Posts da categoria ‘Economia da Copa’

O jeitinho brasileiro caracteriza-se pelo adiamento sucessivo das decisões e ações até a undécima hora, para dar um “jeitinho” na última hora. Com uma solução improvisada.

Quinta-feira passou, sem solução para o impasse das estruturas complementares e temporárias no estádio do Itaquerão, onde ocorrerá o jogo de abertura da Copa da Fifa 2014. Jérôme Valcke anunciou que haveria solução até sexta, mas voltou para a Suiça sem uma solução. Porto Alegre deu um passo, mas ainda não a solução. Não há suficiente segurança jurídica para os eventuais investidores de que irão gastar e poderão compensar no ICMS. Há várias ações jurídicas preparadas para contestar a medida aprovada pela Assembléia Legislativa, com base em proposta do Executivo.
O jogo é bem conhecido: “fiz a minha parte, os outros é que não deixaram”. A turma da FIFA fica desesperada com isso, mas ainda estão se acostumando com o “modo brasileiro”.

A 75 dias da abertura, as soluções serão no jeitinho brasileiro, com a impressão de que estará tudo resolvido, mas com soluções improvisadas e maquiadas.
O essencial para a realização dos jogos será resolvido, com geradores para suprir, por pouco tempo, eventuais apagões de eletricidade, assim como as instalações para a mídia e para as transmissões de TV, pela FIFA. As complementares que as TV querem para transmissões especiais terão que acordar com a Rede Globo que será uma das poucas ou a única a dispor da infraestrutura, com investimento próprio.
As tendas ou barracas só serão erguidas por conta dos interessados e não pelos proprietários dos estádios.

No Itaquerão, onde se concentram os maiores impasses, porque receberá o jogo de abertura, a semana terminou ainda empatada. Os próximos 45 dias serão de prorrogação, que também deverá terminar empatada. Os últimos 30 dias serão dos penalties.

O jogo continua a mesmo. O Governo Federal, através do seu Ministro dos Esportes não quer assumir a liderança das negociações com a FIFA, para uma solução acordada, com minimização das exigências e saidas alternativas que não as tradicionais barracas. Não quer para não ter que assumir os ônus de financiar o que precisa ser feito. Permanece no discurso de confiar que os Governos Estaduais, Municipais e clubes encontrem uma solução. Ele sabe que não pode confiar, mas mantém o discurso.

A FIFA não arreda pé, fiando-se nos contratos firmados, na Lei Geral da Copa e ameaçando entrar com ações de indenização: já que não é mais possível cancelar a Copa ou alguma cidade. O Governo Federal fica intimidado, com receio dos impactos eleitorais e das promessas de realizar “A Copa das Copas”.

Governo Estadual e Municipal continuam dizendo que já estão fazendo a sua parte e não vão fazer nada mais. Só se dispõe a ajudar encontrar parceiros ou patrocinadores privados para colocar o dinheiro. Apenas declarações de “maior esforço”. Pouco ou nada efetivo.

O Corinthians faz o jogo também tradicional. Um diz que está tudo resolvido e outro diz o contrário. Andrés Sanchez, ex-presidente e responsável pela obra, diz que o clube vai pagar as instalações temporárias. O atual Presidente diz que não. O que Sanchez quer dizer é que já teria patrocinadores para ajudar o clube. Mais uma vez é um “wishful thinking”.

O clube não vai pagar. Agora que as coisas ficaram mais claras, com o entendimento do que são essas tais estruturas complementares que já mostramos aqui reiteradamente, como o “camelodromo” da FIFA, os órgãos decisórios do clube não vão concordar em pagar a festa da FIFA, que não traz nenhum benefício ao clube: só custos.

Isto já era sabido desde que o Itaquerão foi escolhido como local para o jogo da abertura. A dificuldade do Morumbi em suprir essas estruturas complementares e temporárias foi usada como argumento para a sua substituição. O Itaquerão teria as condições e as tais estruturas foram incluidas no empreendimento. Mas não no contrato de construção da obra pela Odebrecht. Essa pretende se retirar do canteiro 60 dias antes da Copa, com a obra entregue segundo o seu contrato.

Sanchez contava com a maior e melhor visibilidade do estádio para vender caro o “naming right” e justificar perante os conselheiros e dirigentes do clube a necessidade de atender plenamente a FIFA. Não conseguiu. Mas como ainda está no primeiro tempo da prorrogação, conta com algum tempo para marcar o gol salvador.

Sem patrocinador o clube não vai assumir os custos e dívida adicional. Já está terrivelmente incomodado e apreensivo com a dívida já assumida, muito acima das expectativas iniciais. O clube agora “está caindo na real”.

Resta a FIFA para pagar. Mas esta também já está também entendo melhor o “jeitinho” brasileiro e vai deixar a decisão para os penalties. Por enquanto só exige, só ameaça. Mas ela tem os seus “patrões”: os patrocinadores que precisam ser atendidos, segundo os seus contratos.

Ao final ela poderá investir, contando que poderá se ressarcir do Governo Brasileiro em função dos contratos firmados, com decisões judiciais em foros internacionais. O problema é que ela mesmo mudou tanto as exigências e as especificações, que a deixa em condições menos segura para reivindicar os gastos decorrentes dessas mudanças.

Ela poderia ganhar judicialmente, porém será que valerá a pena, em termos de imagem, para negociar os seus futuros patrocínios?

Esse é o dilema de Valcke e Blatter. Por isso vão esperar pelos penalties.

*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.

 Vai ficar pronto?

19 de março de 2014 por jorge | Economia da Copa, falta de planejamento

O estádio do Corinthians vai. O da FIFA, quem sabe?
Ontem estive em visita ao Itaquerão, com o Rodrigo e o Guilherme. O que vi, confirma o avaliado aqui, anteriormente, baseado em informações divulgadas aqui e pelo resto da imprensa.
Em 15 de abril, a Construtora Norberto Odebrecht, convocada para construir o estádio vai entregar a obra. Deveria ter entregue até 31 de dezembro de 2013, mas o acidente com uma das estruturas da cobertura atrasou a obra. Acidente providencial, porque muitas das partes internas que deveriam estar prontas e não foram afetadas pelo acidente ainda estão inacabadas. Mesmo que não tivesse ocorrido o acidente a obra não teria sido entregue pronta, no dia aprazado.

O gramado está lindo, a maior parte das cadeiras já está instalada. Numa vista panorâmica aparentemente só faltariam completar as arquibancadas provisórias e o entorno do próprio estádio. Era o que eu achava. Mas na visita percebi que falta muito mais. Toda parte das obras de engenharia (civil, elétrica, instalações, etc) internas estão praticamente prontas, mas sem o mobiliário.
É aquela situação em que você compra o imóvel para morar, recebe as chaves da construtora e precisa mobiliar.
Não há nenhum móvel ou equipamento nos vestiários, banheiros, salas de massagem, etc. Não há condições para os jogadores, juizes e outros se trocarem e se prepararem para entrar em campo. Com a realização do jogo treino, achei que essa parte já estaria pronta. Mas agora ficou a dúvida: os jogadores depois do treino foram para o chuveiro dos operários ou tiveram que pegar o ônibus, suados, para irem se trocar no CT ou no Parque São Jorge?

