Posts da categoria ‘Copa da África’

 Viva a Espanha! Viva o futebol arte!

13 de julho de 2010 por Carlosergipe | Copa da África
A Espanha fez o brasileiro lembrar que é possível jogar bonito e obter resultados.

A Espanha fez o brasileiro lembrar que é possível jogar bonito e obter resultados.

Título indiscutível. Por tudo que fez pelo futebol nos últimos três anos, a primeira Copa do Mundo do continente africano não poderia ter ficado em melhores mãos. Foi merecido demais ver a seleção que mais apresenta o futebol arte, de posse de bola e jogadas trabalhadas, no topo pela primeira vez na história. Ainda mais quando se tem do outro lado a seleção mais desleal desta Copa, que mesmo estando invicta há 25 jogos, chegou à final jogando o que estamos acostumados a ver nos dias de hoje, um futebol feio e eficiente. E se o futebol está longe de ser um esporte onde a justiça prevalece, no último domingo ela foi irretocável.

Assim, o mundo inteiro e, claro, os brasileiros aplaudiram com uma pontinha de inveja pelo resultado e pelo futebol arte apresentado pelos espanhóis, e já começaram a imaginar um Brasil deste jeito em 2014, com Ganso, Neymar e Cia, jogando um futebol com cara de Brasil, com dribles, posse de bola, e não apenas com comprometimento e garra. Afinal, nesta Copa ficou mais do que provado que guerreiros sem talento não vão a lugar algum.

E falando em talento, vamos à seleção da Copa feita por mim e pelos companheiros do Programa Nordeste FC da Rádio Gazeta AM de São Paulo.

SELEÇÃO DA COPA:

1) Casillas (ESP)  2) Lham (ALE)   3) Friederich (ALE)   4) Lúcio (BRA) 6)   Van Bronckhorst (HOL)    5)   Schweinsteiger (ALE)   7)   Iniesta (ESP)   8-  Sneijder (ALE)  11) Muller (ALE)   10) Forlán (URU)   9) Villa (ESP)  Técnico: Oscar Tabárez (URU).

É claro que não foram só estes os grandes destaques da Copa. O meia espanhol Xavi, por exemplo, seria facilmente o décimo segundo jogador desta seleção, mas se são onze…

Nas outras categorias aponto a Inglaterra como a grande decepção da Copa, o atacante uruguaio Forlán como o craque da competição, o meia alemão Muller como revelação e como surpresa a seleção do Uruguai, claro. Diferentemente de Brasil e Argentina, a Celeste caiu em pé na fase semifinal. Quanto à pior seleção africana nesta Copa, fico com a Argélia, e a melhor, sem dúvidas, foi Gana. Copa africana de lado, agora é hora de pensar em 2014, em como fazer uma Copa minimamente organizada no Brasil, como foi na África do Sul.  Viva a Espanha! Viva o futebol arte!

* Participaram da votação desta seleção da Copa:  Alessandro Jodar, Bruno Bonsanti, Caio Ramos, Duca Reis, Fellipe Lucena, Renato Bagre, Ricardo Assumpção, Rodrigo Fragoso, Thiago Tanji e Tomás Rosolino.

 Balanço final da Copa…

12 de julho de 2010 por Carlosergipe | Copa da África

Por Bruno Bonsanti

A Copa acabou e, apesar da tristeza que se apossou de todos os nossos corações, chegou a hora de fazer um balanço sobre ela. Tendo assistido a boa parte dos 64 jogos, gostei bastante do que vi, mas vamos por tópicos.

 Cruyff é, sim, campeão do mundo

Antes da partida entre Holanda e Brasil, o craque Johan Cruyff criticou a seleção brasileira. O auxiliar técnico Jorginho, por sua vez, disse que o holandês não sabia o que estava falando, pois não foi campeão do mundo. Mesmo desconsiderando que Cruyff comandou um dos melhores times da história, a Holanda de 1974, transformou o Ajax em time grande com o tricampeonato europeu e oito titulos holandeses e, portanto, tem seu nome muito mais marcado na história do que muito jogador que venceu a Copa – como Jorginho, inclusive – em 2010 o líder da Laranja Mecânica foi campeão do mundo, sim.

Sua filosofia fez parte das duas equipes que chegaram à final. É desnecessário falar da influência de Cruyff na seleção holandesa, mas é bom lembrar que a base ideológica do time supercampeão do Barcelona na primeira década do século XXI vem do início dos anos 90, quando o holandês treinou a equipe catalã. Dos onze que iniciaram contra a Holanda, sete jogam no Barça: Pique, Puyol, Xavi, Iniesta, Pedro, Villa e Busquets. Então não é absurdo nenhum dizer que Cruyff deu uma ajudinha à Espanha, sim. 

