Posts de 6 de julho de 2010

 Eficiente

6 de julho de 2010 por Carlosergipe | Copa da África

Por Bruno Bonsanti

Kuyt vem sendo um dos destaques do esquema da laranja.

Kuyt vem sendo um dos destaques do esquema da laranja.

A Holanda não brilhou nesta Copa do Mundo. Teve dificuldades para vencer a Dinamarca e o Japão. Depois, jogou de qualquer jeito contra Camarões e venceu de forma sossegada a Eslováquia. Nas quartas de final, mostrou uma frieza absurda para virar sobre a seleção pentacampeã do mundo e, na semifinal, teve o mesmo controle psicológico para não se abater quando o Uruguai pressionou.

Venceu os seis jogos dessa Copa e os oito das Eliminatórias, e chega à terceira final da sua história com todos os méritos. O futebol, de longe, não foi o mesmo desempenhado por Cruyff, Neesken, Resenbrick e companhia bela em 1974, nem pode ser  comparado à pelota que Gullit, Van Basten e Rijkaard jogaram no título europeu de 1988, mas esse time comandado por Robben e Sneijder também conseguiu seu lugar na história, apoiando-se na eficiência.

Inclusive, o meia da Inter de Milão tem tudo para ser eleito o craque da Copa. Nem Thomas Muller e nem David Villa foram tão decisivos quanto ele, que foi escolhido o melhor em campo quatro vezes nesta Copa, contra Dinamarca, Japão, Brasil e Uruguai. Além disso, é o artilheiro do mundial com cinco gols, e caso a Holanda seja campeã, deve ganhar a Bola de Ouro FIFA no fim do ano.

Robben, por sua vez, estreiou apenas contra Camarões, na última rodada da fase de grupos, participando diretamente do lance do gol da vitória, inclusive. Contra o Brasil e Uruguai, sua jogada característica foi muito bem marcada, mas, de qualquer forma, puxava pelo menos dois marcadores. Na partida desta terça-feira, fez um gol e infernizou a zaga celeste, com jogadas mais variadas.

Outro jogador que é protagonista desta seleção é Kuyt. O jogador é aquele grosso que consegue sucesso na Europa compensando a falta de técnica com vontade. E é justamente assim que o atacante do Liverpool joga na Holanda, correndo muito e invertendo posição com Robben e Van Persie, uma das maiores decepções individuais deste mundial.

A Holanda não brilhou nesta Copa do Mundo, mas foi extremamente eficiente e, diferente do Brasil, que já tem cinco títulos, a Laranja Mecânica precisa de uma conquista de qualquer forma. Sendo assim, é extremamente compreensível que Bert Van Marwijk arme a equipe de uma forma mais conservadora. É compreensível para mim, claro. O holandês tem mesmo é que cobrar a marca registrada do seu futebol, que é a beleza. Mas sugiro que o faça apenas a partir de 11 de julho.

Uruguai

Todas as palmas do mundo para o Uruguai. Após 40 anos conseguiram destaque no futebol, chegando às semifinais. É verdade que a primeira grande seleção que enfrentou foi a Holanda, mas lideraram um grupo difícil, com México e a dona da casa África do Sul. A França não conta. Forlan tem lugar em qualquer seleção da Copa que se faça, e Suarez mostrou por que é uma das maiores revelações do futebol mundial. Além disso, é um time que não tem tanta idade, e pode até sonhar com mais boas campanhas no futuro.

 Adeus Dunga…e até nunca mais!

5 de julho de 2010 por Carlosergipe | Copa da África
Alguém vai sentir saudades dele?

Alguém vai sentir saudades dele?

Logo após o fracasso de 2006, a CBF mostrou toda sua competência ao colocar Dunga como técnico da seleção mais vitoriosa do planeta. E se isso é uma responsabilidade e tanta para qualquer treinador renomado internacionalmente, imagine para alguém que nunca tinha treinado nem sequer o time da escolinha de futebol do próprio filho. Ele chegou anunciando que mudanças drásticas viriam e que iria resgatar a vontade do jogador brasileiro de vestir a amarelinha. E de certa forma, conseguiu. Porém, confundiu em alguns casos comprometimento com amizade, e pensando em manter o mesmo grupo que ganhou tudo o que disputou desde 2007, ignorou o talento daqueles que surgiam e que pareciam estar num melhor momento.

Os resultados impressionantes nunca deixaram brechas para a imprensa massacrar Dunga como está fazendo agora. Dizer que algo estava errado antes de fracassar na Copa era uma ofensa para o capitão do tetra, que sempre respondia com patadas e muita falta de educação. Ninguém o agüentava, nem mesmo a emissora que tem contratos com a CBF. Prova disso foi sua enxurrada de xingamentos ao jornalista Alex Escobar, da Rede Globo. Só que ao contrário do que muitos pensam esta relação com a mídia influenciou e muito nas suas decisões capitais, principalmente na convocação para a Copa. E isso me faz ter certeza que se não falássemos que ele deveria chamar Ganso, por exemplo, ele convocaria.

