Voluntariado: prós e contras e como se tornar um

4 de agosto de 2010 por Lilian de Oliveira | Copa do Mundo 2010

Durante essa Copa do Mundo, percebi o quanto o voluntariado é desconhecido pela maioria das pessoas. Justamente por isso, explico aqui as experiências que tive como voluntária para aqueles que tem interesse.

Inscrição

Para qualquer evento esportivo de grande porte as inscrições acontecem cerca de um ano antes. Esse é o caso da Copa do Mundo também. Cada evento tem um site oficial e nesse site tem uma seção de voluntários onde são explicadas as funções, como se inscrever e condições que devem ser aceitas. No caso da Copa do Mundo, deve ser preenchido um formulário com informações básicas pessoais, profissão, possíveis experiências anteriores em eventos esportivos e/ou experiências como voluntário, habilidades linguísticas e se há carteira de habilitação e de que tipo (moto, carro, ônibus, etc.)

A partir desse formulário, a FIFA faz uma triagem dos possíveis candidatos e selecionam aqueles que podem colaborar com o evento de melhor maneira possível. Chamam aí, cerca de 5 meses antes do evento, para uma entrevista em inglês no consulado do país sede – consulado no país onde reside o candidato. Nessa entrevista é esclarecido como funciona o evento, qual o seu possível cargo (escolhido dentre as opções marcadas pelo candidato no formulário inicial) e são feitas perguntas para analisar seu perfil e interesse em trabalhar no evento.  As verdadeiras intenções! Para aqueles que querem ser voluntários na Copa de 2014 e Olimpíadas 2016, no Brasil, pode ser que o cronograma e etapas mudem um pouco por sermos daqui. No entanto, isso é um padrão da FIFA, os estágios podem mudar, mas as análises continuarão as mesmas.

Caso o candidato seja selecionado, cerca de dois ou três meses antes do início dos jogos, ele será avisado de que foi selecionado e fará um treinamento online (ou presencial dependendo da função e caso seja do país/cidade sede). Todos recebem um treinamento sobre a política do evento – o que pode e o que não pode, noções mínimas de comportamento (não fumar em público, não usar uniformes fora do horário de trabalho, não beber usando uniforme, etc.) e de higiene. Alguns treinamentos mais específicos da função são feitos nas vésperas. Mas nenhum trabalho de voluntário é muito complexo. No entanto, exige bastante disponibilidade, flexibilidade e capacidade de resolver problemas rapidamente e com discrição.

O trabalho

São inúmeras áreas disponíveis para voluntários: credenciamento, protocolo, venda de tickets, logística, suporte de idiomas, serviço ao espectador, mídia (em campo, na zona mista ou no centro de mídia), marketing, serviços médicos e de fisioterapia, transporte, hospitalidade, atendimento a voluntários, recepção em aeroportos e hotéis, entre outras. Todas são apresentadas e explicadas para que você escolha suas preferências.

É interessante que todo candidato saiba que a principal função de um voluntário é que ele realmente possa  auxiliar nas tarefas. Portanto, durante o evento, o voluntário tem que comparecer nos horários, não pode faltar e é muito mal visto se tiver atrasos. Isso atrapalha muito no andamento de jogos, já que, apesar do trabalho não ser difícil, é de extrema importância para o andamento das partidas, principalmente em alguns esportes, onde o contato do voluntário fica muito mais próximo do que em Copas do Mundo.

Vantagens

Além de ter acesso a alguns jogos, um voluntário tem acesso aos bastidores e realmente vê como funciona a organização dos eventos. Tem acesso a ensaios,  à treinos de reconhecimento de campo, à zonas restritas dos ginásios e estádios, e, para os fãs, aos atletas e treinadores. No entanto, isso não permite assédio – claro –  e mesmo sendo voluntário você tem certas restrições conforme seu cargo. É muito raro encontrar um voluntário com acesso a tudo. Em dia/horário de jogo, esse acesso fica ainda mais difícil por conta de segurança e da organização.