O gol é um detalhe

Com o gol de Iniesta, a Espanha chegou a oito na competição, e se tornou a campeã do mundo com o pior ataque da história, abaixo do Brasil-94, Itália-38 e Inglaterra-66, que fizeram 11 . Números são legais e tudo mais, mas o time de Xavi e Iniesta é imensamente melhor ao treinado por Parreira, por exemplo, que foi justamente quem proferiu a frase que dá título a esse tópico. A Espanha pecou nesta Copa pela falta de objetividade e pela má forma física de Fernando Torres, que poderia ter elevado o número de gols, mas, de qualquer forma, jogou um futebol maravilhoso de se ver e foi campeã com todos os méritos.

É preciso talento

Ter um grupo unido e comprometido é importante quando se joga uma competição como a Copa do Mundo, formada por seleções que não pagam os salários dos jogadores, e é inevitável que ele demonstre mais vontade de jogar pelo seu clube do que pela sua pátria. Entretanto, sem o talento não adianta nada ter jogadores voluntariosos. O título da Espanha mostra isso, e até o vice da Holanda também, nas figuras de Sneijder e Robben. Em 1994, por exemplo, o Brasil tinha a garra e tinha os pés de Romário. Em 2010, também tinha a garra, mas tinha os pés de Felipe Melo cravados na coxa de Robben. Está aí a diferença.

 O dez

Virou moda dizer que o mundo não tem mais camisa 10. Os únicos exemplos citados são o de Riquelme, Veron e etc. Essa Copa, porém, teve três grandes camisas 10 entre os quatro semifinalistas: Ozil, na Alemanha, Xavi, na Espanha, e Sneijder na Holanda. Podemos citar também o Messi, na Argentina, que fez bom mundial. Camisa 10 há, mas é evidente que ele não é tão abundante como a água.

Tática

Assim como em 2006, quando as duas finalistas utlizavam o esquema 4-2-3-1, esta Copa foi mais uma demonstração que esses são os números da moda. A Alemanha jogou com Podolski na esquerda, Ozil no centro, Muller na direita e Klose à frente. A Espanha, na mesma ordem, com Villa, Xavi, Iniesta e Torres. A Holanda, por sua vez, teve Kuyt, Sneijder, Robben e Van Persie. Dos semifinalistas, quem destoa novamente é o Uruguai, que apostou na formação com três zagueiros.

Retrospecto

Tem muita gente que odeia retrospecto. Realmente, muitas vezes não importa os números do passado, mas esse mundial desmentiu essa ideia. A Holanda chegou à final no Soccer City com 25 jogos de ivencibilidade, e a Espanha venceu 49 dos últimos 54 jogos, empatou 3 e perdeu apenas 2, curiosamente, ambos na África do Sul, contra os Estados Unidos pela Copa das Confederações, e contra a Suíça, na primeira rodada. Quem olhasse apenas para os números, conseguiria prever a decisão da Copa de 2010. Talvez o polvo Paul tenha feito isso.

De dentro ou de fora

Outra questão que foi desmistificada nessa Copa do Mundo é a velha história de convocar mais jogadores que jogam dentro do país ou fora. Tivemos os dois casos. A Espanha chegou à final com todos os jogadores, menos Fabregas, disputando La Liga. Já a seleção holandesa, tinha apenas três jogadores do time titular batendo bola no seu país de origem. Outras seleções, como Inglaterra e Itália, por exemplo, também convocaram os 23 de suas ligas nacionais e fizeram péssimas campanhas. A conclusão que se tira é que não dá pra concluir nada sobre isso.

Os mitos

Bom, caíram muitos. Um deles é a força constante que dão aos campeões do mundo. Talvez por, de fato, dificilmente alguém novo conseguir ganhar a Copa do Mundo, os comentaristas adoram dizer, sem a menor análise, que a Itália sempre vem forte, e que não podemos nos descuidar com a França. Ambas caíram na primeira fase e, mesmo a Alemanha que jogou um ótimo mundial, parou nas semifinais. As seleções que já venceram a Copa geralmente são as candidatas porque têm os melhores jogadores do mundo, mas é um erro descartar outras, como Espanha e Holanda, por exemplo, que fizeram a final. O erro, na verdade, é não analisar e ir apenas nos estereótipos e preconceitos. Não sei com que time os espanhóis virão ao Brasil, mas projeto que para muitos passarão a ser favoritos, mesmo que convoquem o time inteiro do Almeria.

Maldição do melhor do mundo

Incrível. O melhor do mundo não consegue mesmo ganhar a Copa. Desde 1958, quando a France Football inventou a Bola de Ouro e, mais tarde, em 1991, com o prêmio de melhor do mundo da FIFA, os consagrados não levantam a taça. É bom lembrar que até os anos 90, a revista francesa premiava apenas os europeus. Os jogadores que falharam foram o espanhol Di Stefano (58), o italiano Omar Sívori (62), o português Eusebio (66), o italiano Rivera (70), o holandês Cruyff (74), o dinamarquês Simonsen (78), o alemão Rumenigge (82), o francês Michel Platini (86), o holandês Marco Van Basten (90), o italiano Robertto Bagio (94), o brasileiro Ronaldo (98), o português Luis Figo (2002), o brasileiro Ronaldinho Gaúcho (2006), e agora o argentino Lionel Messi. Todos eles venceram os prêmios dos anos anteriores, pois a Copa é em julho e a premiação acontece apenas no fim do ano.

