Posts de 21 de junho de 2010

Por Bruno Bonsanti

A dupla santista tem grandes possibilidades de ser destaques com a amarelinha em 2014, na Copa do Mundo no Brasil.

A dupla santista tem grandes possibilidades de ser destaques com a amarelinha em 2014, na Copa do Mundo no Brasil.

 

No último sábado, o técnico Dunga concedeu entrevista coletiva, antes da partida contra a Costa do Marfim. Concedeu é modo de dizer, pois é regra da FIFA que os treinadores das duas equipes falem com a imprensa no dia anterior ao jogo.

Entre as muitas baboseiras faladas, patadas na imprensa e aulas de jornalismo grátis, o capitão do tetra falou algo interessante que, de certa forma, explica as não-convocações de Paulo Henrique Ganso e Neymar.

Ele estava falando sobre as mudanças que o futebol sofreu nos últimos anos e disse que, na época dele, os jogadores costumavam subir ao profissional apenas com 22, 23 anos.

Somente as exceções apareciam entre os principais jogadores aos 18. Dessa forma, ele argumentou que, nessa idade, ele ainda não está maduro tatica e fisicamente.

Ele não se referiu diretamente aos jogadores do Santos, mas tomo a liberdade de interpretar que essa pode ter sido a verdadeira razão para Dunga tê-los excluido da lista dos 23.

Eu discordo, pois é claro, para mim, que Neymar é uma exceção, e que Paulo Henrique demonstrou uma maturidade tática tremenda na final contra o Santo André, prendendo a bola no ataque sozinho.

Mas ao menos aceito o raciocínio do técnico, se for esse mesmo. Não aceito é ele dizer que o motivo foi a falta de testes, tendo em vista que Grafite foi testado apenas meio tempo.

Tivesse o técnico falado isso na coletiva que deu após a convocação, e tudo seria explicado, mas o técnico preferiu provocar e ofender.

A comunicação entre comissão técnica e impresa é precária, e depois ele reclama quando os jornais fazem suposições. Peço apenas um esclarecimento ponderado e verdadeiro.

Dunga não o fez, mas explicou, de forma indireta. Um mês depois.

 Por que o Brasil pode perder hoje?

19 de junho de 2010 por Carlosergipe | Copa da África

Hoje é dia de almoçar junto, reunir os amigos e a família, enfeitar a casa, vestir a amarelinha e “vuvuzelar” à vontade. Tudo para. Todos param para ver o Brasil em campo. Mas nem todos acreditam que hoje a seleção comandada por Dunga possa perder para a os elefantes marfinenses. Nem todos imaginam o que vem pela frente. No meio da semana Robinho respondeu a imprensa que não dá para pensar na Espanha nas oitavas, se ela ficar em segundo no Grupo H. Até porque, no fundo ele sabe que o Brasil não só pode ser o segundo do Grupo G, como cair na primeira fase.

No fundo, Robinho sabe a falta que jogadores como Ganso e Neymar estão fazendo nessa seleção. E Dunga, orgulhoso como é, jamais admitira. Mas ele se engana e entrega este sentimento publicamente quando treina Robinho na meia e não coloca Júlio Batista, quando mesmo o Fabuloso estando mal, deixa Grafite passando frio no banco de reservas. Dunga está tentando fazer igualzinho como foi em 1994. Mas para a tristeza dele, Kaká está longe de ser o Romário para levar esse time nas costas.

E ele pode perceber isso hoje. Afinal, a Costa do Marfim não é a Coreia do Norte. Os elefantes têm como técnico o experiente Eriksson, que conseguiu fazer com que os africanos abandonassem o estilo “bumba-meu-boi”, ou melhor, aquela correria sem organização tática alguma, e obedecessem a um esquema 4-3-3 bem interessante. Tanto ele é eficaz, que Cristiano Ronaldo não conseguiu fazer mais do que uma boa jogada em 90 minutos de jogo, que Deco fez sua pior atuação com a camisa portuguesa e que por pouco, os marfinenses não venceram Portugal. Além do craque Drogba, um dos três melhores atacantes do mundo na atualidade, Yaya Toure se destaca neste time. Liderou o meio-campo e acelerou a saída de bola buscando os contra-ataques. Além disso, fisicamente, é um time em estado perfeito. Os famosos “três pulmões” de Ramirez e dos outros brasileiros, com certeza, serão bem exigidos.

