Colaboração Especial de Felipe de Paula

Vai completar um semestre que o site da Liga do Nordeste segue intacto...
Crise financeira, técnica e organizacional. Sim, chegamos ao fundo do poço. E, infelizmente, nossos dirigentes estão tão perdidos que não percebem que a falta de união entre os clubes nordestinos acarreta em severas perdas individuais e, sobretudo para o futebol nordestino em geral. Sabendo disso, o programa Nordeste FC conversou com diversos dirigentes e jornalistas da região, procurando entender porque isso acontece… E se de imediato para a maioria o sonho de termos uma Liga nordestina está muito longe de se tornar realidade, o diretor de futebol de um dos nossos principais clubes, o Vitória, discorda: ‘’Eu acredito não só na união de clubes, mas em qualquer tipo de união. Temos que acabar com isso. Quando se fala em futebol nordestino, sempre ele é relacionado ao que tem de mais fraco”, afirmou Carlos Alberto Silveira.
Em contrapartida, o jornalista Bob Fernandes duvida que qualquer coisa seja feita e, culpa os próprios dirigentes nordestinos por isto: “Acharia ótimo, mas não tenho nenhuma expectativa, nem vejo possibilidade disso acontecer. Afinal, primeiro é preciso examinar a qualidade desses dirigentes. Tem gente que não resistiria a uma passagem pelos antecedentes criminais, portanto não tem capacidade, nem dimensão moral para poder dirigir nada”. Já o subeditor de Esportes do Diário do Nordeste, Peri Negreiros, é menos pessimista, e acredita que para que as mudanças surtam efeito, elas devem começar em proporções menores, antes de abranger toda a região Nordeste: “É meio improvável nesse momento a formação de uma Liga. Isso tem que acontecer de dentro do Estado para fora, e esse contato, esse intercâmbio entre os clubes nordestinos ainda vejo como muito precário. Cada um acha que deve resolver seus problemas individualmente e não pensa que seria mais fácil contando com apoio de clubes que estão na mesma situação”.

Em 2002, o Nordestão foi a competição como maior média de público no Brasil, superando até o Campeonato Brasileiro.
E se tem aqueles que acreditam e outros que não acreditam, tem também algumas figurinhas do nosso futebol que “defendem” os dois lados, mas que na hora que a coisa aperta, a gente sabe em que lado está. Uma delas é o vice-presidente do Sport, Severino Otávio, o famoso Branquinho. Repare na falta de coerência. Primeiro ele fala: “Nós gostaríamos de estar organizados, para defender os interesses dos clubes do Nordeste. Eu acho que na hora que você fortalece os outros clubes menores, é o próprio futebol brasileiro como um todo que se fortalece”. E, depois, quando questionado sobre acordos que fez recentemente buscando a valorização no mercado da bola nacional, acaba deixando escapar: “O Sport fez agora um bom contrato, o Sport melhorou a sua participação a partir do próximo ano, e isso é o que importa, cada um tem que lutar por si, mas no geral todos têm que se unir e lutar pelo futebol brasileiro”.
E não para por aí, essa discussão sobra até para os jogadores. “Qual foi o jogador do futebol brasileiro que vimos dizer um único ´´a´´ a respeito da negociação dos direitos do Brasileirão? Nenhum!”, desabafa Bob Fernandes, que ainda acrescenta: “A TV Globo impõe um modelo que é nefasto ao futebol brasileiro, pois quando transmite os jogos de futebol as terças e sextas à noite, é muito pequena a quantidade de pais e famílias que ao contrário de um sábado ou de um domingo, vai levar seus filhos para ver um jogo de futebol. Então toda torcida do norte-nordeste, mais do que nunca, começa a torcer por Palmeiras, Corinthians, Flamengo, etc, e isso vai matando a paixão local, sem a qual o futebol da região não sobrevive”.

A última edição do Nordestão aconteceu em 2010 e teve o apoio do Esporte Interativo. Mesmo assim, o campeonato foi um fracasso, pois vários times escalaram time reserva ou juniores e aconteceram jogos em paralelo com a Copa do Mundo. O campeão foi o Vitória.
Para o diretor de futebol do Ceará, Róbson de Castro, falta comunicação e comprometimento entre os dirigentes: “O grande problema é que as Federações Estaduais não conseguem adequar seus calendários”. Segundo ele, os clubes até tentam encontrar uma alternativa para realizar o Campeonato do Nordeste, mas falta organização. Já mais pessimista, o diretor Zacarias Silva, do ICASA, não vê possibilidade de realização do Nordestão nas atuais condições. “Nós não temos calendário. Temos na mesma época o Brasileiro, um torneio regional que dá direito a vaga na Copa do Brasil…”.
Por fim… Será que o Nordestão tem jeito? Será que uma união regional é realmente possível? Será que os dirigentes estão dispostos a se unirem por um bem comum? E vamos além, será que a identidade do nordestino com os seus clubes está se perdendo? São questões sérias, mas pouco relevadas pelos envolvidos nesse espetáculo chamado futebol. Enquanto isso, os clubes do Nordeste vêm perdendo cada vez mais força. Cabe mais uma vez ao torcedor, o papel de simplesmente esperar e torcer cegamente pelo seu clube, enquanto nos gabinetes muito dinheiro é discutido em prol, acima de tudo, dos interesses pessoais.
No mais, não deixe de ouvir o programa Nordeste FC neste sábado, ao vivo, a partir das 14h no www.radiogazetaam.com.br ou no link do programa ao lado.
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