Posts de 24 de dezembro de 2011

 Um grande fiasco em 2014?

24 de dezembro de 2011 por jorge | falta de planejamento

O Brasil vai sediar a Copa do Mundo de Futebol em 2014.

Está construindo ou reformando 15 estádios que estarão aptos para receber os jogos, garantindo que haverá locais suficientes, ainda que um ou outro atrase.

Está com algumas obras estruturantes de mobilidade urbana em andamento, sendo que muitas das planejadas não ficarão prontas. Mas ai as autoridades irão dizer “não eram tão essenciais, mas importante é o legado”. Isso se as obras não forem abandonas pós Copa, o que é possível.

Em 2015, assumem novos Governadores, pelo menos no Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco. Nos demais os atuais poderão ser reeleitos. Poderão achar que as obras em andamento não são tão prioritárias.

Ainda mais se no aspecto esportivo a seleção brasileira for um fiasco.

Embora faltem dois anos e meio para começar a Copa nos campos, a perspectiva não é muito promissora.

No campo o time joga com bons jogadores, habilidosos no trato com a bola, com um bom sistema de jogo, um bom entendimento conjunto e ajustes táticos.

Não faltam bons jogadores. A maior parte joga no exterior, seguindo sistemas e táticas dos seus clubes e dos seus treinadores. Quando tem que jogar na seleção, muitas vezes tem que mudar de função e ai jogam mal.

Mas o problema principal parece ser o entrosamento entre bons jogadores. Não por questões técnicas, mas por vaidades e comportamentos psicológicos.

O enriquecimento prematuro de bons jogadores é a origem do problema, que mina a solidariedade e o jogo conjunto. Se há diferenças muito grande entre a remuneração dos jogadores de um mesmo time, é natural a reação do “se ele ganha mais, trabalhe mais, mostre mais”.

E o problema dos técnicos é cada vez mais, administrar as vaidades e os entendimentos entre os jogadores do que armar as estratégias e as táticas.

Pelo visto não há técnicos competentes para essa dupla função.

Por que um bom jogador, joga bem num jogo e mal em outro? Por que falta habilidade? Aparentemente não.

Basicamente, porque não está preparado psicologicamente para enfrentar situações adversas e reage mal a essas.

Muito se compara o time de futebol com uma orquestra. Há semelhanças, mas uma diferença fundamental: a partitura.

Os músicos, como os jogadores precisam ser habilidosos e talentosos individualmente. O maestro conduz a execução, com o seu ritmo, ajustando-a a segundo a sua maneira, o que o diferencia dos demais. O técnico pode ser comparado a um maestro e isso poderia explicar ou justificar a troca dos têcnicos, para um time com jogadores já definidos.

Mas de quem é a partitura? Quem é o autor da música? Corresponde ao sistema do jogo, aos chamados esquemas, com a distribuição entre os jogadores de frente, do meio e da retaguarda, com algumas mudanças de função. Mas alguns tem atribuições fixas, simples. O goleiro tem a atribuição de evitar que a bola entre no gol e os atacantes devem colocar a bola dentro do gol. Essa última não é exclusiva: até o goleiro pode colocar a bola no gol adversário, cobrando faltas.

Diferentemente de uma orquestra o time de futebol tem um adversário que de um lado deve impedir que faça gol e de outro vai em busca do seu gol, com inversão de funções.

Isso caracteriza a necessidade estratégica, com os ajustes táticos.

Aparentemente tem faltado capacidade estratégica aos técnicos brasileiros. Tem faltado bons compositores para escrever boas partituras.

A derrota do Santos diante do Barcelona não se deve apenas à superioridade no time catalão, mas ao erro estratégico do técnico Muricy Ramalho, apesar da sua competência e experiência. Tentou surpreender o adversário com uma tática diferente, mas não treinou suficientemente os seus jogadores para o novo formato.

O problema do futebol brasileiro continua sendo a falta de um bom compositor.

