Posts de 25 de agosto de 2010

 O futebol sergipano ainda existe?

25 de agosto de 2010 por Carlosergipe | Futebol Nordeste

Toda semana eu sento no computador, entro em sites que destacam o futebol nordestino e tento encontrar coisas boas para falar sobre o futebol sergipano. Infelizmente, vejo que Bahia, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará tem representantes ou na primeira, ou na segunda ou até na terceira divisão, e que, junto com Piauí e Maranhão, Sergipe só tem representantes na Série D. Vale lembrar, que todos os Estados do Brasil têm vaga assegurada na quarta divisão, ou seja, todas as federações têm seus espaços assegurados mesmo que o futebol realizado em seu Estado seja de nível amador para baixo.

E me desculpe quem está pensando que é uma falta de respeito falar assim do nosso futebol, que sem dúvida tem uma rica história, mas que está sendo cada vez mais manchada por este interminável momento tenebroso que vivemos. Com todo respeito ao Piauí e ao Maranhão, mas estar no nível do futebol deles é estar sim no fundo do poço. Até porque para quem não se recorda no ano passado o futebol maranhense protagonizou o maior absurdo que eu vi na história do futebol: um time “abriu as pernas” para o adversário, que acabou fazendo nove gols em onze minutos, e ninguém foi punido. Já o futebol piauiense, que só inicia sua temporada em março, costuma apresentar absurdos como ter jogos normalmente às 9h da manhã (lembre-se que estamos falando de um dos Estados mais quentes do Brasil).

O mínimo que poderíamos ter, que era um time na terceira divisão, não temos mais. A estrutura profissional dos clubes está sucateada e os dois grandes times da capital, que poderiam ser exceções para o resto do Estado, estão afundados em problemas financeiros e historicamente políticos. O pior de tudo isso, é que nossos dirigentes não só costumam errar, como repetir o mesmo erro por diversas vezes. Veja o Confiança, por exemplo, que trouxe os mesmos indivíduos de pouco tempo atrás para disputar a Série D deste ano, aqueles mesmos que entraram em conflito com a torcida em 2008 (no ano do “Vamos subir Dragão”) por causa de problemas de comportamento de alguns e comando do seu treinador, na reta final para conquistar o acesso para a Série B. Dois anos depois, o que acontece? O óbvio! O Dragão é eliminado na primeira fase do último escalão do Campeonato Brasileiro.

E o Sergipe, hein? O maior campeão do Estado brigou para não ser rebaixado no fraquíssimo campeonato estadual deste ano e nem na quarta divisão está. Parece que nem a saída do maior mandatário da história do futebol colorado amenizou a situação. O time está no topo de baixo da tabela do Nordestão e com um time “sensacional”, que, diga-se de passagem, é o grande favorito para cair. Agora sou eu que pergunto: cadê o movimento “Quero meu Sergipe de volta”? Pois eu, sinceramente, quero entrar nesse movimento e ver o que andam fazendo para que o Sergipe volte a se portar como um clube grande que é.

Acorda futebol sergipano! O fim do poço já chegou! Não tem mais para onde ir! Chega de querer aparecer para o Brasil em apenas um jogo de Copa do Brasil contra um time do sul-sudeste do país. É muita humilhação para todos aqueles que amam o seu Estado, que tentam torcer pelos clubes daqui, mas que não conseguem pelos fracassos sem fim. Contudo, é lamentável mais uma vez ter que dizer isso aqui, mas alguém precisa ser sincero, não é? Se a paixão do brasileiro é o futebol, dá sim para se fazer algo profissional e sustentável num Estado que cresce tanto como Sergipe. Mas o que fazer de concreto? Basta mudar as pessoas que comandam o futebol sergipano? Resolve alguma coisa reformar o Baptistão para ser subsede da Copa de 2014? Os clubes devem recorrer ao poder público ou até as parcerias permanentes com o setor privado?

 Vovô assaltado e discriminado… Por que será?

18 de agosto de 2010 por Carlosergipe | Futebol Nordeste
O velhinho conseguirá atravessar a rua? Ou melhor, qual é o limite do Ceará neste Brasileiro? Libertadores?

