O artigo do jornalista inglês Simon Kuper “A verdade após 2014″ não é apenas um manifesto pessimista, como alguns querem rotular. Tem verdades ali que, embora não sejam muito agradáveis, devem ser observadas.
Da mesma forma, o Relatório da Ernst & Young “Brasil sustentável – Impactos Socioeconômicos da Copa do Mundo 2014″ não deve ser tomado como verdade absoluta e bíblia de quem pretende investir no país, visando retornos com o evento.
Aquela senhora sem nome, citada no artigo de Simon Kuper tem razão quando diz que nas pesquisas sobre megaeventos (todos os megaeventos) as previsões de retornos econômicos são altamente inflados por pessoas que esperam lucrar com os eventos. E, por isso, consultorias contratadas pelo governo brasileiro para “estimar” (ou adivinhar) o reforço econômico que o Brasil terá com sua Copa e sua Olimpíada escrevem relatórios tão otimistas.
Por outro lado, dizer que “África do Sul não teve legado e Brasil também não terá”, como diz o jornalista Inglês é uma expressão de simplismo indigna de um profissional que se quer vender como fonte internacional de referência. Uma coisa é dizer que o legado não será do tamanho que está sendo anunciado (isso é verdade). Outra coisa, bem diferente, é dizer que não haverá legado algum. Isso é um absurdo!
A França, por exemplo, uma economia madura e um destino turístico consagrado, recebia 60 milhões de turistas por ano até 1998 e passou para 70 milhões depois da Copa do Mundo. A menos que alguém me apresente outros argumentos, acredito que esse incremento no turismo (que é um dos principais produtos da França) é, sim, um legado da Copa do Mundo.
Outra coisa: com todo respeito aos sul-africanos, não dá pra comparar o Brasil com a África do Sul. São dois países muito diferentes na história, na geografia, na política e, principalmente, na economia. Sem contar a tradição do Futebol. Na Africa do Sul ele não é sequer o esporte mais popular.
Creio que esse assunto poderá voltar a ser explorado ainda muitas vezes por aqui, mas gostaria de introduzir um tema recorrente quando as discussões se voltam para o tema “legado”: os tais elefantes brancos. E sempre se inicia a lista com os estádios de Brasília, Mato Grosso e Manaus.
Primeiro: é preciso aceitar que uma Copa do Mundo no Brasil sem nenhum jogo em Brasília, na Amazônia ou no Pantanal seria inaceitável (do ponto de vista internacional). Portanto, esses estádios não são elefantes brancos. São parte do preço que se tem de pagar;
Segundo: quem pode afirmar que serão elefantes brancos? Quem pode afirmar que a Copa do Mundo não poderá fazer surgir algum grande clube na região, capaz de chegar à série “B” ou “A” do Campeonato Brasileiro? Onde está escrito que grandes estádios somente são razoáveis no sul e no sudeste? O amigo leitor sabe quais são os três maiores campeonatos de futebol de várzea do mundo? Pois eu digo: Futebol Participativo de Recife, Copa Kaiser em São Paulo e o Peladão de Manaus. Isso mesmo. De Manaus!
Terceiro: e se nada disto acontecer? Há muita coisa que se pode fazer com um estádio de futebol: shows musicais, grandes festas e até mesmo, simplesmente, ser incluído como destino turístico. Fazer parte do city tour dos turistas estrangeiros (e nacionais), como já acontece hoje com o Maracanã, com o Morumbi e com o Teatro Amazonas.
ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br – ep@eniopadilha.com.br
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Olha Ênio, concordo com suas colocações referentes ao excesso de pessimismo do jornalista inglês, mais quanto ao caso dos elefantes-brancos, eu discordo das suas colocações. Ora, não existe nenhuma justificativa racional, técnica ou estatística que fundamente a tese que estádio moderno incentiva futebol profissional aonde ele é inexpressivo, o que impede o Vivaldo Lima que o futebol amazonense se desenvolva?? o que impede o Mané Garrincha ou o moderno estádio Gama que o futebol distrital se desenvolva??
