Posts de 29 de julho de 2010

 O Leão não está morto…

29 de julho de 2010 por Carlosergipe | Futebol Nordeste
Viáfara é presença certa no gol do Leão no jogo de volta.

Viáfara é presença certa no gol do Leão no jogo de volta.

A primeira partida da final da Copa do Brasil 2010 foi bastante movimentada e teve o Santos como merecedor do resultado final: 2 x 0 . O Vitória não conseguiu prender a bola no campo de ataque, que por sinal, teve Schwenck em uma noite nada inspirada. Quem também precisa esquecer esse jogo é Ricardo Silva, que escalou muito mal o lateral-direito Rafael Cruz (que não acompanhou Neymar e assim acabou falhando no primeiro gol), não colocou Júnior no jogo e mandou a campo um time com medo de perder. Outra coisa que não entendo é porque o volante Fernando virou o batedor oficial de faltas. Tirando isso, o Santos teve seus méritos, tem um baita time e poderia ter saído da Vila Belmiro campeão…

Sim, eu disse poderia! O que eu já imaginava, aconteceu. Ao final da partida, comentaristas de todo o Brasil cravaram o Santos campeão. E esse clima de “já ganhou” é muito bom  para o Leão da Barra, que em casa fez 19 gols em cinco jogos, e o melhor, não tomou nenhum. É claro que o Santos é um time superior aos que o Vitória enfrentou e por isso está na final, mas no Barradão a história é sempre outra…

Ainda mais quando todos sabem que devem voltar ao time o goleiro Viáfara, o lateral Nino Paraíba, e precisando da dois gols ou mais, tem grandes chances de vermos um Leão com dois volantes, dois meias e dois atacantes, o que é a meu ver uma formação mais inteligente, ainda mais sabendo que Ramón já tem uma certa idade e precisa de alguém para dividir a armação do Vitória.

E você… O que acha? O Leão está morto?

P.S.: Que papelão fez a torcida santista, hein? Além de não apoiar o time, fica vaiando o melhor jogador do Santos e chamando Dorival Júnior de “burro”.

 A nova seleção brasileira…

26 de julho de 2010 por Carlosergipe | Copa 2014
O primeiro teste desta seleção Brasileira é no dia 10 de agosto, no amistoso contra os EUA.

O primeiro teste desta seleção brasileira é no dia 10 de agosto, no amistoso contra os EUA, em Nova Jersey.

Mano Menezes não tem nem de longe o gabarito de Muricy Ramalho, e é um técnico que em momentos decisivos mostrou imaturidade, como na final da Copa do Brasil 2008 e na eliminação frente ao Flamengo na Libertadores deste ano. Porém, como todo bom técnico, tem seus méritos, e mesmo sem nenhum título de grande porte no currículo pode sim se dar bem na seleção. Ainda mais quando tínhamos no comando da mesma o “simpático” Dunga, que como o comentarista da Rádio Gazeta AM Bruno Bonsanti costuma dizer, nunca havia sequer treinado o time da escola do seu filho.

Sabendo disso, hoje a seleção brasileira tem um técnico de verdade, que por sinal, tem duas coisas positivas que o “the best” Muricy não tinha: controle emocional, o que facilita e ajuda na relação com a imprensa e principalmente com o povo, e é muito menos teimoso, característica essa presente também no “saudoso” Carlos Alberto Parreira. Mas além do técnico, hoje é dia de falar da primeira convocação na Era Mano Menezes, que salve raras exceções, foi muito boa.

No gol o gremista Victor, aquele que foi o maior injustiçado na lista convocatória para a Copa da África do Sul e que é o melhor goleiro do Brasil há alguns anos. Para a reserva uma surpresa, o goleiro botafoguense Jefferson, que é mediano e por isso não deve durar muito na seleção, ainda mais porque acredito que o ciclo de Júlio César não acabou. Como boa aposta, o gigante e menino Renan, que veio das categorias de base do Avaí e tem idade olímpica. Para a defesa, Mano foi impecável: Thiago Silva (Milan), David Luiz (Benfica), Rever (Atlético-MG) e Henrique (Barcelona/emprestado ao Racing-ESP). Assino embaixo!

Na lateral-direita, destaque para a manutenção de Daniel Alves e para a chegada do ótimo Rafael, menino que foi revelado pelo Fluminense e que chegou ao gigante Manchester United da Inglaterra com a moral para substituir o experiente Gary Neville. E o melhor, tem idade olímpica. Fico curioso apenas para saber o futuro de Maicon, que acredito que ainda é fundamental para a seleção. Na esquerda, volta à seleção aquele que foi um dos destaques na última Olimpíada, o também jovem Marcelo, do Real Madrid. Compondo essa posição, o ex-corinthiano André Santos, que chegou a ser cotado para ser o “6” da seleção de Dunga, mas que por boatos de seu mau comportamento fora dos campos acabou sendo deixado de lado. A meu ver é um bom jogador, mas que por muitas vezes é displicente e individualista. Eu deixaria Marcelo como titular e apostaria em Diego Renan, pois tem muito mais talento e tem idade para disputar a próxima Olimpíada.