O velhinho conseguirá atravessar a rua? Ou melhor, qual é o limite do Ceará neste Brasileiro? Libertadores?

A Copa do Mundo pode ter sido benéfica para muitas coisas no planeta, inclusive para o futebol como um todo tendo a Espanha como campeã, mas para o Ceará ela foi um verdadeiro abismo, um obstáculo que até hoje parece intransponível. Invicto e líder do campeonato em número de pontos, com cinco vitórias e dois empates nas sete primeiras rodadas, o Vovô estaria na zona do rebaixamento se por acaso só levássemos em conta o período pós-copa neste Brasileirão, onde obteve 4 empates e 3 derrotas.

Porém, se não fosse a maldade dos ladrões o Vovô poderia ter em sua carteira seis empates e apenas uma derrota neste período pós-Copa, o que seria positivo se levássemos em conta os adversários enfrentados. Afinal, empatou com Corinthians e Palmeiras em casa e com o Guarani fora, e foi assaltado no Beira-Rio e no Maracanã, quando inventaram pênaltis em cima de Giuliano e Williams. Ou seja, das três derrotas a única justa foi contra o São Paulo no Morumbi, por 2 x 1.

Não adianta falar que é chororô da torcida cearense, nem dos amantes do futebol nordestino. Os assaltos, que começaram a acontecer na segunda rodada do Brasileiro quando o Ceará foi a Vila Belmiro e teve um gol mal anulado e um pênalti mal marcado em cima de Neymar (que deu uma de ator), estão tão descarados e impunes que até a imprensa do sul e do sudeste do país vem batendo nesta tecla em suas tradicionais mesas redondas esportivas.

Assaltos a parte, o Vovô vem fazendo na elite do futebol brasileiro o que um time com o seu poder aquisitivo pode fazer. A queda de rendimento, depois daquele início avassalador, era algo possivelmente premeditado. As vitórias por 1 x 0, sofridas, suadas e aguerridas, deram espaço aos empates conquistados. O que não pode por hipótese alguma acontecer é empatar em casa com o lanterna Atlético-GO, isso sim é uma derrota. Por isso concordei plenamente com a demissão de Estavam Soares, que em momento algum implantou o seu trabalho.

Deste modo, a diretoria decidiu apostar em Mário Sérgio, que é bastante limitado, ainda mais sabendo que tinham melhores no mercado. Sabendo disso, no Programa “Nordeste Futebol Clube” da Rádio Gazeta AM de São Paulo conversei com o diretor de comunicação do Ceará, Danilo Ferreira, que confirmou que a diretoria telefonou para outros técnicos que, ou recusaram a proposta, ou simplesmente quando souberam que era o Vovô nem ouviram o que os dirigentes tinham a dizer. “O Ceará por ser um time que depois de 16 anos voltou para a Série A, e é um time do Nordeste, quer queira ou não, ainda existe uma certa discriminação por parte das pessoas que fazem o futebol. Mesmo sabendo que o Ceará é um clube que paga em dia, que tem todas as dívidas trabalhistas quitadas e que tem uma estrutura invejável, tem técnico que nem o telefonema do presidente Evandro Leitão atende”.

E como sou jornalista, claro que perguntei quem seriam esses treinadores. No início, o diretor cearense preferiu não se pronunciar. Porém, magoado, ele desabafou: “Tem treinadores que acabaram de sair de clubes da Série A, que nem quiseram ouvir nossa proposta”. Foi aí que o comentarista Renato Bagre entrou em ação: “Não precisa dizer quem é. Só balance a cabeça aí do outro lado do rádio se for ele. Foi o Silas?”, e o diretor não se conteve e acabou confirmando que o ex-técnico do Grêmio foi um dos técnicos que ignoraram o Vovô. “Engraçado que há dois anos ele estava no Fortaleza, depois foi para o Avaí e para o Grêmio. Acho que ele não quis voltar para cá porque achou que ia baixar a bola dele”.