O apartamento está pronto, mas não dá ainda para morar.
O mobiliário é de responsabilidade do Corinthians, que ainda não disse quando vai colocar. A preocupação maior seria com as estruturas complementares, mas falta o essencial para ter jogos.
Colocados os móveis e equipamentos o Corinthians poderá receber o Flamengo no dia 27 de abril, pelo Campeonato Brasileiro, como agora anunciado, mas sem lotação total e, sem os camarotes: um outro problema.
A construtora vai completar as obras e entregá-las em bruto para a FIFA. A ela caberá mobiliar a seu gosto. Mas ai há ainda uma pendência: quem irá pagar esse mobiliário?
Além disso, há o problema do prazo: a obra vai ser entregue à FIFA em 15 de abril e ela terá um tempo exíguo até o dia da abertura para adquirir e instalar todo o mobiliário.
As obras para o público deverão ficar todas prontas. Algumas poderão estar sem o acabamento final, mas um provisório e sem todo o mobiliário. Mas nada será tranquilo, com negociações e acertos sucessivos sobre quem vai pagar o que?
A pendência maior será sobre a área de hospitalidade, para a qual a disponibilidade de área é reduzida. A responsabilidade pela montagem das tendas já ficou definida: é do Corinthians. Mas esse vai tentar negociar o volume e os complementos. Quantas menos tendas, um gasto menor. O caixa do Corinthians está baixo e o financiamento do BNDES/Caixa só está na placa: o dinheiro ainda não chegou.
De quem será a responsabilidade pelo mobiliário das áreas de hospitalidade?
Como anotamos anteriormente, o Itaquerão vai ficar pronto: do jeitinho brasileiro. E não sem grande sofrimento e desgaste. O que não puder ficar pronto, não ficará. O jeito será se virar com o que ficar.

*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.

A Copa no Brasil justifica tudo. Foi usado como pretexto para um conjunto de investimentos em terminais de passageiros marítimos. Necessários porém não essenciais para a Copa. Mas sem essa as obras se arrastariam indefinidamente, prejudicando o movimento normal dos cruzeiros marítimos no Brasil, que ocorre durante o verão. Então os integrantes da cadeia produtiva dos cruzeiros marítimos acordaram com as ilusões ou sofismas das autoridades para justificar as obras, mesmo sabendo que eram pouco prováveis ou até enganosas.
O primeiro argumento foi de que os novos navios, com capacidade para cerca de 4.000 passageiros, poderiam suprir a carência de quartos na rede hoteleira. Os navios não ficam parados, por muito tempo, num único porto. O ganho maior está na rotatividade. A sua função é de viagem e não de hotelaria fixa. E, diferentemente, do carnaval, a Copa ocorre ao longo de um mês, com grandes intervalos. Depois de lançar a idéia, submergiram deixando apenas algumas incautas autoridades repetindo a besteira.
Os operadores e agentes de viagem, bem sabem que junho/julho é período de inverno no hemisfério sul e os operadores não deslocam para esse os seus navios que ficam no Caribe, nas costas europeias e outras rotas no verão do hemisfério norte.
E que na temporada de verão, mais de 80% dos passageiros são de turistas brasileiros, fazendo cruzeiros pelo litoral brasileiro, com alguma extensão para o sul, até Buenos Aires.

Ressalvamos duas hipóteses: a extensão de cruzeiros do Caribe até o nordeste brasileiro, ou o deslocamento de navios para esse mesmo litoral para ligar as 4 cidades-sede da região, todas litorâneas.

As novidades reais não coincidem exatamente com as hipóteses acima a menos da negativa. Não há previsão de deslocamento de nenhum navio das grandes operadoras, para um cruzeiros da Copa, pelo litoral nordestino. A menos de 100 dias do início, esses cruzeiros já deveriam estar programados e com as passagens já em processo de venda. Nada disso está ocorrendo. Os deslocamentos internos serão quase que totalmente por via aérea.

Já a MSC está inovando, arriscando uma extensão do seu cruzeiro pelo Caribe até o Brasil, nesse período, só que mais extenso do que imaginamos. O cruzeiro passa por Salvador, mas se estende por mais 4 dias para, passando pelo Rio de Janeiro e terminar em Santos, num cruzeiro de 20 dias (19 pernoites). Saindo de Miami, em maio e chegando em Santos na primeira semana de junho, poderá atender a turistas que queiram vir para a abertura da Copa, em 12 de junho. As passagens já estão sendo comercializadas, mas não é exatamente no período da Copa.

MSC Divina

MSC Divina

E não será em qualquer navio. O escolhido é o MSC Divina, um nome em homenagem a Sofia Loren, cliente da operadora, que é um dos mais modernos e da classe fantasy, com capacidade para quase 4.000 pessoas.

A MSC programou e já colocou à venda um cruzeiro, com a mesma rota de retorno pelo Nordeste Brasileiro e pelo Caribe, saindo do Rio de Janeiro, no dia 14 de julho, um dia após o jogo final. Parece estranho, mas não é, pelo que se expõe a seguir.

A novidade é um cruzeiro durante o inverno brasileiro, mas não seria por conta da Copa. Exatamente durante o período da Copa, não há programação de cruzeiro da MSC.

Havia uma hipótese pouco provável, de alto risco, mas possível: o fretamento de um navio de grande porte durante toda a temporada da Copa. Não seria vantajoso para os europeus ou para os orientais. Restava uma pequena possibilidade com os norte-americanos.
Pois ocorreu e o fretador está inicialmente está com sorte. A Mundomex a principal agência de turismo mexicana, credenciada da FIFA, montou diversos pacotes para os mexicanos acompanharem a Copa e afretou o MSC Divina, antes mesmo do sorteio. Receberia o navio em Santos.
Dependendo de onde seriam os jogos do México, poderia ter maior ou menor custo de deslocamentos.

O México foi extremamente favorecido no sorteio, em termos regionais e logisticos. Joga a primeira partida, no dia 13 em Natal, contra Camarões, no dia 17 contra o Brasil em Fortaleza e em 23 contra a Croácia, em Pernambuco. Na primeira fase fica só no nordeste. O navio não terá que se delocar até o sul. A seleção terá que viajar, porque por ter se antecipado na escolha do seu Centro de Treinamento ficará em Santos. Por questões de tempo não há condições para os torcedores começarem por Santos. Em tese, haveria, mas a um custo muito elevado para a operadora que está vendendo pacotes a preços fixos.

São 11 pacotes todos esses com o deslocamento dos passageiros, a partir da Cidade do México, por via aérea. O navio ficará aportado num porto nordestino de onde se iniciarão os cruzeiros. A ideia inicial é Recife, mas poderá ser deslocado para Natal, em função do novo aeroporto e do novo terminal marítimo, já pronto. O primeiro jogo do México é em Natal.

Os 3 primeiros pacotes oferecidos pelo Mundomex só envolvem 2 partidas, uma do México e outra qualquer, com 5 pernoites a um valor da ordem de US 10 mil. O interesse maior seria com o pacote 2 que envolve o jogo contra o Brasil em Fortaleza. Caso a agência consiga vender toda lotação seriam cerca de 12.000 mexicanos. O quarto pacote já presume que o México passará da primeira fase. O segundo grupo de pacotes (5, 6 e 7) envolvendo dois jogos do México, mais 2 outros jogos, já partem de US$ 16.000, com aumento da quantidade de pernoites: 10 a 11. Esses não aumentariam o volume total dos turistas, pois seriam opção alternativa daqueles mesmo 12.000.

O mesmo vale para os pacotes 8 e 9 que envolvem 3 jogos do México, mais 3 outros, com o aumento do pernoite para 15 ou 16 e o preço acima de US$ 20 mil.

Esses torcedores mexicanos que querem acompanhar a sua seleção irão aportar em Recife ou Natal, seguir depois para Fortaleza e, na sequência, Pernambuco. Todas cidades do nordeste, litorâneas. E pernoitarão sempre no no próprio navio.

Supondo, como nós desejamos, que o México fique em segundo no grupo, voltará a jogar em Fortaleza. Se ficar em primeiro jogará em Belo Horizonte, o que atrapalha a operadora. Essa também estará torcendo para o México ficar em segundo deixando o primeiro para o Brasil.

