Quando o Rio de Janeiro foi escolhida como cidade sede dos Jogos 2016 escrevi um artigo falando sobre as possibilidades de ação para nós, engenheiros e arquitetos.
Acho que tudo o que foi escrito lá vale para a Copa do Mundo e é a melhor maneira de abrir os trabalhos aqui neste blog.
Espero contar com a participação dos colegas na discussão e nas proposições.
Copa do Mundo e Jogos Olímpicos são dois eventos que engenheiros e arquitetos não podem apenas ver pela TV ou nas arquibancadas. Temos a obrigação de participar ativamente.

Aí está o artigo:

BRASIL OLÍMPICO: O QUE É QUE EU TENHO COM ISSO?
Você sabe por que a escolha da cidade sede dos Jogos Olímpicos é feita com sete anos de antecedência?
Simples: é porque a experiência já demonstrou ao Comitê Olímpico Internacional que as providências necessárias para a realização do evento precisam de SETE ANOS para serem executadas (inclusive em países ricos e bem estruturados, como a Inglaterra, por exemplo, sede dos Jogos Olímpicos de 2012).

No Brasil essa idéia nunca ficou muito clara. Os Jogos Pan Americanos foi um claro exemplo disso. E a consequência principal foi justamente o estouro espetacular do orçamento, pois não levaram em conta aquilo que eu chamo de A EQUAÇÃO DO EVENTO que está ligada ao processo decisório.

Uma das características fundamentais dos eventos é a sua “hora marcada”. Uma vez determinado, o evento não espera. Ele irá acontecer no momento previsto. Isto é dado como variável incontrolável. As outras coisas é que vão variar de acordo com as decisões dos organizadores.

A qualidade de um evento bem como seus custos são resultados diretamente vinculados à antecedência das decisões tomadas. Em linguagem de engenheiro podemos dizer que “a qualidade do evento (Qe) é diretamente proporcional ao tempo decorrido entre a Tomada de Decisão (TDe) e a realização do evento; por outro lado, os custos do evento (Ce) são inversamente proporcionais ao tempo decorrido entre a Tomada de Decisão (TDe) e a realização do evento.

Assim, (1) Qe = k * TDe
e (2) Ce = k * 1 / TDe

A combinação das equações (1) e (2) pode ser enunciada da seguinte forma: “quanto mais demorada é a decisão sobre o evento, menor será a sua qualidade e maior será o seu custo”.

Esta conclusão, por mais óbvia que possa parecer, nem sempre é observada pelos decisores de eventos, podendo gerar enormes desgastes e prejuízos para o evento e para a instituição organizadora. No caso dos Jogos Olímpicos, a instituição organizadora é o povo brasileiro (não se iludam os cariocas: para um Dinamarquês, Francês ou Japonês não existe Paulista, Mineiro, Carioca ou Gaúcho. Só existe Brasileiro!)

Assim, meus amigos, temos sete anos para realizarmos uma tarefa que demanda sete anos para a sua realização eficiente. Se deixarmos para fazer em 2011 o que precisa ser feito em 2010 automaticamente será acionada a EQUAÇÃO DO EVENTO: a qualidade diminuirá ou os custos aumentarão.

Como cidadão brasileiro e como engenheiro, sem estar na equipe da organização dos jogos, eu sei perfeitamente qual é o meu papel, ou seja, como é que eu posso contribuir:

Primeiro, sendo otimista e reconhecendo o trabalho dos que estiverem na linha de frente. Estimulando o trabalho deles da maneira que for possível: divulgando o andamento dos trabalhos, vestindo a camisa, sendo um torcedor;

Segundo, agindo sobre as instituições às quais eu estou ligado (Entidade de Classe, Crea, Confea…) instando-as à ação proativa. Nossas instituições precisam ficar em alerta permanente. Têm de fiscalizar os trabalhos, os projetos, as licitações, os contratos e as obras. Os profissionais de Engenharia e de Arquitetura estão preparados para esse tipo de vigília e não podem faltar nessa hora.