*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.

A Copa das Confederações é usada como teste preparatório para a Copa 2014.

Muito menos do ponto de vista esportivo e mais da preparação do país e das cidades para bem receber a Copa 2014.

O foco é o estádio, mas o mais crítico é a mobilidade urbana. Em segundo lugar a movimentação aeroportuária.

A Copa das Confederações será também o ensaio para a mídia internacional se planejar para a Copa 2014. Os diversos meios de comunicação mandarão as suas missões precursoras, equipes básicas para conhecer o terreno, avaliar o que precisarão mandar, conhecer as facilidades e dificuldades burocraticas, locais de hospedagem das suas equipes, a locomoção pelo país, custos e tudo o mais. E um dos aspectos mais importantes será aprender com os erros para evitá-los durante a Copa, cujo esforço e custo serão muito maiores.

Diversamente da Copa do Mundo, quando haverá um grande afluxo de turistas espectadores, o principal segmento será dos turistas da mídia.

Como eles serão recebidos, como serão tratados poderá ter grande influência sobre o comportamentos dos turistas da Copa.

Visões negativas sobre a África do Sul, transmitidas pela mídia internacional, durante a Copa das Confederações teria levado muitos turistas a desistirem de ir à Copa do Mundo em 2010.

Como o mais relevante será a experiência pessoal vivida pelas pessoas, a mobilidade urbana será um dos pontos críticos, além do atendimento da hospitalidade.

Para contornar o problema da mobilidade urbana, a saída é a antecipação das férias escolares. Ja discutida em relação a 2014. Mas será tão ou mais importante essa antecipação em 2013.

Será fundamental reduzir a necessidade de movimentação das pessoas em junho e julho de 2013 nas cidades-sede e mais em São Paulo (que não será sede) e no Rio de Janeiro (que poderá não ser sede).

O que importará será a sensação e não a explicação. Pouco adiantará deixar os jornalistas presos no trânsito e explicá-los que na Copa não será assim, porque haverá férias e operações especiais. Esses devem ser testados na Copa das Confederações

*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.

 Elefante verde

11 de dezembro de 2011 por jorge | Economia da Copa

Concluidos os jogos da Copa na primeira quinzena de julho de2014, com uma pouca provável vitória brasileira (diante das condições de jogo das atuais seleções nacionais, mas ainda com esperanças) se iniciará a verificação dos espólios.

O estádios estarão prontos e alguns retomarão a sua rotina: Maracanã, Mineirão, Castelão, Fonte Nova, entre os estatais e o Beira-Rio e a Arena da Baixada, entre os privados. O do Recife e do Itaquerão iniciarão a sua campanha, após os eventuais testes pré-Copa. Os estadios de Brasilia, Manaus e Cuiabá terão que mostrar a que vieram, sem ter qualquer time dentro da série principal do Brasileirão. Natal ainda poderá contar com o ABC e o América, se forem bem nesses dois próximos anos.

Esse será o principal legado esportivo, com modernos estádios parcialmente desocupados, durante o segundo semestre de 2014, podendo receber públicos maiores se o Brasileirão de 2014 repetir o de 2011, com grande equilibrio. O “Itaquerão” e o Maracanã poderão elevar a média, dependendo da política de preços dos ingressos.

Mas será cedo para caracterizar uma eventual “manada de elefantes brancos”.

Brasília não tem potencial futebolístico mas tem uma população com poder aquisitivo e interesse em sediar grandes shows internacionais. O Estádio Nacional de Brasilia (Mané Garrincha) será uma arena voltada para shows onde, eventualmente, se jogará futebol.

Será um processo natural que Brasilia, assim como outras cidades, atraiam clubes de São Paulo e do Rio de Janeiro para mandarem algum dos seus jogos nos seus modernos estádios, com possibilidade de casa cheia. Brasília pela sua posição logística tem grande possibilidade para tal.

