O Brasil vai sediar a Copa do Mundo de Futebol em 2014.
Está construindo ou reformando 15 estádios que estarão aptos para receber os jogos, garantindo que haverá locais suficientes, ainda que um ou outro atrase.
Está com algumas obras estruturantes de mobilidade urbana em andamento, sendo que muitas das planejadas não ficarão prontas. Mas ai as autoridades irão dizer “não eram tão essenciais, mas importante é o legado”. Isso se as obras não forem abandonas pós Copa, o que é possível.
Em 2015, assumem novos Governadores, pelo menos no Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco. Nos demais os atuais poderão ser reeleitos. Poderão achar que as obras em andamento não são tão prioritárias.
Ainda mais se no aspecto esportivo a seleção brasileira for um fiasco.
Embora faltem dois anos e meio para começar a Copa nos campos, a perspectiva não é muito promissora.
No campo o time joga com bons jogadores, habilidosos no trato com a bola, com um bom sistema de jogo, um bom entendimento conjunto e ajustes táticos.
Não faltam bons jogadores. A maior parte joga no exterior, seguindo sistemas e táticas dos seus clubes e dos seus treinadores. Quando tem que jogar na seleção, muitas vezes tem que mudar de função e ai jogam mal.
Mas o problema principal parece ser o entrosamento entre bons jogadores. Não por questões técnicas, mas por vaidades e comportamentos psicológicos.
O enriquecimento prematuro de bons jogadores é a origem do problema, que mina a solidariedade e o jogo conjunto. Se há diferenças muito grande entre a remuneração dos jogadores de um mesmo time, é natural a reação do “se ele ganha mais, trabalhe mais, mostre mais”.
E o problema dos técnicos é cada vez mais, administrar as vaidades e os entendimentos entre os jogadores do que armar as estratégias e as táticas.
Pelo visto não há técnicos competentes para essa dupla função.
Por que um bom jogador, joga bem num jogo e mal em outro? Por que falta habilidade? Aparentemente não.
Basicamente, porque não está preparado psicologicamente para enfrentar situações adversas e reage mal a essas.
Muito se compara o time de futebol com uma orquestra. Há semelhanças, mas uma diferença fundamental: a partitura.
Os músicos, como os jogadores precisam ser habilidosos e talentosos individualmente. O maestro conduz a execução, com o seu ritmo, ajustando-a a segundo a sua maneira, o que o diferencia dos demais. O técnico pode ser comparado a um maestro e isso poderia explicar ou justificar a troca dos têcnicos, para um time com jogadores já definidos.
Mas de quem é a partitura? Quem é o autor da música? Corresponde ao sistema do jogo, aos chamados esquemas, com a distribuição entre os jogadores de frente, do meio e da retaguarda, com algumas mudanças de função. Mas alguns tem atribuições fixas, simples. O goleiro tem a atribuição de evitar que a bola entre no gol e os atacantes devem colocar a bola dentro do gol. Essa última não é exclusiva: até o goleiro pode colocar a bola no gol adversário, cobrando faltas.
Diferentemente de uma orquestra o time de futebol tem um adversário que de um lado deve impedir que faça gol e de outro vai em busca do seu gol, com inversão de funções.
Isso caracteriza a necessidade estratégica, com os ajustes táticos.
Aparentemente tem faltado capacidade estratégica aos técnicos brasileiros. Tem faltado bons compositores para escrever boas partituras.
A derrota do Santos diante do Barcelona não se deve apenas à superioridade no time catalão, mas ao erro estratégico do técnico Muricy Ramalho, apesar da sua competência e experiência. Tentou surpreender o adversário com uma tática diferente, mas não treinou suficientemente os seus jogadores para o novo formato.
O problema do futebol brasileiro continua sendo a falta de um bom compositor.
*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.
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