Os que chegaram mais perto foram Cruyff, naquele crime que ocorreu em 74. Rumenigge, dizimado por Paolo Rossi em 82 e Ronaldo, assolado por uma convulsão em 98, todos na final. Além, claro, de Baggio, que poderia ter mudado a história caso acertasse o pênalti que cobrou.

Não faltou craque

Cada um tem seu conceito de craque, mas, no meu, o que não faltou nessa Copa foram eles. Entre os dez muito bem indicados pela FIFA antes da final, todos fizeram bons mundiais e seriam vencedores honrados. O meu voto vai para Diego Forlan, que fez uma Copa irretocável, e fico feliz que a FIFA também percebeu e lhe deu o prêmio, quebrando a tradição de escolher apenas jogadores do time campeão.

Nível técnico

Esse tópico será polêmico, pois muitos foram enganados pela primeira fase. É evidente que uma Copa com Argélia e Grécia está sujeita a jogos ruins, mas quando as principais seleções do mundo se enfrentaram, não houve decepção. Algumas com estilos mais defensivos, como Portugal, outras mais ofensivas, como a Argentina, proporcionaram bons jogos. Não foi o melhor mundial da história, mas sem dúvida não foi o pior.

A melhor geração do mundo

Sempre se fala que o Brasil tem os melhores jogadores do mundo. Discordo. A melhor geração do planeta é a espanhola. Se fizesse uma mistura entre os chutadores de bola dos dois países, não tenho dúvidas que a predominância seria vermelha. Por exemplo: Júlio César; Daniel Alves, Lúcio, Piqué e Capdevilla; Xabi Alonso, Xavi, Iniesta e Kaká; Fernando Torres e David Villa. O técnico eu não vou nem falar quem eu escolheria…

A razão da superioridade espanhola é a categoria de base. Enquanto o Brasil a trata com o maior descaso possível, a Espanha faz um trabalho fortíssimo de formação de jogadores, e os frutos já começaram a aparecer, não só no futebol, mas também no automobilismo, com Fernando Alonso e Jorge Lorenzo, no tênis, com Rafel Nadal, no basquete, com Pau Gasol, e por aí vai…

Arbitragem

Mais polêmica. Não achei que os árbitros foram tão ruins. Houve erros crassos, evidentemente, como o gol de Tevez e o de Lampard, que foi mas não foi. Entretanto, no geral, a arbitragem soube controlar os jogos e não inteferiu na maioria das partidas. Um exemplo é a semifinal entre Espanha e Alemanha, que teve sua primeira falta aos 27 minutos. No Campeonato Brasileiro, essa partida já estaria com mais de 30 interrupções…

A final da Copa foi um caso à parte. Quem acompanha o Campeonato Inglês já está acostumado com o excesso de conversa do apitador Howard Webb. É o estilo dele e, na

Premier League, costuma dar certo, mas os holandeses e espanhóis não estavam afim de parar de bater.

Surpresas e decepções

A principal decepção foi, sem dúvida nenhuma, a Inglaterra. Imaginava que ela pudesse até ter jogado domingo com a Espanha, mas os ingleses não conseguiram parar os meninos da Alemanha. Mais do que isso, jogaram em um nível muito abaixo do esperado, principalmente jogadores chaves como Wayne Rooney e Frank Lampard. Além do English Team destaco também a campanha pífia da França, que não era pra ser campeã do mundo, mas não era para sair do que jeito que saiu .

Eu esperava muito menos do que a Alemanha demonstrou. Sem o capitão Ballack e com um time muito jovem, achei que pararia nas quartas, mas Ozil, Muller e Schweinsteiger surpreenderam. Além dos alemães, destaco as campanhas asiáticas, de Coreia do Sul e Japão, que estão tomando o lugar dos africanos como terceiro continente no futebol.  Mas, sobre a maior surpresa, falarei mais detalhadamente no post seguinte.

Celeste olímpica

Que Copa fez o Uruguai! Principalmente na figura de Diego Forlan, que chamou a responsabilidade para si em todos os jogos. Luis Suárez também fez um mundial irretocável, e deve ir para um time grande da Europa na próxima temporada. Jogando com muita garra e com um sistema defensivo bem montado, embora não brilhante, os uruguais conseguiram seu papel de protagonista do futebol mundial de volta, pelo menos em 2010. Além de Suárez, outros jovens como Godin e Cavani, por exemplo, podem manter a chama celestial acesa por mais tempo, como na Copa América de 2011.

Fora de campo

Além do bom futebol jogado nos gramados da África do Sul, vários destaques apareceram nos arredores. O polvo Paul, que acertou todos os palpites e rendeu matéria de portais brasileiros sobre a sua vida sexual, ao contrário de Mick Jagger, que torceu sempre pro time errado. Houve também Larissa Riquelme, a paraguaia de palavra que encantou o mundo. Sem falar das chatíssimas vuvuzelas e da Jabulani, a pior bola da história das Copas. Mas o ápice não-futebolístico foi a entrada de Nelson Mandela em campo antes da decisão. Faltando exatamente uma semana para completar 92 anos, ele foi aplaudido pelo estádio inteiro. Suspeito, inclusive, que tenha sido aplaudido pelo resto do mundo também.

