
Eduardo Rocha fala do Nordestão com exclusividade para a Gazeta AM! FOTO: Aldair Dantas
Quem é a pessoa Eduardo Rocha?
Eu sou esportista. Sempre fui ligado ao América Futebol Clube, onde meu pai foi presidente algumas vezes. A primeira vez em 1965, depois teve mais duas oportunidades. Eu também já fui presidente do América em 1996, quando o clube pela primeira vez ascendeu da Série A e depois fomos campeões do Nordeste. E daí é que vem nossa simpatia por essa competição, que cria uma rivalidade muito grande. O público nordestino é o que mais gosta de futebol. Do ponto de vista profissional eu sou advogado militante, formado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Sou capitaneado de um escritório na cidade de Natal.
Como o senhor articulou o retorno do Nordestão?
Isso é uma luta que se arrastava desde 2003, quando naquela oportunidade a CBF extinguiu as competições regionais. Essa luta se estendeu até o ano de 2010 nas barras da Justiça. Fizemos um campeonato já naquele ano. Depois, sentimos que sem ter o apoio da entidade maior do futebol nacional realmente ficaria muito difícil e passamos 2011 e 2012 tentando convencer a CBF de que a competição era primordial para o futebol nordestino. O futebol nordestino não precisa de auxilio, do ponto de vista de ajuda. Não é isso que queremos. Ele precisa ser olhado de forma diferente, porque há um fosso financeiro imenso. Não estou contra aqueles que recebem muito. Que fique claro! Nós estamos em um regime capitalista e as marcas tem seu valor. Mas não é crível que se tenha clubes recebendo R$100 milhões de cotas da televisão em detrimento de outros que não têm cotas ou tem cotas insignificantes. Então, buscamos arrendar recursos já no começo do ano para que os clubes entrem na temporada sem fazer déficit.
Por que um campeonato que tinha melhor média de público do país ficou abandonado por tanto tempo?
Não é que ele ficou abandonado, é que nós tínhamos uma querela judicial e não havia a resolução definitiva sobre o retorno ou não da competição. Teve uns momentos que tivemos uma discussão jurídica, nos tribunais, chegou até ir ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, onde não havia definição e aí foi quando os advogados de CBF e da própria Liga chegaram a um consenso. E aí o seu emplacamento em 2013, assegurado por mais dez anos. Temos contrato fechado com a TV aberta, com a TV fechada e com pay-per-view por cinco anos. Então é um campeonato que vai ter uma exibição muito grande.
Sobre as receitas dos clubes, qual a previsão de quanto o campeão irá receber?
O campeão não irá receber menos que R$1 milhão.
Nas Séries A e B, a CBF banca para os clubes os custos de passagens e hospedagens. A Liga vai fazer isso com a Copa do Nordeste?
Com certeza! Nós vamos fazer um campeonato que no primeiro ano, se você dividir a média dos jogos com o que vai ser repassados para cada disputante, nós teremos uma média por jogo maior que a própria Série B.
Um dos atrativos do Nordestão é que três emissoras de TV irão transmitir o torneio. Presidente, como serão divididas as cotas para cada time?
Em reunião que nós tivemos em Salvador, chegamos a um consenso de que a divisão por cotas de televisionamento beneficia, em um determinado momento, os clubes de maior exibição. Se nós estamos querendo fazer uma disputa não discriminatória, nós resolvemos que teremos o percentual de clubes o percentual para premiação. Então nós vamos destinar 30% para premiação e 70% para divisão igualitária. Então é um campeonato justo e democrático, porque aquele que chegar a frente vai receber mais.
Temos algumas perguntas de jornalistas do Nordeste. Vamos começar com o Valdemir Rodrigues, chefe de esportes da Rádio Gazeta de Alagoas. Vamos escutar!
VALDEMIR ROGRIGUES: Presidente, o que a Liga do Nordeste pretende fazer em relação a acesso e descenso da competição? Serão sempre os campeonatos estaduais que definirão os times participantes?
De forma muito clara, ficou definido: por decisão das federações, chegou-se a conclusão de que os estaduais serão a fase classificatória para o Campeonato do Nordeste, o que fara com que seja valorizado, pois ele dará duas vagas nos estados do Nordeste. Então, isso aí é uma coisa que já está definida.
