
O time da prefeitura de Carmópolis é o favorito para levar o bicampeonato em 2011.
Não tem mais Itabaiana, Confiança, nem muito menos Sergipe, hoje quem dita as ordens no futebol sergipano é o River Plate. O atual campeão sergipano foi fundado em 1967, porém só apareceu para o mundo quarenta anos depois. Tem sido destaque em mídias de âmbito nacional, por muito pouco não eliminou o Botafogo (foi prejudicado com a marcação de um gol irregular), venceu o primeiro turno do estadual e está confirmado na Copa do Brasil de 2010 e, claro, humilhou o maior campeão sergipano na última semana em pleno Batistão. Afinal, quem é esse River Plate? Até onde ele pode chegar? Que futuro está reservado para a maior força de Sergipe no futebol brasileiro? É o novo Pirambu (time sergipano que surgiu do nada com apoio da prefeitura, foi campeão estadual, levou o jogo da Copa do Brasil contra o Corinthians para São Paulo, e sumiu no outro ano)?
Tal discussão foi destaque no programa Nordeste FC da Rádio Gazeta AM de São Paulo no último sábado, quando foi ao ar uma matéria com o supervisor do clube Nelson Lima. Ele explicou que a história de sucesso começa com o fracasso do clube em 2007, quando o empresário Beto Caju tentou montar um time competitivo, mas acabou não conseguindo êxito. Em 2008, nem participou da segunda divisão do Campeonato Sergipano e por isso, em 2009 o clube foi repassado para a prefeita que até então estava assumindo o cargo. O time subiu, foi campeão sergipano pela primeira vez em 2010 e é o grande favorito para conquistar o caneco de 2011.
O sucesso, claro, está diretamente ligado ao fato do clube ser bancado pela prefeitura da cidade de Carmópolis, que como o mesmo Nelson Lima afirma, é o time de uma cidade petroleira, que é pequena, mas é rica. ´´A prefeitura banca totalmente o River Plate. Nossa folha salarial é, em média, de R$ 130 mil reais, sendo que a prefeitura repassa R$ 80 mil, e os outros R$50 mil vem do patrono do clube, Fernando França, que como todos sabem já foi presidente do Confiança´´.
Outro clube nordestino que também está se sobressaindo, ou melhor, está voando, é o ASA de Arapiraca. É impressionante a superioridade do time no estadual de Alagoas. Só para você ter uma ideia, o time chegou a ter quase três vezes mais a pontuação do CSA (39 contra 16 na penúltima rodada). Mas o fato mesmo é que é mais um time de prefeitura que não para de crescer. Fez uma grande campanha na Série B do ano passado e promete pelo menos o mesmo para este ano.
Num momento em que se fala de uma dívida de aproximadamente R$ 1 milhão no maior campeão sergipano, de cinco vezes esse valor no maior campeão alagoano, e entre outras dívidas nos nossos clubes tradicionais, surgem várias questões: os clubes tradicionais sucumbirão aos times de prefeitura? A sociedade aprova esse tipo de investimento público? A salvação para clubes como CSA e Sergipe está diretamente ligada a um possível apoio do poder público? E, por fim, vou reproduzir o que internautas e ouvintes do Nordeste FC tem afirmado em redes sociais e na nossa caixa de email: a salvação é a venda do clube tradicional para empresários (que é o que vem acontecendo com os maiores clubes da Inglaterra)?
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Bom dia Carlos! Esta talvez seja uma das questões mais delicadas que envolvem o futebol e os times chamados ¨pequenos¨,Brasil afora.Deixar a cargo de prefeituras o gerenciamento destes clubes, é complicado principalmente porque a maioria delas tem graves dificuldades em outras áreas,como saúde e educação,por exemplo.Repassar para empresários depende de vários aspectos já que o risco de se ter clubes itinerantes,sem tradição ou compromisso com o local aonde se fixa,é real.Talvez o ideal,( a escolha do adj não foi por acaso),fosse estabelecer parcerias,onde prefeitura,empresários e sócios pudessem garantir o sucesso dos clubes,a geração de renda e melhorias para as cidades e,claro,lucro.Abraços mil,Anna Kaum.
Político vai usar o clube apenas com fins eleitoreiros e como lavanderia para suas maracutaias. Isso nunca termina bem. Em São Paulo, há muitos exemplos de clubes de políticos que botaram dinheiro público a rodo no time. o time correspondeu com resultados, os jogadores do time atraíram atenção, foram todos vendidos, o dinheiro recebido foi parar não se sabe onde, e o que restou do time foi pro buraco.
Quanto ao exemplo inglês, acho que não dá pra fazer o mesmo aqui no Brasil. Em geral, os times de futebol daqui fazem parte das atividades promovidas por um clube. Se hipoteticamente você vender o clube (com o nome e tudo) ou o departamento de futebol, o dinheiro deve ser repartido centavo a centavo entre os sócios. Quem tem título patrimonial do clube é um dos donos desse clube.
