Com o time completamente modificado pelo técnico Diego Maradona, a Argentina teve dificuldades para vencer a Grécia por 2 a 0 hoje, em Polokwane, no estádio Peter Mokaba. Os gols da partida vieram com o zagueiro Demichelis e o atacante Martin Palermo. Ambos furaram a retranca grega no fim do segundo tempo.
Sem Samuel, machucado e Jonas Gutierrez, suspenso por ter tomado o segundo amarelo, a equipe sul-americana atuou no 4-1-1-3-1 (com Bolatti à frente da defesa). Messi, mais centralizado e bem marcado, não conseguiu transformar o a posse de bola em chances reais de gol. Pelas pontas, Maxi Rodriguez pela direita e Agüero, pela esquerda. Os "pontas", porém, não chegavam até à linha de fundo, tampouco tinham o apoio dos laterais Rodriguez e Otamendi.
Esse era o erro argentino: a falta de jogadas pelos flancos do campo e o excesso de jogadas pelo meio, com a ajuda de Verón. O camisa oito, no entanto, por vezes caiu pela esquerda e só passou a ter a companhia do lateral esquerdo Rodriguez no segundo tempo.
Maradona ainda optou por sacar Di Maria, Tevez, Higuaín, Mascherano e Heinze. Os dois últimos estavam pendurados e poderiam ficar fora das oitavas de final.
A Grécia, que ainda sonhava com a inédita classificação, entrou para a partida decisiva com um objetivo claro: se defender. Para isso, o alemão Otto Rehhagel organizou o time com duas linhas (uma com cinco jogadores, mais atrás e outra com quatro, à frente da primeira). No ataque, isolado, o atacante Samaras. No intervalo, com o empate de 0 a 0, os gregos dependiam de um gol dos nigerianos na partida de Durban.
O confronto entre argentinos e gregos é histórico. No dia 21 de junho de 1994, na Copa dos Estados Unidos, Maradona marcou seu último gol (de um total de oito) em Mundiais. Na partida disputada em Boston, a Argentina ganhou por 4 a 0, com três gols de Gabriel Batistuta.
O jogo
Nos 10 primeiros minutos, a Argentina teve 83% de posse de bola. E essa foi a tônica de todo primeiro tempo em Polokwane. Muita posse de bola, toques na intermediária e pouca infiltração e conclusões ao gol de Tzorvas.
Assim, o primeiro lance de perigo ocorreu somente aos 17 minutos, com Agüero. O atacente passou por dois, invadiu a área e bateu em cima do goleiro. Logo depois, Verón arriscou de longe e Tzorvas espalmou.
Aos 23, Burdisso jogou rasteiro para a grande área, mas ninguém conseguiu concluir. Nove minutos depois, Verón enfiou a bola para Milito. O atacante interista bateu cruzado, o goleiro espalmou e Agüero, na sobra, foi travado pela zaga.
No lance seguinte, Rodriguez foi até à linha de fundo, cruzou e o goleiro grego pôs para escanteio. Na cobrança, Aguëro desviou e Milito não conseguiu completar para o gol.
A Grécia, aos 42, fez o goleiro Romero tocar na bola pela primeira vez em um cruzamento para a área.
No último minuto, a Argentina quase chegou. Rodriguez inverteu o jogo da esquerda para a direita, Maxi Rodriguez recebeu dentro da área e bateu. Tzorvas defendeu. No rebote, Verón tocou para Messi. O camisa 10 passou por dois e bateu de esquerda, mas o arqueiro grego jogou para escanteio.
Segundo tempo
Na melhor chance do gol da partida, Samaras, sozinho entre Burdisso e Demichelis, matou a bola, invadiu a área e mandou rente à trave esquerda de Romero.
Aos 12, no avanço pela esquerda de Rodriguez, a Argentina assustou com um chute próximo à meta grega.
Sem opções de ataque e insistindo pelo meio-campo, Maradona trocou Maxi Rodriguez po Di María. Messi, na bola parada, quase abriu o placar aos 23. Tzorvas mandou para escanteio. Na cobrança, Bolatti perdeu gol sozinho na pequena área após nova intervenção do goleiro.
Aos 29, após indefinição da zaga e do goleiro grego, a Argentina quase chegou ao gol.
Nos últimos 15 minutos, Messi caiu mais para a direita e tentou as jogadas curtas com Verón. Com tantas dificuldades de penetração, o gol só podia vir de bola parada. Após escanteio, Demichelis subiu sozinho e cabeceou. A bola bateu em Milito e sobrou para o próprio zagueiro, que bateu sem chances para Tzovas.
Pouco depois, Maradona promoveu a terceira substituição e deu chance a Palermo de disputar a primeira Copa do Mundo.
Messi por pouco não conseguiu marcar o seu primeiro gol aos 40. Em jogada individual, passou por dois e da esquerda da grande área, chutou e mandou na trave direita da meta grega. No minuto final, em outra jogada genial de Messi, Palermo pegou o rebote do goleiro, fez o seu gol e fechou o placar.
Com a vitória, a Argentina mantém os 100% de aproveitamento e enfrenta o México nas oitavas de final. A partida será no domingo, dia 27, às 15h30, no Soccer City, em Johanesburgo.
A Coreia do Sul, que empatou com a Nigéria em 2 a 2 hoje em Durban, enfrentará o Uruguai no dia 26 às 11h, em Porto Elizabeth, no Nelson Mandela Bay.
Ficha técnica
Argentina 2 x 0 Grécia
Data: 22/06/2010, terça-feira
Horário: 15h30 (horário de Brasília)
Local: Estádio Peter Mokaba, em Polokwane, África do Sul
Árbitro: Ravshan Irmatov (Uzbequistão)
Auxiliares: Rafael Ilyasov (Uzbequistão) e Behadyr Kochkarov (Quirguistão)
Cartões Amarelos: Katsouranis, Bolatti
Argentina
Romero; Otamendi, Burdisso, Demichelis e C.Rodriguez; Maxi Rodriguez (Di Maria), Verón e Bolatti; Messi, Agüero (Pastore) e Milito (Palermo).
Técnico: Maradona
Grécia
Tzorvas; Vyntra, Sokratis, Papadopoulos e Kyrgiakos; Torosidis (Patsa), Tziolis, Moras, Karagounis (Spyropolous) e Katsouranis (Ninis); Samaras.
Técnico: Otto Rehhagel
Gols: Demichelis aos 31 e Palermo aos 43 do segundo tempo