Temos agora uma pergunta do Itamar Ciríaco, editor de esportes da Tribuna do Norte de Natal.
ITAMAR CIRÍACO: Um dos grandes problemas dos Campeonatos do Nordeste anteriores foram o uso de equipes não consideradas titulares pelas principais agremiações. Para o campeonato de 2013, estão garantidos os elencos principais de equipes como Bahia e Sport ou esses clubes vão poder utilizar novamente equipes mistas nesta competição?
Nenhum clube vai utilizar elenco misto. Até porque a Copa do Nordeste assegurará aos disputantes que eles não irão disputar concomitantemente o campeonato estadual. Se você não está disputando nenhuma competição em paralelo, seria uma loucura não utilizar seu elenco principal. Todos os campeonatos estaduais serão disputados com as equipes que não foram classificadas para o Campeonato do Nordeste. A posteriori, em uma fase mais aguda, aqueles clubes que estão disputando o Nordestão se acoplarão para disputar fases finais do campeonato estadual.
Presidente, temos uma pergunta de outro jornalista, do Cláuber Santana, repórter da Folha de Pernambuco.
CLAUBER SANTANA: Gostaria de saber do presidente se a partir do próximo ano o campeão da Copa do Nordeste vai garantir vaga para a Copa Sul-Americana.
Olha, para 2013, pela falta de tempo, não. Mas no lançamento da competição na cidade de Fortaleza fomos testemunhas quando o presidente da CBF, José Maria Marin, cobrava publicamente o doutor Marco Polo Del Nero a participação do campeão do Nordeste a partir de 2014, ao que ele respondia estar 95% garantido que nós podíamos contar com essa vaga. Acredito que isso aí é a cereja do bolo.
Outro dia eu li uma declaração do senhor dizendo querer cinco times nordestinos na Série A. Essa é a meta da Liga?
Nós temos um planejamento hipotético. Acho que se não se planejar, não chega a lugar nenhum. Então não tem cabimento o futebol nordestino não ter pelo menos cinco clubes participando da Série A. E o prazo que nós demos para isso é que em 2015 nós temos pelo menos cinco representando o Nordeste com o intuito de disputar o título, não apenas com o intuito de não cair.
Temos uma pergunta do editor de esportes do jornal “A Tarde”, de Salvador, Marcio Menezes.
MARCIO MENEZES: Como a competição pode ajudar para que os clubes caminhem para uma maior aproximação de arrecadação dos clubes do Sul-Sudeste? A gente sabe que isso é um degrau muito grande que se reflete no Campeonato Brasileiro principalmente. Hoje, nós temos três clubes do Nordeste na Série A, dois brigando contra o rebaixamento, no caso Sport e Bahia, e por mais que às vezes esses clubes façam bons estaduais, chegam no campeonato nacional e os problemas se revelam, o desequilíbrio fica mais evidente. Queria saber como a Copa do Nordeste ganhando força, ganhando arrecadação, como ela pode ajudar a diminuir esse desequilíbrio entre o Nordeste e o Centro-Sul do futebol brasileiro?
Existe sim hoje um fosso abismal. Quero que fique muito claro que eu não sou contra quem recebe muito. Eu sou contra os clubes do Nordeste receberem muito pouco. Ninguém pode aceitar que um receba R$100 milhões e outro R$2 milhões, como alguns clubes da Série B. Se você perguntar a qualquer criança de 9, 10 anos ela vai dizer que essa divisão está distante demais. Não vai acontecer do dia para noite, mas se nós tivermos o apoio da imprensa, que é preponderante, o apoio do torcedor, que sem ele não existe o futebol, os clubes fazendo a sua parte, ou seja, lutando com suas forças, eu tenho certeza, e digo sem medo de errar, existe um projeto estratégico dentro da Liga para que tenhamos em 2015 pelo menos cinco clubes do Nordeste e não brigando meramente para brigar para não cair.
O campeonato acontecerá entre 20 de janeiro e 17 de março. Serão 16 clubes divididos em quatro grupos. Apesar disso, os estaduais não param. O senhor acredita que há muito espaço para os estaduais no calendário?