Então esse negócio de clube se tornar uma S.A. no Brasil é conversa pra boi dormir. A entidade tem que nascer já como empresa é não como clube associativo.
Mas na prática todos os clubes do Brasil já estão vendidos para empresários…
Se a lei não for mudada, sim!
Tanta coisa para se preocupar, como saúde, educação, fica dando dinheiro para futebol. Será mesmo que isso dá retorno para a sociedade? Eu acho que não.
SOU CONTRA! Mas se continuar do jeito que está, a tradição vai para o saco.
Mais uma vez o Carlos Sergipe nos provoca e nos permite, de forma que muito admiro,fazer uma reflexão sobre tema relevante, principalmente para a nossa querida região Nordeste,ainda com muitas carências, e que envolve aplicação de recursos públicos.
O futebol tem uma grande importância social, notadamente no Brasil. E é claro que o interesse pelo futebol há que ser estendido do campo social ao econômico. Os efeitos socioeconômicos dos acontecimentos esportivos precisam ser valorizados quando presente subvenções do poder público. Geralmente nos concentramos ao analisar a prática do futebol, ou até mesmo de outros esportes, dedicando foco na valorização da equipe ou do clube. É claro que isto é um valor dos mais relevantes, mas é preciso,quando há recursos públicos envolvidos, pensar em termos de um conjunto de valores, que passa, também, pelos aspectos sociais e econômicos. O poder público pode fomentar o esporte. Aliás, a própria Constituição Federal diz que é dever do Estado fomentar práticas desportivas. Mas, é preciso ter cuidado quando temos em mente que o espetáculo desportivo tem se convertido num fenômeno de massas cada vez mais profissionalizado. Uma vez existindo recursos ou subvenções públicas destinadas a práticas desportivas há que existir mecanismos de controle rígidos destinados à devida avaliação do uso de tais recursos e o retorno que há para a sociedade. Financiar clube de futebol com dinheiro público onde há comprovação apenas e tão-somente de ganhos individuais em detrimento do coletivo não deve prosperar,independentemente do sucesso momentâneo do clube. Não podemos mais aceitar que existam pessoas “mamando nas tetas do poder público”, ainda mais quando temos tantas carências. O financiamento de qualquer coisa com dinheiro público deve se prestar de algum modo à melhoria dos padrões ou das condições de vida da população. No campo esportivo é válido o apoio do poder público quando temos a perspectiva de que tais iniciativas têm respaldo no fato de ser o esporte um meio de promoção de bem-estar, o que inclui considerá-lo: como meio de entretenimento para quem não tem condições financeiras para por si só buscar atividades para tanto; como meio de estímulo à prática de atividades físicas; como meio de desenvolvimento social e cultural, que fortaleça o desenvolvimento comunitário, com foco especial na juventude, e da descoberta de talentos para o esporte; como meio que possa proporcionar indiretamente renda para a cidade e sua população; como meio que permita a afirmação da cidadania, da capacidade de que cada pessoa se torne produtiva e capaz de ter com o trabalho o seu sustento de acordo com as suas necessidades e interesses; como meio que possa promover as pessoas para o desenvolvimento. Tudo isto precisa ser no seu conjunto convenientemente medido, avaliado com transparência, para que não paire dúvidas sobre a aplicação do dinheiro público, por menor que seja. Um transparente e participativo balanço com avaliação de perdas e ganhos é preciso considerar quando temos aplicação de recursos públicos nas práticas desportivas.
Viva, muitas vivas, a quem ajuda o desenvolvimento do esporte com aplicação de dinheiro público com sentido voltado para o bem comum. Independentemente de sucesso, que é sempre passageiro, de clubes esportivos que vivem pendurados nos cofres públicos, é preciso não baixar a guarda em termos da vigilância e cobrança necessárias quanto ao destino do suado dinheiro público.
Tem uma música de Luiz Gonzaga chamada “A Sorte é Cega” que em um dos seus trechos diz:
Passarinho na gaiola vive sempre a cantar
Passa fome, passa sede
Sem pedir, sem reclamar.
Mas existe a diferença,
Passarinho eu não sou…
Nós precisamos ser diferentes,sempre, e aprender a reclamar quando o dinheiro público não está no seu devido lugar, que em linhas gerais deve corresponder ao foco no bem comum, no coletivo e não no bolso de alguns poucos e sabidos indivíduos que gostam de sempre estar “mamando nas tetas do poder público”.
FIM DA TRADIÇÃO.
CLUBES INDIVIDADOS.
EMPRESÁRIOS GANHANDO FORÇA.
FUTEBOL CADA VEZ MAIS PRA BURGUÊS.