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A execução das obras dos estádios aparentemente está bem, com elevados índices de execução. Mas do ponto de vista dos prazos para conclusão, os tempos não são equivalentes aos dos percentuais de execução. A maioria dos estádios já terminou a fase da obra civil bruta e chega à fase crítica da cobertura, que envolve equipamentos e tecnologias complexas, muitas das quais inéditas no país.

Para as obras civis as construtoras nacionais tem equipamentos e experiências suficientes para tocar as obras com qualidade e velocidade e tem demonstradas essa capacidade no que já foi realizado e tem sido realizado. Já para a cobertura, dependem de tecnologias, equipamentos e assistência técnica de empresas estrangeiras, além de mão-de-obra especializada. Com riscos de não conseguirem completar numa primeira tentativa. A curva de aprendizagem terá que ser feita, caso a caso, na experiência real. O aprendizado com as obras para a Copa das Confederações poderá servir para as obras que deverão ficar prontas no segundo semestre de 2013. São naturais os atrasos, que já estão devidamente considerados, mas não divulgados.

Será preciso acompanhar com atenção os trabalhos de implantação das coberturas e só depois dos mesmos completados poderão se terem assegurados os prazos de entrega do estádio pronto. E cada cobertura pronta deverá merecer a devida comemoração.

*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.

 Oportunidades, para quem?

13 de agosto de 2011 por jorge | Sem categoria

A realização da Copa 2014 no Brasil traz grandes oportunidades. Dependem do ponto de vista de quem as vê.

Para alguns é uma grande oportunidade para “faturar”: participar de fatia dos gastos públicos, seja para financiar campanhas eleitorais como para benefícios próprios.

A Copa traz a necessidade de investimentos essenciais como os estádios, na maior parte assumida pelos Governos Estaduais. Acelera ou antecipa a necessidade de investimentos em infraestrutura. Gera, ainda, a necessidade de capacitação da mão-de-obra e várias outras ações governamentais para garantir o sucesso do evento em 2014.

A “farra da Copa” está sendo contida pela Presidente Dilma, com o seu estilo centralizador de administrar e de inaceitação do desvio de recursos públicos. Ela não quer superdimensionamentos, tampouco superfaturamentos.

Já percebeu que as obras para a mobilidade urbana são necessárias, mas não essenciais para a realização da Copa. São importantes como legados para a cidade, mas não aceita que isso seja motivo para inflar as obras, tampouco para criar situações de emergências.

Definidas as obras para melhorar a mobilidade urbana, numa matriz de responsabilidades, os Governos estaduais e municipais estão sendo assediados pelo lobby do setor ferroviário para substituir os projetos de BRTs por VLTs, monotrihos ou metrôs. Dilma não aceita as alterações e, portanto, os Estados e Municipios tocam o que foi comprometido anteriormente ou ficam sem as obras. E deu prazo até o final do ano para começar as obras.

Significa, na prática, que quem ainda não contratou ou está com o processo licitatório na rua não vai conseguir cumprir o prazo e vai ficar sem as obras.

São menos de 150 dias para terminar o ano e nem com o RDC (Regime Diferenciado de Contratações) aprovado para as obras da Copa vão permitir o início das obras que ainda não foram licitadas até o final do ano. O RDC, na prática, vai fazer com os processos acabem demorando mais, por conta dos problemas administrativos e judiciais que irão enfrentar.

Por outro lado, com maior dificuldade para “faturar” será que empreendedores manterão o mesmo nível de interesse em executar os empreendimentos?

Obras para a Copa podem ser uma grande oportunidade, mas também são os mais visados, acompanhados e controlados pelos órgãos de controle e pela mídia.

Valerá a pena?

*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.

 Lula fez a lição de casa?

28 de dezembro de 2010 por jorge | Sem categoria

Na perspectiva pessoal dele, sim. A obrigação dele teria sido de trazer a Copa 2014 para o Brasil. Tarefa relativamente fácil, porque havia uma decisão anterior da FIFA de realizar a Copa 2014 em continente sulamericano e a Colômbia, a outra concorrente, havia desistido. O esperado em 2007 era apenas a homologação da candidatura brasileira, o que ocorreu no final desse ano.

A festa da homologação justificava mais uma viagem do Presidente ao exterior e sua exposição ao mundo. Fez-se presente e cumpriu o seu papel. Promoveu mais um grande espetáculo, ainda que como ator coadjuvante. O principal estava reservado a outro grande midiático, Josef Blatter. Mas para o público brasileiro, Lula continuava sendo o ator principal.

A partir dai o que se requeria era trabalho, muito trabalho mas de menor visibilidade. Deixou a tarefa para os governadores e seu Ministro de Esportes.

Mas sempre que havia oportunidade para o espetáculo e grande cobertura da mídia, ele aparecia. Como no anúncio das cidades sede. Fora disso sumia. Bem de acordo com as suas características pessoais que levou a Presidência do Espetáculo ao auge.