Os especialistas também são categóricos quanto a questão do retorno econômico das Arenas Multiuso, assim como estádios convencionais, suas receitas também dependem do futebol. O Morumbi, que é constantemente mencionado pelos entusiastas da ideia de construir Arenas em regiões de futebol inexpressivo com a prerrogativa da sua utilização para eventos não ligado ao futebol, a título de exemplo, tem cerca de 68% de suas receitas anuais oriundas das partidas e futebol, nas Arenas Multiuso da Europa idem, o conceito usado por lá é o “Match Day”. Só para você ter ideia, o público da final do Campeonato baiano 2009 da segunda divisão foi 2,5 vezes maior que o público da final do campeonato amazonense do mesmo ano. A maioria dos jogos no amazonas tem público inferior a 1.000 pagantes, então não me venha dizer que levantar um estádio de 45.000 lugares a custo (previsto) de meio bilhão de reais não se tornará elefante-branco em Manaus.
[Comentário do Ênio Padilha]
Tiago
Concordo com você quanto à minha avaliação de que esses estádio não se tornarão elefantes brancos possa ser apenas uma tese sem consistência.
Mas o importante é o que eu disse antes: “uma Copa do Mundo no Brasil sem nenhum jogo em Brasília, na Amazônia ou no Pantanal seria inaceitável (do ponto de vista internacional). Portanto, esses estádios não são elefantes brancos. São parte do preço que se tem de pagar”. Ou seja: uma vez que isso é inevitável, cabe à nossa inteligência e criatividade dar a esses estádios o melhor destino possível.
Padilha,
Acredito que a Copa 2014 será um sucesso no Brasil.
Quanto aos “elefantes brancos”, esses não necessariamente serão usados apenas para o futebol. como voce mesmo disse, mas para shows, cultos religiosos, eventos culturais, etc.
Os “gringos” são sempre pessimistas, veja o que aconteceu quanto estourou a crise financeira no mundo, disseram que o Brasil iria ter sérios problemas, e o que acontecu foi o contrário.
Logo, COPA DO MUNDO + BRASIL = SUCESSSO
Agora fica uma pergunta:
E se não tivesse copa, eles (o governo) investiriam
essa caminhão de grana aonde ? Nunca veríamos esse
dinheiro…
Parabéns pelo texto!
Ênio, faço algumas considerações sobre a matéria do Kuper, e seu post. Em relação ao Kuper, é preciso salientar que ele não é um técnico. É um jornalista (bom) e, principalmente, polemista. A intenção dele pode ter certeza que foi chocar, causar impacto. Basta ler seus livros e a tática é a mesma. São temas para refletir, mas que carecem de maior embasamento. Ele não cita por exemplo uma matéria divulgada na própria Inglaterra, em que as corporações sul-africanas abocanharam 18% a mais de negócios dentro do continente africano apenas esse ano (graças ao aumento da cotação do trade mark do país). Isso tb é legado.Não nos esqueçamos que um megaevento não pode carregar nas costas o peso de “transformar” décadas de defasagem tecnológica, social, de infra-estrutura urbana, e comercial, por exemplo. Em geral exageram-se as expectativas, assim como algumas consultorias efetivamente inflam benefícios, outras fontes exageram nos malefícios. Me parece o tom dessa entrevista do Kuper. Abaixo segue o link de uma entrevista minha para uma matéria no Guardian e compare o tom.
http://www.guardian.co.uk/sport/blog/2010/jul/13/brazil-world-cup-2014-delays
Tambem discordo de alguns pontos de vista do post. Acredito que efetivamente possuir sedes em regiões variadas sejam um acerto conceitual, mas discordo das escolhas em si. Manaus é um absurdo. Poderia ser Belem, que possui futebol desenvolvido e uma arena que ficaria excelente com 1/3 do que será gasto em Manaus. Cuiabá e Brasília são igualmente indefensáveis. Excluir Goiânia não faz o menor sentido a não ser por aspectos políticos. Não se iluda. Serão elefantes se não brancos, mas verdes, porque ecologicamente corretos (o que em termos econômicos é o mesmo). Estádios de futebol só se sustentam com a receita de sua atividade fim. Imaginar que poderão ser viáveis com atividades marginais é um devaneio. Não existe tal exemplo no mundo. Wembley é um rotundo fracasso. De qualquer forma, parábens pelo espaço e pela oportunidade de discussão desses assuntos. Abs.
http://portalexame.abril.com.br/rede-de-blogs/novas-arenas/
[Comentário do Ênio Padilha]
Ricardo Araújo
Seu comentário acrescenta muita qualidade ao meu post. Concordo com você, 100% quanto a escolha de Belém em vez de Manaus. Eu não tinha me dado conta disso, mas você tem toda razão.
