O presidente da Associação do Futebol Argentino (AFA), Julio Grondona, defendeu nesta quinta-feira o técnico Diego Maradona, que insultou os jornalistas em uma entrevista coletiva concedida após a vitória de ontem sobre o Uruguai, que garantiu à Argentina uma vaga na Copa do Mundo.
Grondona disse que "é preciso entender" Maradona, e que não se arrepende de tê-lo escolhido como treinador da seleção. "Faria tudo de novo", afirmou o dirigente à "Radio 10", de Buenos Aires. "Qualquer um pode dizer coisas em determinados momentos e depois se arrepender", disse.
"O caso de Maradona é muito particular, porque muitos jornalistas esportivos vivem de notícias sobre ele", acrescentou o presidente da AFA.
Durante a entrevista após o confronto contra o Uruguai, Maradona acusou a imprensa de seu país de ter "má-fé", e disparou: "aos que não achavam que iríamos à Copa, com perdão às damas aqui presentes, que "chupem" e continuem "chupando".
Apesar de defender o treinador, Grondona admitiu não estar satisfeito com as atuações da seleção argentina. "Os últimos 15 dias foram terríveis. Havia especulações (da imprensa) que eu, (Carlos) Bilardo e Maradona deixaríamos nossos cargos", disse.
Repercussão
A imprensa argentina condenou nesta quinta-feira o comportamento do técnico. Para o "La Nación", Maradona "foi revanchista e adotou um estilo repudiável ao invés da autocrítica".
"Maradona não teve ideia melhor para comemorar a vitória do que descarregar uma bateria de palavras absurdas. Foi extremamente desrespeitoso. A pior versão de uma personalidade que não consegue se estabilizar", acrescenta a publicação.
"A seleção está em mãos trêmulas, mais ocupadas em participar de espetáculos circenses do que reconstruir a imagem de uma equipe que, apesar de ontem à noite ter alcançado seu objetivo, também acentuou uma característica preocupante", diz o jornal, referindo-se às más atuações da Argentina sob o comando de Maradona.
"Mais 'maradoniano' do que nunca e à contramão do que um cargo tão importante requer, Maradona explodiu e multiplicou as dúvidas em relação ao futuro", publica o jornal Clarín, que em sua capa anuncia: "Entrevista coletiva escandalosa, com insultos e grosserias".
"Maradona segue sem entender que não importa para onde se vai, mas como se deve ir. Muitos, como ele, não entendem que o que não conseguem de forma digna não é por culpa de que opina ou critica (jornalistas, torcedores, quem quer que seja)", acrescenta.
Para outro jornal, o "Crítica", o técnico argentino "ofereceu uma entrevista coletiva vergonhosa, repleta de agressões e termos chulos", enquanto o diário esportivo "Olé" destaca que Maradona "perdeu a cabeça" e "foi grosseiro com seus críticos".