Contudo, fiquei curioso para saber: assaltar o velhinho é mais fácil? Esse caso de técnicos que estão no eixo sul-sudeste nem ouvirem a proposta do Vovô é um sinal que ainda existe discriminação com o futebol nordestino?

Ganso e Neymar: difícil apontar quem foi o melhor em campo neste primeiro amistoso da Era Mano Menezes.

Ganso e Neymar: difícil apontar quem foi o melhor em campo neste primeiro amistoso da Era Mano Menezes.

Chega de brucutus, chega de fazer jogadas para ganhar o escanteio e explorar a bola área. Esqueça esse negócio de comprometimento em primeiro lugar e talento em segundo. Deixe esse futebol para Alemanha, Itália e cia limitada que não tem o que o Brasil tem, que é Ganso, Neymar, Pato, Robinho, Ramires, ou melhor, que é o futebol arte.

A população brasileira não fez nada para merecer aquele mau humor e stress estampado na seleção que foi para a Copa. Pelo contrário, é um povo sofrido, que trabalha, ganha salário mínimo, e tem no futebol a sua maior alegria, o seu momento de diversão. Povo este, que não pôde assistir ao espetáculo protagonizado pela amarelinha, porque a maior emissora de TV do país decidiu comprar os direitos exclusivos de transmissão do amistoso e não transmitir em canal aberto. Que palhaçada, hein? Imagine se ela compra os direitos da Copa de 2014 e decide fazer a mesma coisa. Que falta de respeito com o povo brasileiro! Tirou aquela que é grande satisfação do nosso povo, que é ver a sua seleção em campo.

Absurdos que só a CBF consegue protagonizar com os seus parceiros à parte, tudo isso que a imprensa brasileira está falando hoje, foi antecipado aqui no Portal Copa 2014 há 15 dias, quando a coluna intitulada “A nova seleção brasileira…” afirmava que esse novo Brasil jogaria no sistema 4-2-3-1, o mesmo utilizado por Mano no time do Corinthians campeão paulista e da Copa do Brasil em 2009 e no próprio Santos de 2010.  E não foi diferente. Numa estreia sem sustos e com muito toque de bola, ficou difícil apontar pontos negativos.

Do time que eu esperava que fosse ser escalado, só Marcelo ficou no banco e deu lugar a André Santos, que mesmo sendo inferior tecnicamente, não comprometeu. A zaga tanto esteve bem, que anulou o melhor americano em campo, o atacante Donovan. Já Daniel Alves, não estava nos seus melhores dias. Além de errar muitos passes, não conseguiu em nenhum momento acompanhar as espetaculares jogadas de Ganso e Neymar.

Falando na dupla santista, é inegável dizer que eles foram os melhores em campo. Tanto que, era impossível deixar de pensar: “Como que esses dois não foram para a Copa”. Não foram porque Dunga não é técnico, porque não tinham amizade com o capitão do Tetra. Mas isso é passado! O presente, e, principalmente, o futuro, nos faz sorrir, nos faz ter vontade novamente de reunir os amigos para assistir um simples amistoso. Afinal, agora está proibido jogar feio. Como o próprio Mano Menezes disse: “Não jogo para frente porque a mídia e a torcida pedem. Jogo, porque é o jeito mais fácil de ver o futebol brasileiro novamente no topo”.

E nem eu, nem ninguém deve discordar de Mano Menezes. O Brasil é o que é hoje pelo que futebol-arte que apresentou em toda a sua história, futebol este que o fez chegar ao posto de maior campeão do mundo. Tanto é verdade, que a bagunçada, mas talentosa seleção da Argentina na Copa fez em alguns momentos muitos brasileiros pensarem: “Eu queria que o Brasil jogasse assim”. Contudo, vamos parar de pensar que só porque ganhamos o Tetra na raça, tem que ser assim. Ganso, Neymar e cia limitada podem fazer muito mais, podem fazer aquilo que todo brasileiro quer: ganhar, jogando bonito.

 A Bahia não é de todos os Santos!

