado "para apagar um incêndio" quando assumiu o comando da seleção porque "as Eliminatórias (para a Copa) foram muito duras", e que quando tinha a chance de trabalhar "com mais tempo e tranquilidade, aconteceu isso".
"Meu ciclo durou só um ano e meio. Foi o mais curto dos últimos 35 anos", acrescentou.
Cherquis Bialo informou ontem que Sergio Batista, técnico da seleção sub-20, dirigirá a equipe principal no amistoso contra a Irlanda no 11 de agosto em Dublin, e disse não saber quem comandará a seleção no duelo contra a Espanha, em 7 de setembro em Buenos Aires.
A imprensa argentina aponta Diego Simeone, Miguel Ángel Russo, Americo Gallego e Alejandro Sabella como favoritos para suceder Maradona.