Posts de 28 de abril de 2012

 Por onde andar?

28 de abril de 2012 por jorge | Economia da Copa, Turismo

Tanto em St John’s (no Canadá) ou em NY onde estive nessa duas últimas semanas me encontrei com pessoas interessadas em vir ao Brasil para acompanhar a Copa 2014, inteiramente perdidas com relação a que cidades visitar, como se hospedar, etc. Confesso que a única resposta que tinha era buscar os pacotes.

A logistica do turista da Copa é complexa, ainda com várias incógnitas que só se resolverão em 2013. Mesmo assim parcialmente.

O que está definido, por enquanto, são as cidades sede e a estrutura da tabela. A unica coisa certa são os jogos do Brasil, em São Paulo, na abertura no dia dos namorados de 2014 (que em outros paises é comemorado no dia 14 de fevereiro) com jogos subsequentes em Fortaleza e em Brasília. Se for o primeiro da chave jogará em Belo Horizonte e ainda vencedor poderá voltar a Fortaleza.

O interesse demonstrado é acompanhar uma seleção, como a alemã. Suponde que ela seja (o que é muito provável) classificada nas eliminatórias e seja cabeça de chave do grupo 1 (o que será definido por sorteio) jogará em Salvador, seguindo para o Rio de Janeiro e depois Curitiba. Vencedor, jogará em Fortaleza e Salvador.

Se a Espanha for a cabeça de chave do Grupo 2 terá uma vida mais fácil. Jogará inicialmente em Belo Horizonte e depois Brasilia e Cuiabá. Nas oitavas e quarta poderá jogar no Rio de Janeiro e em Salvador.

Em qualquer hipótese o turista terá que circular pelo Brasil e se quiser visitar outras atrações terá que programar adequadamente as suas viagens e estadias.

Foz do Iguaçu poderá ser um dos pontos mais críticos, com a concentração de visitantes. O problema de hotelaria em Foz poderá ser mais grave que nas cidades sede.

Quem se arriscar a vir de forma independente poderá sofrer mais que ter alegrias.

*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.

 Delta fora da Copa

21 de abril de 2012 por jorge | Economia da Copa

A Delta Construções, ainda predominantemente uma “empreiteira rodoviária”, dominando os contratos no DNIT, teve o seu crescimento a partir de obras no Rio de Janeiro, onde aplicando a mesma metodologia de “mergulhar nos preços” para vencer as concorrências e depois obter aditivos, tornou-se uma das principais contratadas da Prefeitura Municipal e do Governo do Estado.

Nos investimentos para os Jogos Panamericanos o maior escândalo foi a obra do Engenhão. O assunto voltará a tona porque o vencedor inicial da licitação daquele foi a Delta, com um preço considerado inexequivel pelos concorrentes, mesmo assim homologado pelo Prefeito César Maia. Obtido o contrato a preços baixos não conseguiu completar a obra, alegando falta de tecnologia para a cobertura. A obra foi completada pelos mesmos parceiros no consórcio construtor do Maracanã. A obra orçada inicialmente em R$ 60 milhões teria custado R$ 380 milhões. E é sempre citado como o exemplo a não ser seguido nas obras da Copa.

Em função de suas relações no Rio de Janeiro se impôs no consórcio construtor do Maracanã, obrigando duas das maiores construtoras brasileiras, a Odebrecht e Andrade Guitierrez a “ter que engolir a sua participação”.

Com o seu infeliz comprometimento com a “Cachoeira Goiana” irá sair do consórcio, buscando o melhor acordo possível, quer dizer, com o menor prejuizo possível e sem as vantagens esperadas.

Vai ter que parar outras obras, desmobilizar canteiros, demitir pessoal e tentar sobreviver com o que tem a receber. Mas esses deverão ficar congelados em função de investigações ou auditorias, prejudicando o seu fluxo de caixa. Vai atrasar fornecedors, acumular débitos trabalhistas e, também previdenciários e tributários (o que a impedirá de participar de novas concorrências). Conforme já antecipou em entrevista à Folha irá “quebrar”. Será inevitável, no quadro atual.

Não haverá quem se disponha a salvá-la, pois os seus eventuais parceiros estão envolvidos nas investigações. Quando muito encontrará quem esteja disposto a comprá-la na “bacia das almas”.