Quanto a Brasília, continuo achando que merece a participação. E acredito que a copa do mundo tem o potencial de motivar o fortalecimento do futebol do DF, à ponto de haver uma equipe à altura do estádio. Mas é só uma opinião. Não tenho evidências disso.
A França recebeu 60 milhões de turistas em 1995. Apresentou um crescimento linear de turistas até o ano 2000, quando houve 77 milhões de turistas. Depois disso, há um platô, com pequenas subidas e recuos. Olhando a curva toda, parece ter muito mais a ver com a evolução econômica mundial do que com copa ou qualquer outro evento patrocinado no período.
Não sou contra a Copa do mundo no Brasil, mas é preciso racionalizar gastos. A dimensão e o custo do estádio projetado na minha cidade, Brasília, são inaceitáveis. Era perfeitamente possível ser uma sede com um estádio para 35, 40 mil pessoas. Vamos ter um elefante branco a um custo de 1 bilhão e 200 (estimativas mais otimistas do pessoal do Tribunal de Contas daqui. Quem vai manter esse estádio? Quem vai pagar as prestações do empréstimo? Não há chance de ter futebol com público aqui a curto prazo. Isso leva várias gerações. Mesmo que tivesse o Bayern do Cerrado aqui, por milagre, ainda não seria uma solução. O Allianz dá prejuízo.
“uma Copa do Mundo no Brasil sem nenhum jogo em Brasília, na Amazônia ou no Pantanal seria inaceitável (do ponto de vista internacional). Portanto, esses estádios não são elefantes brancos. São parte do preço que se tem de pagar”. Ou seja: uma vez que isso é inevitável, cabe à nossa inteligência e criatividade dar a esses estádios o melhor destino possível.”
pq inaceitavel? ainda mais do ponto de vista internacional? tudo bem que a copa eh um evento internacional, mas antes q mais nada tem q se enquadrar com os intereses brasileiros. So pq o povo do mundo quer, nao eh motivo suficiente. nao vamos criar divida pq os europeus querem jogar na amazonia. Se Manaus ou brasilia ou qualquer sede nao tiver condicoes de sediar um jogo, entao nao deve sediado. Se os gringos querem ver jogos no amazonas, que ajudem a melhorar as condicoes entao. E sinceramente, amazonense nao quer ver eslovaquia e argelia jogar. Eles querem mais ver o brasil jogar la, q no maximo vao ser 7 estadios q vao receber os jogos do brasil e nao acredito q nenhum desses estadios considerados elefantes brancos vao receber a selecao, com excecao de brasilia q se com muita sorte pode ser q receba um jogo. E outra, elefante branco eh sim um estadio q vai ser construido pra copa e depois nao vai ter demanda suficiente para generar receita pra pagar suas contas. Nao importa se esse eh o preco q vamos ter q pagar, o estadio sera um elefante branco.
Antes de mais nada, gostaria de parabenizar o senhor Ricardo Araújo pela objetividade de suas explanações e dizer ao colega Alex Dias, que uma das razões do Brasil não ter sucesso em suas empreitadas é que a maioria das pessoas, neste país, pensam como você, confundem bom senso e racionalidade com pessimismo.
O fato é que o jornalista inglês foi coautor do livro Soocernomics, que teve participação de uma das maiores autoridades em economia na Europa, digo isso por conhecimento de causa, já que sou formando em Ciências Econômicas.
O livro Soocernomics apresenta números estarrecedores, desde que o impacto econômico de mega-eventos esportivos começou a ser avaliado, somente Barcelona pode ser utilizado como exemplo de impacto econômico realmente positivo. Montreal levou 30 anos para pagar as dividas contraídas, Atenas gasta US$ 100 milhões por ano somente para a manutenção das instalações Olímpicas subutilizadas após os jogos. Absolutamente nenhuma das promessas que foram feitas na realização dos jogos Panamericanos do Rio se concluíram, a escolha do Rio para as Olímpiadas tem relação maior com a escolha do Brasil para a Copa do que com o Pan2007.