Alguns eventos permitem que o voluntário assista aos jogos se não tiverem em horário de trabalho. Exemplos:

  • No caso da Copa do Mundo 2010, na África do Sul, só era permitida a presença de voluntários que estivessem escalados para trabalhar dentro do estádio naquela partida;
  • No caso da Copa do Mundo 2006, na Alemanha, os voluntários poderiam ocupar espaços vazios nos estádios se tirassem os uniformes (para que não fossem abordados fora de trabalho) e se estivessem com a jornada cumprida;
  • No Pan 2007, no Rio de Janeiro,  fora dos horários de trabalho, voluntários tinham locais adequados para assistir às partidas se trajados de uniforme ou eram liberados para ocupar espaços vazios se tirassem as roupas oficiais.

Desvantagens

Certas vezes, por estar trabalhando, perde-se a noção geral do evento – principalmente no Pan-americano e, possivelmente, em Olimpíadas também. Como são vários locais onde os esportes são realizados, as vezes, o voluntário não sabe o que se passa em determinados esportes e acaba vendo um ou outro resultado por telões ou TVS.  Devo salientar que o clima é muito diferente no evento e pela TV. Além disso, dados e informações que costumamos ver nas coberturas televisivas são coisas que definitivamente não temos contato quando estamos como voluntários.

Na Copa do Mundo, também não é possível ver todas as partidas nos estádios. Querendo ou não, em algumas partidas você é um telespectador como qualquer outro. Às vezes, em horário de jogo, você está trabalhando em outro estádio.

O que se ganha

Há duas formas de se encarar isso. Não se faz dinheiro sendo voluntário, como o próprio nome diz. Tudo a que o voluntário tem direito é esclarecido desde o início das inscrições. Geralmente, o que é oferecido é: alimentação, uniforme e, às vezes, transporte. Passagens, hospedagem e alimentação fora do horário de trabalho é por conta do candidato. No caso da África do Sul, houve um caso único de se oferecer um valor por dia de trabalho, R100 (cem rands, moeda local) – cerca de R$25,00. Geralmente, o evento dá alguma lembrancinha no final dos jogos aos voluntários como forma de agradecimento. Na Alemanha foi um relógio, na África do sul foi um kit com mochila, Zakumi (mascote) de pelúcia e pins oficiais.

Como reconhecimento, todos esses eventos entregam um certificado.

Além disso, o que considero mais importante é o ganho pessoal e profissional. Para aqueles que trabalham com esporte, os ganhos em contatos e em experiência num evento de grande porte é muito importante. Entrar em contato com culturas diferentes (seja da equipe ou com torcedores) é muito significativo também.

Próximos eventos

Deixo os links de alguns eventos esportivos que estão com inscrições abertas ou prestes a abrir. Quem tiver interesse, pode preencher os formulários e ficar no aguardo. Inglês é o mínimo esperado. Clique sobre o evento para ser redirecionado para o site oficial.

Em Agosto de 2011, abrirá para a Euro2012 (Polônia e Ucrânia).

Para quem tem interesse em participar como voluntário em grandes eventos esportivos, basta ficar atento aos portais de notícias na internet. Sempre é noticiada a abertura das inscrições.

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 Efeitos sociais da Copa na África do Sul

30 de julho de 2010 por Lilian de Oliveira | Copa do Mundo 2010

Algumas coisas não são tão exploradas durante a Copa devido ao tanto de informações e atividades paralelas que acontecem. No entanto, a Copa vai além do evento esportivo do futebol ao qual todos temos acesso e muitas dessas atividades tem efeitos sociais.

Num país 15 anos pós-apartheid a geração ainda é a mesma e levará um certo tempo, pelo menos algumas gerações, até os hábitos anteriores serem superados.

É sobre essa questão que a Copa do Mundo teve um de seus efeitos. Na África do Sul, o rugby é visto como um esporte dos brancos e o futebol como um esporte dos negros. Era fácil ver brancos acompanhando o mundial – pela magnitude do evento. No entanto, o mais difícil era o contrário.  O estádio Soccer City, localizado próximo a Soweto ( South Western Townships – algo como cidadelas do sudoeste), bairro de habitantes predominantemente negros, pode ter um uso futuro destinado à prática do rugby. Anteriormente, o estádio era o FNB e foi completamente remodelado para o Mundial de 2010. Com essa reforma, o rugby perderia um de seus principais palcos. Foi aí que entrou a grande jogada social.

