Como o próprio presidente da CBF e do COL diz, a Copa do Mundo FIFA não pode ficar sem São Paulo.
Portanto, de alguma forma ou de outras, São Paulo não ficará fora da Copa do Mundo de 2014.
A importância econômica da cidade lhe dá o cacife de poder negociar com a FIFA assim como fazem as cidades e países importantes e sérios.
São Paulo pode tranquilamente ficar sem a Copa. Não vai perder nada com isso. Não precisa fazer investimentos temerários e seguramente sem retorno. Os turistas chegarão em São Paulo de qualquer forma, vindos diretos do exterior ou de outras sedes da Copa no Brasil.
Ao contrário, a FIFA precisa dar aos seus decantados sócios e patrocinadores explicações de ficar fora de São Paulo por problemas políticos. O mercado paulista é tão importante para os patrocinadores e investidores que a própria Rede Globo não transmite finais da Libertadores sem times paulistas.
A FIFA e o COL têm tanta consciência disso que afirmam publicamente que a Copa não pode ficar sem São Paulo.
A FIFA tem um produto invejável nas mãos. Como profissional de marketing devo parabenizar a instituição maior do futebol pela marca conquistada como, seguramente, o maior evento mundial. Ela precisa e deve valorizar esse seu produto da forma mais lucrativa possível, ampliando o leque de alternativas de comercialização.
Apesar disso, como em todas as negociações, os parceiros precisam ser ouvidos. Precisa de negociação comercial e, até, política. O que a FIFA não pode é ser utilizada nas disputas políticas internas. Nem tornar o negócio COPA do MUNDO como ferramenta de paixão clubística.
Na Copa de 2006, na Alemanha, a FIFA teve um lucro expressivamente menor do que terá na África e busca ter um recorde no Brasil. Qual a razão disso? É que a Alemanha não precisava da Copa, assim como São Paulo não precisa. E negociou com a FIFA de acordo com seus interesses.
Se a cidade não precisa da Copa deve ter um investimento compatível com o retorno esperado.
Construção de estádios e arenas multiusos, não é legado para a população. Existem dezenas de casos no mundo inteiro, e no Brasil em particular, que comprovam isso.
Qual a razão da iniciativa privada não investir em construção de estádios enormes, elefantões? Lógico, a falta de retorno, o famoso ROI.
Vide o caso de Manaus, para citar apenas um. Após os dois ou três jogos da Copa quem utilizará a descabida estrutura construída com dinheiro público e sem qualquer adequação ao mercado local? Não seria mais rentável a aplicação desse dinheiro para a melhoria de vida da população? As modernas arenas para serem auto-sustentáveis não podem ter a capacidade do público que a FIFA exige para a Copa. O atual conceito de arena é de que ela é um palco para poucos privilegiados que podem arcar com o valor do ingresso exigido para o espetáculo. A massa é democraticamente atingida pela televisão. O mercado publicitário comprova isso de forma irrefutável. Quanto vale uma placa de merchandisig num estádio com capacidade para 90.000 pessoas sem transmissão pela televisão. E quanto vale a mesma placa num estádio de 25.000 pessoas com transmissão de televisão. Isso é que sustenta os estádios.
Tive a oportunidade de visitar o Alianz Arena na cidade de Munique, construído para receber a abertura da Copa de 2006 que tem locais de imprensa para 500 lugares. Durante todo o calendário esportivo alemão o Alianz não recebe a média de 50 jornalistas por jogo!
A média de público do principal campeonato brasileiro é ao redor de 20.000 pessoas. Como serão sustentados os estádios construídos para dois ou três jogos da Copa após a sua efêmera duração.
O investimento público não pode e não deve acontecer na construção de estádios. No máximo na infra-estrutura de acesso que, essa sim, será um legado.
Imaginemos São Paulo, com mais um estádio de grande capacidade! Quem vai arcar com a manutenção e retorno do investimento feito? O São Paulo não consegue manter o Morumbi de forma rentável, com shows e tudo.
O Corinthians, que atualmente não consegue lotar sequer o Pacaembu, conseguirá manter? O do Palmeiras já foi projetado para um número mais realista de lugares. Mesmo assim levará 30 anos para retorno do investimento. E o que será do Pacaembu sem os jogos dos times da capital?
O custo dos estádios para a Copa é estimado em cerca 6 bilhões de reais sem acrescer aí toda a infra-estrutura externa de transporte e acesso.