Aliás, completando meu raciocínio anterior, o padrão de crescimento do turismo foi idêntico na Espanha e na Itália, que não fizeram Copa do mundo. (na verdade, muito mais intenso na Espanha, mas com a mesma inclinação linear seguida de platô)
Prezado consultor. Na condição de consultor, o senhor diria para o comitê de candidatura de Goiânia à Copa de 2014 enviar o projeto pelos Correios à CBF? Pois foi isto que o comitê de Goiânia fez, segundo informações de um jornal da própria imprensa goiana. Mal se ouviu a respeito da campanha da capital de Goiás. Que os decepcionados em Goiânia procurem os responsáveis nos governos estadual e municipal. Deixem as outras sedes em paz. Respeito é bom, e todo o Brasil gosta. Aliás, parabéns, senhor Padilha, pelas observações ponderadas e honestas, algo raro hoje em dia.
Alexandre, esses paises que vc citou já são países consagrados e super divulgados como destinos turísticos. Assim sendo não servem de parâmatros para o Brasil. O Brasil é muito pouco divulgado, então a copa e as olimíadas são os melhores meios para isso.
Agora óbvio que tem que fazer a coisa bem feita. A começar pelos estádios, prefiro pecar por um custo mais alto do que fazer obrinhas meia-boca.
Óbvio que havera um bom legado pós copa.
Só não ve quem é do contra, ou não entende o mínimo de marketing internacional.
Respondendo ao brasiliense Alexandre que disse que o estádio iria custar 1 bilhão e duzentos milhões de reais… vc só dobrou o valor do projeto… só isso! se é contra o projeto ao menos coloque argumentos com alguma verdade! Sou brasiliense e aqui na minha cidade nós temos a necessidade de ter uma arena como a que será construída! Em Brasília é difícil ter shows internacionais bons por falta de um palco apropriado. O estádio será lindo e como ficará no eixo monumental onde existem outros pontos turísticos da cidade, os turistas com certeza irão querer visitar o estádio. Brasília pode não ter um clube grande na série A do brasileiro mas a cidade só tem 50 anos e não exista nada que impeça a cidade de ter um grande time de futebol no futuro que usufrua da arena!
Ótimo blog Enio, parabens!
Ênio Padilha! é exatemente o que eu penso! eu tinha lido a reportagem do jornalista Inglês, e tbm tinha comentado que, de certo modo, o Brasil poderá até não ter os legados financeiros prometidos do mesmo jeito, mas é uma mentira dizer que “terá legado nenhum”… isso não tem lógica ao meu ver! E sim… grandes clubes podem surgir a todo o momento! ou as pessoas acham que só vão existir os mesmos clubes para sempre? O.õ e como resposta de uma resposta que vc me deu, falei tbm que já que em BSB(por ex)vai construir um grande estádio, então que CRIE DEMANDA… é mais ou menos o que eu penso!
Gostei desse post \o/
Quem lê Exame hoje em dia no Brasil?
França depender de copa para aumentar o turismo é piada.
Lógico que a realização do evento no Brasil trará muitos beneficios, porem os investimentos em estádios deveriam ser visando o pós copa, pois muitos dos construídos se transformarão inevitávelmente em elefantes brancos. Será que ninguem viu o que ocorreu com o Pan?
Outro absurdo dessa copa é a total isenção de impostos para a FIFA e um monte de empresas que participarão do evento. Certo está o governo da Bélgica não aceitando essa exigencia da FIFA, conforme artigo deste portal: Belgas rejeitam condições da Fifa para promover Copas de 2018 e 2022.
[Comentário do Ênio Padilha]
João Carlos
Creio que estamos aqui para aprender. Se a minha opinião sobre o incremento do turismo na França estiver errada (e pode estar mesmo, afinal de contas, eu não sou especialista nessa área). Eu não me importo que alguém me esclareça. No entanto, gostaria de um argumento mais consistente. Dizer que o que eu disse é apenas “uma piada” não acrescenta nada. O que você realmente tem, como argumento, contra a minha opinião?
Quanto aos impostos, deixa eu dizer uma coisa: quando eu sou contratado para dar uma palestra ou um curso, eu forneço uma Nota Fiscal. Nesta nota fiscal estão embutidos um montante de impostos que, evidentemente, minha empresa paga.
Muitos palestrantes, no entanto, exigem um valor “x” dos honorários “livre de impostos”. E muitos clientes aceitam essas condições. É simples!