Dunga acertou na maioria dos pontos, mas teve pecados capitais. O primeiro foi acreditar que venceria a Copa só com os titulares, afinal a falta de um banco de reservas à altura do time principal foi ressaltada por todos. Jogadores em alta como Ganso e Neymar fariam muito mais que Kléberson e Josué, meros turistas na África do Sul. O segundo foi que os laterais-esquerdos Gilberto e Michel Bastos não jogam nesta posição há anos. Resultado? Nosso lado esquerdo foi inútil na Copa. O terceiro e último foi que o Brasil foi para a Copa sem um técnico de verdade, sem um camisa 10 com condições físicas para jogar futebol e com um carroceiro que muito avisou a Dunga (em suas repetidas e ignorantes ações) que não tinha condições de estar ali.

Felipe Melo é apontado pela imprensa brasileira como um dos principais culpados do fracasso brasileiro.

Felipe Melo é apontado pela imprensa brasileira como um dos principais culpados do fracasso brasileiro. Precisa dizer por que?

No dia seguinte à classificação frente ao Chile publiquei aqui o texto “Sem Felipe Melo, o Brasil é outro”. Se hoje eu quisesse publicá-lo igualzinho como foi escrito há uma semana caberia como uma luva. Isto prova que os defeitos da seleção brasileira sempre estiveram escancarados e que o “técnico” Dunga, orgulhoso como é, fez questão de ignorá-los. Para não ser repetitivo vou copiar apenas um trecho daquela coluna: “Mais do que a má fase de Kaká, temos que lamentar, e muito, o cartão amarelo tomado por Ramires, que está fora do jogo contra a Holanda. Isso pode ser fundamental para a classificação da amarelinha frente à laranja mecânica, que ainda não brilhou na Copa, mas que tem peças suficientes para fazer isso acontecer”. E foi o que aconteceu…

Logo após o gol de Robinho, que nasceu de um passe de Felipe Melo, meu pai me disse: “Você vai ter que elogiar o Felipe Melo agora”. Olhei meio ressabiado, mas segui assistindo a partida. E o Brasil fez um primeiro tempo quase perfeito. Faltou mais um gol para dar a tranquilidade que precisaria na volta do intervalo. O jogo era tão fácil para o Brasil que meu tio me disse: “Jogando assim não tem como perder hoje”. E eu respondi dizendo que um gol poderia mudar tudo, e mudou…

No início do segundo tempo o mesmo Felipe Melo que deu a assistência para o gol, quase entregava outro, só que para o adversário. Em seguida, ele faz um gol contra numa falha de comunicação com Júlio César. E eis que acontece o pior. O carroceiro pisa maldosamente no holandês, e é expulso de campo infantilmente. Mais absurdo do que isso, é o mesmo, de cabeça fria, pós-jogo, dizer que o juiz foi rude, quando todos viram que o cavalo foi e é ele mesmo. Com um a menos e muito nervoso, o Brasil inteiro viu Dunga assinar o seu fracassado projeto de comprometimento e coração na ponta da chuteira como “Burro”. Precisando virar o jogo, ele sacou o artilheiro Luís Fabiano e mandou Nilmar a campo. E provou mais uma vez que de técnico, ele não tem nada.

A Holanda não tem time superior ao Brasil coisa nenhuma. Segue sendo uma seleção previsível e com muitas falhas defensivas, mas deu sorte. E quando virou o jogo encontrou uma seleção sem jogadores capazes de mudar a história de uma partida em uma jogada individual. Contudo, o comprometimento que faltou em 2006, quando choramos na queda frente à França, sobrou. Mas o talento daquela seleção e do que temos hoje no Brasil, foi determinante para a queda de Dunga e os seus guerreiros.

 Previsível

2 de julho de 2010 por Carlosergipe | Copa da África

Por Bruno Bonsanti

Sneijder foi o destaque da Laranja e por isso foi escolhido o melhor em campo contra o Brasil.

Sneijder foi o destaque da Laranja e por isso foi escolhido o melhor em campo contra o Brasil.

Para começo de conversa, a seleção holandesa fez uma bela partida contra o Brasil. No primeiro tempo teve muitas dificuldades com a ótima marcação sobre Robben, sempre com, pelo menos, dois brasileiros. Além disso, Sneijder sumiu, anulado por Felipe Melo que, pasmém, foi o melhor da primeira etapa. Kaká, Robinho e Luis Fabiano tinham espaço e poderiam ter ampliado o placar e matado o jogo, mas Stekelenburg fez defesas providenciais.

