Adversário da estreia do técnico Mano Menezes e do atacante Neymar na seleção em agosto de 2010, quando foram derrotados por 2 a 0, os Estados Unidos voltaram a enfrentar um Brasil inspirado nesta quarta-feira e desta vez perderam por 4 a 1 no estádio FedEx Field, em Washington.
Assim como há pouco menos de dois anos, os americanos viram um bom futebol por parte do adversário, que levou a melhor graças aos gols do próprio Neymar, de Thiago Silva, Marcelo e Alexandre Pato, que voltou após quase um ano sem vestir a amarelinha. A última partida dele havia sido a derrota por 3 a 2 para a Alemanha, em agosto de 2011.
A seleção chegou assim à sétima vitória consecutiva e ao nono jogo seguido de invencibilidade. A última derrota foi justamente essa contra os alemães. De lá para cá, incluindo o Superclássico das Américas diante da Argentina, que foi disputado apenas com atletas que atuam no futebol local, foram oito vitórias e um empate.
O Brasil ainda fará outros dois amistosos nos EUA. No próximo domingo, no Cowboys Stadium, em Dallas, o adversário será o México; seis dias depois, haverá o clássico contra os argentinos no estádio MetLife, em Nova Jersey.
Embora fosse esperado que Mano fizesse alguns testes no time titular, o técnico optou por fazer apenas duas trocas em relação à equipe que começou jogando na vitória por 3 a 1 sobre a Dinamarca, no último sábado.
No gol, Rafael Cabral, que tem idade olímpica, assumiu a vaga de Jefferson, e na frente Neymar, que não pôde estar em campo com a amarelinha no fim de semana, substituiu Lucas, o que deixou a seleção com três atacantes.
Os EUA chegaram para a partida com o moral elevado. A seleção americana havia disputado quatro amistosos no ano e vencido os quatro, incluindo um triunfo por 1 a 0 sobre a Itália, em fevereiro, e a goleada por 5 a 1 sobre a Escócia, também no último sábado.
A equipe do técnico Jürgen Klinsmann enfrentará o Canadá no próximo domingo, na última partida amistosa antes da estreia na terceira fase das Eliminatórias da Concacaf para a Copa do Mundo, no próximo dia 8, contra Antígua e Barbuda.
Ao contrário do que era esperado, a seleção brasileira teve espaço para jogar criou muitas chances de gol. O placar foi aberto aos 11 minutos do primeiro tempo, quando Oscar fez o desarme na intermediária de ataque, Leandro Damião chutou de fora e a bola explodiu no braço de Onyewu dentro da área. Neymar cobrou no canto esquerdo e fez 1 a 0.
Os donos da casa tentaram responder um minuto depois, em tentativa de longe de Edu, que finalizou para fora. Aos 15, Gomez sofreu falta, bateu, e Rafael segurou firme.
No entanto, era o Brasil que tinha mais volume de jogo e atacava mais. Aos 17 minutos, Damião recebeu livre, cara a cara com Howard, mas parou na defesa com os pés do goleiro americano. Pouco depois, aos 24, Marcelo levantou, o camisa 1 dos EUA espalmou e, na sobra, Hulk tocou para o meio buscando Damião, mas Onyewu cortou em escanteio.
E foi em cobrança de escanteio, aos 26, que a seleção fez o segundo. Neymar cruzou a meia altura, a zaga vacilou e Thiago Silva, sozinho na primeira trave, cabeceou para a rede.
Em mais uma roubada de bola, desta vez de Damião, o Brasil levou perigo novamente, aos 37 minutos. O atacante do Internacional carregou e fez o chuveirinho buscando Neymar. Cherundolo chegou primeiro e afastou com um chutão.
Em uma das poucas idas ao ataque, os EUA conseguiram diminuir a desvantagem ainda antes do intervalo, aos 44. Bradley lançou na ponta esquerda de ataque, nas costas de Danilo, Johnson cruzou, Rafael não alcançou e Gomez cabeceou para o gol.
Para evitar qualquer reação dos anfitriões, a seleção marcou o terceiro logo aos seis minutos da etapa final. Em linda troca de passes, Neymar foi acionado pela esquerda e rolou para a chegada de Marcelo, que caiu, mas mesmo assim acertou o canto.
Depois de alguns instantes de clima quente, com lances mais ríspidos, Johnson fez linda jogada pela esquerda, deixou Thiago Silva para trás e levantou. Rafael saiu mal, Gomez cabeceou para o meio e Rômulo apareceu para dividir com Dempsey e salvar em cima da linha.
Dois minutos depois, quase que em um replay do terceiro gol, a bola foi de pé em pé no ataque brasileiro até chegar a Neymar, que novamente da esquerda tocou para o meio. Alexandre Pato, que havia acabado de substituir Damião, carimbou a trave.
Os EUA atacaram um pouco mais, e Rafael pôde aparecer um pouco mais. Aos 31, Gomez chutou de dentro da área e o goleiro do Santos salvou dando rebote. Boyd tentou, e o camisa 12 evitou o gol mais uma vez.
Em cobrança de falta, aos 39 minutos, Donovan colocou na cabeça de Bradley, que finalizou e parou em outra grande intervenção de Rafael. Na sequência, após o escanteio, Onyewu carimbou o travessão.
A conta foi fechada apenas aos 41, em mais uma bobeira da zaga americana. Marcelo levantou da esquerda, Pato teve espaço para dominar no peito e fuzilar no canto direito de Howard.
Ficha técnica:
Estados Unidos: Howard; Cherundolo (Parkhurst), Bocanegra, Onyewu e Fabian Johnson (Castillo); Jones (Beckerman), Bradley, Edu (Boyd) e Donovan; Torres (Dempsey) e Gomez. Técnico: Jürgen Klinsmann.
Brasil: Rafael Cabral; Danilo, Thiago Silva, Juan e Marcelo (Alex Sandro); Sandro, Rômulo e Oscar (Giuliano); Neymar (Lucas), Hulk (Casemiro) e Leandro Damião (Alexandre Pato). Técnico: Mano Menezes.
Arbitragem: Jeffrey Calderon (Costa Rica), auxiliado por seus compatriotas Leonel Bermúdez e Octávio Carballo.
Cartões amarelos: Torres e Jones (EUA); Oscar e Marcelo (Brasil).
Gols: Gomez (EUA); Neymar, Thiago Silva, Marcelo e Alexandre Pato (Brasil).