2014

Faltam quatro anos para a próxima Copa do Mundo, e isso me entristece muito, mas já arrisco algumas projeções. Posso estar muito enganado, mas imagino que Alemanha e Argentina chegarão muito forte ao Brasil. A primeira já demonstrou ter uma geração talentosa, que precisa apenas de amadurecimento. A segunda, por sua vez, tem seus principais jogadores no começo dos 20 anos, e se conseguir um mínimo de consistência tática, pode ser campeã do mundo mesmo com Maradona no comando técnico.Agora, não se surpreendam se a Espanha conquistar o bicampeonato no Maracanã. Dos 11 que começaram contra a Holanda, apenas Puyol, Capdevilla e Xavi podem não ter condições de jogar em 2014.

Numerologia

- Holanda chegou a sua terceira final de Copa. Ultrapassando Tchecoslováquia (34, 62), Hungria (38, 54), Uruguai (30, 50) e França (98, 06)

- A Espanha, jogando de azul, foi a primeira campeã do mundo com o segundo uniforme desde 1966, e a décima primeira seleção a vencer a Copa vestindo essa cor.

- Com o gol de Iniesta a Copa da África do Sul chegou a 145 gols, e a uma média de 2,29 por jogo. A Copa da Alemanha, em 2006, teve 2,3. A pior continua sendo a da Itália, em 90, com 2,21, e a melhor foi em 1954, com 5,38 tentos por partida.

- Sexta final que vai para a prorrogação. As outras foram em 34, 66, 78, 94, 06. Apenas duas foram para os pênaltis, a dos Estados Unidos e da Alemanha.

- A Nova Zelândia foi a única invicta da Copa de 2010, tendo empatado seus três jogos contra Eslováquia, Itália e Paraguai.

- A Espanha conquistou o décimo quinto título de um país que fala uma lingua oriunda do Latim em 19 Copas do Mundo.

- Além de Heitinga, que tomou 2 cartões amarelos, outros 12 foram advertidos, marcando um recorde em final de Copa do Mundo. A última decisão com tantos cartões foi em 86, quando o árbitro brasileiro Romulado Arppi Filho deu 6 cartões amarelos para Argentina e Alemanha. O zagueiro do Everton também foi o quinto a ser expulso em finais, juntando-se a Monzon (90), De Zotti (90), Zidane (06) e Desailly (98).

- A final da Copa do Mundo teve 14 cartões, dois a menos que Holanda e Portugal, em 2006, o jogo mais violento da história dos mundiais.

- Com a vitória sobre a Argentina por 4×0 a Alemanha chegou pela terceira vez seguida a uma fase de semifinal pela terceira vez na história, superando o Brasil que conseguiu o mesmo feito em 1970-78 e em 1994-02. Além disso, os alemães já somam 12 Copas do Mundo entre os quatro primeiros, duas a mais que o Brasil. Curiosamente, eles só chegaram juntos às semifinais em quatro oportunidades: 1958, 70, 74 e 2002.

- A Espanha foi a única campeã do mundo após perder a partida de estreia, e a sexta a vencer a sua primeira final, após Uruguai-30, Itália-34, Alemanha-54, Inglaterra-66 e França-98.

 O futebol arte venceu!

8 de julho de 2010 por Carlosergipe | Copa da África
O zagueiro Puyol marcou o gol que garantiu a primeira final da Espanha na história das Copas.

O zagueiro Puyol marcou o gol que garantiu a primeira final da Espanha na história das Copas.

Antes da Copa do Mundo começar apontei aqui que Brasil, Espanha e Inglaterra eram os favoritos ao título na África do Sul. A maior bronca dos leitores e internautas com a minha posição era que a Argentina deveria estar entre os três favoritos ao caneco. Ou seja, não era só eu que não acreditava na Alemanha. Mas ela cresceu, surpreendeu e ganhou moral para ser chamada de a “favorita” entre as quatro seleções que chegaram à semifinal de 2010. Afinal, não é todo dia que vemos uma seleção atropelar potências como Inglaterra e Argentina, eu falei atropelar. E isso aconteceu muito pela mudança de estilo de jogo feita pelo técnico Joachim Low, que enxergou nos jovens alemães uma habilidade de toque e posse de bola parecida com brasileiros e argentinos, aliando espetáculo a resultado.

Mas não foi isso que aconteceu no jogo de ontem. A Alemanha era aquela de outras Copas. Jogou atrás, retrancada, esperando para ver o que ia acontecer. E viu uma Espanha fazer o que os próprios alemães estavam fazendo na África do Sul: tocar a bola, rodar o jogo e achar espaços na linha de defesa adversária. A Fúria foi superior durante toda a partida e chegou a sua primeira final de Copa do Mundo. Além de ter um time superior ao da Holanda, contará com a torcida de todos aqueles que gostam de futebol, que admiram um jogo para frente, não aquele que vimos em muitos jogos da Copa quando um time entrava em campo para não perder.