O que esses palestrantes pedem é o mesmo que a Fifa está pedindo ao Brasil: isenção de impostos.
É uma condição para vender o seu produto. O comprador pode aceitar ou não.
Outra coisa: não aposte todas as suas fichas na Bélgica. O que temos, até agora, são políticos de oposição ao evento questionando a exigência da Fifa. Não há ainda uma decisão do governo. Se houver a decisão de não dar a isenção que está sendo exigida, tenha certeza, eles simplesmente perderão a Copa. Sabe por que? Porque tem muitos países querendo comprar o produto “Copa do Mundo” e só a Fifa tem isso pra vender.
Blog Bizarro! Ou o sr. tem algum interesse economico próprio com a Copa ou é um sonhador de marca maior.
Imagine um estádio de 700 milhões com um custo de manutenção altíssimo servindo como ponto de visitação.
Só pode ser brincadeira.
Ênio sou de Manaus gostei muito de seu comentário. Achei muito oportuno este texto. quero que vc saiba que por mais que as pessoas nao acreditem que o futebol irá alavancar em manaus depois da copa do mundo, muita coisa está sendo feita com relação a esse problema. Existe um projeto que participam milhares de jovens ,tudo isso visando ao resgate do futebol amazonense. Quase todos os clubes de manaus participam conjuntamente desse projeto sem falar no peladao.O nome do projeto é bom de bola. Outro ponto que eu gostaria de esclarecer é a respeito da dificuldade de patrocínio, oque na minha opinião não deveria acontecer, visto que temos a zona franca onde milhares de empresas não tem a coragem de investir na cultura do futebol amazonense ,o que nos deixa profundamente indignados .
Ênio, quanto ao legado isso pra cá não é um problema. Pra quem não sabe nos recebemos centenas de turistas. todo sábado quando me reúno com meus amigos no teatro amazonas oque mais se vê são grupos turísticos por todos os lados seja de manhã, de tarde ou de noite.
Caro Ênio,acho que está na hora dos Brasileiros começarem a cair na real. Primeiro, mesmo com uma economia muito superior a sul-africana estamos nos mostrando muito mais desorganizados que os mesmos. Tanto que Ricardo Teixeira fala em jogos da Copa da Confederação em estádios diversos dos que sediarão a Copa. Já há evidencias de que as reformas nos aeroportos prometidas à FIFA não serão realizadas e por isso estão querendo regionalizar os grupos da Copa. Além disso, o tal trem bala não será feito em tempo para 2014. Ou seja, prometemos muito, mas fizemos muito pouco. É nesse contexto que acho que o Simon Kuper, até que provem o contrário, está correto. Além disso, os Brasileiros estão iludidos que com o crescimento econômico mas esquecem que chegará uma hora em que ela será travada por um motivo simples : A mediocridade de nossa educação. Com a economia travada os possíveis retornos econômicos irão pelo ralo.
Segundo, com relação aos elefantes brancos, acho que se nossa forma de realizar campeonatos nacionais persistir estádios como os de Manaus, Brasília, Cuiabá e Natal serão sim, elefantes brancos. Acho que deveriam repensar nossos campeonatos nacionais. Não tem sentido um país continental como o Brasil ter apenas 20 clubes jogando um Brasileiro. Portugal muito menos que nós tem 16 participantes. Portanto ou se amplia o número de participantes ou estados sem tradição terão seus elefantes sim.
Srs,
Concordo plenamento com o Ênio na questão de legado em cidades que hoje não apresentam peso econômico tão forte, mas tudo inicia com uma idéia. A idéia de construir estádios nestas cidades é válida sim, porque pode ser um divisor de águas para a economia da cidade. O país não deve ser duas ou três cidades, mas sim um conjunto de cidades de diferentes regiões.
Respondendo ao argumento do Eduardo: Esse valor (1 bilhão e 200) é uma estimativa dos funcionários do Tribunal de Contas que avaliaram o projeto. Sei que o orçamento oficial aprovado é de 700 milhões. Não vai dar para construir com isso, meu caro. Ouvi pessoas que têm experiência co projetos desse tipo e, portanto, pode esperar por aditivos contratuais de última hora para concluir o projeto. Aliás, isso é constante na construção civil. Pode analisar o histórico de outras obras (pegue o metrô, a ponte, para citar algumas muito conhecidas). E isso não é só aqui. As obras para as olimpíadas de Londres ultrapassaram em 3 vezes o orçamento aprovado inicialmente.
