Kaká, Rooney, De Rossi, Fórlan, Podolski, Fàbregas, Blanco, Donovan, Ibrahimovic e Messi: craques que representam um país. Brasil, Inglaterra, Itália, Uruguai, Alemanha, Espanha, México, Estados Unidos, Suécia e Argentina, respectivamente, depositam neles as esperanças da classificação à Copa do Mundo de 2010. Alguns, porém, assistirão ao Mundial da África do Sul pela televisão. Outros, certamente, irão desfilar em campos africanos o futebol exuberante que lhe deram o status de craque – o dono da camisa número dez.
A mística camisa 10 continua viva. O jogador que a veste está fadado a ser o cérebro do time. E a história do futebol é a prova de sua importância. O tricampeonato da Alemanha, em 1990, por exemplo, seria impossível sem Lothar Matthäus, o 10 alemão naquela Copa. A Argentina, dificilmente seria bicampeã sem as atuações de Mario Kempes, em 1978, e Diego Maradona, em 1986. Sem Zidane, em 1998, a França talvez não levasse o título e a participação decisiva de Rivaldo, em 2002, é incontestável.
Na Copa da Suécia, em 1958, o destino quis que Pelé, com 18 anos incompletos, se tornasse o dono da camisa. Por conta do atraso da CBD (Confederação Brasileira de Desportos) em enviar a numeração dos jogadores, a Fifa escolheu aleatoriamente os números. O goleiro Gilmar ficou com a 3, Garrincha com a 11 e Didi com a número 6. E, pela primeira vez, a camisa 10 seria determinante na conquista da taça do mundo.
México, 1970, foi uma Copa à parte. Do meio para frente, havia cinco craques na seleção brasileira. Tostão, dez do Cruzeiro; Jairzinho, do Botafogo; Pelé, do Santos; Gérson, do São Paulo e Rivelino, do Corinthians, se adequaram ao esquema tático de Zagallo. Transformaram as seis vitórias em espetáculos – como no derradeiro gol na final contra os italianos.
As últimas rodadas das Eliminatórias deverão comprovar o que a história evidencia de quatro em quatro anos. A equipe de sucesso necessita do craque. Para a Copa de 2010 se tornar uma realidade na carreira de Ibrahimovic, por exemplo, a Suécia precisará de quatro vitórias em quatro jogos. Fórlan, artilheiro da Europa na última temporada com 32 gols, terá que fazer com perfeição o seu ofício de goleador para o Uruguai voltar ao Mundial. Messi, craque argentino, tentará provar ao mundo que pode render o mesmo que no Barcelona. Se isso ocorrer, a Argentina se garantirá entre os 32.
De qualquer forma, não faltarão craques no Mundial. Contudo, nos gramados africanos, daqui a nove meses, somente um deles vai se tornar, de fato, um campeão do mundo. E a história novamente se repetirá.