Por outro lado, a seleção africana deixa mais espaços do que a Coréia, o que é positivo para o sistema de jogo implantado por Dunga. Mesmo assim, se Drogba estiver inspirado, o atacante Salomão Kalou jogar o que vinha jogando no Chelsea e Kaká e Luís Fabiano jogarem como na estréia, o Brasil pode sim perder, e aí seria obrigado a vencer Portugal na última rodada para passar as oitavas de final…

 A sensação da Copa pode cair na primeira fase…

18 de junho de 2010 por Carlosergipe | Copa da África
O pênalti perdido por Podolski pode custar a classificação alemã.

O pênalti perdido por Podolski pode custar a classificação alemã.

Um pênalti perdido, um gol contra, uma falta boba perto da área, uma reclamação de falta, o fato de tirar a camisa para comemorar e ser expulso pelo segundo cartão amarelo, enfim, qualquer que seja o tipo de sentimento ou ação extrapolada no futebol, a vida do jogador vai do céu ao inferno numa fração de segundos. Com a tricampeã Alemanha esta fração durou um jogo. Argentina, Brasil, Espanha, Itália, Inglaterra, Holanda, ou seja, todos estavam abaixo dela depois do que fez com a Austrália na primeira rodada. Mas a máscara caiu, e a torcida alemã, tão apaixonada, viu a sua seleção perder para a Sérvia… Sim, a Sérvia!

Que a Alemanha tem tradição e sempre chega longe, apesar de todas as dificuldades que aparecem (a contusão de Balack, por exemplo), isso é um fato. Mas essa derrota mostrou que se seus principais jogadores não chamarem a responsabilidade, o bom futebol desaparece. O meia-atacante Ozil, que na primeira partida armou bem o time e fez a Alemanha jogar bonito, sem os chutões e bolas alçadas na área, ficou preso à marcação e praticamente não entrou em campo. O capitão Philip Lahm, lateral-esquerdo do Bayern de Munique, errou muitos passes e não apoiou com competência. E Podolski, bateu mal e perdeu o pênalti, mostrou nervosismo nas más conclusões e neste jogo lembrou as terríveis atuações do tempo que atuava no Bayern de Munique. Sem contar a inocência do artilheiro Klose no lance da expulsão.

O pior de tudo é que a Sérvia não tem um bom time. E isso mostra que o receio de não ver a Alemanha na próxima fase é real. Sim, a Alemanha tem chances de ser eliminada na primeira fase. Até porque, depois desta derrota para a Sérvia, o time é obrigado a vencer Gana na última rodada, já que a Sérvia deve confirmar o favoritismo contra a limitadíssima Austrália, a pior do grupo. Os africanos, por sua vez, mostraram um futebol combativo e tem chances sim de vencer ou até empatar com a Alemanha. O que tem muitas chances de acontecer também é encontrar já nas oitavas a Inglaterra de Gerrard e Lampard.

Por fim, volto a repetir o que disse aqui no último domingo. A Alemanha tem camisa, mas não tem time. E por isso, mesmo sendo tricampeã mundial, ganhar a Copa da África do Sul seria sim uma grande surpresa…

 Dezesseis jogos, nenhuma conclusão.

17 de junho de 2010 por Carlosergipe | Copa da África

Por Bruno Bonsanti

Eu assisti a 13 dos 16 jogos que compuseram a primeira rodada da Copa do Mundo. Sendo assim, vou fazer um pequeno balanço do que vi até agora, destacando as coisas boas, ruins, surpresas e decepções. Entretanto, não esperem nenhum tipo de conclusão, pois ainda é cedo, já que cada seleção jogou apenas uma vez.

 

FAVORITAS

O goleiro Green, da Inglaterra, é dono do frango da Copa da África do Sul.

O goleiro Robert Green, da Inglaterra, é dono do maior frango da Copa da África do Sul até o momento. Esta falha grotesca acabou custando uma vitória que pode fazer falta aos ingleses.

