Posts de 26 de novembro de 2011

Homologado o Brasil como sede da Copa 2014 em outubro de 2007, os Governos tivram tempo suficiente para planejar os investimentos em infraestrutura, principalmente para a mobilidade urbana.

Ao Governo Federal cabia estudar e definir as opções tecnológicas, em função das demandas futuras, estabelecendo diretrizes e parâmetros para avaliação dos projetos dos Governos Estaduais e Municipais. A esses desenvolver os estudos para pleitear os recursos junto ao Governo Federal.

Pouco foi feito ao longo de 2008, por conta de um círculo vicioso: os 18 Estados e respectivos municipios alegavam que não podiam desenvolver os estudos e projetos sem a definição se seriam ou não sede, limitada – na ocasião – em dez, posteriormente ampliada para 12. Havia planos (no papel) com intenções de obras, propondo o atendimento de corredores já com demandas reprimidas, mas sem estudos aprofundados de viabilidade técnica e econômica.

O Governo Federal alegava que não podia se manifestar sem os projetos das cidades. Em maio de 2009 houve a escolha formal das cidades-sede, superando um dos obstáculos: as escolhidas encaminharam os seus estudos preliminares ao Ministério das Cidades, atendendo a uma diretriz: não seriam financiadas obras metroviárias. Essas seriam contempladas no PAC 2. Isso em função dos elevados valores de investimentos e porque não ficariam prontos até 2014.

Somente em janeiro de 2010 foi acordada a Matriz de Responsabilidades com a definição dos empreendimentos em mobilidade urbana, dos Estados, Distrito Federal e Municipios que teriam o apoio financeiro do Governo Federal.

Mas isso não foi suficiente para que se desenvolvessem os projetos de engenharia. Alguns Estados pleitearam e tentaram mudar a tecnologia dos projetos, visando uma demanda maior e um legado mais amplo que não se limitasse ao atendimento da Copa. Com muitas razões técnicas, encobrindo outros interesses.

Para atender às supostas demandas da Copa, a diretriz do Governo Federal foi de soluções mais baratas, dando preferência aos corredores de ônibus. A maior parte dos empreendimentos era de BRTs (Bus Rapid Transit) um nome alienígena e sofisticado para designar uma tecnologia criada no Brasil, em Curitiba. As evoluções ocorridas em outros projetos como Caracas não alteraram o conceito.

Agora no final de 2011, com mudanças nos Governos Estaduais e do Governo Federal, no início do ano, dois Estados teriam conseguido alterar a solução, com a adoção do metrô, no caso de Salvador e de VLT em Cuiabá.

Com o atraso na decisão, nenhum dos dois ficará pronto para a Copa, apesar das naturais declarações de otimismo dos governantes. Mas também não serão imprenscindíveis para atender a demanda do evento. Quando muito irão atrapalhar por conta das obras. E os governantes se justificarão dizendo que se trata de legado.

A Copa será apenas pretexto para “arrancar” dinheiro federal. E o depois? Isso, aprentemente não é uma preocupação dos governantes atuais. A conta não será paga por eles, mas pelos seus sucessores.

O problema da (i)mobilidade urbana nas grandes cidades decorre, primeiramente, do excessivo número de viagens decorrente do uso e ocupação do solo urbano, induzido pelo Poder Público e adotado pelo mercado. Embora a tendência seja sempre colocar a culpa na oferta, isto é, nos empreendedores imobiliários – também caracterizados como especuladores – essa não se viabiliza se não tiver resposta na demanda.

Em segundo lugar pela utilização de veiculos motorizados individuais para a realização dessas viagens. O foco tem sido sobre essa segunda causa que não é primária. Essa é derivada, ainda que ocorram interações. As pessoas vão morar longe do trabalho porque dispõe de carro, supondo que com isso poderão “morar melhor”.

A concepção das cidades está mudando, mas ainda lentamente. Precisa ser acelerada e para isso os investimentos públicos não podem estar voltadas para o passado, mas tem que encarar o futuro. O futuro são cidades com menor distâncias entre o morar, trabalhar, consumir.

Já em relação à redução das viagens necessárias por automóveis, mediante a sua substituição por meio coletivo a condição fundamental é um meio de transporte de qualidade.

Essa condição de qualidade depende do trajeto e das características da demanda nesse trajeto. O “Ligeirinho” deu certo em Curitiba, porque atende à classe média local, com baixa concorrência com os usuários de menor renda.

Um BRT em Salvador, ao longo da Perimetral não irá tirar os carros da rua. Uma solução com boa aceitação no Rio de Janeiro são os “frescões”. O metrô é uma solução muito mais cara, mas o seu poder de substituir o carro, em grandes distâncias é restrito.

O problema não é o modo de transporte, mas a sua rede e a sua interconexão logística.