O mais curioso é que acredito que nosso enviado à Johannesburgo, Kléber Santos, deve ter dado ao técnico alemão um exemplar do Jornal da Cidade da última terça-feira, quando coloquei em destaque o seguinte trecho: “Foi jogando o de costume que a Alemanha conseguiu suas maiores conquistas. Será que agora, com este novo estilo de jogo, subirá no topo mais alto do mundo?”. E a resposta veio ontem. Low pensou, pensou, e colocou em campo uma Alemanha sem ousadia, ou melhor, medrosa, sem fome de bola. A todo o momento era possível ver nove alemães no campo defensivo. E deste modo, sucumbiu. …

A Espanha mereceu, fez o seu melhor jogo da Copa. Jogou o que vinha jogando há dois anos, quando conquistou a Eurocopa em cima desta mesma Alemanha, que parecia ter aprendido a lição, que parecia ter entendido que para ganhar da Espanha era preciso jogar bola. Felizmente, no final, o futebol arte venceu. Será que na final ele vai prevalecer?

 A Alemanha aprendeu com a Espanha. E agora?

7 de julho de 2010 por Carlosergipe | Copa da África
Alguém para essa Alemanha?

Alguém segura essa Alemanha?

Sai Zica! Essa é a frase que os alemães mais vêm dizendo nas últimas Copas. Na língua germânica, claro. Em 2002, foi vice-campeã frente ao Brasil. E em 2006, terceiro lugar jogando em casa. Agora em 2010, foi apontada pelos resultados expressivos frente às seleções da Argentina e da Inglaterra como time a ser batido na África do Sul. E, realmente, merece tal posto.

Recordo que antes de estrear na Copa todos olhavam com muita desconfiança para essa seleção, principalmente sabendo que o seu líder, o capitão Michael Ballack, havia sido cortado por lesão. E eu era uma destas pessoas que não acreditavam na Alemanha. Porém, os meninos do técnico Joachim Low mostraram ao mundo que Balack era apenas o garoto propaganda da única camisa tricampeã do planeta. E mais, Ozil, Müller, Podolski e companhia limitada, apresentaram um futebol de dar inveja a qualquer argentino ou brasileiro.

Sim, por incrível que pareça aquele futebol pragmático, organizado e de muita bola área foi substituído pelo toque de bola e pelas jogadas de efeito. Não sei se essa mudança aconteceu devido a um processo normal de renovação e de surgimento de jogadores com características apropriadas para tal estilo de jogo ou se foi a derrota frente à Espanha na Eurocopa de 2008, quando a Alemanha percebeu que para vencer a atual campeã européia e ir longe na África do Sul a seleção precisava de mudanças. Afinal, mesmo quando liderava com folga o grupo 4 das eliminatórias européias, não convencia como hoje.

Mas chegou a hora de saber se realmente a Alemanha aprendeu direitinho a lição. Vai enfrentar uma Espanha que aliou o jogo bonito ao resultado positivo. Está longe de ser aquela seleção que encantou a todos nos últimos anos, mas o que importa é que está vencendo, coisa que nunca consegue fazer. E ainda mais o time é muito bom. Tem jogadores espetaculares como Villa e Iniesta e um time equilibrado taticamente. O problema é que tem pela frente uma camisa que costuma pesar em Copas do mundo. Um time que erra muito pouco. Uma seleção fria e calculável.

Contudo, foi jogando o de costume que a Alemanha conseguiu suas maiores conquistas. Será que agora, com este novo estilo de jogo, subirá no topo mais alto do mundo?

 Eficiente

6 de julho de 2010 por Carlosergipe | Copa da África

Por Bruno Bonsanti

Kuyt vem sendo um dos destaques do esquema da laranja.

Kuyt vem sendo um dos destaques do esquema da laranja.

A Holanda não brilhou nesta Copa do Mundo. Teve dificuldades para vencer a Dinamarca e o Japão. Depois, jogou de qualquer jeito contra Camarões e venceu de forma sossegada a Eslováquia. Nas quartas de final, mostrou uma frieza absurda para virar sobre a seleção pentacampeã do mundo e, na semifinal, teve o mesmo controle psicológico para não se abater quando o Uruguai pressionou.

Venceu os seis jogos dessa Copa e os oito das Eliminatórias, e chega à terceira final da sua história com todos os méritos. O futebol, de longe, não foi o mesmo desempenhado por Cruyff, Neesken, Resenbrick e companhia bela em 1974, nem pode ser  comparado à pelota que Gullit, Van Basten e Rijkaard jogaram no título europeu de 1988, mas esse time comandado por Robben e Sneijder também conseguiu seu lugar na história, apoiando-se na eficiência.

Inclusive, o meia da Inter de Milão tem tudo para ser eleito o craque da Copa. Nem Thomas Muller e nem David Villa foram tão decisivos quanto ele, que foi escolhido o melhor em campo quatro vezes nesta Copa, contra Dinamarca, Japão, Brasil e Uruguai. Além disso, é o artilheiro do mundial com cinco gols, e caso a Holanda seja campeã, deve ganhar a Bola de Ouro FIFA no fim do ano.