No segundo tempo, porém, a Holanda voltou com outra postura.  A marcação afrouxou e Sneijder passou a tomar conta do jogo. Após o primeiro gol, era claro que o Brasil precisava mudar o rumo da partida, e aí entra o primeiro pecado de Dunga.

Quem poderia fazer isso? O técnico abdicou dos que poderiam fazer algo diferente em nome do grupo, e se viu sem opções na hora que precisou. A substituição que ele fez é, no mínimo, ridícula: tirou Michel Bastos para a entrada de Gilberto.

Em seguida, quando já estava atrás do placar, outra falha dunguistica apareceu. Ao apostar em Felipe Melo, o treinador ficou sujeito a seus destemperos. Nas duas partidas complicadas que o Brasil teve, o volante da Juventus perdeu a cabeça. Nesta sexta, contra a Holanda, e contra Portugal. Manter a frieza enquanto vence o Chile é muito fácil. Outro detalhe importante é que o gol da vitória dos laranjas saiu justamente do lado esquerdo, sempre apontado como o mais frágil no time brasileiro.

Fazendo um balanço rápido da participação tupiniquim na África do Sul, concluo que a seleção jogou bem uma única partida, contra a Costa do Marfim. Sofreu para vencer a Coreia do Norte e se complicou contra Portugal. As oitavas de final, quando teve o Chile como adversário, não conta, pois o time de Valdivia só vencerá o Brasil quando o sertão virar mar, e vice-versa.

A ordem para 2014, agora, é renovar. E direito. Pois a renovação que aconteceu de 2006 para cá foi maquiada. Daquele elenco, muitos jogadores permaneceram na seleção, e a média de idade foi uma das mais altas da história. A única coisa que Dunga fez foi afastar alguns jogadores símbolos do descaso na Alemanha, ou seja, apenas para inglês ver.

O melhor nome para comandar esse processo é Felipão. O técnico do Palmeiras tem cancha suficiente para aguentar a pressão, além de um ótimo conhecimento do riscado. Resta saber se ele abandonará o projeto com o qual assumiu compromisso ou, pensando um pouco mais longe, aceitará levar os dois ao mesmo tempo.

 No final das contas, o time dos jogadores comuns com amor à camisa chegou  tão longe quanto os craques na zona de conforto. Que tal, para 2014, acharmos um meio-termo?

 Na teoria e na prática quem se classifica é…

1 de julho de 2010 por Carlosergipe | Copa da África

Chegou a hora do pega pra capar! As oito mais eficientes seleções do mundo brigam entre si para ver quem levanta a taça. E o primeiro jogo logo de quem é? Brasil. Sim, o grande favorito joga amanhã com uma Holanda que não brilha, que tem uma seleção pior do que as de 1994 e 1998 (que foram eliminadas pela amarelinha), mas que tem bons jogadores e promete se vingar. Na teoria e na prática, dá Brasil. Já no outro jogo desta chave, muito equilíbrio. Se por um lado o Uruguai tem mais técnica e tradição, por outro Gana jogou um futebol mais vistoso e fisicamente é a melhor seleção da Copa (como os caras correm…). Na teoria, dá Uruguai, mas na prática, penso que dá Gana.

Do outro lado da tabela, o grande jogo das quartas de final: Argentina x Alemanha, que talvez sejam as duas seleções que mais fizeram jogos bonitos na Copa. Tradição num clássico como este não tem como pesar na balança, mas o futebol sim. O sistema de marcação alemão é organizado e muito eficiente. Mas o ataque dos hermanos é imbatível. Na teoria e na prática dá empate, prorrogação e pênaltis, como foi em 2006 na Copa da Alemanha. Naquela ocasião a seleção tricampeã do mundo saiu vencedora nos pênaltis. Mas como disse na primeira coluna antes de começar a Copa, se Messi fizer chover, não tem quem segure.

O adversário deste clássico mundial enfrenta uma seleção que não brilha: ou Espanha ou Paraguai. A primeira fez uma campanha perfeita nas Eliminatórias, mas na Copa, como é de costume, não comprovou os números do seu futebol arte. A segunda teve um caminho ridículo pela frente: Itália, Nova Zelândia, Eslováquia e Japão. E mesmo assim, não empolgou. Por isso, mesmo jogando mal e com Fernando Torres sem jogar nada, a Espanha, na teoria e na prática, deve passar. Caso isso não aconteça, a Espanha será conhecida como a terra onde acontece a cada quatro anos o maior Festival de Pipoca do planeta.

E aí, no futebol, a teoria vale para alguma coisa ou só o que é feito na prática prevalece?