E eis que chega o setor onde mais fiquei animado com tal convocação, o meio-campo. Primeiro, porque todos os volantes convocados sabem jogar bola, ou seja, os “brucutus” parecem não ter espaço com Mano Menezes. Lucas (Liverpool), Hernanes (São Paulo), Sandro (Internacional) e Ramires (Benfica) são incontestáveis. Já Jucilei, é compreensível, pois é um bom jogador e trabalhava com Mano no Corinthians. Mas não tendo idade olímpica, vejo melhores jogadores a disposição, como Denílson (Arsenal) e Arouca(Santos). E segundo, fiquei feliz com a convocação de Paulo Henrique Ganso, que há seis meses é o melhor meia do futebol brasileiro e tem um futuro brilhante pela frente. Os outros meias são o ex-gremista Carlos Eduardo, que chegou a ser chamado por Dunga, mas não teve oportunidades reais, e Éderson, que saiu muito jovem do Juventude, se destacou no Nice, e hoje está no Lyon. Do meio-campo, Sandro e Ganso tem idade olímpica.

E por fim, o ataque. Mano Menezes apostou no entrosamento santista, chamando Robinho, Neymar e a surpresa André, que não é dos melhores, mas que a exemplo de Alexandre Pato, outro convocado, tem idade olímpica. Outra surpresa é que foram chamados cinco atacantes, e não os 4 habituais, e todos eles jogadores leves. Quem fecha a lista é Diego Tardelli, que fez uma excepcional temporada em 2009, mas que em 2010 ainda não engatou. Prefiro nomes como Fred, Kléber e Nilmar.

Contudo, vale destacar que a primeira convocação na Era Mano Menezes foi toda voltada para o projeto de renovação da seleção brasileira principal e também na formação daquela que vai entrar em campo na Olimpíada de Londres, em 2012. No total foram 24 convocados(a depender de quem passe para a final da Libertadores, Sandro ou Hernanes será cortado), sendo sete com idade olímpica, dez novatos e apenas quatro remanescentes do fracasso na África do Sul. Outro número interessante é de jogadores que atuam no futebol brasileiro: 12. Porém, isso pode ser explicado pela informação dada pelo próprio Mano Menezes, que ligou para todos os jogadores do exterior que lhe interessava para saber como estavam, e ouviu de um que esteve na última Copa que não estava bem para voltar a ser convocado (ele também disse que não é Kaká). Sabendo disso, deixo três perguntas:

1)      Quem você acha que estava na Copa e pediu dispensa desta vez?

2)      Você gostou da convocação?

3)      Quem daqueles que estiveram na Copa você manteria no projeto para 2014?

 Bomba! Fluminense não libera Muricy para a seleção…

23 de julho de 2010 por Carlosergipe | Copa 2014

Acaba de sair a informação que o Fluminense não liberou o técnico Muricy Ramalho para ser o novo comandante da seleção brasileira.

O que é muito é que Muricy Ramalho teve uma conversa hoje pela manhã com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, no Rio de Janeiro, onde o treinador aceitou o convite.

Agora à tarde, ele foi às Laranjeiras comunicar a proposta e resolver a liberação. Ao chegar ao Fluminense, o treinador recebeu da diretoria um “NÃO!” e que por hipótese alguma o clube o liberaria antes do término do contrato, que é no final de 2012.

Vale lembrar que o clube carioca e a CBF não tem um bom relacionamento devido a última eleição do Clube dos 13, vencida por Fábio Koff.

Espertos, o dirigentes do Fluminense proibiram Muricy Ramalho de dar entrevistas hoje. O que leva a entender que novos capítulos da mais nova novela do futebol brasileiro virão…

 Muricy Ramalho: Tinha que ser ele!

23 de julho de 2010 por Carlosergipe | Copa 2014
Será que ele vai repetir esse mesmo gesto com o Brasil em 2014?

Será que ele vai repetir esse mesmo gesto com o Brasil em 2014?

Quando a mídia colocou Mano Menezes como nome certo para assumir a seleção brasileira, fiquei decepcionado, e por isso já estava preparando meu desabafo para colocar aqui. Afinal, mesmo dirigindo um dos maiores times do futebol brasileiro, só havia levantado caneco de Série B, Paulistão e Copa do Brasil. Mas os Deuses do futebol não deixaram, ou melhor, a CBF finalmente fez algo que todos têm que elogiar, digno de muitas palmas. Até porque, se na seleção nós queremos sempre os melhores jogadores, porque não ter o melhor técnico do Brasil, aquele que de 2005 a 2008 foi escolhido o melhor do Brasileirão, que é tricampeão brasileiro… É Mano, você vai ter que comer muito feijão ainda para chegar nesse status.

Contudo, agora temos um técnico que privilegia o talento, mas que não se esquece da garra, do trabalho, do comprometimento. Na teoria e na prática, um comandante acostumado a vencer, a brigar por tudo em que disputa. A verdade, caro leitor, é que a seleção brasileira agora tem um técnico de verdade, que tem a maior missão que qualquer técnico no mundo pode ter: ganhar com o Brasil a Copa 2014.

A pergunta que fica é a seguinte: muitos descartaram Muricy, pois achavam que a CBF queria um técnico “pau mandado” e que por hipótese alguma tivesse um comportamento parecido com o de Dunga. Sabendo da personalidade forte de Muricy Ramalho, é possível acreditar em interferência da CBF em seu trabalho?

