Será no grupo F da Copa do Mundo, contra paraguaios, neozelandeses e eslovacos, que a Itália começará a luta pela quebra de uma escrita que já dura 48 anos. Desde 1962, quando o Brasil faturou o segundo título no Chile, uma seleção não conquista o bicampeonato mundial seguido. Antes dos brasileiros, a própria Itália conseguiu a marca. Na década de 30, sob o regime fascista de Mussolini, os italianos venceram os Mundiais de 34 e 38.
Na Copa de 38, na França, apenas três remanescentes da campanha de quatro anos antes. Meazza, eterno ídolo da Azzurra, o atacante Ferrari e o técnico Vittorio Pozzo. O atual técnico italiano, Marcello Lippi, pode igualar o feito do antigo treinador ao faturar o título na África do Sul. Algo único na história do futebol.
Se conquistar o pentacampeonato e igualar os títulos brasileiros, o número de bicampeões entre os jogadores deve ser maior que o de 1938. Lippi praticamente manteve a base da seleção campeã na Copa da Alemanha. Buffon, Zambrotta, Cannavaro, Grosso, Camoranesi, Gattuso, Pirlo, Iaquinta, De Rossi e Iaquinta estarão em campo a parir da estreia contra o Paraguai.
Contra os paraguaios, a Itália se despediu da Copa de 50, quando tentava o tricampeonato mundial. Mesmo vencendo por 2 a 0, os italianos deixaram o Mundial logo na primeira fase pois perderam para a Suécia (3 a 2) no jogo inicial.
O terceiro jogo da Azzura no Mundial africano é o mais aguardado. Ele deverá definir o primeiro colocado do grupo. Além disso, a partida é repleta de história. Antes de se dividir em duas nações (República Tcheca e Eslováquia), a Tchecoslováquia enfrentou a Itália em duas oportunidades.
Em 34, na grande final da Copa, a Itália venceu os tchecos por 2 a 1 de virada. No Mundial de 90, a partida ocorreu nas mesmas condições do atual grupo F. As seleções duelaram pela primeira posição da chave. Os anfitriões do torneio, que já haviam vencido os Estados Unidos e a Áustria, venceram por 2 a 0, gols do artilheiro da competição, Schillaci e Baggio.
Paraguai
Desde 98, quando voltaram a disputar o Mundial após 12 anos, os paraguaios mostram muita regularidade. Jogarão na África pela quarta vez consecutiva. Participaram também em 30, no Uruguai; 34, na Itália; 58, na Suécia e 86, no México. Nunca passaram das oitavas de final.
Coincidentemente, nas três vezes que passou à segunda fase, o Paraguai enfrentou campeões mundiais. Perdeu para a Inglaterra (3 a 0) em 86, e para a França e Alemanha pelo mesmo placar (1 a 0) em 98 e 2002.
O treinador argentino, Gerardo Martino, conta com a ótima fase de Cabañas e a experiência de Cardozo e Roque Santa Cruz. O trio foi o destaque da campanha nas eliminatórias. O Paraguai venceu o Brasil (2 a 0) e a Argentina (1 a 0), fez 33 pontos e liderou boa parte do torneio classficatório.
Nova Zelândia
Com a Austrália na disputa por uma vaga na Copa pela Ásia, a Nova Zelândia, enfim, teve a chance de retornar ao Mundial depois de 28 anos. Precisou, no entanto, disputar a repescagem contra o Bahrein.
Sem muitas pretensões, a seleção do técnico Ricki Herbert tenta conseguir a primeira vitória no torneio. Na Espanha, em 82, três jogos e três goleadas – perdeu para a Escócia, 5 a 2; para a União Soviética, 3 a 0 e para o Brasil, 4 a 0.
Uma prévia do que pode ocorrer nos campos africanos foi a sua participação na Copa das Confederações 2009. Os neozelandeses empataram com o Iraque (0 a 0) e perderam da Espanha (5 a 0) e da África do Sul (2 a 0). Os principais jogadores são os atacantes Killen e Smeltz. Além do herói da classificação para a Copa, o goleiro Mark Paston, que defendeu um pênalti no jogo decisivo contra o Bahrein.
Eslováquia
Pela primeira vez após a dissolução da Tchecoslováquia, os eslovacos disputarão uma Copa do Mundo. Tentarão repetir a surpreendente campanha nas eliminatórias europeias, quando ficaram na primeira colocação e se classificaram sem a repescagem. Superaram a “irmã” República Tcheca, a Polônia, a Irlanda do Norte e a Eslovênia (que posteriormente se classificaria).
No time do técnico Vladimir Weiss não há nenhum jogador que atue no futebol da Eslováquia. Os destaques da equipe são o zagueiro Skrtel, do Liverpool, e o goleador Sestak, que atua no futebol alemão. Os eslovacos devem disputar com os paraguaios a condição de segundo colocado do grupo. Enfrentarão, então, provavelmente, a Holanda nas oitavas de final.