"Com todas as coisas negativas que estão ocorrendo na África, trata-se de um momento soberbo para nós. Se vamos ter elefantes brancos, que seja assim", disse o arcebispo sulafricano Desmond Tutu ao jornal O Globo, em reportagem publicada hoje.
O Nobel da Paz acha que a Copa de 2010 poderá ter um impacto positivo sobre os negros tão grande quanto a eleição do presidente dos EUA, Barack Obama. Isto apesar do gasto de 1,7 bilhão de dólares na construção das novas arenas, consideradas suntuosas por críticos opositorea ao partido do governo, o CNA - Congresso Nacional Africano.
A comparação com o Brasil é inevitável: em 2004, quando a África do Sul foi escolhida para sediar a Copa, havia a previsão de 390 milhões de dólares de investimentos em estádios, mas os números foram subindo com o passar dos anos. O país ainda vive uma segregação econômica derivada do regime do apartheid, extinto oficialmente em 1994, com grande parte da população vivendo na miséria, além dos altos índices de criminalidade e do fantasma da Aids, que continua a crescer no país.
Desmond Tutu acredita que o evento esportivo seja um momento de afirmação da população negra da África do Sul e estimule o desenvolvimento de políticas sociais para suprimir as desigualdades e eliminar a fome, as guerras e as doenças.