Com a ausência de um local para jogar no momento e com a possibilidade de ter um palco melhor para o rugby após a Copa, foi feito um acordo de que o rugby fosse jogado num estádio próximo: o Orlando Stadium, dentro de Soweto – palco do show que aconteceu antes da Copa, onde faleceu a neta de Mandela.

Foi então que o Blue Bulls jogou em Soweto (contra time da Nova Zelândia) e aí a ‘novidade’ se espalhou. A partir desse momento, o rugby começou a ser acompanhado também por negros, que passaram a vestir o uniforme azul do time.

Veja o vídeo sobre a recepção do Blue Bulls em Soweto.

Essa atitude foi mínima perto do que a África do Sul sofre ainda. No entanto, é uma das formas como o esporte pode colaborar, em especial a Copa do Mundo.

Mas há mais de uma forma como encarar um efeito social. Há também programas sociais realizados, que é o caso da marca Nike. Apesar de não ser patrocinadora do evento, esteve muito presente na África do Sul, com campanhas paralelas e não diretamente ligada ao nome “Copa do Mundo”.  Também em Soweto, a empresa que diz entender a importância do esporte e o poder dele em mudanças sociais, projetou e disponibilizou à sociedade um mega centro de treinamento com uma infra-estrutura de qualidade para o futebol e para instrução, educação e conscientização de sul-africanos. A atitude não deixa de ser parte de um grande projeto chamado “Write the Future” (Escreva o Futuro) que também apareceu durante o evento em comerciais muito bem elaborados e grandes shows em LEDs nos edifícios do centro de Johannesburgo.

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Foto Nike

O nome do projeto é bastante coerente com a postura de proporcionar, através do esporte e do CT em si, um futuro mais adequados à uma parcela da população sul-africana que sofre muito com falta de infra-estrutura básica. O projeto também tem parceria com a RED, que conscientiza sobre o vírus HIV, que atinge grande parcela da população.

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Fotos oficiais da Nike

Veja vídeo de Pep Guardiola no Centro de Treinamento da Nike

A FIFA em si também não deixa a parte social a parte. Ao mesmo tempo em que acontecia a Copa do Mundo, em Alexandra, outro bairro com uma população pobre, era sede do evento Football For Hope. O evento era um mundial realizado com jovens desfavorecidos de 32 nações. O problema deste evento foi a divulgação. Durante os jogos da Copa do Mundo, nas placas publicitárias, aparecia uma menção do Football For Hope, mas muitos não sabiam o que realmente era isso. Muito mais visibilidade poderia ter sido dada.

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Foto FIFA

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 Uma Copa longe de ser sustentável

20 de julho de 2010 por Lilian de Oliveira | Copa do Mundo 2010, Idéias Verdes

Falam as más línguas que o Brasil já está abandonando a idéia de ser uma Copa Verde. Espero que estejam realmente falando da boca pra fora. Felizmente, alguns estádios tem propostas boas para evitar pegadas agora que construiremos e reformaremos nossos estádios.

É a partir desse tema da “sustentabilidade” que escrevo este post. Mesmo com a Copa do Mundo já finalizada, muitos assuntos ainda ficaram por ser descritos aqui, mas tudo foi registrado e continuarei mostrando o que pude analisar pela África do Sul.

A tal “sustentabilidade” engloba uma série de setores e de estágios no desenvolvimento de uma Copa do Mundo e das cidades-sede. Desde a construção do estádio até à organização do evento, à elaboração de material de divulgação e às partidas em si, podem ser desenvolvidas atitudes menos poluidoras.

No caso da África do Sul, pouca coisa nesse sentido foi feita. Tanto nos estádios como fora deles há um desperdício enorme de embalagens. Poderiam ser escolhidos materiais mais sustentáveis ou o uso de copos temáticos retornáveis, funcionanco com refil (dentro dos estádios) e deixando aos torcedores um souvenir. No entanto, eram muitas garrafas plásticas de cerveja. Latinhas de refrigerante são super pesadas aqui – sempre parece que ainda tem refrigerante dentro. Embalagens de lanche são enormes, caberiam o dobro de alimento dentro. Enfim, um desperdício atrás do outro, que, além de tudo, não acrescenta nada ao evento.