Já se fala em outras cidades que, após sentirem a dificuldade do retorno dos investimentos, estão prestes a abrir mão do direito de ser sede.
Concordo plenamente com Caio Carvalho de que colocar dinheiro público em estádio novo é crime. Mesmo que for público/privado deve ser canalizado para algo que privilegie a população. Construir estádios de luxo é entregar circo de luxo para uma população carente de educação, transporte e outros luxos.
Sem novos estádios, São Paulo já tem que arcar com o prejuízo do Pacaembu de cerca de 1,5 milhões de reais por ano.
Além da construção de estádios novos, se fala muito da receita financeira que a Copa 2014 trará para o Brasil. Que receita é essa? Receber novos turistas (estima-se 500.000 turistas na época da Copa, cerca de 10% dos turistas atuais) o que injetaria na economia brasileira cerca de 2 bilhões de reais. O restante é dinheiro interno. Não vem de fora do país. Aliás, na compra de equipamento para estádios, aeroportos, estradas, transporte urbano, ainda sairá do país uma enxurrada de dólares. A FIFA, através da sua empresa Match, é dona de todos os tickets, diárias de hospedagem, pacotes de viagem, licenciamentos e outros que representam mais milhões de dólares saindo do Brasil.
Os patrocínios esportivos são feitos no exterior. Os tais sócios e patrocinadores da FIFA pagam fortunas para ela no exterior. Não vem um tostão para o Brasil. As promoções e eventos internos praticamente não acontecerão se a FIFA mantiver todas as proibições atuais.
A promoção externa do Brasil é feita com dinheiro do Brasil, da população, meu, seu de todos nós. Mais dólares que saem para o exterior.
Não falamos ainda dos benefícios e isenções fiscais que já são estimados em bilhões de reais.
Essa estória de que não vai haver dinheiro público na construção de estádios não convence ninguém. Por isso a pressa e pressão da FIFA, e dos brasileiros interessados, para que os projetos de lei sejam aprovados
José Estevão Cocco
Construir novos estádios de luxo é entregar circos de luxo para uma população carente de educação, transporte e outros luxos.
17 de junho de 2010 por jose | Sem categoria
54 Comentários
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Prezado “r0x”
Parabéns pelo texto, exposição e raciocínio.
Não respondi a nenhum dos cometários.
Mas o seu me chamou muito a atenção.
Abraços
Cocco
E ainda há quem acredite que se não construirmos um estádio decente sobrará mais dinheiro para “outras prioridades”, como saúde e educação… Quem não pensa longe morre no meio do caminho.
O nosso amigo rOX tenta mostrar-se muito entendido, ate culto. Pura aparencia. Uma analise mais critica coloca por terra suas fracas analises.
Todo mundo e burro pro Pedro – DEVE SER POR ISTO QUE EU CITEI UM BLOGUEIRO DA REVISTA EXAME.
Ainda por cima usando um pseudomino – rOX e nome?
…onde muitos eventos apresentam gigantescas filas – QUAIS EVENTOS CARA PALIDA? E PURO CHUTE PELO JEITO.
…quem nao apostava que Chicago ia ser sede? – QUE QUE ISTO TEM A VER COM O MEU TEXTO ANTERIOR?
…o fato de uma cidade ser sede nao quer dizer que isto se reverta em beneficios pra populacao – AI E QUESTAO DE PLANEJAMENTO. PRA BARCELONA FOI OTIMO.
Formula 1 – os pilotos vivem reclamando da pista de interlagos por causa das ondulacoes. A FIA ja exigiu uma melhoria no circuto sob pena da cidade nao receber mais o evento. Alias, o Rio esta construindo um novo autodromo.
Sao Silvestre – REALMENTE, UMA CORRIDA DE RUA PRECISA DE MUITA INFRA-ESTRUTURA. TENHA DO.
investimento em projetos desnecessarios – O INVESTIMENTO E NUM CENTRO DE EXPOSICOES E CONVENCOES ONDE HAVERA, EM ANEXO, UMA ARENA MULTIUSO, UM SHOPPING E HOTEIS. DO LADO, A CAMARGO CORREA TEM UM TERRENO ONDE PRETENDE CONSTRUIR UM AEROPORTO. ESTE E O INVESTIMENTO. POR CAUSA DE LOCAIS INADEQUADOS, SAMPA PERDE 15 GRANDES EVENTOS POR ANO.