Para a operadora o jogo em Belo Horizonte é mais complicado e de maior custo. O navio tem que se deslocar para o Rio de Janeiro ou Santos e os passageiros serem levados em aviões – provavelmente fretados – até Belo Horizonte, com retorno no mesmo dia, para pernoitarem no navio.
O dilema é grande, pois um enfrentará a Espanha e o outro a Holanda. A perspectiva é que o México seja derrotado pela Espanha em Fortaleza, no dia 29 de junho e vá embora. Será acompanhado por diversos torcedores.

Para acompanhar os 4 jogos da seleção mexicana, até as oitavas, com mais 4 jogos de outras seleções, serão 21 pernoites no navio e um custo de quase U$ 30.000: pacote 9.
O MSC Divina, em função do fretamento e para atender aos adquirentes dos pacotes 4, 8 e 9, que incluem o jogo das oitavas em Belo Horizonte, deverá seguir para o sul e os que querem acompanhar os demais jogos até a final seguirão com ela. Eventualmente a Mundomex poderá vender percursos avulsos de Fortaleza ao Rio ou Santos, a turistas brasileiros ou mesmo estrangeiros que vieram para acompanhar a Copa. O retorno dos compradores dos primeiros pacotes liberará lugares no navio.
Deverá fazê-los através de agências brasileiras, para evitar confrontos, com o setor.

Quem quiser acompanhar os jogos subsequentes (quarta de final, semifinal e final) terá que comprar novo pacote, a um custo acima de US$ 30.000. Assim para acompanhar todas as sete rodadas será preciso desembolsar, pelo menos US 60.000. A expectativa da agência é a venda corporativa, ou seja, para empresas e não avulsas. Para os torcedores um pacote exclusivamente aéreo poderá ficar mais em conta.

Quem quiser vir apenas para as semifinais e final terá um pacote com 8 pernoites e um custo a partir de US$ 25.000.
Haverá sempre tempo para passeios e o navio deverá passar por diversos portos.

No dia 13, dia da final terminará a excursão da Mundomex e a devolução do navio à MSC que já tem programado e está comercializando um cruzeiros a partir do dia 14, passando por Santos e por Salvador, seguindo para o Caribe e terminando em Miami. Alguns dos passageiros poderão ser os mesmos mexicanos, que chegaram pela Mundomex. E também outros turistas estrangeiros que vierem para a final.
A perspectiva principal é de conquistar turistas brasileiros. O problema é que com a Copa, as férias escolares serão antecipadas e os estudantes irão voltar às aulas a partir do dia 14 de julho, felizes ou muito tristes. A demanda por cruzeiros, nesse período, será excepcionalmente menor. Pouco servirá de base experimental para avaliar a viabilidade ou não de cruzeiros marítimos usuais, durante as férias escolares de inverno.

A sorte inicial da Mundomex poderá virar num grande azar a partir das quartas, a menos de uma grande surpresa da seleção mexicana. Se prevalecer a buena suerte mexicana, eles ficariam em primeiro, no grupo A, venceriam a Holanda nas oitavas, a Alemanha nas quartas e ainda chegariam à final contra a Argentina ou Espanha. E a mundomex se daria bem.

Mas nesse caso, os terminais estaria prontos para receber a invasão mexicana?

A ousadia da Mundomex pode, no entanto, resultar num grande desastre econômico, sem conseguir lotar o navio. Não há ainda informações públicas sobre a velocidade das vendas.
Não há também informações sobre qualquer outro afretamento de navios de cruzeiro para o período da Copa.

*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.

Vão ficar prontos para a Copa.
O que?
Os estádios? Sim esses vão ficar prontos para os jogos e para os espectadores. Mas será suficiente?

Aproveitando a marca de 100 dias para começar a Copa do Mundo no Brasil os jornais foram entrevistar as autoridades brasileiras e da FIFA, cujas respostas seguem um discurso aparentemente ajustado. Sim, vão ficar prontos. Mas o que?

Diante da irresponsabilidade do Brasil em planejar e preparar-se adequadamente para a Copa, apesar de ter tido 7 anos para tal, a FIFA, desistiu, “jogou a toalha”.
Procurou garantir que os estádios ficassem prontos e “largou mão do resto”. O resto não é fundamental para a realização do evento futebolístico, mas vai arranhar a imagem da FIFA. A do Brasil muito mais.

Além dos compromissos com as confederações nacionais de futebol a FIFA tem compromissos com a mídia e com os seus patrocinadores.

O compromisso com as 32 confederações que passaram para a competição, depois das diversas eliminatórias, é a realização das 64 partidas, em gramado e demais infraestrutura compatível com um grande evento mundial. Isso as seleções irão encontrar e depois do último jogo, uma delas se sagrará campeã do mundo.

A FIFA garantiu a elas ainda que encontrariam locais adequados para se hospedar e se preparar e também uma logística segura para as comitivas.

Ela estará preparada para receber as autoridades governamentais que venham assistir aos jogos, particularmente o da abertura. Poderá não receber como desejava, mas não vai fazer feio, com as suntuosas instalações dentro dos novos estádios.

O que falta então para a realização da Copa? Nada de essencial, mas que afetam a credibilidade da FIFA.
As tendas para as feiras dos patrocinadores, as instalações dos sistemas de comunicação para a Central de Mídia e as Fan-Fests.

As tendas para as feiras não estarão prontas em todos os estádios e a saída será realizá-la dentro dos estádios. Será uma solução típica do jeitinho brasileiro.

As instalações de comunicação serão importantes para as emissoras que querem ter as suas transmissões complementares e grandes equipes no Brasil.

O que a FIFA irá assegurar é a captação das imagens dos jogos, com exclusividade, e retransmití-las às emissoras sob contrato. A narração e os comentários poderão ser feitas das sedes das retransmissoras, como ocorre em muitos eventos esportivos.

Mas não é o caso da Rede Globo que quer estar presente, com equipe própria e todo um suporte tecnológico, em todos os estádios. Outras emissoras internacionais querem acompanhar presencialmente o campeonato, ou pelo menos os jogos da sua seleção.

Haverá locais para a mídia, mas a eventual escassez em alguns estádios provocara um racionamento e uma seleção maior, provocando reclamações dos não autorizados.

Os problemas com a mídia sãos que mais negativamente irão afetar a imagem da FIFA e do Brasil. Será caracterizado como falta de organização.

Tempo para preparar tudo existe. O que não existe é dinheiro público. E mesmo que exista não pode ser gasto nesse curto espaço de tempo. Mesmo que se alegue urgência ou até emergência o Ministério Público, nem o TCU vão aceitar a dispensa de licitação.

A solução tem que ser privada.

Diante do inevitável a FIFA já adotou o jogo do contente. Os estádios vão ficar prontos. O resto vai no jeitinho brasileiro.

*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.