3 de agosto de 2010 por Carlosergipe | Futebol Nordeste
O Vitória precisa ou do placar de 2 x 0 para levar para os pênaltis ou de três gols de diferença para conquistar o título.
No Barradão, o Vitória precisa ou do placar de 2 x 0 para levar para os pênaltis ou de três gols de diferença para conquistar o título inédito da Copa do Brasil.

Acabou a espera. Hoje é mais um dia daqueles históricos para o futebol nordestino. Independente do que acontecer no Barradão temos todos que bater palmas para o Esporte Clube Vitória, que desde 1993, quando perdeu aquela final do Brasileirão para o imbatível Palmeiras da Era Parmalat, é o nosso maior representante na elite do futebol brasileiro (Destes 18 anos, foram 15 na Série A). Mas calma, não me entenda mal. A batalha foi perdida na Vila Belmiro, mas a guerra pra valer, acontece hoje, no Barradão.

Que o diga o Corinthians em 2008, quando venceu o primeiro jogo no Morumbi, em São Paulo. Naquela ocasião, o Sport precisava fazer dois gols e não tomar nenhum jogando em casa para conquistar a Copa do Brasil. Em 2010, o Vitória pode ser campeão da mesma forma (nos pênaltis), e levando em conta o retrospecto que tem no Barradão (fez 19 gols e não levou nenhum em 5 jogos), está longe de ser uma tarefa impossível. Está certo que o Santos de hoje é muito mais time do que aquele Corinthians que disputava a segundona em 2008. Mas o Sport também era mais fraco do que esse Vitória que chegou a final; não o que disputou a primeira partida na Vila Belmiro, pois aquele time está proibido de entrar em campo hoje. Ricardo Silva prometeu que aquele espírito e ar de inferioridade ficaram na Vila Belmiro, e que hoje, ganhando ou perdendo, o Vitória será o protagonista do jogo.

E vai ser. Com o retorno de Viáfara ao gol, o time ganha um líder, um ídolo, um craque, que costuma aparecer em momentos decisivos. Quem volta também é o lateral Nino Paraíba, peça chave do apoio do lado direito do Leão e um dos melhores jogadores do atual elenco baiano. Quem não vem brilhando e que precisa aparecer é o Diabo Loiro, Júnior, que tem tudo para ser um dos destaques dessa final. Ainda mais sabendo que o Leão não vai entrar com três volantes como foi em Santos. Bida ou Renato devem dividir a armação com Ramón e Elkeson (que funciona como meia, ponta e atacante).

Já o Santos, aquele do primeiro semestre, definitivamente não existe mais. O clima de irmandade entre os meninos da Vila acabou. Crises internas pipocam para todos os lados, diretoria se cala na confiança que o título vai apagar tudo isso, e os torcedores já sabem a quem culpar se o peixe não voltar vivo de Salvador: o menino Neymar, de 18 anos (e a depender do que acontecer, é capaz de alguns não voltarem mesmo). E falando nisso, no último sábado conversei no Programa Nordeste Futebol Clube da Rádio Gazeta AM de São Paulo com o goleiro do Vitória, Lee, que me confirmou que havia estudado o tipo de cobrança de pênalti de Robinho e Neymar. “Quando vi que não era o Robinho que ia bater fiquei feliz. Afinal, já sabia que vinha cavadinha, pois paradinha não é mais permitido”, comentou, acrescentando que ele o subestimou por ser o segundo goleiro do Vitória e concluiu: “Ele queria fazer graça”.

Contudo, o principal reforço do Leão baiano é o mesmo daquele Leão pernambucano campeão da Copa do Brasil 2008. O Barradão é a Ilha do Retiro do Vitória. Onde o campo tão criticado, a torcida inflamada, o clima quente, enfim, onde tudo está a seu favor. Não tenho dúvidas que se o Santos fizer um gol antes do Vitória, a torcida vai gritar: “Guerreiro, guerreiro, time de guerreiro”. E guerreiros como são, não vão entregar a batalha tão facilmente como muitos acham… Digo mais, o mais provável é que o Vitória mostre hoje para o Brasil e para o mundo aquilo que todos devem saber: a Bahia não é de todos os Santos.