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Nelson Mandela Bay: honestidade a toda prova

O estádio, que custou 460 milhões de dólares, é um dos mais baratos das últimas copas

Cobertura do Nelson Mandela Bay (crédito: Rodrigo Prada)
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Silvério Rocha
postado em 17/03/2010 11:08 h
atualizado em 17/03/2010 21:18 h

Ao chegar ao estádio Nelson Mandela Bay, em Porto Elizabeth, a sensação provocada pela volumetria da arena causa estranheza: lembra, pela desproporção de escala entre a cobertura e a estrutura, um suspiro que foi achatado. Se a primeira impressão em geral é a que fica, não é o que ocorre com o estádio cujo nome homenageia o sul-africano mais conhecido em todo o mundo.

Todo feito com pré-fabricados de concreto e elementos também pré-fabricados metálicos, o complexo esportivo revela-se bastante equilibrado, em todos os seus itens. O acabamento é simples, porém funcional.

Ao contrário do Moses Mahbida, visivelmente mais luxuoso nos acabamentos e decoração, tem pisos de tijolos cerâmicos na externa do estádio e nas partes ao ar livre, internamente; pisos cimentados e um tipo de ardósia em diversas áreas internas. Os assentos são coloridos e confortáveis, a visibilidade é muito boa de qualquer ponto e são corretas e de grande funcionalidade as áreas destinadas à imprensa e de serviços aos torcedores (lanchonetes e sanitários).

Todas as exigências da Fifa são muito bem atendidas. Ao percorrer as instalações da arena, percebe-se que a impressão inicial é equivocada: esse é um estádio que, pelo resultado de um bom projeto e uma construção de qualidade, a um custo muito adequado, pode ser considerado um estádio “honesto”, nas várias acepções da palavra. E, sem dúvida, consenso entre os arquitetos brasileiros que o visitaram, uma das melhores referências para os projetos dos estádios brasileiros. “Esse é um estádio realmente muito bom; embora simples, foi bem projetado e construído e é realmente uma referência que podemos utilizar no Brasil”, avalia o arquiteto Marc Duwe, do escritório Setepla Tecnometal, autor do projeto do estádio Fonte Nova, em Salvador.

No estádio, todas as exigências da Fifa são muito bem atendidas (crédito: Rodrigo Prada)

Na escala da cidade
O Nelson Mandela Bay, cujo nome deriva da homenagem que a cidade de Porto Elizabeth fez ao líder negro e ex-presidente sul-africano rebatizando sua baía principal, é o primeiro estádio da província do Cabo Oriental exclusivamente dedicado ao futebol. Os portenhos elizabetanos ostentam muito orgulho de terem conseguido inaugurar seu estádio ainda em 2009, um ano antes do Mundial. O desenho do estádio é inspirado na flor-símbolo da África do sul, a Protea, que também apelida a seleção de críquete sul-africana.

O estádio, que custou 460 milhões de dólares, é um dos mais baratos das últimas copas. A percepção de quem visita o estádio, compara o resultado final – de sua integração ao entorno, com sua bonita vista para o lago North End, e especialmente do custo final da obra -, e faz as contas básicas de custo/benefícios, e verifica que, assim como a personalidade que o batizou, tem total adequação (arquitetônica e de realidade socioeconômica e cultural) à sua cidade e ao seu país. Enfim, uma arena adequada. “Achei o estádio espetacular. É muito interessante e bastante eficiente, com sua simplicidade de materiais, cobertura parcial do campo e projeto com grande funcionalidade, tudo dentro da escala da cidade e de seu orçamento”, analisa a arquiteta Laura Penna, sócia-gerente do escritório Gustavo Penna e Associados, autor do projeto do estádio do Mineirão, em Belo Horizonte.

FICHA TÉCNICA
Estádio: Nelson Mandela Bay
Cidade/província: Porto Elizabeth, Cabo Oriental
Capacidade: 48 mil pessoas
Construção: 2009
Projeto: GMP





 
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