Para viabilizar um estádio para o Corinthians era preciso inviabilizar a indicação do Morumbi como estádio de São Paulo, para a Copa. Uma dos principais argumentos apresentados foi que o Morumbi não tinha espaço para as estruturas complementares.
Como estádio para a Copa o São Paulo FC poderia fazer a reforma e modernização do seu estádio, com isenções ou reduções tributárias e ainda com financiamento do BNDES a juros subsidiados. Em contrapartida, teria que fazer investimentos adicionais exigidas pela FIFA, tanto dentro do estádio, como para as estruturas complementares, sem uso posterior estimados em mais de R$ 50 milhões, na ocasião.
Deixando de ser o estádio da Copa, perdeu os benefícios, mas deixou de ter o compromisso adicional para as estruturas complementares.
Para viabilizar o estádio do Corinthians, patrocinado pelo então Presidente Lula, foi montada uma engenharia financeira para aportar recursos públicos, de forma disfarçada. Mas não contemplaram as tais estruturas complementares, que, em consequência ficaram sob a responsabilidade do proprietário do estádio.
Agora a FIFA está exigindo as tendas para abrigar a mídia, os convidados Vips e VVips, as feiras de exposição dos patrocinadores e ainda as áreas e infraestrutura para os caminhões de retransmissão. Um investimento adicional da ordem de R$ 50 milhões, que não renderão nada para o clube, nem no presente, nem no futuro.
O Corinthians não quer arcar com esse custo adicional só para a festa. Quer que seja feita pelos Governos, que já anunciaram que não o farão.
Quer que seja feita pela FIFA, pois a festa é dela e só ela terá os rendimentos.
A entidade, por outro lado, diz que essas despesas fazem parte do “pacote de obrigações” para a escolha do Itaquerão como o estádio da abertura e para mostrá-lo, amplamente, ao mundo.

O clube não tem como fugir a essas. Está buscando patrocinadores privados para cobrir as contas.

Está a perceber agora que caiu no “conto do vigário”. Ganhou de graça uma sopa de pedra, com essa e a água de graça. Mas vai ter que pagar todos os legumes e as carnes do complemento.

*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.

A mídia mais uma vez foi manobrada pelos “espertalhões da FIFA” para não ter que colocar o seu rico dinheirinho para realizar a Copa no Brasil, transferindo para os Governos todos os encargos com a infraestrutura.
Velcke e sua troupe se aproveita da ignorância, incompetência e até ingenuidade dos jornalistas para dar suporte às suas jogadas.
Os jornalistas se fiam demais nas declarações das autoridades e se interessam mais com as fofocas do que em informar adequadamente os seus leitores.
Um mínimo de conhecimento de engenharia, ou a entrevista com competentes engenheiros mostraria que não havia qualquer problema técnico para concluir a arena da baixada a tempo. Nem se culpem os engenheiros dos supostos atrasado numa construção aparentemente simples.

O problema sempre foi de natureza financeira, com o Atlético Paranaense, da mesma forma que o Internacional e o Corinthians se recusando a assumir compromissos com a construção do que não vão usufruir depois da Copa. Sempre entenderam que as tais estruturas transitórias ou complementares deveriam ser financiadas pelos Governos ou pela FIFA.

Os Governos Estaduais e Municipais, em princípio, assumiram o compromisso de realizá-las, mas recuaram depois das manifestações populares de junho de 2013. Eles como o Governo Federal e a FIFA acreditavam no apoio popular e que não haveria contestações com os gastos.

Um dos elementos dessas estruturas adicionais são arquibancadas transitórias para aumentar a capacidade dos estádios para os jogos da Copa e que depois serão retiradas. Poderiam até serem mantidas se houvesse previsão de público para utilizá-las. O Corinthians, por exemplo, deveria mantê-las, pois seria similar ao “tobogã”.

Mas o problema maior não são essas arquibancadas, mas as tendas com três finalidades: abrigar os centros de mídia, as exposições dos produtos dos patrocinadores e receber os convidados VIPs e VVIPs. Custarão de 30 a 70 milhões de reais a mais.

Essas atividades poderiam ser realizadas em equipamentos permanentes no entorno dos estádios, mas a FIFA havia recusado essa alternativa porque a ela interessava atender aos seus tradicionais fornecedores das tendas e demais instalações. Obrigou o Governo Distrital de Brasília a montar as tendas para abrigar o Centro de Mídia para a abertura da Copa das Confederações. Para a Copa do Mundo está aceitando utilizar o Centro de Convenções.

Diante da resistência dos empreendedores brasileiros em assumir aquela despesa adicional, montou uma jogada de risco, aproveitando a condição de efetivo atraso técnico das obras da Arena da Baixada. Ameaçou cancelar os jogos em Curitiba.

As obras foram aceleradas, colocaram os assentos e o gramado para a FIFA e a mídia verem, mas os impasses financeiros continuaram, sem solução até o final da semana, 4 dias antes da data dada como final.

Ai ela fez ou passou a divulgar o valor das multas que os Governos teriam que pagar com o eventual cancelamento dos jogos em Curitiba. Fez com que emergissem as contas de perdas da hotelaria e de outros agentes que contavam com as seleções e os turistas em Curitiba.

Politicamente, jogaram com a entrada, já na prorrogação, de Gleise Hofmann para marcar o “gol de ouro” e evitar a decisão por penalties. Para o Governador, candidato à reeleição, seria um risco muito alto.

Com a perspectiva de perder os jogos e ainda ter que pagar uma pesada multa ele, provavelmente, achou mais prudente se comprometer a garantir os recursos do que “jogar na sorte”.

O herói ou heroina da permanência de Curitiba na Copa ainda não apareceu, mas aparecerá.

O objetivo da FIFA não foi apenas passar um susto no Paraná, mas em todos os Governos das cidades-sede para que não deixem de investir nas tendas, assim como na realização das fanfests.

Os “camelôdromos” da FIFA estão assegurados. Já as fanfest envolvem questões mais complexas, como a da segurança.
E o novo “pepino” que a FIFA vai ter que enfrentar, agora que vai ter Copa em Curitiba.

*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.

 Logística dos torcedores na Copa

8 de dezembro de 2013 por jorge | Economia da Copa

Definidas as chaves dos jogos da Copa 2014 é possível avaliar melhor a movimentação aérea durante a Copa. Os turistas, inclusive os brasileiros, deverão acompanhar as suas seleções, viajando de avião, em função das grandes distâncias. Em alguns poucos casos será viável o deslocamento via rodoviária. E, em dois casos, a movimentação marítima.

Entre os estrangeiros, a maior quantidade de turistas que virão ao Brasil, acompanhar os jogos, deverá ser dos americanos, sejam os do centro e norte, como do sul. O maior volume poderá ser dos argentinos, seguidos pelos mexicanos e pelos estadunidenses. A Colômbia pode surpreender em número de turistas. Da Europa, os principais poderão ser os portugueses, seguidos pelos espanhois, italianos e franceses. Os croatas poderão vir em peso para o jogo inicial, mas poderão não seguir o seu time em todos os jogos da primeir fase, a menos que vençam o Brasil no jogo de abertura. Para acompanhar o seu time terão que se deslocar a Manaus, com conexão ou escala em Brasília, com intervalos de até 6 horas e ir ao Recife, novamente via Brasília, a menos de voos fretados ou linhas especialmente estabelecidos para a Copa.

Os torcedores argentinos terão uma vida relativamente fácil, jogando, na primeira fase, somente no sudeste, começando no Maracanã no dia 15 de junho, depois Belo Horizonte, praticamente uma semana depois (21/06) e em Porto Alegre, no dia 25/06. Os que viajarem de avião poderão chegar pela manhã, assistir aos jogos e voltar para Buenos Aires, seja por voos fretados ou até comerciais, com eventual remanejamento de horários. Só o jogo no Maracanã será à noite. Nessa fase, em função do espaçamento dos dias poderão circular por ônibus fretados, desafogando o tráfego aéreo. Terão até alternativa de utilizar ônibus de linha.

Se passarem em primeiro para as oitavas, o que é provável, jogarão em São Paulo, as quartas em Brasília, ambos às 13 hs, a semi-final, novamente em São Paulo, às 17 horas e a grande final no Rio de Janeiro às 16 horas.. De avião, podem fazer o “bate-volta”. De rodovia não dá para ir e voltar a Buenos Aires, mas podem fazer todo o “tour” da Copa por rodovia, fazendo “pit stop” em Florianópolis, Camboriu, suas praias preferidas.