Robben, por sua vez, estreiou apenas contra Camarões, na última rodada da fase de grupos, participando diretamente do lance do gol da vitória, inclusive. Contra o Brasil e Uruguai, sua jogada característica foi muito bem marcada, mas, de qualquer forma, puxava pelo menos dois marcadores. Na partida desta terça-feira, fez um gol e infernizou a zaga celeste, com jogadas mais variadas.

Outro jogador que é protagonista desta seleção é Kuyt. O jogador é aquele grosso que consegue sucesso na Europa compensando a falta de técnica com vontade. E é justamente assim que o atacante do Liverpool joga na Holanda, correndo muito e invertendo posição com Robben e Van Persie, uma das maiores decepções individuais deste mundial.

A Holanda não brilhou nesta Copa do Mundo, mas foi extremamente eficiente e, diferente do Brasil, que já tem cinco títulos, a Laranja Mecânica precisa de uma conquista de qualquer forma. Sendo assim, é extremamente compreensível que Bert Van Marwijk arme a equipe de uma forma mais conservadora. É compreensível para mim, claro. O holandês tem mesmo é que cobrar a marca registrada do seu futebol, que é a beleza. Mas sugiro que o faça apenas a partir de 11 de julho.

Uruguai

Todas as palmas do mundo para o Uruguai. Após 40 anos conseguiram destaque no futebol, chegando às semifinais. É verdade que a primeira grande seleção que enfrentou foi a Holanda, mas lideraram um grupo difícil, com México e a dona da casa África do Sul. A França não conta. Forlan tem lugar em qualquer seleção da Copa que se faça, e Suarez mostrou por que é uma das maiores revelações do futebol mundial. Além disso, é um time que não tem tanta idade, e pode até sonhar com mais boas campanhas no futuro.

 Adeus Dunga…e até nunca mais!

5 de julho de 2010 por Carlosergipe | Copa da África
Alguém vai sentir saudades dele?

Alguém vai sentir saudades dele?

Logo após o fracasso de 2006, a CBF mostrou toda sua competência ao colocar Dunga como técnico da seleção mais vitoriosa do planeta. E se isso é uma responsabilidade e tanta para qualquer treinador renomado internacionalmente, imagine para alguém que nunca tinha treinado nem sequer o time da escolinha de futebol do próprio filho. Ele chegou anunciando que mudanças drásticas viriam e que iria resgatar a vontade do jogador brasileiro de vestir a amarelinha. E de certa forma, conseguiu. Porém, confundiu em alguns casos comprometimento com amizade, e pensando em manter o mesmo grupo que ganhou tudo o que disputou desde 2007, ignorou o talento daqueles que surgiam e que pareciam estar num melhor momento.

Os resultados impressionantes nunca deixaram brechas para a imprensa massacrar Dunga como está fazendo agora. Dizer que algo estava errado antes de fracassar na Copa era uma ofensa para o capitão do tetra, que sempre respondia com patadas e muita falta de educação. Ninguém o agüentava, nem mesmo a emissora que tem contratos com a CBF. Prova disso foi sua enxurrada de xingamentos ao jornalista Alex Escobar, da Rede Globo. Só que ao contrário do que muitos pensam esta relação com a mídia influenciou e muito nas suas decisões capitais, principalmente na convocação para a Copa. E isso me faz ter certeza que se não falássemos que ele deveria chamar Ganso, por exemplo, ele convocaria.

Dunga acertou na maioria dos pontos, mas teve pecados capitais. O primeiro foi acreditar que venceria a Copa só com os titulares, afinal a falta de um banco de reservas à altura do time principal foi ressaltada por todos. Jogadores em alta como Ganso e Neymar fariam muito mais que Kléberson e Josué, meros turistas na África do Sul. O segundo foi que os laterais-esquerdos Gilberto e Michel Bastos não jogam nesta posição há anos. Resultado? Nosso lado esquerdo foi inútil na Copa. O terceiro e último foi que o Brasil foi para a Copa sem um técnico de verdade, sem um camisa 10 com condições físicas para jogar futebol e com um carroceiro que muito avisou a Dunga (em suas repetidas e ignorantes ações) que não tinha condições de estar ali.

Felipe Melo é apontado pela imprensa brasileira como um dos principais culpados do fracasso brasileiro.

Felipe Melo é apontado pela imprensa brasileira como um dos principais culpados do fracasso brasileiro. Precisa dizer por que?