A inadagação é se irá quebrar sozinha, ou irá arrastar outras? A sua crise afetará as obras da Copa e dos Jogos Olimpicos? Os que estão a seu cargo no Rio de Janeiro sim. Mas contaminará outras obras e construtoras?

Provavelmente haverá intervenções abertas ou veladas de parte do Poder Público para evitar contaminações que coloquem em risco a conclusão dos estádios. Os da mobilidade urbana já estão irremediavelmente comprometidos, em termos de prazos, para a Copa. Poderão ainda serem salvas para os Jogos Olimpicos.

A outra questão é se Fernando C. Soares irá afundar sozinho ou irá atirando? Contra quem?

Certamente não era o desfecho sonhado por Inaldo, seu pai, quando criou a Delta, nos idos de 61, para executar obras rodoviárias em Pernambuco.

*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.

 Qual será o legado?

9 de abril de 2012 por jorge | Economia da Copa, Infraestrutura

Com a escolha do Brasil como sede da Copa 2014, ao final de 2007, confirmando o que já se sabia desde o início daquele ano, depois da desistência da Colômbia, foram criadas enormes expectativas de investimentos, de negócios e de um grande legado para a sociedade brasileira.

Cinco anos depois e a dois anos da efetivação do grande evento esportivo, a perspectiva é que grande dos investimentos e negócios não ocorrerão e os que forem realizados deixarão como grande legado as dívidas, algumas impagáveis.

Para atender aos jogos estão sendo construidos 12 estádios, 9 estatais-estaduais e 3 privados, mas com grandes subsídios públicos. Sejam como recursos orçamentários aturais, complementados por empréstimos do BNDES ou mediante PPPs, com contrapartidas futuras a maioria, ou quase totalidade, dos Governos Estaduais não arrecadarão pelo uso dos estádios o suficiente para pagar as dívidas. Alguns serão efetivamente “elefantes brancos”.

A infraestrutura aeroportuária está defasada e requer grandes investimentos, independentemente da Copa. Essa gerará um pico de demanda pontual, durante cerca de um mês, mas é usada como alavanca para a efetivação dos investimentos. Dada os obstáculos para uma realização eficiente e eficaz, o Governo optou pela privatização das concessões, e essa nova configuração poderá ser considerada como o principal legado positivo da Copa.

Os investimentos em mobilidade urbana pouco tem a ver com a Copa. Com raras exceções em que os investimentos atendem a uma ligação polo hoteleiro – estádio, os empreendimentos previstos são para atender a demanda local no dia-a-dia. Os turistas (nacionais ou estrangeiros) que virão para a Copa representarão uma parcela pequena da demanda total e será por pouco tempo. O importante poderá ser a imagem da cidade perante os turistas, o que poderá influenciar na vinda (ou não) de mais turistas pós Copa.

A Copa servia como pretexto para antecipar empreendimentos que teriam que ser feitos, com ou sem o evento. Sendo pretexto e não realidade, a maioria não será feita e os que serão feitos não ficarão prontos antes de 2014. Não sendo essencial não se justificarão emergências para sua conclusão antes da Copa, ainda que o argumento seja usado para viabilizar contratos sem licitação ou aditivos superiores aos limites estabelecidos em lei.

A hotelaria é um dos pontos críticos, mas com diferenças regionais. Os investimentos privados só se justificariam com a perspectiva de que a Copa proporcionasse um grande afluxo posterior ao evento, dada a visibilidade do país perante o mundo.

Para algumas cidades os investidores hoteleiros vêem esse potencial. Em outros não. Rio e São Paulo tem muitos empreendimentos hoteleiros projetados. Manaus tem, mas sem perspectiva de efetivação. Não faltarão quartos ou leitos nas principais capitais, mas haverá problemas em outras.

Os empreendedores hoteleiros não querem, como legado da Copa, quartos ociosos.

O Brasil irá realizar a Copa 2014, com relativo sucesso. Só o Governo ainda faz os discursos de 100%. Nem a FIFA, tampouco os investidores acreditam na “melhor Copa de todos os tempos”.

Mas os resulados – em termos de legado – não serão os esperados e a sensação que ficará pós-Copa será a de frustração.

Preparem-se para tal. A única que talvez não seja forte é que a taça não fique em casa. Até porque tal expectativa é cada vez menor.

*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.