Um mau negócios para os hotéis que não terão hospedes argentinos pernoitando, mas um provável caos nos aeroportos das respectivas cidades, nos dias de jogos, com muitos voos fretados, além dos comerciais. Uma estimativa da ordem de 20.000 argentinos por via aérea, serão pelo menos 100 aeronaves pela manhã e o seu retorno à tarde. Se chegar à final, esse número poderá dobrar. Uma parte será de aeronaves fretados, acrescendo-se aos voos habituais. Para que não haja o caos os demais devem evitar voos por esses aeroportos, tanto nos dias de jogos do Brasil, como da Argentina.

Os mexicanos, na primeira fase, ficarão só no Nordeste, jogando em Natal, Fortaleza e Recife. A possibilidade de um “bate-volta” aéreo é mais difícil, embora possível, com voos fretados. Se dependerem de voos comerciais poderão ter que fazer uma conexão no sudeste, embora para a Copa se espera que o Aeroporto de São Gonçalo do Amarante do Rio Grande do Norte, esteja pronto e funcione como um hub. De toda forma, durante a primeira fase poderão se movimentar por ônibus. Poderiam ter a alternativa de transporte marítimo, pois todas as três cidades podem ser servidas por navios de cruzeiros. A dificuldade é conseguir o deslocamento de um navio, durnte o mês de junho, quando estão atendendo ao Caribe e outras rotas do hemisfério norte, onde é verão. Os colombianos também terão a vida facilitada, pois a sua seleção ficará no centro do país, jogando em Belo Horizonte, Brasília e Cuiabá, podendo fazer voos diretos, ou conexões em Brasília.

Já os estadunidenses não terão vida fácil: são os que terão que percorrer as maiores distâncias durante a primeira fase, começando em Natal, seguindo para Manaus e retornando para o Recife. Terão que circular obrigatoriamente por avião, fazendo de Manaus o principal gargalo pois seu acesso depende exclusivamente do transporte aéreo. A alternativa fluvial é inviável, pelos tempos de demora. Em função do tamanho da população, do nível de renda, e do interesse crescente do soccer, deverá ser um dos principais paises emissores de turistas para a Copa e apesar da maior distância a ser percorrida foram bem agraciados, do ponto de vista turístico. Para eles será fundamental que o aeroporto de São Gonçalo do Amarante esteja em operação, para que não sejam obrigados a ir até São Paulo para voltar. Teriam ainda a opção do Recife. Teriam escolhido São Paulo como o local de treinamento, mas em função da localização dos jogos, pelo menos na primeira fase, poderão trocar por uma cidade do Nordeste. Se mantiverem a base em São Paulo, a seleção poderá até duplicar as distâncias a percorrer de avião.

Costa Rica foi favorecida, com viagens menores, embora dependentes de voos comerciais . , Chile e Equador também foram favorecidos, com possibilidade de bate-volta aérea e de viagens rodoviárias, pois seus jogos na primeira fase se concentram no sudeste, com extensão a Cuiabá. Já Honduras foi penalizada tendo que jogar nos dois extremos: Porto Alegre e Manaus, passando por Curitiba.

A maior penalização recaiu sobre o Uruguai, que começa por Fortaleza, tem que voar na direção sul a São Paulo e voltar ao nordeste para jogar em Natal. Além da longa viagem de Montevideu ao Nordeste, com conexão em São Paulo, nos voos comerciais, deverão considerar os voos à base escolhida para os treinamentos e concentrção. Para o jogo em São Paulo, no dia 19 às 16 horas os torcedores terão a opção do “bate-volta”, chegando por volta da hora do almoço e retornando à noite. Como o estádio fica próximo ao Aeroporto de Guarulhos, isso será factível. Mas não será para os jogos do Nordeste.

As seleções voarão em aviões fretados, não ficando dependentes dos horários dos voos comerciais, em que terão que voar parte dos seus torcedores. Espera-se que o maior volume de torcedores europeus venham da Espanha, Portugal e Inglaterra. A Itália tem uma grande torcida, mas de menor poder aquisitivo, o que restringe a vinda de grandes massas.

Os espanhóis terão vida boa. Podem desembarcar em Salvador para o primeiro jogo na Fonte Nova, no dia 13 de junho, desfrutar das suas praias e depois ir às do Rio de Janeiro, no dia 18, também com praia e pouca possibilidade de chuvas. O sol pode se esconder, o que seria até bom. Ai terão que enfrentar o frio de Curitiba. Não podem correr o risco de pegar o Brasil nas oitavas, nesse caso no Mineirão, uma viagem fácil, eventualmente com escala em São Paulo. Mas para isso precisam ser os primeiros da chave e ai se deslocar a Fortaleza, enfrentando grande distância, com conexão em Brasília e mudança de temperatura. Passando essa fase ficariam no Nordeste para jogar em Salvador e depois São Paulo na semi-final e o Rio na final

Pelo menos não terão que enfrentar o calor e distância de Manaus, que o azar recaiu sobre os ingleses, italianos e portugueses, além dos estadunidenses e outros. Não terão que passar por Cuiabá, pena que recaiu sobre os russos e bósnios.

Os japoneses começam no Recife, tem o segundo jogo em Natal que pode se acessado por via rodoviária, mas ai terão que enfrentar o calor de Cuiabá.

Esse que seria um dos destinos mais críticos, por não contar com alternativas modais satisfatórias não receberá grandes torcidas. A maior torcida externa provavel seria a chilena, com uma distância geográfica relativamente menor, mas com distâncias aéreas maiores por conta das rotas. A rota chilena, para o primeiro jogo poderia ser via Assunção, mas dependerá do seu local de treinamento, sendo São Paulo a melhor opção. O Pantanal poderá ser um grande atrativo para os japoneses que jogarão contra a Colômbia, no dia 24, depois de ter passado pelo Nordeste. Os japoneses terão uma rota turística interessante, desde que a seleção não fique em Itu, como estaria previsto.

A Bélgica foi a seleção mais favorecida, jogando apenas no sudeste (Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo), mas deverá ter o acompanhamento de pequena torcida.

Os alemães terão a opção do transporte marítimo, pois só jogarão a primeira fase nas cidades do Nordeste servidas por cruzeiros marítimos (Salvador, Fortaleza e Recife). O problema, como comentado anteriormente, é a disponibilidade de navios nessa época, ainda mais dispostos a permanecer duas semanas inteiras Na programação normal das empresas não há nenhuma previsão de ofertas para junho/julho de 2014, prevvendo-se a chegada dos navios a partir de dezembro, retirando-se em março, com os últimos em abril. E a previsão é de que na temporada 2013/2014 o movimento deverá ser menor do que o da temporada anterior.

Manaus, embora tenha a alternativa fluvial é muito distante das rotas, não tendo – na prática – a alternatia aquaviária.

O problema logístico mais complexo e crítico deverá estar em Brasilia. Além de receber 7 jogos, será o principal ponto de conexão dos torcedores entre as regiões do país. Ainda na primeira fase, junto com o jogo Suiça e Equador, no dia 15 de junho, que não deverá atrair grande volume de turistas, deverá ter a passagem dos uruguaios em direção a Fortaleza e de ingleses e italianos indo para Manaus. Quando receber o jogo do Brasil contra Camarões, no dia 23, terá que evitar a concorrência dos coreanos saindo de Cuiabá a Porto Alegre. São Paulo é outro hub, com muitas conexões. Só não terá o caos aeroportuário se os demais, com medo da Copa, deixarem de viajar. Mas há um complicador. Para evitar o caos urbano, as autoridades querem antecipar as férias escolares. Com essa antecipação muitos irão querer viajar. E os aeoportos recebem tanto os que chegam como os que querem embarcar. Para as Cias aéreas poderá ser um bom negócio, e poderão até oferecer promoções para lotar os aviões de retorno para os paises de origem dos turistas para a Copa. Para o aeroporto será um desastre.