Na Fan Fest de Durban, copos temáticos eram distribuídos com chopp. No entanto, não era refil e muitos eram jogados fora. Isso, considerando todo o país e a quantidade consumida, gera uma quantidade de lixo absurda, que poderia ser bem diminuída com a estratégia de refis.

Nas cidades, apesar de serem limpas, não há lixeiras, muito menos onde possam separar o lixo. Perguntei em vários locais e realmente eles nunca reciclaram lixo aqui na África do Sul. Nos estádios haviam lixeiras de reciclagem, mas meio escondidas.  Eram poucas e insuficientes considerando a quantidade de lixo gerada em cada partida. Elas estavam somente na área externa do estádio. Todo o lixo interno era jogado em sacolas plásticas e não em lixeiras que não necessitassem de sacolas.  Em alguns momentos, vi funcionários espalhando todo o lixo nas imediações do estádio para separar alguns itens – trabalho este que poderia ser evitado.

O transporte em Johannesburgo é totalmente poluente. Carros bons mas alguns mal conservados. Porém, o grande problema é não ter um transporte público adequado. Nem mesmo depois da Copa a África do Sul ganhou algo decente. Continua tudo muito defasado e o transporte é baseado em carros (particulares ou taxis) e vans. O único trem que tem é fraco, liga poucos lugares e não ajudará tanto no transporte da cidade.

A política da FIFA (o Green Goal) não deixou de ser cumprida pela existência dos únicos critérios que foram elaborados no manual de exigências, mas fica aí uma dica para o Brasil. Vamos incrementar esse manual da FIFA e definir novos padrões! Será muito bem visto pelo mundo. Referências como a Copa de 2006, na Alemanha, ou as Olimpíadas de Sidney podem colaborar de certa forma, mas muito além do que já foi feito, podemos alimentar esse “mercado” com a criatividade brasileira, principalmente pelos designers – essa é a chance de tentar conseguir um espaço na Copa do Mundo. Criem, apresentem às cidades-sedes (organizadores locais) e tentem garantir o espaço que não foi dado para a criação do logotipo.

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Foto por Gabriela Jardim

Felizmente, uma coisa positiva que vi aqui é que quando se faz compra, a caixa, antes de qualquer coisa, pergunta se quer sacolas plásticas. Dizendo que sim, é cobrada uma taxa a mais. Isso poderia ser incorporado pelo Brasil, ajudando a pegar a idéia das sacolas retornáveis.

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 Fim da Copa: cerimônia, festas e partida final

12 de julho de 2010 por Lilian de Oliveira | Copa do Mundo 2010

Conto aqui a minha experiência como voluntária ontem, último dia de trabalho.

Mesmo muitos voluntários estando escalados para trabalhar durante a partida, foi noticiado que os únicos que entrariam no estádio seriam alguns poucos (cerca de 20) que poderiam ter o privilégio de entrar no estádio tanto para o encerramento quanto para a partida final – o que não parece lógico, pois, como final, lotaria. Imaginamos que os escolhidos seriam aqueles que falavam espanhol e/ou holandês – além do inglês, claro. Engano nosso! Seriam escolhidos aqueles que mais trabalharam e estes ganhariam um adesivo prateado oficial a ser colado na credencial – adesivo esse distribuído também à mídia. No entanto, o critério de seleção foi ridículo e nada tinha a ver com dias trabalhados (muito mesmo por não terem um bom controle disto), mas sim com o contato e afinidade que cada voluntário tinha com seu supervisor. Membros de algumas áreas não teriam, definitivamente acesso algum ao estádio, nem mesmo podíamos passar pelos detectores de metal.

Muitos voluntários conversaram com seus supervisores e esperavam pelos seus adesivos até pouco antes do início da abertura e, de repente, uma coordenadora que apareceu somente para a final, anunciou o fim dos adesivos e que nenhum daqueles voluntários que estavam ali poderiam acessar nem mesmo a ponte de acesso ao estádio, que não pedissem mais adesivos e que os deixassem trabalhar.  Muitos tiveram suas credenciais caçadas ao tentar entrar no estádio mas muitos conseguiram entrar mesmo assim. A entrada foi feita de diversas formas: recortando um adesivo prateado similar dos ingressos jogados no chão, entrando bem mais cedo como mídia, entrando pela garagem do estádio pelo elevador de carga, entre outras formas das quais desconheço. Haviam voluntários de outras cidades durante a partida e muitos torcedores sem bilhetes. Tive contato com dois gregos que choravam emocionados por ver a final e que não haviam comprado bilhete. Não faço idéia de como entraram.