Vou iniciar o balanço falando das principais candidatas ao título. A primeira a estrear foi a Inglaterra, e poderia ter vencido os Estados Unidos não fosse a deficiência crônica no gol. Os ingleses tiveram poucos bons momentos e pegaram um adversário forte, mas ainda assim eu esperava mais. Gerrard e Lampard estiveram muito apagados e corroboraram com a tese de que não podem jogar juntos no meio-campo sem um volante marcador que, no caso dessa equipe de Fabio Capello, é Barry que não pôde jogar por estar recuperando-se de lesão. Com a volta do volante do Manchester City, a tendência é que o futebol dos dois melhore e, consequentemente, o da Inglaterra também.

Os próximos a entrarem em campo foram os brasileiros. E ai não teve decepção nenhuma. Jogaram mal, com pouca inspiração e muita lentidão. Felipe Melo nem foi tão mal quanto eu esperava, mas mesmo em seus melhores dias ele não é o jogador para cuidar da saída de bola brasileira. Se o Brasil tivesse pegado um adversário mais forte, como Dinamarca, Suíça ou Paraguai, poderia ter saído sem a vitória. Dunga terá que ter muito cuidado com a Costa do Marfim no domingo. Uma solução é colocar Ramires ao lado de Gilberto Silva para dar mais velocidade à equipe. Mas ele dificilmente fará isso.

Os espanhóis, últimos a estrear, foram os que menos me decepcionaram, apesar de terem perdido para a Suíça. Um futebol fluente, de muito toque de bola e beleza ímpar. Faltou acertar os chutes, e isso ocorreu muito em função da ausência de Fernando Torres, preterido para que Del Bosque pudesse jogar no 4-5-1. Espero que no próximo jogo, o técnico espanhol retorne à equipe que ganhou a Europa, com dois atacantes de ofício. Entretanto, esse resultado, dependendo do saldo de gols, pode empurrar a Espanha ao segundo lugar do grupo e na mira do Brasil.

 

SEGUNDO ESCALÃO

Com gol polêmico de Heinze, Argentina venceu a Nigéria pelo placar mínimo.

Com gol polêmico de Heinze, a Argentina venceu a Nigéria pelo placar mínimo.

As que podem fazer bom papel na Copa, mas que eu não considero como favoritas, são apenas duas. A primeira foi a Holanda, que pegou um adversário forte como a Dinamarca e sem seu principal jogador, que é Robben. Apesar das dificuldades, o futebol da laranja deve crescer.

A Argentina, por sua vez, foi uma das que melhor jogaram na primeira rodada, o que não é grande coisa. A surpresa foi nula. Uma equipe com ótimos valores ofensivos, mas desorganizada ao extremo.

O ataque era pura correria e a defesa uma lástima. Vai precisar depender demais de Messi para chegar longe na Copa. E ele foi muito bem na estréia. Chamou o jogo, driblou, chutou, enfim, fez o que espera-se dele. Esbarrou apenas em Vincent Enyeama, pois o goleiro do Hapoel Tel-Aviv sacou o chute do argentino e antecipava-se em todos os lances. Mais tarde, ele afirmou que estudou a colocada com curva, sempre por fora, que Messi costuma usar. Além disso, a Argentina só não venceu a Nigéria por mais gols, pois o técnico é Maradona. Nenhum outro selecionador do mundo ignoraria a fase vivida por Diego Milito e escolheria Higuain para comandar o ataque. O jogador do Real Madrid é ótimo, mas El Principe tem muito mais potencial para ajudar os hermanos.

 

A DECADÊNCIA

Faltam 4 gols para Klose, da Alemanha, se tornar o maior artilheiro das Copas.

Faltam 4 gols para Klose, atacante da Alemanha, se tornar o maior artilheiro das Copas, ao lado do brasileiro Ronaldo.