 

Currículo:

A carreira de Muricy como treinador começou como auxiliar de Telê Santana no São Paulo. Depois disso ele treinou os seguintes clubes:

1997 – Guarani

1999 – Ituano

1999 – Botafogo-SP

2000- Santa Cruz 

2001/2002- Náutico

2002- Figueirense

2003 – Internacional

2004- São Caetano

2005- Internacional

2006/2008- São Paulo

2009/2010- Palmeiras

201o – Fluminense

* No exterior, trabalhou no  Shangai Shenhua, da China, em 1993.

Titulos

1994 – Copa Conmebol com o São Paulo (na ocasião, Muricy comandou os reservas do São Paulo)

2001/2002- Bicampeão pernambucano pelo Náutico

2003- Campeão gaúcho pelo Inter

2004- Campeão paulista pelo São Caetano

2005- Campeão gaúcho pelo Inter

2006/2007/2008- tricampeão brasileiro pelo São Paulo

O futebol brasileiro voltou com tudo. Na Série A, Corinthians e Fluminense ameaçam monopolizar a briga pelo título. Na Série B, o Sport reagiu, e como disse aqui no início do ano, deve brigar pelo título da segundona. Na Série C, o Fortaleza decepcionou na estreia, onde só empatou em casa contra o Águia de Marabá. Na Série D, o prejuízo é maior. Com todo respeito ao CSA, o maior campeão alagoano, o Santa Cruz não poderia começar mais uma vez uma quarta divisão decepcionando. Perdeu em casa, e depois de um ano inteiro ressaltando planejamento e profissionalismo no futebol, já mudou de técnico.

Campeonato Brasileiro a parte, o que vai mexer com a cabeça do torcedor a partir da próxima semana é a final da Copa do Brasil e a semifinal brasileira da Libertadores da América. A primeira tem como protagonistas o representante nordestino, o Vitória, e aquele time que jogou o melhor futebol do primeiro semestre, o Santos. A segunda, envolve o time que mais cresceu na reta final da maior competição das Américas, o São Paulo, e aquele que vinha vencendo, mas não convencendo, o Internacional.

O interessante do duelo da final da Copa do Brasil é que lembra o que aconteceu m 2008, quando o Corinthians enfrentou o Sport. Ninguém dava bola para o time nordestino e o time paulista era colocado como campeão. O final da história você já conhece, o “pequeno” venceu o “grande”, e o improvável para a grande mídia, aconteceu. E isso pode se repetir agora, ainda mais vendo as declarações dos santistas depois de duas derrotas seguidas no Brasileirão. A desculpa sempre é a mesma: “Estamos na final da Copa do Brasil”. E eu me pergunto: “Eles já ganharam a Copa do Brasil?”.

Já na Libertadores, a pimenta que vem dando o que falar é a abertura antecipada da janela de contratações do exterior, que beneficia diretamente o Inter, que contratou jogadores de nível de seleção brasileira que normalmente não poderiam ser inscritos: o atacante Rafael Sóbis, o meia Tinga e o goleiro Renan. Porém, a CBF mandou um ofício para a Fifa, que liberou a inscrição destes e de todos os jogadores que vieram para o Brasil.

Que foi uma atitude motivada por briga política, pois o São Paulo não votou no candidato da CBF para a presidência do Clube dos 13, isso ninguém tem dúvidas. E que isso é bom para todos os clubes brasileiros que contrataram, ninguém pode contestar. O que é estranho é que o São Paulo reclama hoje de uma situação que para ele já foi benéfica e decisiva para conquistar um título paulista. Em 1998, o craque Raí chegou do exterior e foi liberado pela mesma CBF para jogar a final contra o Corinthians, quando inclusive, marcou o gol do título.

A verdade é que tanto Santos como São Paulo, começaram a perceber que aquilo que parecia imperdível, se tornou possível de acontecer. A parada da Copa do Mundo fez muito mal ao Santos, que tem Paulo Henrique voltando de cirurgia e problemas de relacionamento no grupo. Por sua vez, o São Paulo não está mais embalado como antes e não contratou ninguém. Para piorar, tanto Vitória como Internacional, voltaram jogando um bom futebol e conseguindo grandes resultados. Não adianta negar, Santos e São Paulo estão é com medo… Você concorda?

 De volta à triste realidade…

14 de julho de 2010 por Carlosergipe | Futebol Nordeste
O estádio Rei Pelé, em Maceió, já foi palco de grandes jogos do futebol brasileiro.

O estádio Rei Pelé, em Maceió, já foi palco de grandes jogos do futebol brasileiro.

Depois de um mês vendo maravilhas do futebol, com direito a estádios espetaculares como o gigante Soccer City, com centro de imprensa, rede magnífica de hotéis, ou melhor, com toda uma estrutura fantástica para a prática da paixão brasileira e mundial chamada futebol, voltamos à nossa realidade. E enquanto a banda tocava na África do Sul, os homens de gravata do futebol brasileiro se movimentavam para tentar em alguns casos amenizar a crise, ou em outros melhorar ainda mais os seus respectivos times de futebol. Já no nordeste, os engravatados continuaram em segundo plano e os boleiros agitaram o Nordestão, competição regional que não acontecia há sete anos e que acontece hoje graças a uma vitória judicial dos times nordestinos contra a CBF. Quanto a isso, é de se lamentar apenas a posição amadora da diretoria do Sport que decidiu rejeitar a mais importante competição do Nordeste alegando que ela não ia trazer benefícios algum para o clube.

