Estive em Manaus neste fim de semana, para dar aula num curso de pós-graduação em Gestão de Obras e projetos. Já estive em Manaus algumas vezes, mas foi a primeira vez que o meu olhar se deteve nas questões de infraestrutura urbana e nas oportunidades para engenheiros e arquitetos.
Manaus tem um longo caminho a percorrer se quiser fazer bonito em 2014.
O trânsito é confuso, a rede hoteleira é deficiente, o aeroporto é incompatível com as pretensões de destino internacional. E, como em muitos outros lugares do Brasil, as questões técnicas ainda são tocadas pelos ventos da política.
As atividades ligadas ao setor público ainda são muito fortes, especialmente na Arquitetura e na Engenharia e isto acaba limitando o espírito empreendedor tão necessário para aproveitar as oportunidades dos próximos anos.
Fui ciceroneado pelo meu amigo Carlos Alonso, engenheiro agrônomo, que já vem há algum tempo se especializando na produção de gramados esportivos (ele foi um dos alunos do curso ministrado por Artur Melo, no Rio de Janeiro). Tive uma boa aula sobre o assunto.

Ele falou da preocupação com relação ao gramado do novo estádio: o gramado necessita de, no mínimo, 120 dias desde o plantio dos plugs até ficar em condições de uso. No mínimo!
Mas, se, como aconteceu na África do Sul, a construção do estádio atrasar, pode ser que não haja esse tempo. E aí, o que se verá será o que se viu em alguns estádios da África: gramados deficientes, colocando em risco a integridade física dos jogadores e a beleza do espetáculo.
Os custos com o campo de jogo correspondem a menos de 1% do custo total do estádio. Mas o gramado é, sem dúvida, a principal estrela do espetáculo. Portanto, atenção Manaus: pressão sobre os construtores para que esses atrasos não ocorram.
Apesar de tudo, o clima na cidade é de franca euforia e otimismo. Em função da Copa de 2014, Manaus está empenhada em muitas obras: implantação do BRT (Bus Rapid Transit – Trânsito Rápido de Ônibus); implantação do Monotrilho; diversas obras de infra-estrutura viária, além da ponte sobre o Rio Negro, ligando Manaus a Iranduba que será a maior ponte fluvial do Brasil (segunda maior do mundo), com 3600 metros de extensão.
Além disso, Manaus está promovendo uma obra de urbanismo digna de aplauso: o programa de revitalização dos Igarapés com a mudança dos moradores das palafitas (verdadeiras favelas sobre as águas) e a transformação do espaço urbano. Ouso dizer que, mesmo que o novo estádio de Manaus acabe virando um “elefante branco”, com os Igarapés revitalizados o saldo social e urbano terá sido muito positivo para a cidade.
ÊNIO PADILHA
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