Como eu disse que não tiraria nenhuma conclusão nesta primeira rodada, nem para o bem e nem para o mal, a Alemanha continua nesse grupo. Uma camisa fantástica, que sempre chega longe, mas as lesões prejudicaram muito esse time. Na primeira rodada, jogaram o melhor futebol da Copa. Ozil esteve muito bem, armando todas as jogadas bávaras. Klose, por sua vez, fez um gol, mas perdeu outros 372, e poderia estar muito mais próximo de Gerd Muller e Ronaldo na artilharia da história das Copas. Philip Lahm também fez boa partida. E mais: incrível o que a seleção alemã faz com Podolski. Depois da Copa de 2006, quando foi escolhido o melhor jogador jovem, ele foi contratado pelo Bayern de Munique e nunca jogou nem um décimo do que apresenta na Nationalelf. Este ano, voltou ao Colônia, seu clube de origem, e também não jogou nada. Mas contra a Austrália, que é um time razoável e poderia complicar as coisas, foi muito bem.

A Itália jogou melhor do que se esperava. Mas como não se esperava absolutamente nada dela, não fez grande coisa. Conseguiu um empate contra o Paraguai, e poderia ter vencido com o abafa que protagonizou no final. Buffon, porém, saiu machucado e Marchetti não tem o mesmo nível do goleirão da Juventus. Além disso, Lippi escalou mal o ataque italiano, com Iaquinta na ponta-esquerda e Di Natale, artilheiro da Serie A, no banco. Os italianos tiveram mais posse de bola, mas faltou quem decidisse. Faltou Totti e Cassano, que ficaram na bota.

A França cumpriu exatamente as minhas expectativas. Um time com ótimos valores, que faz até boas partidas, mas é incrível a dificuldade dessa seleção em fazer gols. Depois de 1998, os Blues passaram 2002 em branco e só foram marcar na terceira rodada da fase de grupos em 2006, contra Togo. Nesta Copa, já estrearam em branco.

Anelka é ruim, apesar dos gols que faz no Chelsea e Henry já pode ir pensando em arrumar as malas para os Estados Unidos ou Arábia, pois é o melhor que ele pode fazer. Da série “deveria-ter-ido-mas-não-foi” Benzema poderia solucionar essa carência, mas o técnico é o Domenech né….

 

OS OUTROS

Drogba surpreendeu a todos e entrou no segundo tempo. E quase fez o gol da vitória marfinense.

O craque Drogba surpreendeu a todos e entrou no segundo tempo. E quase fez o gol da vitória marfinense em cima de Portugal, de Cristiano Ronaldo.

Fora das oito principais seleções também há o que destacar. A Coreia do Sul, sem acento pela primeira vez na história do mundial, jogou boa partida contra a Grécia que, ao lado da Argélia, jogaram o pior futebol da primeira rodada.

Portugal e Costa do Marfim jogaram entre si, e eu falei um pouco sobre o jogo no post abaixo. Os elefantes marcaram com muita dedicação e qualidade. Os portugueses sofreram demais, principalmente em tarde pouco inspirada de Deco e Cristiano Ronaldo, que foi muito bem marcado.

Quem foi destaque também é a bola. Essa tal de Jabulani é uma péssima redonda. Não à toa, o futebol mais bem jogado até agora foi da seleção alemã, cujos jogadores usam essa bola desde janeiro na Bundesliga. Ela, porém, não é a única responsável pelo baixo nível técnico, mas também é. Suas característica, e também a altitude de algumas cidades sul-africanas, culminaram em chutes ridículos de ótimos jogadores, como Xabi Alonso e Xavi.

Mas o que foi bonito mesmo neste início de mundial foi a comemoração de Gana após a vitória contra a Sérvia. Uma conquista simples, por um a zero, a primeira de um time africano na primeira copa na África. E os ganenses dançaram, correram, deram a volta olímpica com a bandeira como se tivessem ganhado um título. Bola na rede é muito legal, mas o mais sensacional da Copa é justamente isso. Disse que não faria nenhuma conclusão, mas não resisto e farei ao menos uma: a Copa do Mundo é muito legal.

 

Números ridículos e sem importância sobre a primeira rodada:

- A Grécia segue sem nunca ter marcado gols em Copas do Mundo.

- A Suíça não toma um gol desde 1994, quando apanhou de 3×0 da mesma Espanha que perdeu na quarta.

- Nenhum jogador com a camisa 9 nas costas fez gol nesta Copa.