Por obra do acaso ou orientado nesse sentido, uma grande parte dos deslocamentos foi regionalizado, favorecendo, principalmente a Bélgica, Alemanha, Colômbia e México. Em contrapartida foram penalizados o Uruguai e os Estados Unidos e Honduras. Esse foi sorteado com um jogo em Porto Alegre e outro em Manaus, passando por Curitiba. As estimativas de distâncias das viagens foram calculadas ponto a ponto, mas precisam considerar as escalas ou conexões, a base de permanência, para treinamento, e as viagens do pais de origem até entrada no Brasil. Dada a conformação da tabela será essencial que as entradas sejam diversificadas, gerando as opções de Brasilia, São Gonçalo do Amarante e Recife, além de São Paulo e Rio de Janeiro. Porto Alegre seria uma opção para o Cone Sul, mas nenhum dos três paises classificados começam em Porto Alegre ou na Arena da Baixada.

O caos aéreo será menor que as previsões iniciais, mas não deixará de ocorrer, pela concentração de voos. As Cias aéreas e a ANAC terão que se debruçar para remanejar as rotas e horários dos voos. Levando em conta o planejamento da FIFA, para os voos fretados para as seleções que adotarem esse meio.

Italianos e ingleses chegarão em voos regulares em São Paulo e rumarão para Manaus, com possibilidade de voos diretos ou escala/ conexão em Brasilia. Depois os ingleses voltam a São Paulo e os italianos rumam para Pernambuco, para o qual não há linhas diretas. A melhor alternativa será uma conexão em Brasilia, para de lá ir para o Recife. Para o terceiro jogo a logística é mais tranquila, pois será em Natal, acessível por via rodoviária, desde que consigam sair do Recife, impraticável em certas horas e dias. A vida dos ingleses também não será tão difícil, deslocando-se de São Paulo para Belo Horizonte e em voos diretos. Mas os “branquelas” não terão praia e sol do seu trajeto. A alterantiva é chegar ao Brasil pelo Rio de Janeiro. Então todos os não americanos que não tem jogos no litoral entrariam no Brasil pelo Galeão. Ele estará preparado?

*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.

 É com o meu dinheiro!

5 de outubro de 2013 por jorge | Economia da Copa

Um legado de dívidas
Já entramos no décimo mês de 2013, o ano está terminando e 2014 vem chegando, como todos os anos, com muitas esperanças.
Não será um ano comum. Será o ano da Copa, tão esperado, com as maravilhosas perspectivas anunciadas pelas autoridades, endossadas pelos patrocinadores e por consultorias contratadas a peso de ouro, baseadas em ilusões que irão se esfumaçar numa realidade bem diversa do que se prometia. A promessa era que o Brasil seria outro pós Copa, ingressando definitivamente no quadro dos paises desenvolvidos.
Com relação ao futuro, sempre se pode prometer tudo, e dirão os otimistas que deve-se sonhar. Ser ousado e ter esperanças.
Mas sem um bom trabalho, sem muito esforço serão sempre sonhos adiados: de ano para outro. No caso da Copa, a sua realização não pode ser adiada. Não tem saída no “jeitinho brasileiro”. O sonho pode virar pesadelo.
A Copa do Mundo será realizada, organizada com grande competência e, em campo, o Brasil poderá se dar bem, como ocorreu na Copa das Confederações.
Mas será só.
A situação dos aeroportos em 2014 será calamitosa, com poucas exceções.
A maior parte das obras de mobilidade urbana não ficará pronta, com as obras paralisadas para atestar, de forma concreta, a incompetência e atrapalhando o trânsito. Felizmente para os visitantes, algumas nem começaram e dessa forma não serão notadas, nem irão atrapalhar.
A grande desculpa dos Governos, já anunciada, é que as obras não eram para a Copa, mas um legado para as populações das cidades-sede. Se não era para ficarem prontas para a Copa, porque o açodamento nas contratações, atropelando os projetos, criando regimes diferenciados de contratações e aumentando os valores e quantidades. “Todo mundo sabe”, mas dessa vez os órgãos de controle não aceitaram argumento de que o “Brasil não podia fazer feio”, pois afinal é o “país do futebol”, ao detectar as irregularidades embargaram obras, até que essas fossem sanadas. A inexperiência de alguns auditores, mais jovens e dos concursos mais recentes, levou a exageros, porém no geral contiveram a sangria, ainda que o resultando em obras paralisadas. Só teriam sido mais flexíveis com os estádios, mas deixaram passar “elefantes” escondidos em anexos dos anexos dos contratos das parcerias público-privadas.
Os estádios construídos ou reformados mediante parcerias público-privadas serão todas (talvez com uma única exceção) deficitárias. Porém os administradores não estão preocupados. Só precisam realizar as quotas de jogos comprometidas. Não precisam de público e de renda de ingressos. Tem garantida a sua remuneração, paga pelos Governos Estaduais. Os novos governanentes estaduais que assumirem em 2015 vão se assustar com a rubricas orçamentárias para pagar os estádios que, segundo promessas governamentais, seriam construidos sem recursos públicos.
Todos os prejuízos serão arcados pelos Governos Estaduais, que ficaram com a obrigação de pagar ou cobrir os financiamentos com o BNDES.
Em 2015 os novos governantes estaduais irão pedir moratória junto ao Governo Federal, para não ter que pagar os empréstimos do BNDES.
Esse será o grande legado dos magníficos “elefantes brancos” que vão sobressair na paisagem urbana, bem visível aos contribuintes que poderão afirmar com orgulho ou indignação: sou eu que estou pagando!

*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.

