Ao chegar ao estádio Nelson Mandela Bay, em Porto Elizabeth, a sensação provocada pela volumetria da arena causa estranheza: lembra, pela desproporção de escala entre a cobertura e a estrutura, um suspiro que foi achatado. Se a primeira impressão em geral é a que fica, não é o que ocorre com o estádio cujo nome homenageia o sul-africano mais conhecido em todo o mundo.
Todo feito com pré-fabricados de concreto e elementos também pré-fabricados metálicos, o complexo esportivo revela-se bastante equilibrado, em todos os seus itens. O acabamento é simples, porém funcional.
Ao contrário do Moses Mahbida, visivelmente mais luxuoso nos acabamentos e decoração, tem pisos de tijolos cerâmicos na externa do estádio e nas partes ao ar livre, internamente; pisos cimentados e um tipo de ardósia em diversas áreas internas. Os assentos são coloridos e confortáveis, a visibilidade é muito boa de qualquer ponto e são corretas e de grande funcionalidade as áreas destinadas à imprensa e de serviços aos torcedores (lanchonetes e sanitários).
Todas as exigências da Fifa são muito bem atendidas. Ao percorrer as instalações da arena, percebe-se que a impressão inicial é equivocada: esse é um estádio que, pelo resultado de um bom projeto e uma construção de qualidade, a um custo muito adequado, pode ser considerado um estádio “honesto”, nas várias acepções da palavra. E, sem dúvida, consenso entre os arquitetos brasileiros que o visitaram, uma das melhores referências para os projetos dos estádios brasileiros. “Esse é um estádio realmente muito bom; embora simples, foi bem projetado e construído e é realmente uma referência que podemos utilizar no Brasil”, avalia o arquiteto Marc Duwe, do escritório Setepla Tecnometal, autor do projeto do estádio Fonte Nova, em Salvador.