- O gol de Maicon foi o primeiro de um camisa 2 desde Djalma Santos em 1954.

- Em nove dos dezesseis jogos tiveram primeiros tempos sem gols.

- Apenas dois gols foram marcados de fora da área: o de Dempsey, contra a Inglaterra, e o de Koren, da Eslovênia, contra a Argélia.

- Brasil e Coreia do Norte foi o primeiro jogo a não ter cartão amarelo na Copa.

- As últimas cinco equipes que entraram em campo com a numeração de 1 a 11 foram times brasileiros.

Todos retirados do twitter @infostradaLive.

 Não foi surpresa a Espanha perder?

17 de junho de 2010 por Carlosergipe | Copa da África
Vicente Del Bosque deve escalar Fernando Torres ao lado de Villa já na partida contra Honduras para conquistar a primeira vitória.

O técnico da Espanha, Vicente Del Bosque, deve escalar Fernando Torres ao lado de Villa já na partida contra Honduras, quando vai em busca de sua primeira vitória na Copa.

Se a Espanha jogar 10 vezes com a Suíça, vai ganhar nove e perder uma. E esta única, foi ontem. Um time recheado de craques e que há alguns anos joga o melhor futebol do mundo perdeu para uma seleção retranqueira, que não tem vergonha de jogar feio o tempo inteira, de dar chutão. E foi de um chutão do goleiro suíço que a bola sobrou para o atacante da terra dos chocolates deliciosos e caros, que marcou o único gol da partida. Que Del Bosque, técnico da Espanha, errou feio em não ter escalado Fernando Torres desde o início, isso todos sabem. Faltou um jogador com presença de área. Faltou o homem-gol.

O que eu realmente não entendo, é como um comentarista da maior rede de televisão do país tem a cara de pau de falar que não foi surpresa alguma a limitada Suíça ter vencido a Espanha, a atual campeã européia. Alguém da produção precisava ter avisado a ele que em 18 jogos na história, a Suíça nunca tinha vencido a Espanha. Com todo respeito à liberdade de expressão e a opinião do próximo, mas você, caro leitor, há de concordar comigo que a própria comemoração da Suíça no fim do jogo resume o que representa essa vitória. Parecia título mundial. Nem mesmo os pais daqueles jogadores esperavam. Ninguém no mundo acreditava. Só um indivíduo entre os seres humanos do planeta Terra: Casagrande. E o pior, ainda recebe para falar uma coisa dessas…

Mas, deixando de lado aqueles que não apreciam o futebol arte, a Espanha precisa agora sentar, respirar e lembrar que ainda tem muitas chances de ser a primeira do grupo H. E o melhor, só depende dela. Até porque a zebra pula a cerca, invade o terreno, mas não costuma permanecer. E pelo que vimos no jogo Honduras e Chile, a Espanha vai atropelar os Hondurenhos, afinal, com certeza, eles têm um dos três piores times da Copa. Já o adversário da última rodada, tem ótimos jogadores, como Valdívia, Suazo e Matias Fernandez. Mas a defesa é fraca, muito baixa, e com um estilo de jogo ofensivo que deve abrir espaços para Fernando Torres (que deve voltar à titularidade) e companhia limitada.

Sim, a Espanha tem tudo para ainda ser a primeira do grupo. E os brasileiros torcem por isso. Mas espere aí! Depois do que aconteceu na primeira rodada, quem duvida que os dois fiquem em segundo e assim não se enfrentem nas oitavas?

 Finalmente, a defesa…

16 de junho de 2010 por Carlosergipe | Copa da África

Por Bruno Bonsanti

Dunga vai precisar quebrar a cabeça para furar a defesa armada por Eriksson.

Dunga vai precisar quebrar a cabeça para furar a defesa armada por Eriksson.

Quando se falava das chances de uma seleção africana fazer um bom papel na Copa do Mundo, todas as expectativas esbarravam na falta de qualidade defensiva que elas, invariavelmente, apresentavam. As seleções de Camarões, Nigéria e Senegal, que já conseguiram algum destaque nos mundiais, padeceram por jogarem no estilo “bumba-meu-boi”.

