A seleção brasileira passa pela maior renovação entre Copas desde 1938, no Mundial da França. Na ocasião, apenas 4 jogadores da Copa da Itália, em 34, foram chamados pelo técnico Ademar Pimenta.
Em 2014, depois de 76 anos, o mesmo número deve se repetir. Essa é a tendência do trabalho de Mano Menezes. A última convocação do técnico brasileiro, ocorrida em fevereiro para o amistoso contra a Bósnia — com exceção das listas olímpicas e caseiras -, tinha apenas quatro jogadores do Mundial da África do Sul: Júlio César, Daniel Alves, Luisão e Thiago Silva.
A primeira, em agosto de 2010, também trazia apenas quatro remanescentes do fiasco na Copa 2010: Thiago Silva, Ramires, Daniel Alves e Robinho.
Desde que assumiu a seleção, Mano Menezes deixou de chamar 10 dos 23 jogadores que estiveram no Mundial sul-africano. Doni, Gilberto, Juan, Felipe Melo, Gilberto Silva, Josué, Júlio Baptista, Kleberson e Grafite nunca foram convocados pelo atual treinador da seleção — no total, foram 19 listas. Já Gomes, Maicon, Lúcio, Elano, Kaká, Luís Fabiano e Nilmar têm menos de cinco convocações.
Do grupo de 2010, Thiago Silva (16 convocações), Daniel Alves (14), Ramires (9), Robinho (9), Júlio César (8) e Luisão (6) foram os mais lembrados.
Na história brasileira em Copas, a menor renovação ocorreu em 1962, no Chile. No bicampeonato mundial, 14 jogadores já tinham disputado a Copa da Suécia. Nos Estados Unidos, em 1994 e na Alemanha, em 2006, foram 10 atletas remanescentes do Mundial anterior.
Mano tem culpa? Ou o processo de renovação era obrigatório? As vaias de paulistas e goianos respondem a questão. Sem levar em conta, por exemplo, que a pobre safra de craques brasileiros abriu um rombo de 10 anos entre os protagonistas das Copas 2010 e 2014: Kaká, a grande esperança na África do Sul, nasceu em 1982. Neymar, em 1992.
Confira como ocorreu a renovação da seleção entre as Copas:

Mano Menezes iniciou o processo de renovação desde a primeira lista, em agosto de 2010 (Crédito: Carmen Jaspersen/EFE)
Uruguai-1930
24 jogadores convocados
Itália-1934
Apenas 1 remanescente da Copa anterior: o atacante Carvalho Leite.
França-1938
4 remanescentes: o meia Martim e os atacantes Patesko, Leônidas e Luizinho.
Brasil-1950
Nenhum jogador do plantel de Flávio Costa havia disputado o Mundial de 1938. Somente dois atletas da Copa, o suíço Bickel e o sueco Nillsson, conseguiram o feito.
Suíça-1954
6 remanescentes: Castilho, Nilton santos, Ely, Bauer, Baltazar e Rodrigues.
Suécia-1958
5 remanescentes: Castilho, Djalma Santos, Nilton Santos, Mauro e Didi.
Chile-1962
14 remanescentes: Castilho, Gilmar, Djalma Santos, Nilton Santos, Mauro, Zózimo, Bellini, Zito, Didi, Garrincha, Vavá, Pelé, Zagallo e Pepe.
Inglaterra-1966
7 remanescentes: Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Altair, Zito, Pelé e Garrincha.
México-1970
6 remanescentes: Brito, Gérson, Jairzinho, Tostão, Pelé e Edu.
Alemanha-1974
8 remanescentes: Leão, Zé Maria, Marco Antônio, Piazza, Rivellino, Paulo César, Jairzinho e Edu.
Argentina-1978
5 remanescentes: Leão, Valdir Peres, Nelinho, Rivellino e Dirceu.
Espanha-1982
9 remanescentes: Carlos, Valdir Peres, Oscar, Edinho, Batista, Zico, Cerezo, Dirceu e Roberto.
México-1986
7 remanescentes: Carlos, Oscar, Edinho, Falcão, Júnior, Zico e Sócrates.
Itália-1990
7 remanescentes: Mauro Galvão, Branco, Alemão, Valdo, Silas, Careca e Müller.
EUA-1994
10 remanescentes: Taffarel, Jorginho, Branco, Ricardo Rocha, Aldair, Dunga, Mazinho, Bebeto, Romário e Müller.
França-1998
7 remanescentes: Taffarel, Cafu, Aldair, Dunga, Leonardo, Bebeto e Ronaldo.
Japão/Coreia do Sul-2002
6 remanescentes: Dida, Cafu, Roberto Carlos, Rivaldo, Ronaldo e Denílson.
Alemanha-2006
10 remanescentes: Dida, Rogério Ceni, Cafu, Roberto Carlos, Lúcio, Gilberto Silva, Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Ricardinho e Ronaldo.
África do Sul-2010
8 remanescentes: Júlio César, Gilberto, Lúcio, Juan, Luisão, Gilberto Silva, Kaká e Robinho.
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