Caro Eduardo: respeito o seu ponto de vista, mas não concordo com ele. O dinheiro público é escasso e é natural que existam divergências e opiniões diferentes sobre qual o melhor modo de gastá-lo. A minha opinião é muito clara. Acho o estádio inútil. Se fosse ao menos um pouco menor e mais barato seria possível engoli-lo. Com 1 bilhão de reais daria para dobrar o número de hospitais públicos da cidade.
Mais uma coisa Eduardo: eu também queria ter um palco apropriado para shows internacionais aqui. Sabemos que ele não existe ainda. No entanto, se o estádio ficar muito grande e muito caro, até isso inviabilizará os shows, pelo custo proibitivo. Ficaremos restritos a uma ou outra megaturnê, que tenha patrocínios muito expressivos.
Tiago:
O sucesso da copa não está apenas nos estádios, mas nas obras que serão realizadas para o transporte público.
Um dos maiores problemas hoje no Brasil é o trânsito caótico das grandes cidades.
Eu duvido, repito DUVIDO se não tivesse Copa teríamos tantos investimentos no tranporte público.
Vide o caso de Brasília, que era um matagal e virou a capital do Brasil. Veja quem foi o maior presidente do Brasil de todos os tempos ! Veja que sem atitude não seguimos em frente!
Você tem complexo de vira-lata. Pense grande!
O Brasil está mudando, há pessoas inteligentes e honestas também.
[Comentário do Ênio Padilha]
amigo Alex Dias
Você baixou um pouquinho o nível, desnecessariamente. Não precisava.
Mas, acredito que você tem razão no seu argumento. A maioria das pessoas está fazendo uma leitura pobre da questão do investimento brasileiro em infraestrutura da Copa 2014. Geralmente fica-se discutindo estádios (que representa um investimento de pouco mais de 4,6 bilhões) e não se discute (nem se percebe a importância) das outras obras (que alcançam algo em torno de 20 bilhões). Acho que estamos perdendo uma oportunidade de amadurecer como cidadãos. de ter uma visão mais rica e abrangente dos problemas nacionais e não ficar apenas em discussões pautadas pela mídia esportiva, que só enxerga estádios e paixões clubísticas.
A Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos constituem uma grande oportunidade de crescimento do Brasil. Em TODOS os sentidos. Muita gente vai perder esse trem porque prefere ficar na beira da estrada, apenas atirando pedras.
Caro amigo Ênio. Saudações.
Acompanho diariamente seu trabalho e observo os comentários. Acredito que na verdade algumas pessoas não estão focadas ao legado. Falam de política orçamentos de estádios se vai dar certo ou não, se serão viaveis ou não, coisas sem projeção ou captação de entendimento. Lembro-me bem que num post anterior você perguntava: E você o que esta fazendo para corresponder? O que podemos fazer para dar certo?
Pois bem
vou deixar aqui uma mensagem que no meu enteder será de importante reflexão.
Uma mãe e um bebê, camelos, estavam por ali, à toa, quando de repente o bebê camelo perguntou:
- Mãe, mãe, posso te perguntar umas coisas?
- Claro! O que está incomodando o meu filhote?
- Por que os camelos têm corcovas?
- Bem, meu filhinho, somos animais do deserto, precisamos das corcovas para reservar água e por isso mesmo somos conhecidos por sobreviver sem água.
- Certo, e por que nossas pernas são longas e nossas patas arredondadas?
- Filho, certamente elas são assim para permitir caminhar no deserto.
Sabe, com essas pernas eu posso me movimentar pelo deserto melhor do que qualquer um! Disse a mãe, toda orgulhosa.
- Certo! Então, por que nossos cílios são tão longos? De vez em quando eles atrapalham minha visão.
- Meu filho! Esses cílios longos e grossos são como uma capa protetora para os olhos. Eles ajudam na proteção dos seus olhos quando atingidos pela areia e pelo vento do deserto! Respondeu a mãe com orgulho nos olhos..
- Tá, mãe, entendi. A corcova é para armazenar água enquanto cruzamos o deserto, as pernas para caminhar através do deserto e os cílios são para proteger meus olhos do deserto. Então, o que é que estamos fazendo aqui no Zoológico???