Manaus também não tem potencial futebolistico e será mais dificil atrair os clubes, em função das distâncias, mas conta com o interesse de artistas internacionais em passar pela Amazônia, aproveitando para realizar um dos seus shows. Mas não serão muitos.

Cuiabá é o principal candidato a “mico da Copa 2014″. Não tem potencial futebolístico, apesar do Pantanal. Esse não tem o mesmo poder de atração da Amazônia.

Mas por ser o principal centro urbano do moderno agronegócio conta com uma população de renda alta. Ainda que relativamente pequena suficiente para lotar a arena durante todo o ano, desde que tenha eventos atraentes. Poderá ser o principal centro de eventos da música sertaneja.

Por outro lado, o futebol se transformou num grande negócio, que requer altos investimentos. Mas siginifica que com recursos pode-se montar um time competitivo para em quatro anos chegar à série A do Brasileirão. Dependerá de empresários ousados e competentes. Não basta ter os recursos. Há experiência fracassadas nessa tentativa empresarial. Alguns conseguiram, mas não se sustentaram.

O ponto crítico está na profissionalização dos gestores. Esses precisam ter a possibilidade de ganhar tanto ou mais que os jogadores e o técnico. Não de forma fixa, mas por resultados. O que deveria prevalecer para todo o time.

O Mato Grosso tem a possibilidade de experimentar um novo modelo. Se o fizer poderá dar uma boa ocupação ao novo estádio.

Se não conseguir terá que conviver com um “elefante verde” tão ou mais ocioso e custoso que o branco.

*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.

 Qual a maior vidraça de São Paulo?

5 de dezembro de 2011 por jorge | Economia da Copa

Na última sessão do roadshow “3 anos para a Copa” dedicada a São Paulo, emergiu como a principal preocupação das autoridades do turismo de São Paulo e, aparentemente, a sua principal vidraça, o “Custo Brasil” e, particularmente o “Custo São Paulo”.

O problema de hotelaria em São Paulo durante a Copa seria superável, com risco de um desequilibrio desfavorável: a lotação média dos hoteis no período poderá até cair.

Isso porque São Paulo tendo predominantemente um turismo de negócios e de eventos pode adiar alguns deles durante o período da Copa. Foi citado, especificamente, o caso da Couromodas que ocorre normalmente entre junho e julho e que em 2014 poderá ser antecipado ou postergado.

A lotação hoteleira da cidade de São Paulo ocorre pela conjugação de eventos. A cidade conta com 42.000 leitos e o Estado de São Paulo com 180 mil. Seriam mais que suficientes para abrigar os turistas que virão especificamente para a Copa. Se, nesse mesmo periodo os demais tursitas forem afastados poderia até haver sobras de leitos no período.

Esse, portanto, não seria um gargalo.

O problema de mobilidade existe e continuaria existindo em 2014, porém nos dias de jogos da Copa haveria operação especial, garantindo aos turistas a sua movimentação monitorada em vans ou ônibus fretados.

A maior vidraça está na reversão de uma imagem de “cidade barata”. Com o aumento dos preços dos serviços para a elite e para os turistas, associada à valorização do real a cidade ficou muito cara para os turistas.

Os preços da hotelaria subiram bem mais que a inflação. A gastronomia também subiu muito mais. O rodízio de carne nas churrascarias de primeira categoria mais que dobraram em dólar. Os serviços pessoais também mais que dobraram.

Isso foi sentido pelos turistas que vieram para a fórmula 1.

O crítico será a Copa das Confederações. Em 2013 não virão muitos turistas torcedores (exceto os mais fanáticos). Mas o evento será acompanhado pela mídia internacional e o jornalistas serão o termômetro. O que eles virem e sentirem serão transmitidos globalmente.

E o Brasil, principalmente São Paulo e Rio de Janeiro, poderão enfrentar desistências em função da imagem de “cidade cara”.

*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.