Em que rubrica contabilizar o custo do estádio?
O lobby para a construção de estádios inadequados ao mercado é tão grande que precisamos tomar os devidos cuidados para emitir opiniões. Primeiro, devemos analisar em que conta e rubrica será contabilizado o custo do estádio.
Se for na conta “construção de estádio” ela não fecha. É inviável econômica, financeira e socialmente.
Se for na conta de “aproveitar a oportunidade da visibilidade mundial do evento para construir a imagem da cidade como destino turístico ou como localidade que possui tecnologia de ponta”, a análise é substancialmente diferente.
Neste caso, o comparativo deve ser entre a visibilidade da cidade na mídia nacional e internacional, durante as transmissões dos jogos da Copa 2014 no estádio local, e o custo/benefício de uma campanha internacional de marketing sobre a cidade.
Nem sempre os jogos realizados em todos os estádios têm grande audiência no mundo inteiro. Diferentemente do Brasil, a maioria dos países, principalmente, os de grandes PIBs e, consequentemente, maiores geradores de turistas e importadores de produtos e tecnologia, não têm programação de televisão esportiva sobre futebol 24 horas por dia. No Brasil, além da programação ser extremamente massiva, existe praticamente uma dezena de emissoras se dedicando à Copa.
Analisando a Copa da África do Sul, por ser a última, as cidades-sedes tiveram visibilidade internacional em poucos jogos. Essa visibilidade tem grande interesse apenas nos países participantes diretamente dos jogos transmitidos. Os outros países, dificilmente, atingem índices satisfatórios. Grande parte deles, mesmo tendo seleção participante, não compra todos os jogos. Muitos compram 1 jogo por dia.
Essa análise permite saber o valor da mídia alcançada com as transmissões. Por exemplo, Johanesburgo teve uma visibilidade excepcional com 15 transmissões para 22 países diferentes. Nessas transmissões, encontram-se os países de maior PIB, que somam mais de US$ 26 trilhões. Já Polokwane, teve apenas 8 transmissões para países como Argélia, Argentina, Eslovênia, França, Grécia, México, Nova Zelândia e Paraguai, que somam US$ 4,5 trilhões de PIB. Bloemfontaein teve presença em 12 países como Camarões, Eslovákia, Honduras, Nigéria e Paraguai, que somam US$ 14,5 trilhões, graças às transmissões para Alemanha, França, Inglaterra e Japão.
Se os jogos de Polokwuane alcançaram uma audiência média cobrindo ao redor de 40% da população desses países, pode-se calcular, grosso modo, que a mídia alcançou um mercado de US$ 1,8 bilhão. Foi um bom negócio?
Mesmo incluindo construção/reforma de estádios, acho que sim. Nesse caso, estamos rubricando a despesa de construção do estádio como visibilidade para a cidade, que pode ser, por exemplo, o caso de Brasília e Manaus.
Agora, não adianta achar que a simples transmissão internacional dos jogos assegura que todos os telespectadores serão sensibilizados e motivados pela imagem ou mensagem da cidade.
É absolutamente necessária a ativação com ações de marketing que complementem essas transmissões.
Ainda tendo como exemplo Polokwane, as transmissões foram feitas para 8 países diferentes, o que demonstra uma frequência muito baixa em termos de programação de mídia. É como se você veiculasse apenas um comercial na novela das 21 horas. Com certeza, não traria resultados.
Voltaremos ao assunto.
José Estevão Cocco
P.S. Valores extraídos do FMI sobre PIB Mundial referente a 2009.
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Destinos turísticos geralmente são escolhidos por propaganda boca-a-boca. São pessoas que visitam o país, se sentem maravilhadas, e passam suas impressões às pessoas de seu convívio familiar e social. Nesse ponto, acho que a preparação e qualificação de pessoal para receber bem os turistas e a segurança farão mais diferença que um estádio bonito.
Acho que somente para as cidades do país que já são tradicionais em atrair capital estrangeiro é que a impressão de pujança econômica se torna algo imprescindível . Não acho que a copa do mundo possa alterar muito esse mapa não.
No blog Novas Arenas, do Ricardo Araujo (Portal Exame), há um exemplo de um estadio em Bristol que foi concebido mediante esta estrategia: atrair mais turistas pra cidade.
Claro, ha destinos naturais. Mas ha aqueles que foram “fabricados” como a Disney e Las Vegas. O que precisa ser analisado e quais acoes devem ser contempladas pra que as cidades-sedes atraiam muito mais turistas do que atualmente.
No Brasil serão todos elefantes brancos! E o Maradona deve ser dono de empreiteira! Não é possíiiiiiivel!
Amigos vcs acham que algum europeu e americano, vem ao brasil a procura de estadios de futebol, é logico que não. Que adianta um maracanã sem jogo ? ou em amazonas sem um jogo decente. Que turista vai querer ver um estadio se aonde ele vem tem trezentos melhores ou do mesmo nivel. Eles vem é ver o futebol brasileiro e nada mais.
Ah agora as analises estão começando a melhorar,parabens são informações detalhe por detalhe (A+B)que chegaremos a um consenso sobre o legado.
Bem, o estadio como ponto turistico e uma opcao mas, claro que nao sustenta o estadio sozinho.
O que deveriam fazer e utilizar o espaco interno pra criar centros educacionais que, sugestao minha, seje focado em ensino de linguas, informatica e cursos de atualizacao. Em anexos um pequeno centro de convencoes.
Mas e preciso saber duas coisas: se vale a pena sediar os jogos da copa ou se uma campanha internacional e mais viavel. encontrar um nicho no mercado de eventos e congressos pra explorar.
Tem muita gente falando de Elefante Branco, de certo modo é verdade mesmo! mas tbm não podemos esquecer que é tudo uma questão de “criar demanda”. Bem, não sou nenhuma especialista nesses assuntos, mas sei que para “avançar” tem que pensar mais para frente e é claro, administrar com cuidado os recursos. Só uma opinião.