Moral da história:
“Habilidade, conhecimento, capacidade e experiências, só são úteis se você estiver no lugar certo!”
Independentemente do nosso pais ter problemas, tá na hora de abrir os corfres, arregaçar às mangas e cair no trabalho. Estamos no lugar certo, por que a copa 2014 já está acontecendo e tenho certeza plena que superaremos as adversidades e no final colheremos um bom fruto.
Um grande abraço.
Belox
Caro Belox, bonito teu discurso. O problema é que vemos o tempo passar e quase nada ser feito! Já há quem diga que Curitiba será substituída por Florianópolis. Isso era o tipo de questão que já deveria ter sido resolvida. Primeiro escolharam na base da politicagem as 12 cidades para depois verificarem que algumas tinham problemas, como Curitiba e São Paulo. É nesse contexto que o relatório do Simon Kuper tem fundamento. Somos extremamente desorganizados!
Caro Ênio,
Peço desculpas por ter me expressado mal.
Não queria baixa o nível já que isso aqui não é uma lista de discussão, apenas de opinião!
Tenho muito carinho por Brasília, já que tenho
parentes lá. “Matagal” foi uma expressão pesada.
Mas Brasília de sonho virou realidade.
Quanto a “complexo de vira-lata” me referi não diretamente ao Thiago, mas a todos os brasileiros pessimistas que acham que tudo vai dar errado.
Sou otimista por natureza e lendo seu Blog diariamente vejo que você também é.
Logo fico triste em ver nossos irmãos brasileiros postando mensagens aqui criticando tudo e sem demonstrarem soluções para os “problemas da copa de 2014″.
Abraço
Caro Alessandro,
Procuro sempre estabelecer uma boa informação antes de dar qualquer opinião. Acredito sim que todas as cidades sedes tem problemas, é óbvio que abrange todo o território.
Com relação a escolha por parte da Fifa em apoiar doze cidades sedes, visto que essa foi a primeira vez que acontece, esta relacionado ao que o nosso caro Ênio colocou sobre a isenção de impostos exigida pela
entidade. Lógico; se a isenção e necessária, o governo brasileiro ampliou a quantidade de cidades sedes, que em meu ponto de vista não foi para criar elefantes brancos ou talvez desejar mostrar
ao mundo que pode realizar a melhor copa do mundo já vista, más sim com a inteligência de destribuir o evento em todo territótio nacional buscando fazer investimentos globais. Tenho certeza que a escolha de algumas sedes foram politicamente
corretas, porém outras meramente políticas. A questão é que os estados não podem executar às melhorias com seus próprios recursos, ai é que entra o governo federal para dirimir ás fatias necessárias
de investimento.
Em minha ótica, os problemas como o que você colocou sobre a cidade de Curitiba e talvéz o assunto Morumbi e muitos outros. começam a surgir, mediante a falta de conceitos fundamentais dos políticos
brasileiros. Dignidade, respeito,moral,seriedade e mutualidade. Concorda comigo?
Rapaz é incrivel sentir o egoismo dento das cabeças das pessoas.
Vou citar uma coisinha prá refrescar.
O governo Lula manda para o plenario uma medida que sugere a participação dos Royaletes da camada de pré sal por todos os estados brasileiros.
Eu ouvir politicos dizerem que essa medida inviabilizaria e comprometiriaa realização da olimpíadas e até a copa do mundo. Houve passeatas contra, com cartazes escritos; o petroleo é nosso não à divisão.
A pergunta que não quer calar:
Você acha que o brasileiro lá de Buenaventura no estado do Acre ou talvéz o brasileiro de Jaguarão lá no Rio Grande do sul, é menos brasileiro que o carioca, o paulista ou o capixaba? Não amigo não é.
O que falta em meu ponto de vista é abrir-mos os olhos e nos concientizar-mos que essa nação não pode existir destinções. Somos todos brasileiros, e esse mega evento com certeza trará benefícios para todos nós.
Vamos tentar mudar conceitos e participar mais das mudanças necessárias para fazer sempre, dia a dia, um pais melhor, a começar pela escolha dos nossos políticos e sermos denfensores dos nossos irmãos brasileiros, não importa se ele esta no Acre, no Amapa, Rondônia ou em Minas.
Apoio, e dou meus parabéns pela atitude brasileira em ampliar a copa do mundo 2014 para doze estados.
