
A lebre Bahia está dormindo demais...
Uma das fábulas mais conhecidas pela sociedade é ”a lebre e a tartaruga’’, que, para que não conhece ou não está lembrado, é aquela que conta a história de uma lebre que desafiou uma tartaruga para uma corrida, argumentando que era mais rápida e que a tartaruga nunca a venceria. Desafio aceito, a tartaruga começou a treinar enquanto era observada pela lebre. Dias depois, chega o tão esperado dia da corrida. A lebre e a tartaruga se posicionam, e, após o sinal, partem em direção à linha de chegada. Mesmo a tartaruga correndo o máximo que poderia, foi facilmente ultrapassada pela lebre que, percebendo que estava bem na frente, se deitou a dormir. Enquanto isso a tartatuga não só estava chegando, como passou a frente da lebre, que acordou, brincou de ir e voltar, e, quando se deu conta, a lenta mas persistente tartaruga já havia ultrapassado a linha e vencido a corrida.
Lendo isso, mais uma vez você deve estar se perguntando o que isso tem a ver com o futebol nordestino, não é? Na realidade do nosso futebol, a lebre é o Bahia, que desde o início da Série B povoa as primeiras posições e se mostra como um dos favoritos ao tão sonhado acesso à Série A do Campeonato Brasileiro. Já a tartaruga é o Sport, que chegou a estar na zona do rebaixamento para a Série C e hoje está no pelotão da frente, chegando bem devagar, paciente, mas constante e consciente do seu objetivo.
Se, por um lado, em termos de títulos nacionais e torcida, a lebre, ou seja, o Bahia é o maior clube do Nordeste, é também o time que mais coleciona aproveitadores e gestores incompetentes. Isso pode ser constatado claramente sempre quando analisamos a fase do tricolor baiano após o título brasileiro de 1988, marcada por rebaixamentos para segunda e terceira divisão, viradas de mesa, e hegemonia estadual do maio rival, o Vitória. Deixando o passado recente de lado, o presente do Bahia é muito estranho. Ao mesmo tempo que, fora de casa, vence times grandes como Figueirense e Ponte Preta, empata em casa com Brasiliense, Bragantino, Vila Nova, etc.
Sendo assim, pode ser que, mais uma vez na reta final, descuide-se e fique de fora, mas o time é bom: os goleiros são bons; a zaga comandada pelo capitão Nem é boa; as laterais são eficientes, com o veloz Ávine e o irregular Jancarlos, que resolveu o problema crônico da ala-direita do Bahia; o meio-campo é bom, com destaques positivos para os meias Ananias e Rogerinho, e negativo, para o caro e ciscador Morais; e o ataque é um dos melhores da Série B, como Jael e Rodrigo Gral.
Mas se você me perguntar em quem eu mais confio para subir para a elite do futebol nacional, mesmo sabendo que o Bahia conquistou, no último sábado, uma grande vitória em cima do Leão pernambucano em plena Ilha do Retiro, eu respondo a tartaruga Sport do Recife. Até porque aquele time, que elogiei antes da Série B, anunciando até que era o candatíssimo ao título, voltou de vez. Os lesionados Daniel Paulista, Dutra e Wilson voltaram e acrescentaram muito ao time. O craque do rubro-negro, que no primeiro semestre havia sido Eduardo Ramos, agora é um melhor ainda: Marcelinho Paraíba. E com este homem de cabelos descoloridos distribuindo bola por onde bem quiser, a eterna promessa Ciro fica ainda mais inspirada.
Contudo, a moral desta fábula pode servir como gabarito na segundona deste ano, quando poderemos ver mais uma vez o Bahia cair de rendimento, como tem feito nos últimos anos, e não subir, e o Sport, manter a ascenção contínua e não só ir para a Série A, como conquistar o título da Série B. Dá para acreditar em fábula? Na minha opinião, nesta sim. E você, o que acha?
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