Dessa forma, é compreensível surpreender-se com a atuação defensiva da Costa do Marfim no jogo desta terça contra Portugal. Eriksson armou os elefantes em um 4-3-3 extremamente compacto, com um volante, dois meias, dois pontas, que voltavam a altura do meio-campo quando perdiam a bola, e um centro-avante.

Yaya Toure anulou Deco, que pode reclamar o quanto quiser de ter sido mal escalado por Queiroz, mas jogou uma péssima partida. Cristiano Ronaldo conseguiu apenas uma boa jogada, pois foi marcado de forma exemplar, geralmente com dois jogadores marfinenses, e às vezes ate três. O único que teve algum espaço foi Danny, mas este esteve em uma tarde deplorável.

Costa do Marfim executou perfeitamente a proposta de marcar Portugal e sair nos contra-ataques, e só não venceu a partida, pois Drogba jogou poucos minutos e Kalou não estava no melhor de seus dias.

Se os elefantes jogarem da mesma forma contra o Brasil, as chances de um empate são monumentais. Uma vitória dos africanos também seria um resultado normal.

Afinal o que o Brasil mostrou nesta terça não foi nenhuma surpresa. A seleção de Dunga prossegue com problemas para furar retrancas: a saída de bola continua lenta, a equipe ainda padece de criatividade e do jogador diferente. Para se ter uma ideia, o jogador brasileiro que mais driblou hoje foi Lúcio, o zagueiro, que falhou no gol adversário.

Em certo momento da partida contra a Coréia do Norte, o pássaro da emissora oficial perguntou: “E agora? Quem vai arriscar o drible? Arriscar algo diferente?” Ninguém, eu respondi, pra mim mesmo, pois os que podiam não estão na África do Sul. E não faltaram pedidos para tal.

O único que fez algo diferente foi Maicon, que só marcou aquele gol, pois o goleiro Ri Myoung Guk nunca viu alguém chutar daquele lugar – tenho certeza que o ditador norte-coreano não permite a transmissão do Campeonato Italiano.

Apostar em jogadas espetaculares do nosso lateral-direito, que é o melhor do mundo, diga-se de passagem, é muito pouco para uma seleção que quer ser campeã do mundo. E olha que não estou nem mais entrando no mérito da qualidade do futebol.

Se Costa do Marfim defender-se bem, e ela o faz muito melhor que a Coréia do Norte, e conseguir sair no contra-ataque com qualidade, e ela o faz 1.374 vezes melhor que a Coreia do Norte, o Brasil pode muito bem não sair com a vitoria no domingo. E aí fica obrigado a vencer Portugal para passar de fase.

 Não precisava ser tão difícil.

Sem Luís Fabiano e Kaká na melhor forma, dificilmente o Brasil conquistará o hexa.

Sem Luís Fabiano e Kaká na melhor forma, dificilmente o Brasil conquistará o hexa.

Não. O Brasil não teve dois homens expulsos. Kaká e Luís Fabiano apareceram, cantaram o hino nacional e só. Definitivamente, se falarmos de futebol, os dois principais jogadores de ataque da seleção não entraram em campo. E isso preocupa, e muito. Até porque devido à inteligência fora do comum do técnico Dunga, não temos reservas à altura. Tanto que, ele colocou Nilmar, Daniel Alves e Ramires, e a seleção não mudou em nada. Nada foi corrigido. Michel Bastos continuou isolado no lado esquerdo, continuamos sem centro-avante para parar a bola e distribuí-la no ataque e sem um meia, já que temos três volantes no meio-campo e Kaká, que há mais de seis meses não consegue jogar futebol em alto nível.

A estréia foi, sem dúvida, a pior entre os grandes da Copa. A Alemanha fez o que tinha que fazer com um time do nível da Austrália. A Argentina, mesmo desorganizada no setor defensivo, teve muito mais volume de jogo e só não fez mais na Nigéria, porque o time africano tem um ótimo goleiro. Inglaterra e Itália, mesmo tendo empatado, encararam EUA e Paraguai, e não a “baba-mole” da Coréia Norte. Sim, era no mínimo para ter feito uns quatro na Coréia do Norte. Foi decepcionante. Mesmo todos sabendo que o Brasil tem muitas dificuldades para furar retrancas, o Brasil poderia ter jogado muito mais.