Ignorantes do futebol a parte, o Nordestão é fundamental para a ressurreição do nosso futebol, que passa por uma fase deplorável se lembrarmos que o Santa Cruz é Série D do Brasileiro, que o CSA é série B do Alagoano e que o Sergipe quase foi para a segundona do Sergipano. Mas o que mais me preocupa nem é a crise técnica dos nossos clubes, mas sim a falta de estrutura para se praticar o futebol profissional no país que vai sediar a próxima Copa do Mundo.

Na noite da última segunda-feira em Maceió algo impressionante aconteceu. O tão tradicional estádio Rei Pelé seria o palco do jogo entre CRB e Fortaleza, válido pela Copa Nordeste. Seria, porque ele acabou sendo suspenso. Advinha por quê? A) Faltou energia B) Choveu e alagou o gramado C) Não tinha ambulância. Se você pensou letra “C”, parabéns, você conseguiu imaginar o inimaginável. O torcedor, o jornalista, o povo alagoano que é apaixonado por futebol amanheceu envergonhado, ou melhor, revoltado. Afinal, como o futebol de Alagoas, onde surgiram muitos craques e onde muitas glórias aconteceram, chegou a tal ponto?

Sim, para quem não está acreditando, vou explicar. Os times entraram em campo e se perfilaram para cantar o hino nacional. Passou 1, 2, 3 minutos e nada… Ninguém do estádio colocou o hino para ser tocado, e constrangidos, os jogadores desistiram de esperar, se cumprimentaram e foram aquecer. Quando o árbitro Suelson Diógenes foi conferir se estava tudo certo com o quarto árbitro, foi informado que não tinha ambulância. Esperaram 35 minutos, ela chegou e a bola rolou. Porém, um torcedor se feriu com um sinalizador e como só havia uma ambulância, a partida teve que ser paralisada. Revoltados com a falta de organização da partida, muitos torcedores resolveram ir embora. Passados cinco minutos, a outra ambulância chegou, porém ela não tinha desfribilador e assim a partida seguiu paralisada. 25 minutos depois, mais uma ambulância chega ao estádio Rei Pelé, só que mais uma vez, sem o desfribilador. A comissão do CRB pressionou o juiz que acertadamente não deixou que o jogo reiniciasse. Minutos depois, ele suspendeu a partida. E os poucos torcedores que ali ainda estavam, gritavam: “Até onde vamos chegar?”.

O pior de tudo é que este é apenas mais um dos casos que assombram o nosso futebol…

 Viva a Espanha! Viva o futebol arte!

13 de julho de 2010 por Carlosergipe | Copa da África
A Espanha fez o brasileiro lembrar que é possível jogar bonito e obter resultados.

A Espanha fez o brasileiro lembrar que é possível jogar bonito e obter resultados.

Título indiscutível. Por tudo que fez pelo futebol nos últimos três anos, a primeira Copa do Mundo do continente africano não poderia ter ficado em melhores mãos. Foi merecido demais ver a seleção que mais apresenta o futebol arte, de posse de bola e jogadas trabalhadas, no topo pela primeira vez na história. Ainda mais quando se tem do outro lado a seleção mais desleal desta Copa, que mesmo estando invicta há 25 jogos, chegou à final jogando o que estamos acostumados a ver nos dias de hoje, um futebol feio e eficiente. E se o futebol está longe de ser um esporte onde a justiça prevalece, no último domingo ela foi irretocável.

Assim, o mundo inteiro e, claro, os brasileiros aplaudiram com uma pontinha de inveja pelo resultado e pelo futebol arte apresentado pelos espanhóis, e já começaram a imaginar um Brasil deste jeito em 2014, com Ganso, Neymar e Cia, jogando um futebol com cara de Brasil, com dribles, posse de bola, e não apenas com comprometimento e garra. Afinal, nesta Copa ficou mais do que provado que guerreiros sem talento não vão a lugar algum.

E falando em talento, vamos à seleção da Copa feita por mim e pelos companheiros do Programa Nordeste FC da Rádio Gazeta AM de São Paulo.

SELEÇÃO DA COPA:

1) Casillas (ESP)  2) Lham (ALE)   3) Friederich (ALE)   4) Lúcio (BRA) 6)   Van Bronckhorst (HOL)    5)   Schweinsteiger (ALE)   7)   Iniesta (ESP)   8-  Sneijder (ALE)  11) Muller (ALE)   10) Forlán (URU)   9) Villa (ESP)  Técnico: Oscar Tabárez (URU).

É claro que não foram só estes os grandes destaques da Copa. O meia espanhol Xavi, por exemplo, seria facilmente o décimo segundo jogador desta seleção, mas se são onze…

Nas outras categorias aponto a Inglaterra como a grande decepção da Copa, o atacante uruguaio Forlán como o craque da competição, o meia alemão Muller como revelação e como surpresa a seleção do Uruguai, claro. Diferentemente de Brasil e Argentina, a Celeste caiu em pé na fase semifinal. Quanto à pior seleção africana nesta Copa, fico com a Argélia, e a melhor, sem dúvidas, foi Gana. Copa africana de lado, agora é hora de pensar em 2014, em como fazer uma Copa minimamente organizada no Brasil, como foi na África do Sul.  Viva a Espanha! Viva o futebol arte!