Dentro do “padrão FIFA” cada um dos novos estádios constituidos ou em construção para a Copa de 2014 contemplam amplos estacionamentos, parte coberta – dentro dos estádios – e parte descoberta, ao lado. Os primeiros serão utilizados para o estacionamento dos veículos dos VIPs, os abertos não poderão ser utilizados durante os jogos da Copa, sendo deixados vazios como área de escape dos espectadores, em caso de algum tumulto ou acidente que obrigue à rápida evacuação do estádio. O máximo previsto pela FIFA são oito minutos para o esvaziamento total.
O que acontecerá com os estacionamentos dos estádios fora da Copa?
Há situações distintas: em dois dos casos – Castelão e Arena Pernambuco – dada a grande distância do estádio às áreas urbanas de destino mais densas eles só serão utilizados em dias de jogos ou demais eventos. Correm o risco de ociosidade, juntamente com os estádios. Tanto um quanto o outro só conseguiram fechar acordo com um dos clubes locais, e mesmo assim para uso parcial. Arena Pantanal está próxima à area urbana, de média densidade, porém predominantemente residencial, com pouca necessidade de oferta de vagas adicionais além da próprias dos edifícios e das vias do entorno. Não terá grande ocupação, no caso, mesmo em dias de jogos, já que a perspectiva é de pouco público. Poderá ser o estacionamento de um “elefante branco”.
O Mineirão poderá ter grandes públicos e alta demanda pelos estacionamentos, nos dias de jogos, porém com baixa fora dos dias de jogos, reservadas as vagas apenas para os turistas que procuram conhecer o estádio.
Na outra ponta estão as arenas incrustradas em áreas urbanas de grande densidade de destino, podendo ter alta utilização fora dos dias de jogos. Dentre eles estão dois estádios que poderão se transformar “elefantes brancos” com baixa utilização para jogos, ou com baixo público, mas poderão ter uma elevada utilização dos estacionamentos: são os casos da Arena Amazônia, em Manaus, das Dunas em Natal.
Os três estádios privados, Itaquerão em São Paulo, Beira Rio em Porto Alegre e Arena da Baixada, em Curitiba, estão próximos de áreas urbanas densas podendo ter boa utilização, mesmo fora dos jogos. Por serem estádios de clubes não terão uma quantidade de uso menor do que os estádios públicos, porém com possibilidade de grandes públicos, com consequente demanda elevada por vagas.
O Maracanã ficou inteiramente cercado pela expansão urbana e o seu estacionamento poderá se amplamente utilizado fora dos dias de jogos. A questão é se para abrir a área de estacionamento serão (ou não) demolidos o Parque Aquático e a Pista de Atletismo o que, embora previsto no contrato de concessão, enfrenta grandes restrições.
A última posição do Governo Estadual é não promover a demolição. A alternativa seria utilizar uma área adjacente pertencente ao Exército. Esse concordaria?
O Maracanã é o estádio melhor serviço por transporte coletivo, podendo reduzir a oferta de estacionamentos.
A debilidade econômica do futebol carioca, associada à alternativa encontrada pelo Flamengo em levar parte dos seus jogos para Brasilia, onde fatura várias vezes o que consegue no Rio e a necessidade da concessionária em gerar caixa, em curto prazo, podem levar o Maracanã a ser um “elefante branco”, com a sua baixa utilização para jogos. No modelo de negócios que está estabelecido na concessão, não interessará à concessionária realizar muitos jogos, por cada um deles será deficitário, como ocorreu com a sua reabertura, para jogos regionais, como ocorreu no domingo, dia 21 de julho de 2013.
O Mané Garrincha, em Brasília, tem uma situação peculiar. Brasilia (isto é, o plano piloto) tem uma grande carência de estacionamentos e o da arena poderia ser um grande pulmão para abrigar os carros dos funcionários públicos e outros que querem deixar o carro estacionado durante todo o dia. Mas isso requer um serviço complementar de vans ou similares para levar o motorista do estacionamento até o seu destino usual. Compensaria para o usuário?
No Itaquerão, haverá uma área de estacionamentos com 3.000 vagas, sendo uma das grandes esperanças do Corinthians de conseguir uma receita adicional além dos ingressos para os jogos. Seus dirigentes teriam afirmado, segundo a mídia, que alcançariam R$ 150 milhões com as receitas acessórias, contando com o faturamento dos estacionamentos. Mais uma vez vendem (eventualmente a si mesmos) perspectivas otimistas, sem fundamento em dados reais.
O Itaquerão, por ser uma arena de clube, só receberá jogos comandados pelo Corinthians e, eventualmente, jogos da seleção brasileira. Considerando as tabelas dos torneios usuais (Brasileirão, Copa do Brasil, Estadual, Sulamericana ou Libertadores) o clube teria, normalmente, 42 jogos por ano.
Para efeito de avaliação econômica da arena, podemos considerar 6 jogos mais importantes, como finais de campeonatos nacionais ou jogos decisivos da Libertadores, em que o estádio lotará, assim como o estacionamento. Tomando por base a experiência do Morumbi, o preço da vagas poderia ser de R$ 100,00. Nesse caso o estacionamento faturaria R$ 1.800.000,00.
Considerando mais 40 jogos, com lotação completa do estacionamento, a um custo da vaga de R$ 30,00, o que estaria em torno da média do que é cobrado pelos valets junto a restaurantes ou casas de shows o estacionamento faturaria mais R$ 3.600.000,00.
Fora dos jogos, o estacionamento poderia ser ocupado pelas pessoas que irão trabahar no polo institucional, fazer compras no shopping center do estádio ou se utilizar dos serviços dque serão oferecidos, ou como “park and ride” para os usuários do metrô ou da CPTM. Considerando 300 dias úteis com uma tarifa diária de R$ 20,00 o que é a média cobrada pelos estacionamentos centrais em São Paulo a arrecadação seria de R$ 18.000.000,00 o que somada às demais parcelas resultaria num faturamento de R$ 23.400.000,00, muito longe dos R$ 150.000.000,00 pretendidos pelo clube.
Mas essa seria a previsão otimista. Mesmo nos jogos mais imporantes, o estacionamento não poderia cobrar o mesmo que os “flanelinhas” achacam no Morumbi. Um valor razoável, mesmo assim, com muitas reclamações seria de R$ 50,00, o que reduziria a previsão de arrecadação para R$ 900.000,00.
Nos demais dias de jogos, a tarifa razoável, continuaria sendo de R$ 20,00, tendo em vista o interesse do Corinthians de oferecer mais lugares a preços populares. A lotação, mesmo a esse valor não alcançaria 100%, podendo ser estimado com 80%, o que levaria a previsão de arrecadação para R$ 1.920.000,00.
A diária fora dos jogos, tendo em vista uma demanda predominantemente de usuários de média a baixa renda, incluindo os usuários que deixariam o carro estacionado para seguir de metrô ou trem metropolitano, não poderia passar de R$ 15,00 que é o valor encontrável em estacionamentos no centro.
O estacionamento do Itaquerão terá que enfrentar a concorrência dos estacionamentos do Shopping Center Itaquera e do Metrô, que estão mais próximos da estação. Estimamos que a média de ocupação seja de 50%, com uma arrecadação anual de R$ 6.750.000,00, de tal forma que uma estimativa razoável (ou conservadora) seria de uma receita bruta do estacionamento do Itaquerão de R$ 10 milhões anuais.
Vencida a euforia da Copa, como ficarão os estacionamentos dos estádios, como um negócio? Serão uma fonte de recursos complementares, como prevêem os estudos de viabilidade, ou um custo adicional de um mau negócio?

*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.

 Um magnífico elefante branco?

1 de julho de 2013 por jorge | Economia da Copa

Ontem o Maracanã viveu o seu maior momento de glória. Com a casa cheira, com quase 80 mil espectadores, viu o Brasil se consagrar como tetracampeão da Copa das Confederações. A esperança é que esse momento seja superado, daqui a um ano, com a conquista do hexacampeonato da Copa do Mundo, quebrando vários tabus.

Tece uma renda superior a dez milhões de reais, mas só poucos ficarão sabendo do valor, porque a FIFA sonega a informação. Só divulga o número de pagantes (75.531).

Na sequência a sua administração será entregue a um consórico, com a participação estratégica de um grupo empresarial “quebrado” que já está se desfazendo dos seus ativos. Foi o único que se propôs a fazer o estudo de viabilidade econômica e depois a concorrer, de fato, à concessão, conquistando-a, baseada em projeções e premissas pouco conhecidas. A IMX, responsável pelo estudo secreto também está à venda. Mas a mídia, com base na lei de acesso à informação, tomou conhecimento e divulgou alguns elementos desse estudo.

Baseia-se num aumento do ingresso médio dos jogos de futebol e a utilização da nova arenamultiuso para shows, tanto nacionais de grande público, como internacionais. As premissas, ainda que não conhecidas no detalhe, foram criticadas por elitizar a torcida, embora essa tenha sido o argumento principal: as novas instalações e novos valores atrairiam famílias, mudariam o perfil do público e dariam viabilidade econômica ao empreendimento.

Sem dúvida isso será válido para os jogos decisivos da seleção brasileira, como se viu ontem. O ingresso médio, não será divulgado, mas deverá estar acima de R$ 100,00. Mas valerá para os jogos comuns dos clubes cariocas, mesmo jogando com outros grandes dentro do Brasilierão? Ou nos clássicos de decisão dos campeonatos estaduais? Com que frequência haverá rendas de ingressos superiores a R$ 1 milhão e ingresso médio acima de R$ 50,00?