A segurança foi mais forte, contava com pessoal extra, mais gente para auxiliar em primeiros-socorros e ainda com o exército e bombeiros de prontidão. No entanto, o acesso foi mais difícil que o normal, mas ainda repleto de falhas. Enquanto a preocupação era não deixar voluntários assistirem à final, muitas mochilas passavam sem uma boa revista e torcedores sem bilhetes entravam por ali.

seguranca Foto por DJ Joo

Cerimônia de Encerramento

Bem mais atrativa que a de abertura, talvez por ser à noite, a festa teve Shakira como atração principal e show de luzes que acrescentavam na beleza da apresentação. Sentiu-se muita falta de uma menção ao Brasil, sede dos próximos jogos – coisa que geralmente acontece, dando uma prévia do que podemos esperar para o próximo mundial. Diferentemente de como foi no Pan, não houve menção ou agradecimento algum aos voluntários, que no Pan, no Rio de Janeiro (2007), ganharam ingresso livre à festa e foram saudados pelo trabalho realizado.

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Fotos por DJ Joo

A Partida

Num jogo muito bem disputado, as torcidas faziam festa desde o início do dia. A torcida holandesa é uma das que vem mais fantasiada – sem dúvida, é a mais engraçada. Não torcem como os argentinos, mexicanos e brasileiros, mas se divertem muito.  A torcida se emocionava muito durante a partida. Muitos choravam de alegria e foi muito bom ter esse contato com um público tão emocionado pelo futebol, coisa que não vemos nem no Brasil.

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Com o gol marcado no 2º tempo da prorrogação a Espanha se tornou campeã pela 1º vez e a torcida chorava, corria, cantava e balançavam as bandeiras espanholas.

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Foto acima, à esquerda, por Felippe Rodrigues e, ao centro e à direita, por DJ Joo

A torcida comemorava muito na porta do estádio. Enquanto isso, a organização local fazia uma festa para o pessoal de mídia e voluntários credenciados no Soccer city. Amanhã, para os voluntários do estádio em questão, haverá um amistoso entre times das áreas de trabalho no gramado onde aconteceu a abertura e encerramento da Copa do Mundo FIFA 2010, apresentações e demais atividades como forma de interação daqueles que ajudaram o evento acontecer.

Durante todo o período que precedia a final, muitas brincadeiras entre as torcidas eram feitas. Sem violência alguma e de forma engraçada. Até mesmo as equipes de imprensa no centro internacional de transmissão (IBC) entravam na brincadeira, como a equipe espanhola, que colocou na porta de seu estúdio um boneco voodoo, um recado e uma camisa temática para a Holanda.

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Fotos por Felippe Rodrigues

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Fotos por Gaspare Longo

As vezes é sofrido ser voluntário num evento onde tudo pode dar errado e onde temos que correr para esconder falhas e agradar a todos. No entanto, temos nossos momentos de glória. Privilégios que pouquíssimos podem ter.

Hoje, assisti ao ensaio de luzes e da cerimônia de encerramento, que até onde vimos parece que ganhará muito mais vida que o de abertura. Shakira, que não esteve na festa inicial, participará desta vez! Ao que tudo indica, os caças também já vistos se apresentarão novamente sobre o estádio, já que faziam seus percursos agora à noite.

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Foto por Felippe Rodrigues

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Fotos acima por Gaspare Longo

Pouquíssimos voluntários estavam presentes pois vários já voltaram para seus países e muitos tinham hoje como dia de folga. Por sorte nos deparamos com a taça e com a bola da final. Um fotógrafo oficial da FIFA fazia uma sessão de fotos.  Embalada numa valise Louis Vuitton, o troféu era manipulado com muita cautela por um outro funcionário que vestia luvas especiais para não marcá-lo.

