Considerando o andamento das coisas sim. Do ponto de vista prático, dificilmente.
O Brasil ganhou o direito de sediar a Copa do Mundo de 2014 por gravidade.
Em função de interesses eleitorais dos “donos” da FIFA, foi estabelecido um rodízio por continentes, para poder abrigar a Copa 2010 na África do Sul. O interesse era conquistar os votos das federações africanas de futebol. Em função dessa regra, ficou estabelecido que 2014 seria na América do Sul. Como outros paises não se interessaram, o Brasil ficou como único candidato.
No final de 2008 o Brasil foi homologado como sede da Copa 2014, mas quando do anúncio, o Presidente Lula frustrou as expectativas da FIFA e da CBF ao anunciar que não haveria recursos públicos para a construção dos estádios. E mais, que os estádios deveriam ser empreendidos pelo setor privado.
Foi mais um dos rompantes inconsequentes do Presidente, mas que criou grandes riscos para o Brasil continuar sendo a sede da Copa 2014.
A par disso o Governo Federal insistiu para ampliação do número de cidades, para poder abrigar jogos na Amazônia e no Pantanal. Mesmo sabendo que não há demanda para viabilizar um estádio privado. Com isso transferiu os encargos para os Governos Estaduais, prometendo – em contrapartida – financiamentos pelo BNDES.
O processo segue um confronto de forças, envolvendo ademais o interesse de grandes empreiteiras.
A FIFA tem um manual com as especificações requeridas para os estádios e – supostamente – todos os projetos apresentados pelas cidades atendiam ao manual. O que “empacou” foram as garantias financeiras para assegurar que os estádios seriam construidos e agora está sendo exigida a garantia de execução.
O caso de São Paulo e do Morumbi é emblemático. Diversos projetos foram apresentados à CBF e FIFA. Sucessivas exigências foram feitas aumentando o valor do investimento. Quando a versão final foi aprovada (ainda que sem documentação oficial) o São Paulo FC reucou dizendo que não assumiria a totalidade de investimento. Com base nisso a FIFA vetou o estádio, requerendo das autoridades paulistas a apresentação de alternativas.
Tendo em vista os requisitos do Manual e das visitas técnicas, em maio de 2009 quando a FIFA homologou as cidades sede, deveria ter aprovado em definitivo os projetos técnicos – em nível de básico – dos estádios, a partir dos quais o Brasil e as cidades deveriam tomar as providências para a contratação e apresentação de garantias para a execução.
A FIFA não tomou essas decisões, apesar de ter solicitado os projetos, feitos os comentários e requerimentos adicionais. Deixou “correr frouxo” e acompanhado pela omissão do Governo Brasileiro que não se organizou para coordenar – efetivamente – o processo. A coordenação pelo Ministério dos Esportes não passa de discursos e eventuais admoestações, sem assumir o comando.
A maioria das cidades “fechou” o projeto e já contratou a execução da obra, supondo-se, nesses casos, que a FIFA aprovou ou projetos.
Duas discussões maiores ocorreram: uma referente ao Morumbi, com idas e vinda, até a informação – não oficializada – de que a FIFA havia aprovado um projeto para o qual o São Paulo FC não se dispunha a investir sozinho. Foi o suficiente para a CBF anunciar, ainda durante a realização da Copa 2010 que o Morumbi estava vetado, por falta de garantias.
Foi um veto isolado, sem a confirmação das garantias para os demais estádios.
O outro caso difícil foi o da reforma da Maracanã, até se chegar a uma solução, com um grande acréscimo de valor no orçamento da obra.
Nesse meio tempo, a FIFA decidiu mudar a altura das placas publicitárias e passou a requerer mudanças nos projetos, envolvendo – principalmente – o rebaixamento do gramado. Ocorre que, em alguns casos, o estádio está localizado em locais de aterros ou em fundos de vale, o que encarece sobremaneira o custo desse rebaixamento, com as medidas de proteção ao lençol freático.
Segundo consta a FIFA estaria esperando o final do período eleitoral para cobrar as medidas, mas ai os Governo também podem cobrar da FIFA / CBF uma posição definitiva sobre a aprovação técnica dos projetos.
Definidos os projetos básicos há um primeiro grande percalço: a contestação dos Ministérios Públicos Estaduais com relação aos respectivos orçamentos da construção. Tais contestações não interrompem de imediato o processo, mas pode vir a interromper mais tarde.
A seleção das contratadas é outro ponto de contestação.
São questões que atrasam o processo e pode levar a um ponto em que a FIFA ache que o Brasil não conseguirá erguer os estádios em quantidade suficiente para a Copa das Confederações e para a Copa 2014.

*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.

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54 Comentários

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    O Brasil corre o risco de perder a condição de sede da Copa 2014? « Inteligência Estratégica…

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