Tantas você fez que ela cansou
Porque você, rapaz
Abusou da regra três
Onde menos vale mais
(Toquinho/Vinícius de Moraes)
A Copa de 2010 mostrou para a Fifa que é preciso trabalhar com um número maior de cidades-sede do que o necessário para não passar por um aperto no final. Para a Copa de 2010, a Fifa teve que engolir uma série de problemas apresentados nos estádios que ferem as exigências de seu rígido caderno de encargos. É claro que, para não manchar a imagem de seu principal evento, as declarações oficiais são de que está tudo uma maravilha, mas visitando os principais estádios reformados/contruídos para a Copa 2010 é possível notar que em alguns estádios o caderno de encargos talvez nem tenha sido lido. A maior parte dos gerentes e administradores das novas arenas de 2010 que conversamos, disseram que travaram verdadeira batalha com a Fifa e a cerca de 90 dias da Copa começaram a desabafar. Para muitos, não valeu a pena tanto esforço e o recado ao Brasil é muito claro. “Façam a copa para o povo e não para a Fifa”, pois, segundo os dirigentes, onde for possível ganhar dinheiro, a maior parte, ou o total, é da entidade máxima do futebol, e onde há despesas, elas são todas do país sede. Eles- Fifa – não estão nem aí para as condições políticas e sociais do país.
Fica claro que, no Brasil, a escolha de 12 sedes foi a conhecida regra três do futebol. A regra da substituição. Neste caso, a regra três pode ser aplicada não para que uma sede precise ser substituída por outra, mas trabalhar até a última hora com o trunfo de poder eliminar a cidade que não estiver dentro do cronograma e das exigências propostas. Assim, a Fifa fará com que todos corram, busquem investidores e executem com perfeição. Mesmo que todos consigam, o que eu duvido, pode ser que duas ou quatro sedes percam a oportunidade.
Qual será o político de plantão que irá pagar a conta de transformar o sonho da sua cidade em um pesadelo? Em 2012, temos eleições municipais.
Em tempos de final do Big Brother: Quem irá pro paredão?