E volto a repetir. O problema não foi ter jogado com Felipe Melo (que está em má fase) ou com três volantes de marcação contra um time tão retrancado. O ponto chave para essa má atuação da seleção é que Kaká e Luís Fabiano não entraram em campo. É impressionante como estão fora de ritmo. A explosão de Kaká está mais para arranque de fusca e a precisão de Luís Fabiano está fabulosamente sem direção. E Dunga, que ignorou o futebol jogado por Ganso e outros que tinham mais talento para estar nessa seleção, agora percebeu que não tem cartas na manga. Tanto é verdade, que ele não confia em Kléberson, Grafite, Josué, Doni… Estão na Copa pela amizade, pela união, pelo grupo, pelo comprometimento. Porém, se tudo isso faltou e foi decisivo para o fracasso de 2006, o que pode faltar nessa Copa era o que sobrava naquela seleção: talento. E com dois a menos em campo, ainda mais sendo os nossos talentosos Kaká e Luís Fabiano, é muito provável que isso aconteça…

 A triste Holanda e os camarões estragados…

14 de junho de 2010 por Carlosergipe | Copa da África
Sem Robben, a Holanda encontrou dificuldades para furar a retranca dinamarquesa.

Sem Robben, a Holanda encontrou dificuldades para furar a retranca dinamarquesa.

Depois de 19 jogos sem perder, a maior marca invicta na história da Holanda, todo mundo estava ansioso para vê-la em ação na África do Sul. A boa fase de jogadores com Sneijder e Robben e um elenco recheado de jogadores do mais alto escalão fizeram com que muita gente até colocasse a Holanda entre as favoritas ao título. Mas, lamentavelmente, não foi o que vimos. Quem acordou cedo viu os holandeses sendo facilmente bloqueados pelos dinamarqueses.

Sem Robben, Van der Vaart ficou responsável pela ponta-esquerda, mas não funcionou. O meia do Real Madrid não conseguiu largar sua posição de origem e centralizou demais as jogadas, jogando no mesmo lugar de Sneijder. Para piorar, o atacante do Arsenal Van Persie, principal arma da linha de frente holandesa, fez uma terrível apresentação. Muitos passes errados, finalizações desastrosas e pouca movimentação. Menos mal, que Simon Poulsen, jogador da Dinamarca, se atrapalhou e fez um gol contra, que foi fundamental para a vitória da monótona Holanda, por 2 x 0. Com esse futebol apresentado na estréia, esqueça quem apostou no título da Holanda em seus respectivos bolões da Copa. Porém, com a entrada de Robben e uma mudança de atitude da seleção, podemos pensar algo mais.

Já a Dinamarca, deve ser a segunda colocada do grupo. Até porque a seleção de Camarões mostrou que está na África do Sul para passear. O time é tão ruim que conseguiu perder para o Japão. Sua principal estrela, o atacante Samuel Eto`o da Inter de Milão, foi o retrato do time em campo. Apático, não finalizou nenhuma vez, comprovando o que como costuma dizer o ex-craque Libanês George Weah, que ele é apenas jogador de time. A zaga é fraca, o meio-campo inútil. Salvam-se os laterais. Mas é muito pouco para ultrapassar a eficaz retranca dinamarquesa.

Quem ficou feliz com o que viu foi o Brasil, que se confirmar o primeiro lugar do Grupo G, enfrenta nas quartas a decepcionante Holanda (provável primeira do Grupo E), ou Paraguai ou Itália, que empataram na abertura do Grupo F, apresentando um futebol aguerrido, porém limitado se compararmos com os favoritos Brasil, Espanha e Inglaterra, por exemplo

 Tenho camisa! Mas não tenho time…

13 de junho de 2010 por Carlosergipe | Copa da África
A Itália é a atual tetracampeã do mundo.

A Itália é a atual campeã do mundo.

O tricampeonato da Alemanha veio em 1990.

O tricampeonato da Alemanha veio em 1990.