* Participaram da votação desta seleção da Copa:  Alessandro Jodar, Bruno Bonsanti, Caio Ramos, Duca Reis, Fellipe Lucena, Renato Bagre, Ricardo Assumpção, Rodrigo Fragoso, Thiago Tanji e Tomás Rosolino.

 Balanço final da Copa…

12 de julho de 2010 por Carlosergipe | Copa da África

Por Bruno Bonsanti

A Copa acabou e, apesar da tristeza que se apossou de todos os nossos corações, chegou a hora de fazer um balanço sobre ela. Tendo assistido a boa parte dos 64 jogos, gostei bastante do que vi, mas vamos por tópicos.

 Cruyff é, sim, campeão do mundo

Antes da partida entre Holanda e Brasil, o craque Johan Cruyff criticou a seleção brasileira. O auxiliar técnico Jorginho, por sua vez, disse que o holandês não sabia o que estava falando, pois não foi campeão do mundo. Mesmo desconsiderando que Cruyff comandou um dos melhores times da história, a Holanda de 1974, transformou o Ajax em time grande com o tricampeonato europeu e oito titulos holandeses e, portanto, tem seu nome muito mais marcado na história do que muito jogador que venceu a Copa – como Jorginho, inclusive – em 2010 o líder da Laranja Mecânica foi campeão do mundo, sim.

Sua filosofia fez parte das duas equipes que chegaram à final. É desnecessário falar da influência de Cruyff na seleção holandesa, mas é bom lembrar que a base ideológica do time supercampeão do Barcelona na primeira década do século XXI vem do início dos anos 90, quando o holandês treinou a equipe catalã. Dos onze que iniciaram contra a Holanda, sete jogam no Barça: Pique, Puyol, Xavi, Iniesta, Pedro, Villa e Busquets. Então não é absurdo nenhum dizer que Cruyff deu uma ajudinha à Espanha, sim. 

O gol é um detalhe

Com o gol de Iniesta, a Espanha chegou a oito na competição, e se tornou a campeã do mundo com o pior ataque da história, abaixo do Brasil-94, Itália-38 e Inglaterra-66, que fizeram 11 . Números são legais e tudo mais, mas o time de Xavi e Iniesta é imensamente melhor ao treinado por Parreira, por exemplo, que foi justamente quem proferiu a frase que dá título a esse tópico. A Espanha pecou nesta Copa pela falta de objetividade e pela má forma física de Fernando Torres, que poderia ter elevado o número de gols, mas, de qualquer forma, jogou um futebol maravilhoso de se ver e foi campeã com todos os méritos.

É preciso talento

Ter um grupo unido e comprometido é importante quando se joga uma competição como a Copa do Mundo, formada por seleções que não pagam os salários dos jogadores, e é inevitável que ele demonstre mais vontade de jogar pelo seu clube do que pela sua pátria. Entretanto, sem o talento não adianta nada ter jogadores voluntariosos. O título da Espanha mostra isso, e até o vice da Holanda também, nas figuras de Sneijder e Robben. Em 1994, por exemplo, o Brasil tinha a garra e tinha os pés de Romário. Em 2010, também tinha a garra, mas tinha os pés de Felipe Melo cravados na coxa de Robben. Está aí a diferença.

 O dez

Virou moda dizer que o mundo não tem mais camisa 10. Os únicos exemplos citados são o de Riquelme, Veron e etc. Essa Copa, porém, teve três grandes camisas 10 entre os quatro semifinalistas: Ozil, na Alemanha, Xavi, na Espanha, e Sneijder na Holanda. Podemos citar também o Messi, na Argentina, que fez bom mundial. Camisa 10 há, mas é evidente que ele não é tão abundante como a água.

Tática

Assim como em 2006, quando as duas finalistas utlizavam o esquema 4-2-3-1, esta Copa foi mais uma demonstração que esses são os números da moda. A Alemanha jogou com Podolski na esquerda, Ozil no centro, Muller na direita e Klose à frente. A Espanha, na mesma ordem, com Villa, Xavi, Iniesta e Torres. A Holanda, por sua vez, teve Kuyt, Sneijder, Robben e Van Persie. Dos semifinalistas, quem destoa novamente é o Uruguai, que apostou na formação com três zagueiros.

Retrospecto

Tem muita gente que odeia retrospecto. Realmente, muitas vezes não importa os números do passado, mas esse mundial desmentiu essa ideia. A Holanda chegou à final no Soccer City com 25 jogos de ivencibilidade, e a Espanha venceu 49 dos últimos 54 jogos, empatou 3 e perdeu apenas 2, curiosamente, ambos na África do Sul, contra os Estados Unidos pela Copa das Confederações, e contra a Suíça, na primeira rodada. Quem olhasse apenas para os números, conseguiria prever a decisão da Copa de 2010. Talvez o polvo Paul tenha feito isso.

