A frustração dos irlandeses pela perda da vaga na Copa do Mundo graças a um gol irregular marcado pela França levou o ministro da Justiça do país, Dermot Ahern, a pedir nesta quinta-feira a realização de uma nova partida entre as duas seleções.
No confronto realizado nesta quarta-feira em Saint-Denis, palco da final da Copa de 1998, os franceses empataram o placar na prorrogação (1 a 1) em uma jogada que foi comparada por muitos torcedores ao primeiro gol de Diego Maradona na vitória da Argentina por 2 a 1 sobre a Inglaterra nas quartas-de-final da Copa de 1986.
A diferença é que, desta vez, o atacante Thierry Henry não marcou um gol com a mão, mas a usou para conduzir a bola, antes de fazer a assistência para o zagueiro William Gallas balançar a rede.
Ao mesmo tempo em que fez o pedido, Ahern, no entanto, se mostrou cético quanto à possibilidade da Fifa promover uma nova partida. "Duvido que marquem outro jogo, porque não somos ninguém no futebol mundial, mas devemos pôr (a Fifa) sob pressão. É o mínimo que deve ser feito para honrar inúmeros torcedores que estão desolados. Se o resultado for mantido, reforçará a ideia de que é válido trapacear para vencer", afirmou o ministro.
O sentimento de indignação também tomou conta das páginas dos principais jornais irlandeses nesta quinta-feira. O normalmente comedido "The Irish Times" foi incisivo: "Henry, traiçoeiro, será lembrado por sua trapaça". O "Independent", jornal mais vendido no país, também critica o atacante do Barcelona. "Thierry, o ladrão, roubou nosso sonho", diz um de seus colunistas, Vincent Hogan.