No dia seguinte à classificação frente ao Chile publiquei aqui o texto “Sem Felipe Melo, o Brasil é outro”. Se hoje eu quisesse publicá-lo igualzinho como foi escrito há uma semana caberia como uma luva. Isto prova que os defeitos da seleção brasileira sempre estiveram escancarados e que o “técnico” Dunga, orgulhoso como é, fez questão de ignorá-los. Para não ser repetitivo vou copiar apenas um trecho daquela coluna: “Mais do que a má fase de Kaká, temos que lamentar, e muito, o cartão amarelo tomado por Ramires, que está fora do jogo contra a Holanda. Isso pode ser fundamental para a classificação da amarelinha frente à laranja mecânica, que ainda não brilhou na Copa, mas que tem peças suficientes para fazer isso acontecer”. E foi o que aconteceu…

Logo após o gol de Robinho, que nasceu de um passe de Felipe Melo, meu pai me disse: “Você vai ter que elogiar o Felipe Melo agora”. Olhei meio ressabiado, mas segui assistindo a partida. E o Brasil fez um primeiro tempo quase perfeito. Faltou mais um gol para dar a tranquilidade que precisaria na volta do intervalo. O jogo era tão fácil para o Brasil que meu tio me disse: “Jogando assim não tem como perder hoje”. E eu respondi dizendo que um gol poderia mudar tudo, e mudou…

No início do segundo tempo o mesmo Felipe Melo que deu a assistência para o gol, quase entregava outro, só que para o adversário. Em seguida, ele faz um gol contra numa falha de comunicação com Júlio César. E eis que acontece o pior. O carroceiro pisa maldosamente no holandês, e é expulso de campo infantilmente. Mais absurdo do que isso, é o mesmo, de cabeça fria, pós-jogo, dizer que o juiz foi rude, quando todos viram que o cavalo foi e é ele mesmo. Com um a menos e muito nervoso, o Brasil inteiro viu Dunga assinar o seu fracassado projeto de comprometimento e coração na ponta da chuteira como “Burro”. Precisando virar o jogo, ele sacou o artilheiro Luís Fabiano e mandou Nilmar a campo. E provou mais uma vez que de técnico, ele não tem nada.

A Holanda não tem time superior ao Brasil coisa nenhuma. Segue sendo uma seleção previsível e com muitas falhas defensivas, mas deu sorte. E quando virou o jogo encontrou uma seleção sem jogadores capazes de mudar a história de uma partida em uma jogada individual. Contudo, o comprometimento que faltou em 2006, quando choramos na queda frente à França, sobrou. Mas o talento daquela seleção e do que temos hoje no Brasil, foi determinante para a queda de Dunga e os seus guerreiros.

 Previsível

2 de julho de 2010 por Carlosergipe | Copa da África

Por Bruno Bonsanti

Sneijder foi o destaque da Laranja e por isso foi escolhido o melhor em campo contra o Brasil.

Sneijder foi o destaque da Laranja e por isso foi escolhido o melhor em campo contra o Brasil.

Para começo de conversa, a seleção holandesa fez uma bela partida contra o Brasil. No primeiro tempo teve muitas dificuldades com a ótima marcação sobre Robben, sempre com, pelo menos, dois brasileiros. Além disso, Sneijder sumiu, anulado por Felipe Melo que, pasmém, foi o melhor da primeira etapa. Kaká, Robinho e Luis Fabiano tinham espaço e poderiam ter ampliado o placar e matado o jogo, mas Stekelenburg fez defesas providenciais.

No segundo tempo, porém, a Holanda voltou com outra postura.  A marcação afrouxou e Sneijder passou a tomar conta do jogo. Após o primeiro gol, era claro que o Brasil precisava mudar o rumo da partida, e aí entra o primeiro pecado de Dunga.

Quem poderia fazer isso? O técnico abdicou dos que poderiam fazer algo diferente em nome do grupo, e se viu sem opções na hora que precisou. A substituição que ele fez é, no mínimo, ridícula: tirou Michel Bastos para a entrada de Gilberto.

Em seguida, quando já estava atrás do placar, outra falha dunguistica apareceu. Ao apostar em Felipe Melo, o treinador ficou sujeito a seus destemperos. Nas duas partidas complicadas que o Brasil teve, o volante da Juventus perdeu a cabeça. Nesta sexta, contra a Holanda, e contra Portugal. Manter a frieza enquanto vence o Chile é muito fácil. Outro detalhe importante é que o gol da vitória dos laranjas saiu justamente do lado esquerdo, sempre apontado como o mais frágil no time brasileiro.

Fazendo um balanço rápido da participação tupiniquim na África do Sul, concluo que a seleção jogou bem uma única partida, contra a Costa do Marfim. Sofreu para vencer a Coreia do Norte e se complicou contra Portugal. As oitavas de final, quando teve o Chile como adversário, não conta, pois o time de Valdivia só vencerá o Brasil quando o sertão virar mar, e vice-versa.

A ordem para 2014, agora, é renovar. E direito. Pois a renovação que aconteceu de 2006 para cá foi maquiada. Daquele elenco, muitos jogadores permaneceram na seleção, e a média de idade foi uma das mais altas da história. A única coisa que Dunga fez foi afastar alguns jogadores símbolos do descaso na Alemanha, ou seja, apenas para inglês ver.

O melhor nome para comandar esse processo é Felipão. O técnico do Palmeiras tem cancha suficiente para aguentar a pressão, além de um ótimo conhecimento do riscado. Resta saber se ele abandonará o projeto com o qual assumiu compromisso ou, pensando um pouco mais longe, aceitará levar os dois ao mesmo tempo.