Fez discursos e cobranças em relação à escolha do estádio de São Paulo, mas aparentemente foi derrotado. Mas só na aparência, porque a solução da CBF e FIFA favoreciam o clube de sua preferência.

O espetáculo cria visibilidade, mas não implanta obras. Essas é que são necessárias para o espetáculo.

O resultado é que Lula deixa como legado a conquista e a responsabilidade de realizar a Copa 2014 no Brasil, as providências e ações para a mesma, atrasadas.

O atraso é uma percepção em função da experiência, mas não de um cronograma, de um planejamento, porque Lula tem ojeriza às decisões prévias. Segundo ele, o futuro a Deus pertence e ele dará uma ajuda. Dessa forma tudo se resolverá, tudo se ajustará. Segundo o jeitinho brasileiro.

Dilma, ao contrário, é favorável ao planejamento. Terá que montar os cronogramas para controlar o andamento das obras e demais providências. Irá se estressar com os atrasos, muita gente irá ficar pelo caminho, ainda mais estressados com as cobranças e até humilhações. O Ministro dos Esportes que tem permanecido numa posição olímpica em relação à Copa, apenas cobrando dos Governadores, Prefeitos e da CBF terá que assumir maiores responsabilidades. Com riscos para o seu cargo.

A partir de 2011 a gestão da preparação da Copa tomará novos rumos, com muito “ranger de dentes”. Sem grandes espetáculos que serão reservados para 2013 e 2014.

*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.

 Mais um ano perdido

2 de janeiro de 2010 por jorge | Sem categoria

Com a virada do ano, o que se contava em dias, semanas ou meses, passa a ser contado em anos.
Mais um ano se perdeu no processo de preparação do Brasil para a Copa 2014.
Não se firmou nenhum contrato de construção das obras dos estádios. Apenas uma licitação foi concluida e muitas cidades ainda nem tem concluido o edital de licitação.
Agora só faltam 3 anos para a Copa das Confederações e 4 anos para os jogos da Copa 2014.
O tempo está escasseando, dentro de um processo de risco, mas desenhado desde o início.
O jogo é claro, com “pedras cantadas”.
A diretriz firmada foi (ainda é) de não ter aportes orçamentários federais para os estádios.
Mas as cidades – através dos respectivos Governos Estaduais e Municipais – trabalham para criar uma situação de fato, constrangedora, para forçar o ingresso de recursos federais.
Vão usar o período eleitoral e os exíguos prazos para as transferências federais para uma forte pressão.
Como as verbas não estão previstas no orçamento de 2010, a suplementação terá que se feita por créditos adicionais, mediante medidas provisórias e, eventualmente, até extraordinários. Tudo antes do prazo de proibição dos repasses.
Como reagirão os eleitores matogrossenses se Cuiabá for “abandonada” pelo Governo Federal e cortada da lista de cidades-sede?
Como reagirá o Governador Blairo Maggi, depois de tanta mobilização popular, de gastos com um projeto – ainda que sabidamente inviável – e ver frustrada a participaçao de Cuiabá na Copa 2014?
O mesmo vale para o eleitorado do Amazonas, do Rio Grande do Norte e mesmo do Ceará e de Prnambuco.
O aporte (ou não) de recursos federais para viabilizar os estádio fará parte obrigatória da agenda eleitoral de 2010.

Os passos seguintes estão definidos pelo planejamento conspiratório:

O Governo Estadual prepara o edital para a construção do estádio mediante uma PPP;
verifica que não há interesse efetivo de muitos dos proponentes que exigem condições diferentes do previsto no edital
algumas colocam o edital na rua e na abertura “dá vazia”. Ou com proposta inaceitável.
Parte para a licitação de construção, sem parcerias, com um entrave.
Na PPP estaria deixando o projeto executivo a cargo do parceiro privado contratado. No caso da licitação direta, seria exigido o projeto executivo previamente. Isso irá atrasar mais ainda o processo.
A alternativa é jogar o projeto executivo para o contratado.
O resultado é sabido: o contrato é feito com base num projeto básico, com grandes recursos gráficos, porém com muitas falhas em detalhes.
Com o projeto executivo, o valor do contrato já sobe. Por conta de itens “esquecidos” no projeto básico.
O Governo do Estado entra com o projeto no BNDES que pode ser rápido na análise e poderá aprová-lo ainda que não esteja firmemente demonstrada a viabilidade econômica. Será por conta das garantias.
Porém para tomar o financiamento e conceder as garantias dependerá de aprovação da Secretaria do Tesouro Nacional que irá considerar as finanças estaduais e municipais frente à Lei da Responsabilidade Fiscal.

Em cada um dos passos, as dificuldades e os atrasos criarão pressão para o apoio federal. Com apoio da FIFA que dará ultimatos ao Governo Federal.

Que acabará ocorrendo, a menos que aceite (com todas as implicações eleitorais) a eliminação de cidades, como sede de jogos da Copa 2014.

*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.