O Brasileirão 2013, antes da sua suspensão em função da Copa das Confederações, realizou 5 rodadas, com 50 jogos.Dos 20 clubes, 18 tem sede na cidade ou no Estado onde serão realizados jogos da Copa em 2014. Apenas o Crisciuma e o Goiás são de cidades sem Copa. Tabulamos os 45 jogos de mando daqueles 18 – com a ajuda da Lianne – chegando a uma arrecadação total de R$ 17,3 milhões, público pagante total de 478.763 e ingresso médio de R$ 36,04. Esses números estão inflados por um evento especial: o jogo de abertura do Estádio Mané Garrincha, para onde foi levado o jogo Santos x Flamengo, que obteve uma renda bruta da R$ 7 milhões, para 63.501 pagantes. portanto, com ingresso médio de R$ 109,43. O mesmo Santos, nos dois outros jogos, disputados na Vila Belmiro, não chegou a 10 mil pagantes, mesmo com ingresso médio abaixo de R$ 30,00 e ingressos de R$ 20,00 para as meias entradas nas arquibancadas.

O ingresso médio, além do resultado excepcional, acima citado, é influenciado pelos jogos do Corinthians no Pacaembu, com a melhor média de público por jogo (28.347 pagantes) e ingresso médio de R$ 31,86. R$ 30,00 pode ser o ingresso médio desejável para o Brasileirão e o parâmetro para as avaliações de viabilidade econômica dos estádios, considerando um padrão mínimo de 50 jogos por ano. Essa média pode subir em função de jogos atípicos.

O Rio de Janeiro está presente na série A com quatro clubes (Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco). Tiveram o mando de 10 jogos,

Dentro dos parâmetros acima a situação dos clubes do Rio de Janeiro é sofrível. A média de público pagante por jogo é de 4.763 para um total de 47.625, correspondendo a 10% do total, mesmo com 22% dos jogos.

A arrecadação total foi de R$ 1,1 milhão, para um ingresso médio de R$ 23,47.

Dos quatro clubes só o Flamengo escapou do vermelho, ou seja do prejuizo, ficando no preto, para não dizer no azul. Todos os 3 demais tiveram prejuizos nos seus jogos, nesta primeira fase. Poderá se alegar que essa situação é excepcional decorrente da interdição do Engenhão e fechamento do Maracanã, para as obras, sendo obrigados a jogar no interior. O Flamengo tem o melhor público, porém só conseguiu melhorar o ingresso médio jogando em Florianópolis, contra o Naútico.

Os clubes descobriram que tem torcida em muitas cidades fora da sua sede e podem obter melhores resultados do que jogando apenas no interior do Estado. A sua torcida principal não os acompanha. Conta mesmo é com a torcida local que é pequena e disposta apenas a pagar preços populares. As suas torcidas locais em outras capitais são maiores do que as torcidas regionais dentro do Estado.

O Flamengo levou um jogo para Florianópolis, o Bahia para Aracaju, melhorando a sua média. Mas o maior sucesso foi o jogo de Brasília, onde o Flamengo, com a sua torcida local, presenteou o Santos e os empresários com uma boa “bolada” (não nas costas).

Com esses parâmetros reais, o que ocorrerá com o Maracanã, para os jogos rotineiros? Números prévios no excel são fáceis de colocar. O problema está em colocar nas planilhas os resultados efetivos dos bordeôs.

Considerando o padrão de ingresso médio de R$ 30,00 por jogo, público médio de 10.000 pagantes e 90 jogos por ano a receita bruta seria de R$ 27 milhões. Ao longo de 35 anos do contrato, a arrecadação bruta da venda dos ingressos não chegaria a um bilhão, ficando em R$ 945 milhões. Considerando o padrão usual do aluguel de 10% da receita bruta, o faturamento da concessionária seria de R$ 95 milhões. Disso terá que deduzir os custos com a manutenção do estádio. Considerando a necessidade de investimentos adicionais, da ordem de R$ 600 milhões que não vão aumentar a receita, pois são custos de demolicão, e os valores de outorga de R$ 181,5 milhões, como a Concessionária irá ter lucro? Sempre considerando os valores correntes atuais

Não interessaria à concessionária, como aos clubes realizar todos os seus jogos no Maracanã, quando a previsão de receita fosse baixa. Se o jogo apresentar prejuizo operacional, que tem sido o padrão atual dos clubes cariocas, exceto o Flamengo, esse é arcado pelo clube mandante. Supõe-se que nesse período dos 35 anos o Engenhão esteja reaberto para o público. E os clubes descobriram a alternativa de jogar em outras cidades, onde contam com torcida local.

Então uma simulação mais favorável seria de reduzir a quantidade de jogos anuais para 30, aumentando o publico para uma média de 20.000 pagantes e um ingresso médio para R$ 50,00. Seria uma aparente contradição econômica, porém significa que o Maracanã seria reservado para os clássicos, com torcida maior e disposta a pagar mais pelos ingressos. É um pressuposto duvidoso, mas uma hipótese a ser considerada. Nesse caso, a receita bruta dos jogos seria de R$ 30 milhões anuais alcançando R$ 1 bilhão ao longo do 35 anos. Mas o faturamento da concessionária seria de apenas 10% desse valor, portanto R$ 100 milhões. O faturamento anual são seria suficiente para pagar o valor da outorga ao Estado.

Com um menor numero de jogos sobraria mais espaço para a sua utilização em shows, nos quais a arrecadação total e a participação da concessionária seria maior. Há, no entanto, dois problemas. Uma das principais expectativas de receita é a venda de camarotes, com o direito de um número mínimo de eventos. Ou seja, a concessionária tem que garantir um número mínimo de jogos. Os 30 seriam suficientes? E como gerir a alternativa dos clubes, principalmente do Flamengo que é o maior atrator de público, de jogar em outros estádios. No jogo contra o Santos, em Brasília, só gastou. Pode querer a revanche, em termos econômicos.

A segunda é se haverá um volume de shows rentáveis, considerando a concorrência. Com as novas arenas multiuso, construidas ou reformadas para a Copa, todos querem atrair os shows. E o Morumbi em São Paulo, que não receberá a Copa, ainda é o maior arrecadador de receita com os shows internacionais, pela quantidade de eventos.

O futebol carioca poderia garantir o uso do Maracanã. Mas não a rentabilidade. Ademais é preciso “combinar com os russos”, ou seja, com os clubes e que esses aceitem as condições estabelecidas pela concessionária.

Botafogo, na expectativa de reabertura do Engenhão, e Vasco com São Januário não aceitarão condição de exclusividade ou compromisso de levar para o Maracanã, todos os seus jogos. Irão realizar jogos pontualmente.

O Fluminense não tem muitas alternativas e será levado a aceitar, mas discutirá as cláusulas, não aceitando o modelo que está no contrato de concessão: disponibilidade apenas de 51 mil lugares, sem direito às receitas dos outros 28 mil reservados aos camarotes, assentos premiuns e outros de maior valor. O usual é que sejam definidos para esses ingressos um valor, em geral, equivalente à arquibancada. Poderá ser o maior favorecido pela “elitização” da torcida do futebol.

A Federação local também não aceitará que essas receitas não entrem no cálculo da sua participação, entre 5 a 10% da receita bruta.

O Flamengo já descobriu o filão de jogar em outras capitais, além de um dilema com a sua torcida carioca. Tem a maior torcida nacional, mas a local predominantemente de classe de renda baixa, não disposta a pagar frequentemente mais de R$ 20,00 por um ingresso. Essa é contra a “elitização”.

O novo Maracanã será um bom negócio, ou se tornará apenas uma grande atração turística como Ninho de Pássaro, o espetacular estádio construido para as Olimpiadas de Pequim e hoje um magnifico “elefante branco”? Visitado diariamente por milhares de turistas de todo o mundo. Mas sem ou pouco uso esportivo.

*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.