 No final das contas, o time dos jogadores comuns com amor à camisa chegou  tão longe quanto os craques na zona de conforto. Que tal, para 2014, acharmos um meio-termo?

 Na teoria e na prática quem se classifica é…

1 de julho de 2010 por Carlosergipe | Copa da África

Chegou a hora do pega pra capar! As oito mais eficientes seleções do mundo brigam entre si para ver quem levanta a taça. E o primeiro jogo logo de quem é? Brasil. Sim, o grande favorito joga amanhã com uma Holanda que não brilha, que tem uma seleção pior do que as de 1994 e 1998 (que foram eliminadas pela amarelinha), mas que tem bons jogadores e promete se vingar. Na teoria e na prática, dá Brasil. Já no outro jogo desta chave, muito equilíbrio. Se por um lado o Uruguai tem mais técnica e tradição, por outro Gana jogou um futebol mais vistoso e fisicamente é a melhor seleção da Copa (como os caras correm…). Na teoria, dá Uruguai, mas na prática, penso que dá Gana.

Do outro lado da tabela, o grande jogo das quartas de final: Argentina x Alemanha, que talvez sejam as duas seleções que mais fizeram jogos bonitos na Copa. Tradição num clássico como este não tem como pesar na balança, mas o futebol sim. O sistema de marcação alemão é organizado e muito eficiente. Mas o ataque dos hermanos é imbatível. Na teoria e na prática dá empate, prorrogação e pênaltis, como foi em 2006 na Copa da Alemanha. Naquela ocasião a seleção tricampeã do mundo saiu vencedora nos pênaltis. Mas como disse na primeira coluna antes de começar a Copa, se Messi fizer chover, não tem quem segure.

O adversário deste clássico mundial enfrenta uma seleção que não brilha: ou Espanha ou Paraguai. A primeira fez uma campanha perfeita nas Eliminatórias, mas na Copa, como é de costume, não comprovou os números do seu futebol arte. A segunda teve um caminho ridículo pela frente: Itália, Nova Zelândia, Eslováquia e Japão. E mesmo assim, não empolgou. Por isso, mesmo jogando mal e com Fernando Torres sem jogar nada, a Espanha, na teoria e na prática, deve passar. Caso isso não aconteça, a Espanha será conhecida como a terra onde acontece a cada quatro anos o maior Festival de Pipoca do planeta.

E aí, no futebol, a teoria vale para alguma coisa ou só o que é feito na prática prevalece?

 Espanha toca, toca, e ninguém atende…

30 de junho de 2010 por Carlosergipe | Copa da África

O time que todos esperavam, definitivamente, não está na África do Sul. A campeã européia, que há 60 anos não chega a uma semifinal de Copa tem o fraquíssimo Paraguai pela frente, que suou para passar pelos japoneses. A Espanha chegou a ser colocada como time a ser batido, acima de grandezas como Brasil e Argentina, mas está longe de ser isso que disseram. Mas realmente não dá para negar! Era quem estava mais jogando bola antes da maior competição do planeta. Sim, era…

E isso não tem nada a ver com o que muita gente gosta de rotular em relação à Fúria, que é o fator “pipocar”. A Espanha tem um sério problema que resume porque é uma seleção que monta grandes times, mas que não ganha nada. Falta uma palavrinha para que essa sopa de letrinhas espanhola não engasgue. Falta objetividade. E é justamente daí que surge a brincadeira do toca, toca, toca e ninguém atende, ou melhor, ninguém chuta. O toque a mais e com um pouco de beleza é sempre preferível do que um chute de bico no gol, por exemplo. E isso fez com que a Espanha não tenha feito a maior goleada da Copa contra Honduras, mesmo Portugal tendo feito 7 x 0 na Coreia do Norte; tenha sofrido para ganhar do Chile com um a mais em campo; e tenha jogado mais uma partida mediana e sem brilho contra a retranca portuguesa.

Sim, a campeã européia ainda pode ser campeã mundial em 2010, afinal da mesma forma que falei ontem que a Holanda tem repertório suficiente para mudar seu futebol e começar a brilhar na Copa, a Espanha também tem. E ao contrário da laranja, a Fúria tem um adversário perfeito para isso: o Paraguai, time que sem o “gordinho” Cabañas não consegue repetir o bom futebol das Eliminatórias e que faz desta seleção a mais fraca dentre as oito que estão nas quartas de final. Mesmo assim, com o futebol decepcionante apresentado na Copa não se pode mais cravar a Espanha na semifinal contra Alemanha ou Argentina.

Até porque Fernando Torres está conseguindo ser pior do que Kaká na África do Sul. O meio campo, com Xavi, David Silva e Iniesta toca, toca e não resolve nada. A zaga está insegura e pressionada depois de ter levado gols para Suíça e Chile. A camisa, sem títulos, não ajuda. E só Villa parece interessado em fazer isso mudar. E deste modo, pode tocar quanto quiser, mas ninguém vai atender…