Sabe aquela velha história de seleção que tem tradição e que mesmo sem bons jogadores é campeã? Se tem alguém que é assim, a chame de Itália ou se preferir, de Alemanha. A segunda e a terceira maiores campeãs do Mundo, respectivamente, costumam chegar à Copa caindo aos pedaços, jogando mal, com jogadores lesionados, mas no fim, tudo dá certo, a “camisa pesa” e o título sempre sobra para algum deles. Prova disso é que tirando as copas de 1930 e 1978, em toda final sempre estiveram Itália, Alemanha ou o nosso Brasil. Mas hoje não é dia de falar da amarelinha, deixemos este papo para terça, data da estréia contra a Coréia do Norte.

A Alemanha, que debuta hoje, chega mais uma vez desacreditada ao título. Mesmo se classificando facilmente nas Eliminatórias e tendo alcançado o vice na Euro 2008, aqui para nós, não dá para dizer que este time, sem o meia Ballack e o goleiro Adler (cortados por lesão), vai levantar o caneco. Por mais que eu esteja acostumado a ver este futebol feio, de força, frio e que alcança bons resultados, não vou ficar em cima do muro. Podem anotar: a Alemanha não será campeã e não é favorita. E digo mais, já nas oitavas deve ter dificuldades para passar por EUA ou Inglaterra. Mas, tudo bem! Não se preocupe, não me xingue, não vou deixar de falar que esta mesma seleção que não inspira confiança alguma, chegou ao vice em 2002 e ao terceiro lugar em 2006.

Aí vocês devem estar pensando: “Lá vem ele falar que a Itália vai cair na 1ª fase”. Não, não vai porque Nova Zelândia e Eslováquia são seleções que estão na Copa para apenas cumprir tabela. E digo mais, se não se superar, perde a liderança do grupo para o Paraguai, com quem estréia amanhã. Para quem está surpreso, saiba que a Itália não tem mais Totti, Nesta e Del Piero, fez uma péssima Copa das Confederações e tem seu melhor armador, Pirlo, baqueado fisicamente. Se for o líder do Grupo F, passa nas oitavas pela Dinamarca ou por Camarões, e pára na fase de quartas na Espanha. Se ficar em segundo, cai nas oitavas para a Holanda. Entretanto, a Itália jogou mal em 2006, mas no fim se sagrou tetracampeã. Aí fica a pergunta: quem tem camisa, não precisa necessariamente ter time?

 A bagunça que Maradona fez…

12 de junho de 2010 por Carlosergipe | Copa da África
Se continuar assim, Messi vai precisar fazer chover para a Argentina ser campeã.

Se continuar assim, Messi vai precisar fazer chover para a Argentina ser campeã.

O time estava escalado.

A formação ideal tinha sido encontrada num amistoso recente contra a Alemanha.

Mas Maradona não conseguiu deixar Tevez no banco (mas Diego Milito sim).

Não enxergou a importância de Zanetti e o ignorou da lista para a Copa da África.

E quem virou lateral-direito? Jonas Gutierrez. O ex-cão de guarda do meio-campo argentino.

E com isso, a Nigéria ganhou uma avenida de presente. E por muito pouco não empatou.

Com Tevez em campo, a Argentina deixou o 4-4-2 e foi para o 4-3-3.

Assim, nem na ala nem na ponta esquerda o futebol de Di Maria apareceu.

Higuain, por sua vez, sentiu. A sombra de Diego Milito é insuportável. Perdeu gols. Jogou mal.

Já Messi, livre de marcação, deitou e rolou. Apareceu, fez jogada ensaiada, finalizou oito vezes, mas não foi daqueles dias dos mais inspirados.

Verón, ponto chave deste esquema, cansou aos 20 minutos. E o time caiu muito de rendimento com Mascherano e Maxi Rodrigues no meio-campo.

A Nigéria tanto sufocou, que Maradona colocou Burdisso no lugar de Di Maria.

A Argentina tanto sentiu a pressão, que dos 42 aos 49 minutos prendeu a bola, fez cera.

E isso tudo por culpa de seu técnico, Maradona…

Que se não arrumar um lateral-direito e resolver o sumiço de Di Maria, a Argentina, mais uma vez, voltará para casa de mãos vazias. Como acontece há mais de vinte anos.