Para quem não se lembra, “O Belo Antônio” foi um filme de grande sucesso, dirigido por Mauro Bolognini em 1960, com Marcello Mastroianni e Claudia Cardinali.

As mulheres se apaixonam pelo belo e vistoso Antônio porque imaginam que ele seja o “amante ideal” mas, na realidade, ele é impotente.

Ele casa com Bárbara, uma jovem rica, que só descobre a verdade sobre Antônio depois do casamento. Tinha um marido belo, disputado mas era só aparência.

Todas as mulheres da região tinham inveja da Bárbara. Mas o belo Antônio era apenas um cartão-postal.

Antes de qualquer coisa, somos totalmente favoráveis à realização da Copa FIFA 2014 no Brasil. Com certeza, ela trará um novo tempo para a marca Brasil internacionalmente e grande legado cultural, educacional e de infraestrutura.

Milhares de oportunidades para pequenas, médias e grandes empresas.

Porém, entendemos que toda oportunidade de negócio tem um valor. Um preço que contente todas as partes envolvidas.

Todos nós concordamos que os estádios de futebol serão os cartões-postais de 2014.

O que se deve discutir é a conveniência de se construir 12 “Belos Antônios”. Os interessados na construção dos estádios estão com lobby fortíssimo junto à mídia e autoridades para que sejam deflagradas as construções de forma a se tornarem irreversíveis.

O que está pegando na roda para o início das construções?

É que, somente agora, a maioria das cidades-sedes caiu na realidade.

As obras que serão bancadas pelos governos municipais e estaduais, ou seja, pelo dinheiro do povo, não estão nem aí se o investimento valerá à pena ou não.

Por sua vez, as que dependem do investimento privado ou do empréstimo do BNDES, que exige demonstração de que o empreendimento é viável e tem sustentabilidade após a Copa, estão sendo repensadas.

Quando se fala do Morumbi, sem bairrismo nem “torcedorismo”, a volta atrás foi simplesmente em função do retorno do investimento. O São Paulo F.C. e a cidade de São Paulo agiram de forma responsável e consequente.

Não é viável, financeira e economicamente, investir um valor desproporcional num estádio ou arena que após a Copa só deixará dívidas impagáveis.

Entendo que todas as cidades deveriam analisar os investimentos com esse critério. Não importa se tem capacidade de investimento ou não. Importa se o investimento é sensato e proporciona um legado justo para o cidadão.

O mesmo dinheiro não investido nos estádios desproporcionais não precisa ser economizado por investidores e poder público. Construam-se arenas multiuso sensatas com a capacidade mínima exigida pela FIFA e invista-se o restante em obras de verdadeiro legado ao cidadão como aeroportos, transporte, educação, entre todos os outros. Preveja-se a utilização da arena após a Copa. Invista-se em marketing sobre a cidade para atrair turismo e negócios permanentes, muito além dos dois ou três jogos.
Pense-se que construir um enorme e desproporcional estádio com capacidade para a abertura da Copa, sem ter essa certeza, é uma aposta absurda. É produzir mais um “Belo Antônio”. Grande, bonito e que não funciona.

José Estevão Cocco

7 Comentários

  1. roberto disse:

    Não fala bobagem !!!

  2. roberto disse:

    A copa não pertence ao Brasil e sim à FIFA.. ela que escolhe os paises para sediarem.. agora se o Brasil, não interessa e não quer investir, que caia fora e nunca deveria ser candidato a nada.. a real é que o Brasil ganhou de graça esta copa por causa do rodízio.. coisa que a FIFA já acabou por causa da besteira de ter que aceitar um país que não quer investir.

    Outra … O rio receberá bilhões para olimpíadas.. e SP nada nesta copa.. o Estado que é a locomotiva do país ficará relegado a segundo palnop em 204 , na verdade é de SP que sairá 40% do dinheiro pra investir no país todo até 2014, pq é 40 % que a união arrecada vem de SP. Isto tudo é fato da incompetência dos demotucanos em SP, que ficam com picuinha com o governo federal e RJ aproveita e leva tudo.

  3. Maradona disse:

    Caro Jose.

    Uma coisa que ninguem nunca discute e o impacto pos-copa nas cidades. Dizem que a copa aumentou em 10 mi o numero de turistas na Franca. Há algum estudo demonstrando que a copa aumenta a receita do turismo nos paises-sedes?

    Caso haja e a resposta seja positiva, nao valeria a pena cidades como Cuiaba e Manaus, que reconhecidamente nao tem tradicao em futebol, sediar um evento como a copa do Mundo em troca da maior exposicao?

    Como deveria ser o planejamento destas cidades (e das demais) pra capitalizar com o pos-copa? Ha outras atividades, que nao o turismo, que poderiam beneficiar as cidades-sedes pos-evento?

    Abraco do Dieguito

  4. fabio disse:

    É engraçado ler certos artigos na internet,onde os estádios são sempre satanizados,como se o Brasil 2010/2014 fosse um etiopia da vida que não tem renda e poder aquisitvo…….Louvavel seria se jornalistas,bloguistas e cia ltda,aprofundace no assunto,mete a cara mostre os prós e o contra,apresentar um estudo sério cercado de informações de real valor,dificil ninguem quer???Claro é mais fácil colocar o dedo em riste, vou falar mal para passar ao publico a falsa ideia que eu estou por dentro do assunto mas que na verdade nem sei a real consequencia.Procurem saber o legado de infraestrutura de mobilidade urbana,transporte coletivo melhor,Comercio/industria/empregos,melhor formação profissional,hoteis/turismo e até a auto-estima.Enfim se deixarmos nos levar por pessimismos/pessimistas seremos sempre um antonio da vida.Jornalista/Bloguistas não se apequenem,não seja o verdadeiro antonio da historia.

  5. Fábio disse:

    Eu penso que devemos sim construir novos estádios. Não podemos sediar partidas em campos de varzea. O PSDB deveria é parar com essa besteira de que não precisamos construir nada. Afinal o que querem? Querem boicotar a copa? Querem apenas ‘pintar’ o Morumbi e pronto. As coisas não são assim. A Copa é sim um evento muito importante. Tanto cultural quanto economicamente. Se assim não fosse os países não se estapiariam para ser a sede.

  6. neide disse:

    Concordo com o texto.

    E afirmar que os estádios serão inviáveis não é nem chute nem má-vontade, é apenas bom senso: se os estádios fossem viáveis, haveria muitos investidores disputando o direito de construi-los e depois lucrar em cima deles.

    O que se vê, entretanto, é que ninguém quer assumir riscos. Todos querem que o Governo coloque dinheiro nas obras; com isso, ganham as empreiteiras, ganha a CBF, ganha a FIFA. Quem perderá será o povo, que será “dono” de diversos estádios públicos que não darão retorno nenhum.

  7. jose disse:

    Prezado Maradona,

    o meu artigo de hoje pode responder parte da sua colocação.
    Inegavelmente o turismo é um dos setores mais beneficiados.
    Entendo que existe diferença de análise entre o país sede e as cidades.
    O país é muito beneficiado em imagem e visibilidade. Se essa visibilidade for corretamente aprovietada é de um retorno incomensurável. Já as cidades precisam de maiores cuidados.
    abraços
    cocco

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