De dentro ou de fora

Outra questão que foi desmistificada nessa Copa do Mundo é a velha história de convocar mais jogadores que jogam dentro do país ou fora. Tivemos os dois casos. A Espanha chegou à final com todos os jogadores, menos Fabregas, disputando La Liga. Já a seleção holandesa, tinha apenas três jogadores do time titular batendo bola no seu país de origem. Outras seleções, como Inglaterra e Itália, por exemplo, também convocaram os 23 de suas ligas nacionais e fizeram péssimas campanhas. A conclusão que se tira é que não dá pra concluir nada sobre isso.

Os mitos

Bom, caíram muitos. Um deles é a força constante que dão aos campeões do mundo. Talvez por, de fato, dificilmente alguém novo conseguir ganhar a Copa do Mundo, os comentaristas adoram dizer, sem a menor análise, que a Itália sempre vem forte, e que não podemos nos descuidar com a França. Ambas caíram na primeira fase e, mesmo a Alemanha que jogou um ótimo mundial, parou nas semifinais. As seleções que já venceram a Copa geralmente são as candidatas porque têm os melhores jogadores do mundo, mas é um erro descartar outras, como Espanha e Holanda, por exemplo, que fizeram a final. O erro, na verdade, é não analisar e ir apenas nos estereótipos e preconceitos. Não sei com que time os espanhóis virão ao Brasil, mas projeto que para muitos passarão a ser favoritos, mesmo que convoquem o time inteiro do Almeria.

Maldição do melhor do mundo

Incrível. O melhor do mundo não consegue mesmo ganhar a Copa. Desde 1958, quando a France Football inventou a Bola de Ouro e, mais tarde, em 1991, com o prêmio de melhor do mundo da FIFA, os consagrados não levantam a taça. É bom lembrar que até os anos 90, a revista francesa premiava apenas os europeus. Os jogadores que falharam foram o espanhol Di Stefano (58), o italiano Omar Sívori (62), o português Eusebio (66), o italiano Rivera (70), o holandês Cruyff (74), o dinamarquês Simonsen (78), o alemão Rumenigge (82), o francês Michel Platini (86), o holandês Marco Van Basten (90), o italiano Robertto Bagio (94), o brasileiro Ronaldo (98), o português Luis Figo (2002), o brasileiro Ronaldinho Gaúcho (2006), e agora o argentino Lionel Messi. Todos eles venceram os prêmios dos anos anteriores, pois a Copa é em julho e a premiação acontece apenas no fim do ano.

Os que chegaram mais perto foram Cruyff, naquele crime que ocorreu em 74. Rumenigge, dizimado por Paolo Rossi em 82 e Ronaldo, assolado por uma convulsão em 98, todos na final. Além, claro, de Baggio, que poderia ter mudado a história caso acertasse o pênalti que cobrou.

Não faltou craque

Cada um tem seu conceito de craque, mas, no meu, o que não faltou nessa Copa foram eles. Entre os dez muito bem indicados pela FIFA antes da final, todos fizeram bons mundiais e seriam vencedores honrados. O meu voto vai para Diego Forlan, que fez uma Copa irretocável, e fico feliz que a FIFA também percebeu e lhe deu o prêmio, quebrando a tradição de escolher apenas jogadores do time campeão.

Nível técnico

Esse tópico será polêmico, pois muitos foram enganados pela primeira fase. É evidente que uma Copa com Argélia e Grécia está sujeita a jogos ruins, mas quando as principais seleções do mundo se enfrentaram, não houve decepção. Algumas com estilos mais defensivos, como Portugal, outras mais ofensivas, como a Argentina, proporcionaram bons jogos. Não foi o melhor mundial da história, mas sem dúvida não foi o pior.

A melhor geração do mundo

Sempre se fala que o Brasil tem os melhores jogadores do mundo. Discordo. A melhor geração do planeta é a espanhola. Se fizesse uma mistura entre os chutadores de bola dos dois países, não tenho dúvidas que a predominância seria vermelha. Por exemplo: Júlio César; Daniel Alves, Lúcio, Piqué e Capdevilla; Xabi Alonso, Xavi, Iniesta e Kaká; Fernando Torres e David Villa. O técnico eu não vou nem falar quem eu escolheria…

A razão da superioridade espanhola é a categoria de base. Enquanto o Brasil a trata com o maior descaso possível, a Espanha faz um trabalho fortíssimo de formação de jogadores, e os frutos já começaram a aparecer, não só no futebol, mas também no automobilismo, com Fernando Alonso e Jorge Lorenzo, no tênis, com Rafel Nadal, no basquete, com Pau Gasol, e por aí vai…

Arbitragem

Mais polêmica. Não achei que os árbitros foram tão ruins. Houve erros crassos, evidentemente, como o gol de Tevez e o de Lampard, que foi mas não foi. Entretanto, no geral, a arbitragem soube controlar os jogos e não inteferiu na maioria das partidas. Um exemplo é a semifinal entre Espanha e Alemanha, que teve sua primeira falta aos 27 minutos. No Campeonato Brasileiro, essa partida já estaria com mais de 30 interrupções…

A final da Copa foi um caso à parte. Quem acompanha o Campeonato Inglês já está acostumado com o excesso de conversa do apitador Howard Webb. É o estilo dele e, na

Premier League, costuma dar certo, mas os holandeses e espanhóis não estavam afim de parar de bater.