Valor dos camarotes e das cativas – A ESTIMATIVA E DO MERCADO, NAO MINHA.
Clubes – EU NAO MENCIONEI QQ CLUBE NO TEXTO ANTERIOR
…desqualificar os que tenham opiniao contraria – REALMENTE, O rOX NAO USA FAKES E E UM PRIMOR DE EDUCACAO.
Como se ve os argumentos do rOX sao sempre muito fracos. E ele nao muda o FATO que a estrutura esportiva da cidade de sao paulo e deficiente.
Como previa acabou não respondendo muito, apenas pincelou alguns trechos como é de praxe e levantou novas dúvidas.
Estamos num meio onde o anonimato é normal. É indiferente se usa um vulgo ou seu verdadeiro nome, já que esse não será verificado, ou conferido junto a seu RG ou coisa do gênero. O que seria interessante e necessário é um sistema de logins ou mesmo uma moderação mais crítica dos fóruns e blogs desse site. Uma simples comparação de IP por parte da TI irá constatar que pelo menos metade dos que compartilham a mesma idéia que a sua na verdade é você mesmo. Na cultura da internet isso é chamado de troll.
Quanto as filas elas existem nas mais variadas ligas. Podemos tomar como exemplo vários times da Champions e Premier League. Alguns dos clubes de ponta e populares da Europa também compartilham essa situação, tendo seus ingressos disputados ferrenhamente pelos seus torcedores ou sócios. Sei também que há algo semelhante pelo menos em algumas das franquias da NFL. Ainda em todos esses casos as instituições esportivas antecipam sua renda vendendo ingressos por pacote quando se dá o início do calendário.
Anseios políticos não refletem sempre os desejos da população. Se não estou enganado outrora você mesmo colocava confiança na candidatura de Chicago. Você novamente está precocemente chutando quem será sede disso ou daquilo.
Barcelona é a menina dos olhos daqueles que buscam subterfúgios para uma copa ou olimpíada de gastanças no Brasil. Talvez seja o caso mais explícito de uma mudança brusca, mas continua sendo um caso entre vários. Estatisticamente o mais provável é que sigamos o mesmo futuro dos equipamentos das últimas duas olimpíadas, e o dessa copa também: inutilização ou sucateamento. Sou cético e não acredito que um lampejo de genialidade venha afetar nossos governantes e descubram a receita mágica para planejar e sanar todos nossos problemas sociais. Falo sem basamento, mas creio que as deficiências da cidade catalã antes de 92 estão mais muito aquém da situação das grandes cidades brasileiras. Uma comparação mais prática poderia ser feita com a Cidade do México, que apesar de 2 copas e uma olimpíada continua não sendo uma Copenhague, muito menos o país uma Dinamarca.
A São Silvestre é um evento tão simples de ser organizado, mesmo assim ninguém no Brasil organiza um evento a altura.
Interlagos foi reasfaltada nos últimos anos e o contrato para realização do GP Brasil só vence em 2015.
Está tão evidente a inviabilidade pregada por essa sua utopia que dependendo exclusivamente do setor privado não teríamos absolutamente nada. Aqueles que abocanham tudo que gera lucro no país não estão dispostos a investir caso o governo não abra a carteira também. Claro que nessa hora você soltará uma daquelas desculpas típicas ressaltando a falta de empreendedorismo brasileiro que não vislumbra boas oportunidades de investimento. Investimento que se torna mais absurdo quando você reafirma que não terá vínculos com clubes, já desprezando o principal potencial de um estádio. Sinceramente não sei o que você toma como referência, talvez o Ninho de Pássaro que hoje é somente cenário para foto de turista, ou o Cubo D’água que virou parque aquático. Mas o mais hilário disso tudo é sua crença que o sucesso de uma estrutura como essa está ligado a localização dela junto aos pólos econômicos da cidade. Até parece que você o compara com um supermercado que precisa estar em um ótimo ponto para vender bem. Eventos de grande porte são atrativos por si próprios, ou você ainda acha quem alguém perderia a oportunidade de ir ao show de um banda importante, à uma grande convenção, à uma feira ou exposição internacional simplesmente e somente por questões relacionadas a região onde a arena se encontra?
Claro que dessa pergunta você vai se esquivar também, assim como faz com todas as outras que não tem resposta.