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Fotos por Felippe Rodrigues

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Foto por Gaspare Longo

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 Rodovia Johannesburgo-Pretoria

8 de julho de 2010 por Lilian de Oliveira | Copa do Mundo 2010

Mais uma estrada que conheci enfrenta quase os mesmos problemas. Esta, melhor que a entre Johannesburgo-Durban, sofre um pouco com trechos sem iluminação e um asfalto não tão bom quanto o da primeira – ainda assim, melhor que o asfalta brasileiro.

Como as cidades são próximas, o percurso tem cerca de quatro horas, enquanto até Durban é de seis horas. Ambas apresentam um percurso muito retilíneo. Felizmente no caso de Pretoria, por ser quase conurbada (coladas uma na outra) uma cidade à outra, há muita coisa acontecendo ao lado. Pequenos trechos são vazios, coincidentemente com a falta de iluminação das vias. Isso prejudica muito para o motorista, que tem que forçar uma distração para manter-se acordado.

No caso do Brasil, não sofreremos tanto com esse problema pois temos um relevo muito variado, muitas cidades próximas por serem importantes as cidades escolhidas como sedes dos jogos. Além disso, a maior parte dos percursos serão feitos de avião, provavelmente, devido às grandes distâncias. No entanto, Florianópolis é uma cidade que sem dúvida terá muitos visitantes e, até lá, provavelmente será feito de carro para aqueles que ficarem em SP, Curitiba e Porto Alegre. Asfaltos e sinalização tem que ser melhorados, colocando informações básicas em inglês.

A cidade de Pretoria é universitária e cabe aqui mencionar que a vida noturna é bem melhor que a de Johannesburgo. Lá existe uma praça, rodeada de bares, clubes e restaurantes garantindo muito mais entretenimento durante e depois das partidas que as fan fests oficiais.

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 O torcedor da Copa do Mundo

5 de julho de 2010 por Lilian de Oliveira | Copa do Mundo 2010

Diferentemente do que vemos em estádios brasileiros, os torcedores que vêm à Copa do Mundo são diferentes. No Brasil, os torcedores são fanáticos e de todos os níveis sociais. Na Copa do Mundo, a maioria é elite e, nem sempre, são tão fascinados pelo esporte. A faixa etária é também muito mais velha.

O comportamento é diferente e boa parte da torcida já começa a se retirar 5 minutos antes do apito final. É também pedido que se assista ao jogo sentado, costume de alguns países, mas complicado para ao público brasileiro e argentino, por exemplo, que gosta de torcer, pular, cantar, levantar bandeiras, camisas, entre outras formas de manifestação.

Em 2014, imagino que enfrentaremos algo diferente disso tudo. Como o torcedor brasileiro é muito fanático e teremos gastos basicamente com as entradas e não tanto com estadia e viagens, acredito que tudo será diferente do que vemos nessa Copa do Mundo FIFA 2010.  Mais brasileiros terão acesso, não só a extrema elite, mas, também, parte da classe média.

Acredito que a Copa do Mundo terá uma torcida muito mais participativa, principalmente por parte do brasileiro, que aqui na África do Sul pouco se manifesta. Para isso, precisamos nos preparar bastante, estipulando padrões de seguranças e melhorando o respeito ao torcedor.

Hoje, no Brasil, temos muitos problemas com o respeito ao público que faz o futebol acontecer. Isso é referente ao acesso aos estádios, aos problemas na compra de ingressos, cambistas, bilhetes verdadeiros considerados falsos e, também, ao tratamento recebido da polícia brasileira. Tudo tem que ser muito bem estudado e podemos ter como referência no policiamento a experiência britânica, que utiliza policiais a paisana para ajudar ao combate de um possível torcedor-problema e ao combate ao hooliganismo.

Campanhas de conscientização do público brasileiro devem ser iniciadas desde já, mas é muito importante que já possamos começar um trabalho de treinamento aos policiais, testes de táticas de segurança e abordagem dentro dos estádios. Aqui na África do Sul, algumas pessoas já se assustaram com algumas brutalidades da abordagem da polícia, isso porque é muito mais suave que o tratamento brasileiro. É realmente importante que haja muito respeito por parte da polícia e cautela na forma de conduzir os torcedores, ou a revolta será grande por parte do turista.