Dentro dessa perspectiva as mudanças em Salvador e em Cuiabá podem fazer sentido.

Mas, certamente, não foi isso que levou às mudanças.

*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.

O Rio de Janeiro tem uma oportunidade ímpar na historia da humanidade. Sediar os dois maiores eventos de mídia internacional em dois anos.

Significa que terá uma ampla exposição na mídia internacional por cerca de 4 anos, criando condições para se tornar um grande “objeto de desejo” e um dos maiores destinos turístico mundial.

O Rio de Janeiro poderá repetir o que Barcelona conseguiu com as Olimpiadas de 92: tornar-se um grande destino do turismo internacional. Pelo que foi mostrado no road-show da Copa 2014, no entando, a “cidade” ainda não percebeu todo o potencial que esses eventos poderá proporcionar. As visões ainda são limitadas, com ilusões e equívocos.

O Plano de Mobilidade é vinculada à Copa e as Olimpiadas, mas as experiências anteriores mostraram que não são essenciais para os eventos, como ficou demonstrado com os Panamericanos e com as Olimpiadas Militares. Tanto os atletas como os turistas estrangeiros para os eventos vão se movimentar por vans ou ônibus fretadas, não dependendo do transporte coletivo. E para os dias dos jogos serão estabelecidas operações especiais para garantir a mobilidade. Com ou sem essas obras não deverá haver problema com a mobilidade. Então se apela para o legado. Essas obras seriam importante para a cidade.

Primeiramente é preciso desmistificar essa entidade ficticia que os urbanistas e a mídia apelidam de “cidade”. A cidade não se movimenta, a cidade não é um elemento ativo. É um sítio passivo, que se movimenta é porque ocorrem acidentes naturais, como deslizamentos de encostas. Quem se movimenta é o cidadão. Essa confusão entre cidade e cidadão é compreensivel, mas leva muitas vezes a decisões equivocadas. É preciso dar o nome certo às coisas. O legado, no caso, é para os cidadãos cariocas que passariam a ter melhores serviços de transporte e alternativa para a movimentação.

Mas esse legado está voltado para o passado. Em grande parte está voltado para atender demandas reprimidas. Quando procura gerar novas alternativas para de concepções obsoletas. Criar vias para facilitar a presença de trabalhadores da Zona Norte à Barra, percorrendo grande distâncias é um equívoco. O que é preciso – prioritariamente – é fazer com que as pessoas morem e trabalhem próximos. O novo modelo de urbanização é a formação ou consolidação de clusters urbanos.

A estruturação do plano de mobilidade urbana deve considerar o futuro da cidade, com o desenvolvimento dos clusters e a ligação entre esses. Não deve ser uma ligação pendular.

Por outro lado as belezas naturais da cidade maravilhosa, eternamente preparada para encantar os turistas (nacionais ou estrangeiros) independentemente da Copa ou das Olimpiadas, não deixam os “turismólogos” cariocas e fluminenses perceberem que há um outro turismo, com uma grande evolução e que precisa ser adequadamente tratado.

O Rio de Janeiro está sendo transformado no terceiro maior polo mundial da cadeia de petróle & gás. No segmento de fornecimento de equipamentos e materiais especializados existem, atualmente, dois grandes polos mundiais: um em Houston, EUA e outro em Aberdeen, Escócia. O terceiro, com maior dinamismo está em Macaé, litoral norte do Rio de Janeiro. O grande polo de desenvolvimento tecnológico mundial está em Stavanger na Noruega, em função do petróleo do Mar do Norte. O novo grande polo está sendo instalado no Rio de Janeiro, na Ilha do Fundão.

O Rio de Janeiro já está com um grande volume de turistas estrangeiros que não está na cidade a passeio. Mas aparentemente são tratados como tal.

O Rio de Janeiro precisa se preparar para o turismo de negócios e avaliar os eventuais conflitos entre esse segmento com o de lazer e com os atraidos pela Copa e Olimpiadas.

Os turistas de lazer poderão transferir a sua vinda ao Rio para não coincidir com os da Copa. Mas os de negócio não poderão adiar por um mês ou mais as suas vindas.

O futuro do Rio de Janeiro é promissor e não dependerá apenas dos roylaties. Mas parece não ter percebido todo o seu potencial

*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.

 Os legados reais

12 de novembro de 2011 por jorge | Economia da Copa

A realização da Copa no Brasil é motivo para muitas oportunidades, partes reais outras “pura ilusão”. São feitas contas mirabolantes sobre o volume de recursos que supostamente serão gerados pelo evento, igualmente reais, em parte, outras superestimadas ou que incluem na conta da Copa o que ocorreria naturalmente, mesmo sem a Copa.