Eu não sou contra os estaduais. É onde se criou a rivalidade dos clubes históricos de cada Estado. Ou seja, o Nordestão passa a ser o campeonato mais democrático do mundo. O que precisa ser realmente feito é, talvez, começar um pouco antes, no principio de janeiro logo. Você ganharia mais três datas.
Mas isso não prejudicaria os próprios jogadores? Não seria melhor encurtar as datas dos estaduais para os clubes terem mais tempo de se preparar para o Nordestão?
Acho que não. Tenho a opinião que se devem fortalecer os campeonatos estaduais. Não vejo como extinguir uma tradição em alguns lugares de mais de 100 anos. Eu não vislumbro dessa forma.
Ainda sobre os estaduais, temos uma pergunta do Bruno Balacó, editor do portal “O Povo”, de Fortaleza. Vamos ouvir!
BRUNO BALACÓ: Gostaria de perguntar como o presidente vai fazer para lidar com os principais clubes do nordeste em relação à participação deles nos estaduais, já que está sendo bastante contestada pelas principais equipes?
Olha, isso já foi decidido em reunião ocorrida na CBF desde janeiro, onde as Federações resolveram que os estaduais passariam a ser classificatórios para o Campeonato do Nordeste. Daí ficou ajustado, por decisão da CBF, que participaria do campeonato estadual aqueles que não disputam o Nordestão. Eu não vejo nenhum problema em relação a isso.
A final da Série D entre Sampaio Correa e Crac teve mais de 40 mil pessoas presentes no Castelão com um show da torcida. Sobre isso temos uma pergunta do Bruno Alves, do Globoesporte.com do Maranhão. Vamos ouvir!
BRUNO ALVES: Gostaria de saber por que os clubes maranhenses e piauienses na Liga do Nordeste, já tendo em vista de que este ano o Sampaio foi campeão da Série D e nós vimos por vários cantos do Nordeste a manifestação de apoio com uma possível participação do Sampaio no Nordestão já em 2013?
A divisão política da CBF é de que Piauí e Maranhão integram a Região Norte do país. Então, isso é um aspecto que dificulta muito o ingresso de representantes desses dois Estados.
Os dois Estados terão representantes nos próximos anos?
Veja bem, o campeonato é da CBF. Quem pode definir isso é a CBF. Eu acho difícil, porquanto na divisão política os Estados de Piauí e Maranhão fazem parte da Região Norte. Além do mais, existe uma querela jurídica, que foi a Liga quem fez, onde havia representantes dos clubes formadores. Então, há vários blocos que precisam ser transportados.
Temos mais perguntas de jornalistas. Agora uma que vem lá de Aracaju. É do Otacílio Leite, diretor de Esportes da Rádio Liberdade AM.
OTACILIO LEITE: Quando a Liga do Nordeste vai estudar a possibilidade de colocar uma competição visando às divisões de base?
Possivelmente, nós estaremos anunciando em dezembro que nós vamos disputar uma Copa do Nordeste sub-19 já em 2013. Nós não vamos anunciar anteriormente, porque nós não temos as análises, nem fechamos com patrocinadores que nós procuramos.
E aí englobaria quantos clubes para essa Copa sub-19?
A principio os mesmos participantes da Copa do Nordeste 2013.
O futebol nordestino já provou que pode fazer a competição mais rentável do país em termos de público e, consequentemente, renda. Por que continuar se curvando a um modelo futebolístico que privilegia 12 clubes do sul e sudeste do país? O senhor não acha que se os clubes se unissem através da Liga o futebol nordestino poderia voltar a ser protagonista nacionalmente?
Não restam dúvidas que a união começa a existir de forma muito mais clara. É uma questão de sobrevivência a essa altura. Precisa, essencialmente, o que está sendo feito agora: de se olhar de forma diferente. Não é nenhum auxilio. Até que fique bem claro: não há nenhum compromisso da CBF, nenhum centavo dela na competição. Ela é a dona da competição, mas sem gastar um centavo. Os clubes através da Liga, com seus esforços próprios, fazem com que a competição seja rentável e viável, para que nós tenhamos a força do futebol do Nordeste.
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