Terceiro, exigindo transparência. Me associando à instituições que se disponham a vigiar a transparência dos contratos e dos processos. Apoiando os Creas, o Confea e as Entidades Nacionais que se engajarem nessa empreitada.

O projeto dos Jogos Olímpicos do Brasil não pode ser uma caixa preta. Não é um projeto do COB. Não é um projeto do Rio de Janeiro. Não é um projeto do Governo do Brasil. É um projeto do Povo Brasileiro! E nós, engenheiros e arquitetos precisamos assumir nossos postos: na linha de frente da fiscalização.

ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.brep@eniopadilha.com.br

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5 Comentários

  1. Artur Melo disse:

    Ênio,
    Compartilho de sua opinião, inlusive já coloquei no blog, a importância do envolvimento dos profissionais do sistema CONFEA/CREAs: http://www.copa2014.org.br/blog/gramados-esportivos/?p=191

    Só para reforçar, a sequência de eventos no País:
    2011 – Jogos Militares Mundiais
    2014 – Copa do Mundo
    2015 – Copa América
    2016 – Olimpíadas
    Saudações,
    ARTUR MELO

  2. Bruno BH disse:

    Ênio, infelizmente as autoridades e alguns empreendedores das obras para a copa e para a olimpíada não têm a sua visão sobre tais assuntos de engenharia e arquitetura. Porém creio que algumas cidades estão bem encaminhadas, como BH, Cuiabá, Manaus, Curitiba, etc. Se puder me falar o que acha do projeto do Mineirão e se há possibilidade da abertura ser aqui em Belo Horizonte, ficarei grato.

  3. Ênio Padilha disse:

    Bruno
    Não conheço detalhes do caso de BH, mas tudo me leva a crer que é um dos melhores projetos (melhor plano de negócio) desta Copa 2014. Nas minhas viagens pelo Brasil, estou iniciando o projeto “Engenharia e Arquitetura na Copa 2014″ e postarei mais detalhes aqui. Já no próximo mês estarei em Manaus (dias 06, 07 e 08) e em Natal (dia 10) em Cuiabá (dias 21, 22 e 23) e novamente em Natal (dias 27, 28 e 28). Espero conversar com muita gente sobre esses projetos.
    Vai estar tudo aqui. Abraço.

  4. Dianna disse:

    Ênio Padilha! aproveitando a pergunta de “Bruno BH”, eu sou de Brasília e pensando nesse impasse de abertura, eu torço muito para ou BSB ou BH abrirem a copa, mas São Paulo tbm é uma boa opção(se conseguirem um projeto a altura) … mas quero saber sobre o projeto de BSB, achei um lindo projeto e que tem a cara da cidade, de acordo com o arquiteto, a cobertura retrátil servirá principalmente para shows e tudo mais… só que eu tbm queria saber sobre as chances de Brasília na abertura, tanto pelo projeto do estádio quanto pela estrutura da cidade(considerando as obras de melhoria) OBRIGADA PELA A ATENÇÃO !

  5. Marcelo Sales disse:

    Concordo com sua iniciação Arthur e, se não existisse a política essa formula funcionaria perfeitamente e corrigiria um problema grave com a infra-estrutura brasileira dos aeroportos, das vias de acesso, transporte público de qualidade,hospitais, …
    BH como sede? Uma cidade maravilhosa, mas onde nos vamos nos hospedar? Na semana que passou em BH, alguns eventos na cidade ( Manga Larga Machador, Congresso de Neforlogia,…) tornaram a vida do viajante um caos, a rede hoteleira esta mais do que saturada.

    ACREDITO QUE A RESPOSTA É. A QUE PASSO ANDA O PLANEJAMENTO ? SE EXISTE UM PLANO DIRETOR, COMO ESTA O SEU CUMPRIMENTO ?

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