A esta “altura do campeonato” qualquer análise sobre os impactos efetivos da Copa deverá considerar o dia seguinte (the day after, para os tucanos e outros que gostam das expressões em inglês). O que terá o Brasil e as cidades sede, ainda no segundo semestre de 2014 (quando haverá eleições gerais), 2015 e anos subsequentes, como legado da Copa.

Os estádios não seriam construidos ou reformados sem a Copa. Da sua execução ficará um legado que poderá ser positivo ou negativo. Esse último será de “elefantes brancos” com pouco uso e déficit econômico com elevados custos de manutenção. O legado para os Governos Estaduais poderá ser de dívidas.

O legado positivo poderá ser da existência de modernas arenas multiuso para abrigar shows nacionais e internacionais. O futebol, por si só, não será suficiente para garantir a viabilidade econômica dessas arenas. Mas poderão ser a infraestrutura fundamental para o desenvolvimento do “showbusiness”.

Os projetos dos estádios podem deixar um legado da competência da arquitetura brasileira para elaborar novos projetos de equipamentos esportivos em todo o mundo. O principal legado que os estádios podem deixar está nas tecnologias e materiais inovadores que serão aplicados, seja por proposições dos projetistas como por exigências da FIFA por uma Copa Verde.

Uma das mais importantes inovações e legado será a utilização da energia solar, pela colocação de painéis solares nas coberturas, transformando os estádios em PCES (pequenas centrais de energia solar), interligados na rede geral. Outro serão os “assentos verdes”…

Esquemas de segurança e tecnologia da informação serão outras grandes oportunidades com legados significativos.

Muitas das tecnologias serão incorporadas definitivamente na construção civil brasileira, caracterizando-se como um legítimo legado da Copa 2014.

O turismo pós Copa deverá ser outro grande legado, envolvendo tanto o turismo de negócios como de lazer.

O turismo de negócios envolverá o projeto e construção de novos Centros de Feiras e Convenções. São Paulo tem uma demanda reprimida requerendo que a cidade ou o Estado construam um novo centro, que poderá ser junto ao Anhembi, se o Estado conseguir um acordo com o Governo Federal para o Campo de Marte, em Pirituba ou – por que não – em Caieiras?

A abertura da Copa, trazendo junto o Congresso da FIFA, reunindo cerca de 5 mil delegados irá requerer um enorme centro de convenções, já com prazos apertados para a sua construção.
(comentário completo no blog Inteligência Estratégica, acessival pelo link ao lado)

*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.

O mundo caminha para a utilização de energia de fontes renováveis, com prioridade para as novas, também caracterizadas como alternativas.

O Brasil está à frente desse processo, com grande vantagem, por ter cerca de 70% da sua energia suprida pela hidríca, mas essa vantagem o deixa adormecido com relação às demais fontes, enquanto outros países avançam celeremente.

As estratégias atuais não estão focadas apenas no uso ou produto final, mas também – e principalmente – na cadeia produtiva. Se existe a oportunidade para o produto final, existe a oportunidade para os fornecimentos para o produto final. Essa é, claramente, a estratégia chinesa, voltada para as oportunidades em todo o mundo. A sua grande ênfase é a escala de produção.

O Brasil, um gigante sempre adormecido, demorou para acordar para a energia eólica, mas agora passou a considerá-la. De forma reativa, sem uma estratégia clara.

Ainda está adormecido em relação à solar, desprezando-a pela fraqueza dos seus players, empresas de médio porte, voltados apenas para o mercado residencial. E pela resistência das empresas distribuidoras e da corporação dos elétricos tradicionais.

O Brasil é um país tropical, onde há mais dias de sol do que qualquer outro país desevolvido ou emergente. A alternativa solar deveria ser uma das prioridades estratégicas, mas mais uma vez “dormiu no ponto”. A China avançou celeremente e já é o maior produtor de placas para captação da energia solar.

A Copa do Mundo emergiu como uma oportunidade para os avanços na energia solar. Os estádios devem ter cobertura e aproveitá-la para colocar paineis solares para gerar energia. Gerar energia apenas para os jogos não é economicamente viável. Mas conectar a sua geração na rede, suprindo permanentemente o sistema pode viabilizá-la. Requer uma fase inicial de subsídios, em função dos diferenciais de custos e preços.

Os ganhos de escala para barateamento dos painéis já foram conseguidos pela China. É bom para o setor elétrico, mas ruim para a indústria fornecedora, que perdeu a oportunidade.

Os estádios da Copa vão viabilizar o maior uso da energia solar, pois esses serão mini ou pequenas centrais elétricas e forçará a rede distribuidora e a ANEL a aceitar essa realidade, para seu melhor aproveitamento.

A Copa e as Olimpiadas podem gerar ganhos de escalas para produtos inovadores.

Mas sem a devida percepção das oportunidades, será para ajudar a China e outros paises asiáticos.

Com uma ressalva importante: eles não serão os invoadores, mas serão aqueles que produzirão mais barato.

*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.