Sobre a desorganização que você citou, acredito fazer parte do ínicio e realizações do que tem que ser feito. Aqui em minha linda e maravilhosa capital Salvador, posso te garantir que megas obras estão em todo vapor e os investimentos estão chegando dia a dia. Espero que sirva de exemplo e inspiração para às demais cidades sedes.
Fico grato e satisfeito em podermos discutir coisas abragentes neste espeço. Espero que as mentes se abram, que o egoismo se curve e que a mutualide impere.
Um grande abraço para você e um outro grande também para o cerebro desse espaço. Dr. ênio.
Belox
Escrevi está dissertação abaixo fundamentado nesse artigo e no anterior “Indicadores de Desempenho, Já!”, a fim de salientar a minha opinião, defendendo a tese de que o Brasil “sim” terá um legado, mesmo que não seja tão expressivo.
Legado para uma nação
Poucos eventos como uma Copa do Mundo de Futebol tem a capacidade de impulsionar o desenvolvimento de uma nação, visto que este evento mobiliza um país inteiro para sua ocorrência, ao contrário dos Jogos Olímpicos que embora seja o maior evento esportivo esta limitado a uma cidade. Portanto a Copa do Mundo atua oferecendo uma dinâmica de investimentos descentralizada, visto que para sua realização, requer a existência de uma infra-estrutura, a qual muitas vezes ainda não é existente nas cidades sedes, portanto passa a ser compromisso destas de desenvolver esse meio estrutural, logo tudo que for feito, mas posteriormente ao evento estiver à disposição da população será o legado da Copa do Mundo.
Não se deve atribuir a Copa do Mundo a missão de restaurar as cidades brasileiras, em virtude da negligência de gestões políticas anteriores, que não prezaram por uma eficiente administração focada no bem estar social. Contudo muito será feito por todas as sedes e nesse processo cada cidade deve ser analisada obedecendo a suas particularidades, a qual os investimentos devem ser canalizados conforme a sua vocação e perspectivas, com isso muitos gargalos serão eliminados de âmbito logístico, na mobilidade urbana e no turismo.
Uma das maiores deficiências no Brasil são os meios de transporte, o setor aéreo será uma esfera que irá aderir grandes investimentos, para modernização, sobretudo dos aeroportos das cidades sedes. Isso não quer dizer que não haverá mais crise aérea, no entanto garante melhores instalações, maiores capacidades operacionais e mais conforto. Portanto será um legado da Copa.
As rodovias constituem o sistema mais usado no Brasil, contudo não apresentam qualidade, entretanto essencialmente as vias rodoviárias adjacentes as cidades sedes deve receber investimentos, a fim de serem ampliadas ou reestruturadas. Deste modo as viagens internas serão mais eficientes e seguras. Portanto será um legado da Copa.
No sistema ferroviário o Brasil dá um importante passo: a implantação da primeira linha de trem da alta velocidade interligando as duas principais cidades brasileiras, mesmo que não fique pronto até a realização da Copa, sabe-se que esse evento teve um papel determinante na sua implantação. Será mais uma pedra fundamental para ampliar a cobertura sobre outras áreas brasileiras e ainda desafogará as rodovias e o sistema aéreo. Portanto será um legado da Copa.
As cidades também receberão investimentos importantes: ampliações de avenidas, implantação de metrô, VLT ou monotrilho, construção de vias exclusivas de transporte coletivo e vias expressas e reestruturação de terminais. Isso não significa abolir literalmente todos os congestionamentos, no entanto atribui-se maior qualidade ao transporte urbano. Portanto será um legado da Copa.
Muitos espaços urbanos também serão reestruturados, especialmente os de valor turístico e ainda muitas áreas serão valorizadas com melhorias estruturais. Isso tudo mostra que uma Copa não é só feita de estádios, mas uma conjuntura que é fundamental para aprovisionar o embasamento estrutural.
É notável que não será com o impacto da Copa do Mundo que serão sanados todas deficiências da infra-estrutura das cidades brasileira, todavia não está em jogo somente o campeonato mundial, pois é um momento propício para melhorarmos a qualidade de vida e os serviços prestados para os brasileiras, muitas obras que já eram imprescindíveis serão feitas justamente por causa da Copa do Mundo. Portanto será um legado da Copa.