Notícias

Indecisão para São Paulo 2014 lembra Cidade do Cabo 2010

Cidade turística demorou para definir estádio e acabou ficando com a arena mais cara do Mundial

Green Point, o estádio mais caro da Copa (crédito: Felipe Peretti)
Tamanho da letra
Felipe Peretti - Cidade do Cabo
postado em 12/07/2010 11:01 h
atualizado em 12/07/2010 14:58 h

A indecisão sobre qual será o estádio de São Paulo para a Copa de 2014 continua. Depois que o Morumbi foi descartado, a construção de uma nova arena começou a ser debatida. Agora, os governos municipal e estadual hesitam em erguer uma nova arena, o que exigiria muito dinheiro. A mesma dúvida que enfrenta as autoridades paulistas já fez parte da preparação da Cidade do Cabo para o Mundial de 2010. O preço foi a perda do jogo de abertura e um palco com um futuro discutível.

O tema faz parte da obra “Player e Referee - Conflicting interests and the 2010 Fifa World Cup” (sem edição em português, mas que pode ser entendido como “Jogador e Árbitro – Interesses Conflitantes e a Copa do Mundo Fifa 2010”) e é apresentado pelos jornalistas Karen Schoonbee e Stefaans Brümmer no capítulo “Perda pública, ganho da Fifa – Como a Cidade do Cabo conseguiu seu elefante branco”.

Newlands e o baixo custo
Antes da construção do Green Point, o principal município turístico sulafricano tinha o estádio Newlands, tradicional palco de rúgbi que abrigaria 40 mil torcedores durante a Copa, como o estádio local no livro de candidatura entregue à Fifa. Estruturado e localizado em um bairro rico, apenas pequenas reformas a baixo custo seriam necessários para se adequar às exigências dos organizadores do torneio.

Contratado pela prefeitura para avaliar os custos de estádios na ocasião, o professor Barry Standish, da Universidade da Cidade do Cabo, mostrou que a alternativa mais barata seria essa, cujas adaptações girariam em torno 177 milhões de randes (R$ 44,25 milhões).

Athlone e o social
Mas a preferência da prefeitura e do governo da província de Western Cape era o estádio Athlone, que suportaria o mesmo número de torcedores que o Newlands. Contudo, a arena fica localizada em uma área mais pobre e teria um valor simbólico na história e no desenvolvimento da vizinhança onde o futebol local nasceu.

“Por que escolhemos o Athlone não foi somente por causa do futebol, mas porque transformaria a cidade, teria impacto sobre o conto de duas cidades [de um lado as favelas, concentradas naquele bairro, e de outro as mansões, mais próximas do centro]”, contou o então secretário de esporte e recreação do município, Gert Bam.

A arena, que custaria 482 milhões de randes (R$ 120 milhões) pelas reformas nos cálculos de Standish, passou a ser considerada só depois porque foi inaugurada oficialmente há três meses antes da entrega da proposta de candidatura sulafricana à Fifa no dia 30 de setembro de 2003. Na inauguração, amistoso entre a África do Sul e a Jamaica, que terminou empatado e sem gols.

A mudança de sede não agradou aos cartolas da entidade máxima de futebol, que chantagearam o governo local ao sinalizarem para a realização de apenas cinco jogos – a cidade abrigou oito jogos desta Copa – e sem possibilidade para semifinal, uma vez que a Fifa exigia estádios com mais de 60 mil lugares para esta fase do Mundial.

“Danny Jordaan, chefe do Comitê Organizador Local ligou [para Ebrahim Rasool, então governador da província de Western Cape] e disse que a delegação da Fifa não estava convencida que Athlone pudesse ser um dos estádios da Copa e que consideravam que a Cidade do Cabo não estava dando o seu máximo”, revelou Laurine Platzky, coordenadora da província para a Copa.

Foi então que o presidente da Fifa, Joseph Blatter, visitou a Cidade do Cabo e se reuniu com o presidente sulafricano na ocasião, Thabo Mbeki. Um dia depois do encontro, um dos ministros avisou Rasool sobre a necessidade da construção de um novo estádio.

Estádio Newlands, tradicional palco de rúgbi (crédito: Felipe Peretti)

Green Point e interesses
No começo, município e província relutaram em começar as obras, mas a visibilidade turística e política foram decisivas. A primeira pela importância econômica que representa. A segunda pelo fato de Western Cape ser o único dos nove estados governado pelo partido de oposição, a Aliança Democrática, e a importância de mostrar serviço.

Assim, a Cidade do Cabo viu nascer um estádio com capacidade para 70 mil pessoas, orçado em 1,3 bilhão de randes (R$ 300 milhões) e que acabou custando 4,5 bilhões de randes (R$ 1,125 bilhão). Segundo arquitetos e construtores, a grande variação ocorreu em razão da crise econômica global (que encareceu o preço de materiais), de problemas enfrentados com o solo e da necessidade da instalação de um material para atenuar o barulho (exigência dos moradores nos arredores).

Apesar do novo palco, a demora levou o jogo de abertura do Mundial para Johanesburgo, onde foi realizado no Soccer City, mesmo local da decisão do torneio neste domingo.

O futuro do Green Point é discutível. O futebol provavelmente não conseguirá mantê-lo, assim como o rúgbi já tem sua casa histórica em Newlands e dificilmente se mudará. O que deixa alguns habitantes do município indignados é que o dinheiro destinado ao Green Point poderia ser utilizado para auxiliar o problema de moradia, uma vez que, com o montante, aproximadamente 65 mil casas populares poderiam ser construídas.





 
nosso time
realização
Sinaenco - Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva
tecnologia e criação
XY2 | Agência Digital
hosting
Telium Networks
segurança da informação
LSI TEC - Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico
 
patrocínio
Gerdau
 
apoio
ArcelorMittal
 
Resolução Mínima de 1024x768 - © Copyright 2009 portal2014.org.br Todos os direitos reservados.