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 A tecnologia na arbitragem da Copa do Mundo

4 de julho de 2010 por Lilian de Oliveira | Copa do Mundo 2010

Virou polêmica a questão da tecnologia a partir de erros da arbitragem que ficaram nítidos no telão. O maior erro da arbitragem foi durante o jogo da Alemanha contra a Inglaterra, que, com um gol legítimo não dado à Inglaterra, pode ter mudado muito o ritmo do jogo e o resultado final, eliminando o time britânico.

Abaixo, foto que circula na internet brincando com tal questão.

gol

Por causa da inquietação de todos, os replays duvidosos não são mais exibidos dentro do estádio, infelizmente. É, de certo, uma questão a ser pensada. Não há arbitragem alguma que garanta 100% de acerto. É justamente por isso que o tênis, por exemplo, já aceitou a tecnologia nas partidas, garantindo uma arbitragem mais justa.

O chamado “desafio” ou ‘challenge’, no tênis, dá a chance aos jogadores de contestar os árbitros de linha e pedir algumas vezes um replay no telão, mostrando o percurso da bola e se a bola foi dentro ou fora. Caso o erro da arbitragem seja comprovado, o tenista tem seu ponto devolvido.

Desafio entre Federer e Djokovic

Podemos nos perguntar o porquê da FIFA não ter adotado tal postura antes mesmo da Copa do Mundo FIFA 2010 começar. Isso foi contestado inicialmente e não foi aceito.

O uso da tecnologia seria saudável, justo e não tiraria a credibilidade dos juízes. Afinal, erros acontecem e não são 2 árbitros a mais que garantirão que nenhum erro ocorra. Espero que na próxima Copa do Mundo seja possível contar com os telões.

Perde-se muito no estádio por não ter o replay. No momento em que os replays são mostrados na transmissão oficial, no telão do estádio vemos somente uma vista panorâmica do campo todo, deixando muitos em dúvida do que realmente aconteceu.

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 Estrada Johannesburg-Durban

28 de junho de 2010 por Lilian de Oliveira | Copa do Mundo 2010

Muito se falou antes da Copa a respeito da má qualidade das estradas. A única que peguei, por enquanto, é a que liga Johannesburg a Durban.

Nas proximidades de Johannesburg realmente não é muito boa, mas, sem dúvida, a qualidade ainda é melhor que a de muitas rodovias brasileiras. O asfalto é de qualidade mas os problemas ficam com a iluminação que é inexitente e a carência de postos de abastecimento. Com a sinalização também não há problemas.

Um bom trecho, cerca de 120km, é uma reta sem nada nas laterais, em um relevo extremamente plano, sem árvores. Neste trecho deveria ser feito um paisagismo de estradas para auxiliar na segurança. Ao longo desta rodovia o potencial de construção de um transporte em massa como uma linha ferroviária, por exemplo, é enorme.

Em alguns trechos as pistas são separadas, em outros, infelizmente as duas mãos são separadas somente pela faixa central, nem mesmo por um guard-rail.

Conforme se aproxima de Durban a qualidade de iluminação melhora pouco, mas melhora. Além disso, o relevo muda muito e não há mais queimadas.

Passando por mais estradas, comento o que vejo pela África do Sul.

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 Gramado do Soccer city sofre depois de muitas partidas

28 de junho de 2010 por Lilian de Oliveira | Copa do Mundo 2010

Do chute inicial até hoje, 28-06-2010, o estádio do Soccer City já recebeu 6 partidas. Nesta última, onde se encontraram Argentina e México, o gramado já demonstrava desgasto. Por ter pouco tempo para se recuperar, algumas áreas mostravam-se secas e, durante todo o jogo, assim como nos outros estádios, pedaços de grama se soltavam, tendo que ser ajustadas no intervalo.

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Foto acima à esquerda por Lilian de Oliveira e à direita por Felippe Rodrigues

Acima, a esquerda, imagem do gramado no jogo de abertura (África do Sul x México). Ao lado, imagem do jogo de ontem Argentina x México, já com os sinais de sofrimento.

No Blog Gramados Esportivos, Artur Melo, engenheiro agrônomo, deu um parecer sobre o assunto. Leia Mais.

Abaixo, mais imagens da grama e da torcida argentina jogando rolos de papel no campo como forma peculiar e única de comemoração.

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torcida rolos Fotos por Felippe Rodrigues

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