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 Três cidades-sede da Copa não tem água 24 horas por dia

11 de setembro de 2012 por Édison Carlos | Cuiabá, Manaus, Recife

Um dos resultados de nosso Ranking do Saneamento que mais me chamou a atenção diz respeito ao abastecimento de água tratada. O acesso a água potável é um dos serviços do saneamento básico que mais evolui no País e, consequentemente, é o serviço que mais rapidamente alcançará sua universalização. O índice de atendimento da população com água tratada nas 100 cidades analisadas pelo Ranking foi de 90,94%, maior que a média nacional, que é de 81.1%.

O que nos espanta é saber que grandes cidades, que irão receber os jogos do Mundial, ainda não conseguem abastecer a sua população com água tratada 24 horas por dia. É o que acontece nas cidades de Manaus, Cuiabá e Recife: além da rede de água não chegar a todas as residências, o abastecimento ainda é feito de forma intermitente, o que obriga seus moradores a usar a água de forma controlada.

Para se ter ideia do tamanho do problema, no último sábado, 08.09, o SBT Brasil exibiu uma reportagem em que moradores de Manaus relatam que suas residência só contam com água durante 30 minutos por dia. Parece até ironia que justamente uma cidade da região amazônica, que concentra 20% da água doce do planeta, sofra justamente com a falta de água.

Abaixo você confere a reportagem do SBT Brasil:

Enquanto a população dessas cidades sofre com a falta de água e as limitações causadas por essa situação, as obras de estádios continuam avançando, ainda que lentamente. Estádios esses que receberão dois, três, talvez cinco jogos da Copa do Mundo. Se, por hora, essas cidades não se preocupam com essa infraestrutura básica para sua população, resta saber como pretendem abastecer os milhares de turistas que visitarão suas cidades durante os jogos do Mundial. Ou será que até mesmo os turistas terão que entrar em um esquema de rodízio para o uso de água?

 Copa do mundo 2014: E a novela continua…

7 de maio de 2012 por Édison Carlos | Cuiabá

Mais um capítulo envolvendo as preparações para Copa do mundo de 2014. Segundo a matéria divulgada pelo site UOL, no último dia 27, 97% dos custos dos estádios sairão do dinheiro público. O custo inicial para a construção do estádio Arena Pantanal em Cuiabá, divulgado em janeiro de 2010, seria de R$ 454 milhões. No final do mês passado o custo subiu para R$ 519 milhões. O governo local de Cuiabá contratou uma empresa para fiscalizar e coordenar as obras do estádio, para isso o estado deverá desembolsar mais R$ 7 milhões.

Até o momento, somente os estádios de Rio Grande do Sul e Paraná estão sendo construídos com o dinheiro público.

Fica a pergunta: e as obras de infraestrutura, em especial de saneamento, que são o verdadeiro legado para a população das cidades sede? Hoje, a maior parte das verbas para saneamento provém do PAC. O estudo do Instituto Trata Brasil, De Olho no PAC, divulgado recentemente, mostra que até o final de 2011 todas as obras do PAC saneamento monitoradas pelo Trata Brasil estavam paralisadas. Ou seja, nenhuma melhoria garantida para a população.

No final do mês passado, o site “O Documento” divulgou uma matéria em que depois de três anos após ceder a vaga á Cuiabá para sediar a Copa de 2014, Campo Grande cumpriu a maior parte das exigências da FIFA e concluiu a última das quatro obras do PAC I e já se habilitou a buscar o PAC 2. Agora sonha em tomar a Copa de Cuiabá.

Do jeito que as coisas andam, a população de Cuiabá irá perder não só a chance de presenciar os jogos da Copa, mas também as oportunidades e investimentos que vem com o fato de ser cidade sede.

No último dia 05 de dezembro, o Ministério da Saúde divulgou os novos números do Levantamento Rápido de Infestação por Aedes Aegypti (LIRAa) 2011 e que mostram o risco para ocorrência de surto de dengue em  48 municípios brasileiros.  No país já são mais de 700 mil casos. Cuiabá, capital do estado do Mato Grosso e uma das cidades-sedes da Copa do Mundo de 2014, é uma das três capitais ameaçadas pelo surto de dengue.

Segundo os números do estudo, Cuiabá teve 1.223 casos sendo 19 considerados graves (as informações foram colhidas entre janeiro e primeiro de dezembro desse ano). Os principais focos de mosquitos na cidade ocorrem por conta da falta de saneamento básico, mas especificamente pela ausência de amplo sistema de abastecimento de água tratada, o que obriga muitas famílias a usarem baldes e tambores como reservatório de água, sem a higiene necessária. É justamente em ambientes com água parada que o Aedes Aegypti deposita os ovos e multiplica a transmissão da doença.

Ainda segundo o levantamento, na região Norte, 48% dos focos detectados foram encontrados em tambores, poços e tonéis. Esse cenário, além de facilitar a contaminação por conta das larvas, provoca o contágio de outras doenças, como a esquistossomose. Neste caso, o mosquito deposita os ovos em certos caramujos hospedeiros que podem ser encontrados em reservatórios de água e após trinta dias esse caramujo contamina a água. A infecção acontece pelo contado do verme com a pele da pessoa.

Outra doença famosa em situações de falta de saneamento, neste caso mais frequentemente associada ao contato com os esgotos a céu aberto, é a diarreia. No estudo “Esgotamento Sanitário Inadequado e Impactos na Saúde da População”, divulgado pelo Instituto Trata Brasil, a taxa de internação dos moradores de Cuiabá com diarreia em 2008 chegou a 61 internações por grupo de 100 mil habitantes (índice usado pelo Ministério da Saúde), um número 5 vezes maior do que cidades do Sudeste melhor atendidas em saneamento básico.

Estes números dramáticos não são exclusividade de Cuiabá, pois estão por todo o país. É por isso que temos que continuar pressionando as autoridades, pois somente com a universalização dos serviços de água tratada, coleta e tratamento dos esgotos, coleta e disposição correta do lixo e gerenciamento da drenagem conseguiremos a melhoraria da saúde da população e a garantia de que os recursos poderão ser usados em saúde preventiva, inclusive nas cidades sede da Copa do Mundo.