Surpresas e decepções

A principal decepção foi, sem dúvida nenhuma, a Inglaterra. Imaginava que ela pudesse até ter jogado domingo com a Espanha, mas os ingleses não conseguiram parar os meninos da Alemanha. Mais do que isso, jogaram em um nível muito abaixo do esperado, principalmente jogadores chaves como Wayne Rooney e Frank Lampard. Além do English Team destaco também a campanha pífia da França, que não era pra ser campeã do mundo, mas não era para sair do que jeito que saiu .

Eu esperava muito menos do que a Alemanha demonstrou. Sem o capitão Ballack e com um time muito jovem, achei que pararia nas quartas, mas Ozil, Muller e Schweinsteiger surpreenderam. Além dos alemães, destaco as campanhas asiáticas, de Coreia do Sul e Japão, que estão tomando o lugar dos africanos como terceiro continente no futebol.  Mas, sobre a maior surpresa, falarei mais detalhadamente no post seguinte.

Celeste olímpica

Que Copa fez o Uruguai! Principalmente na figura de Diego Forlan, que chamou a responsabilidade para si em todos os jogos. Luis Suárez também fez um mundial irretocável, e deve ir para um time grande da Europa na próxima temporada. Jogando com muita garra e com um sistema defensivo bem montado, embora não brilhante, os uruguais conseguiram seu papel de protagonista do futebol mundial de volta, pelo menos em 2010. Além de Suárez, outros jovens como Godin e Cavani, por exemplo, podem manter a chama celestial acesa por mais tempo, como na Copa América de 2011.

Fora de campo

Além do bom futebol jogado nos gramados da África do Sul, vários destaques apareceram nos arredores. O polvo Paul, que acertou todos os palpites e rendeu matéria de portais brasileiros sobre a sua vida sexual, ao contrário de Mick Jagger, que torceu sempre pro time errado. Houve também Larissa Riquelme, a paraguaia de palavra que encantou o mundo. Sem falar das chatíssimas vuvuzelas e da Jabulani, a pior bola da história das Copas. Mas o ápice não-futebolístico foi a entrada de Nelson Mandela em campo antes da decisão. Faltando exatamente uma semana para completar 92 anos, ele foi aplaudido pelo estádio inteiro. Suspeito, inclusive, que tenha sido aplaudido pelo resto do mundo também.

2014

Faltam quatro anos para a próxima Copa do Mundo, e isso me entristece muito, mas já arrisco algumas projeções. Posso estar muito enganado, mas imagino que Alemanha e Argentina chegarão muito forte ao Brasil. A primeira já demonstrou ter uma geração talentosa, que precisa apenas de amadurecimento. A segunda, por sua vez, tem seus principais jogadores no começo dos 20 anos, e se conseguir um mínimo de consistência tática, pode ser campeã do mundo mesmo com Maradona no comando técnico.Agora, não se surpreendam se a Espanha conquistar o bicampeonato no Maracanã. Dos 11 que começaram contra a Holanda, apenas Puyol, Capdevilla e Xavi podem não ter condições de jogar em 2014.

Numerologia

- Holanda chegou a sua terceira final de Copa. Ultrapassando Tchecoslováquia (34, 62), Hungria (38, 54), Uruguai (30, 50) e França (98, 06)

- A Espanha, jogando de azul, foi a primeira campeã do mundo com o segundo uniforme desde 1966, e a décima primeira seleção a vencer a Copa vestindo essa cor.

- Com o gol de Iniesta a Copa da África do Sul chegou a 145 gols, e a uma média de 2,29 por jogo. A Copa da Alemanha, em 2006, teve 2,3. A pior continua sendo a da Itália, em 90, com 2,21, e a melhor foi em 1954, com 5,38 tentos por partida.

- Sexta final que vai para a prorrogação. As outras foram em 34, 66, 78, 94, 06. Apenas duas foram para os pênaltis, a dos Estados Unidos e da Alemanha.

- A Nova Zelândia foi a única invicta da Copa de 2010, tendo empatado seus três jogos contra Eslováquia, Itália e Paraguai.

- A Espanha conquistou o décimo quinto título de um país que fala uma lingua oriunda do Latim em 19 Copas do Mundo.

- Além de Heitinga, que tomou 2 cartões amarelos, outros 12 foram advertidos, marcando um recorde em final de Copa do Mundo. A última decisão com tantos cartões foi em 86, quando o árbitro brasileiro Romulado Arppi Filho deu 6 cartões amarelos para Argentina e Alemanha. O zagueiro do Everton também foi o quinto a ser expulso em finais, juntando-se a Monzon (90), De Zotti (90), Zidane (06) e Desailly (98).

- A final da Copa do Mundo teve 14 cartões, dois a menos que Holanda e Portugal, em 2006, o jogo mais violento da história dos mundiais.

- Com a vitória sobre a Argentina por 4×0 a Alemanha chegou pela terceira vez seguida a uma fase de semifinal pela terceira vez na história, superando o Brasil que conseguiu o mesmo feito em 1970-78 e em 1994-02. Além disso, os alemães já somam 12 Copas do Mundo entre os quatro primeiros, duas a mais que o Brasil. Curiosamente, eles só chegaram juntos às semifinais em quatro oportunidades: 1958, 70, 74 e 2002.

- A Espanha foi a única campeã do mundo após perder a partida de estreia, e a sexta a vencer a sua primeira final, após Uruguai-30, Itália-34, Alemanha-54, Inglaterra-66 e França-98.

 O futebol arte venceu!

8 de julho de 2010 por Carlosergipe | Copa da África
O zagueiro Puyol marcou o gol que garantiu a primeira final da Espanha na história das Copas.

O zagueiro Puyol marcou o gol que garantiu a primeira final da Espanha na história das Copas.

Antes da Copa do Mundo começar apontei aqui que Brasil, Espanha e Inglaterra eram os favoritos ao título na África do Sul. A maior bronca dos leitores e internautas com a minha posição era que a Argentina deveria estar entre os três favoritos ao caneco. Ou seja, não era só eu que não acreditava na Alemanha. Mas ela cresceu, surpreendeu e ganhou moral para ser chamada de a “favorita” entre as quatro seleções que chegaram à semifinal de 2010. Afinal, não é todo dia que vemos uma seleção atropelar potências como Inglaterra e Argentina, eu falei atropelar. E isso aconteceu muito pela mudança de estilo de jogo feita pelo técnico Joachim Low, que enxergou nos jovens alemães uma habilidade de toque e posse de bola parecida com brasileiros e argentinos, aliando espetáculo a resultado.

Mas não foi isso que aconteceu no jogo de ontem. A Alemanha era aquela de outras Copas. Jogou atrás, retrancada, esperando para ver o que ia acontecer. E viu uma Espanha fazer o que os próprios alemães estavam fazendo na África do Sul: tocar a bola, rodar o jogo e achar espaços na linha de defesa adversária. A Fúria foi superior durante toda a partida e chegou a sua primeira final de Copa do Mundo. Além de ter um time superior ao da Holanda, contará com a torcida de todos aqueles que gostam de futebol, que admiram um jogo para frente, não aquele que vimos em muitos jogos da Copa quando um time entrava em campo para não perder.

O mais curioso é que acredito que nosso enviado à Johannesburgo, Kléber Santos, deve ter dado ao técnico alemão um exemplar do Jornal da Cidade da última terça-feira, quando coloquei em destaque o seguinte trecho: “Foi jogando o de costume que a Alemanha conseguiu suas maiores conquistas. Será que agora, com este novo estilo de jogo, subirá no topo mais alto do mundo?”. E a resposta veio ontem. Low pensou, pensou, e colocou em campo uma Alemanha sem ousadia, ou melhor, medrosa, sem fome de bola. A todo o momento era possível ver nove alemães no campo defensivo. E deste modo, sucumbiu. …

A Espanha mereceu, fez o seu melhor jogo da Copa. Jogou o que vinha jogando há dois anos, quando conquistou a Eurocopa em cima desta mesma Alemanha, que parecia ter aprendido a lição, que parecia ter entendido que para ganhar da Espanha era preciso jogar bola. Felizmente, no final, o futebol arte venceu. Será que na final ele vai prevalecer?

 A Alemanha aprendeu com a Espanha. E agora?

7 de julho de 2010 por Carlosergipe | Copa da África
Alguém para essa Alemanha?

Alguém segura essa Alemanha?

Sai Zica! Essa é a frase que os alemães mais vêm dizendo nas últimas Copas. Na língua germânica, claro. Em 2002, foi vice-campeã frente ao Brasil. E em 2006, terceiro lugar jogando em casa. Agora em 2010, foi apontada pelos resultados expressivos frente às seleções da Argentina e da Inglaterra como time a ser batido na África do Sul. E, realmente, merece tal posto.

Recordo que antes de estrear na Copa todos olhavam com muita desconfiança para essa seleção, principalmente sabendo que o seu líder, o capitão Michael Ballack, havia sido cortado por lesão. E eu era uma destas pessoas que não acreditavam na Alemanha. Porém, os meninos do técnico Joachim Low mostraram ao mundo que Balack era apenas o garoto propaganda da única camisa tricampeã do planeta. E mais, Ozil, Müller, Podolski e companhia limitada, apresentaram um futebol de dar inveja a qualquer argentino ou brasileiro.

Sim, por incrível que pareça aquele futebol pragmático, organizado e de muita bola área foi substituído pelo toque de bola e pelas jogadas de efeito. Não sei se essa mudança aconteceu devido a um processo normal de renovação e de surgimento de jogadores com características apropriadas para tal estilo de jogo ou se foi a derrota frente à Espanha na Eurocopa de 2008, quando a Alemanha percebeu que para vencer a atual campeã européia e ir longe na África do Sul a seleção precisava de mudanças. Afinal, mesmo quando liderava com folga o grupo 4 das eliminatórias européias, não convencia como hoje.

Mas chegou a hora de saber se realmente a Alemanha aprendeu direitinho a lição. Vai enfrentar uma Espanha que aliou o jogo bonito ao resultado positivo. Está longe de ser aquela seleção que encantou a todos nos últimos anos, mas o que importa é que está vencendo, coisa que nunca consegue fazer. E ainda mais o time é muito bom. Tem jogadores espetaculares como Villa e Iniesta e um time equilibrado taticamente. O problema é que tem pela frente uma camisa que costuma pesar em Copas do mundo. Um time que erra muito pouco. Uma seleção fria e calculável.

Contudo, foi jogando o de costume que a Alemanha conseguiu suas maiores conquistas. Será que agora, com este novo estilo de jogo, subirá no topo mais alto do mundo?