Já faz um tempo que tenho pensado no que é realmente uma boa acessibilidade. Não há uma fórmula, nem mesmo nada ideal no mundo ainda. Claro que há referências em acessibilidade em pontos específicos e as citarei aqui. No entanto, acessibilidade, ao meu ver, engloba tudo: todas as classes, todas as regiões, todas as idades, todos os meios de transportes, todas as pessoas, indiferente de terem alguma deficiência física – durante 24h.
Acessibilidade é o que vejo como uma forma democrática de permitir o direito de ir e vir.
Foi vendo uma reportagem da Globo (Jornal Nacional) e indo para São Paulo, durante essa semana, que lembrei de um dos apuros dos paulistanos. Foi, então, que resolvi escrever esse texto. São Paulo é o maior exemplo de falta de acessibilidade – de qualquer umas das formas de abrangência mencionadas acima. Na reportagem, o foco é a diminuição do número de ônibus durante o fim de semana, fato este que realmente deixa o dia que seria mais tranquilo ao andar de ônibus com os mesmos problemas de superlotação só que com mais um problema somado: uma espera maior devido à menor frequência dos veículos.
Visando a acessibilidade, Porto Alegre é a primeira cidade a se comprometer ao “ajuste” em relação ao tema proposto pelo Conade (Conselho Nacional de Pessoas com Deficiência), que visa o acordo com todas as cidades-sede, conforme matéria publicada pelo Portal Copa 2014.
Gostaria de poder ver uma grande mobilização para projetos bem brasileiros. Podemos contar com referências, sem dúvida, mas visando a realidade brasileira, assim como nossas particularidades e necessidades. Dentre algumas das referências específicas que conheço, cito, abaixo, algumas delas:
Las Ramblas, Barcelona, Espanha: As Ramblas priorizam os pedestres. São grandes trajetos para pedestres, com vias laterais, que tem tratamento de piso específico, permitindo o carro mas demonstrando esse espaço ser, principalmente, do pedestre. Os trechos contam com diversas apresentações culturais, lojas e cafés, aumentando o contato daquele que circula ali com a cultura local. A vida noturna é agitada, garantindo segurança.

Outro ponto positivo das ramblas é que formam percursos entre pontos importantes para aqueles que preferem as bicicletas ou que optam por andar a pé. Além disso, criam a oportunidade de ampliar as áreas verdes da cidade, contribuindo para uma melhoria considerável na quantidade de áreas verdes por habitante (bastante insatisfatório nas cidades brasileiras), quantidade esta que deve obedecer padrões estipulados pela OMS (Organização Mundial de Saúde). Esses “rasgos verdes” ajudam também, um pouco na temperatura média das cidades, geralmente altas em grandes polos urbanos e metrópoles, devido, principalmente, à grande metragem asfaltada e à grande quantidade de poluentes no ar.
Metrô de Londres, Inglaterra: O metrô londrino tem uma linha bastante abrangente e ramificada. Esse conceito é democrático, pois abrange todas as áreas, facilita os trajetos pelas várias opções de percursos distribuindo melhor o público pelos vagões. Temos, em São Paulo, um metrô considerado muito bom em relação à limpeza, manutenção. No entanto, nesta mesma semana, reparei que não há muitos avisos em inglês – o mínimo de informação para visitantes estrangeiros. Além disso, os metrôs, no Brasil, são cumulativos, os eixos aglomeram muitas pessoas que tem somente uma opção de trajeto e que, mesmo assim, não consegue acessar várias áreas da cidade, necessitando a integração de outros meios, que geralmente não tem bilhete integrado e que também tem suas deficiências particulares.
Leia mais sobre o assunto das linhas no meu blog Gol da Arquitetura.
Velibs – Bicicletas livres/públicas, Paris, França: os franceses são referência no transporte público através de bicicletas. Foi a partir do sistema francês que a Alemanha desenvolveu o seu e agora os americanos, com um projeto que pretende ser um dos maiores do ramo e que teria como sede a cidade de Boston (que também tem um metrô interessante – embora um tanto sujo, com direito até a camundongos).
Para quem se interessar, já postei, nesse mesmo blog, um texto sobre as novidades e coisas que considero interessantes no aspecto de ciclovias, pontes para ciclistas, novos modelos de bicicletas, etc.) Leia Aqui.

Velibs enfileiradas
Algumas cidades já caminham com projetos de aluguel de bicicletas, mas o grande problema com a falta de ciclovias, ou, até mesmo, ausência de ciclofaixas, prejudica o desenvolvimento pela falta confiança na segurança. Além disso, esses projetos ainda trabalham com um número reduzido de bicicletários, bicicletas e poucos locais oferecem benefícios e infra-estrutura para aqueles que adotam a bicicleta como meio de transporte oficial (espero que mude até a Copa, pelo menos).
Automóveis: Não consigo dar uma referência específica, mas somatórias de projetos e tecnologias, poderiam fortalecer a visão dos brasileiros em relação à variedade de meios de transportes que podem ser utilizados. O brasileiro, tem em sua cultura uma fascinação pelo automóvel, sendo ele um dos bens de consumo mais visados. Não acho que o automóvel deva ser banido, pelo contrário, utilizado, sim, quando for necessário, quando for o método mais adequado – não a toda hora. Soluções que considero são: pedágio urbano, que pode ter a verba arrecadada e convertida em melhorias no transporte ou em conpensação ambiental, talvez até filiada à algum projeto de alguma (ou várias) ONG(s). Adoção de automóveis com menor impacto – elétrico, por exemplo. Leia mais sobre o assunto nestes posts: “Carro Elétrico Brasileiro!”, “Estacionamento visionário para uma Copa Verde”, e “Carro Elétrico Brasileiro, no Gol da Arquitetura”.
Navegabilidade dos rios: Um pouco mais difícil de se concretizar tão rápido, mas poderíamos utilizar nossos abundantes rios brasileiros com o transportes de cargas não perecíveis (como adubos, madeira, minerais e grãos – cargas pesadas, em geral). A hidrovia é muito menos poluente e mais barata. Só nos falta infra-estrutura elevatória para alguns pontos específicos, estudo de pontos que não permitem certa calagem e portos urbanos. Além do transporte de cargas, transportes turíticos (desde que com tratamento das águas - que já tarda e falha) e transportes públicos poderiam ser trabalhados para que algo ali seja interessante, revitalizando nossos rios, totalmente esquecidos e subestimados.
Ferrovia: Sabemos que a Europa é exemplo. O rodoviarismo é uma metodologia do americano e que já se provou bastante prejudicial há tempos. O ferroviarismo é muito mais em conta e mais saudável. Nosso problema é a visão que temos de ferrovia e as diversas atrocidades que já fizemos ao longo dos anos, adotando a cada momento uma bitola diferente, impedindo unificações de linhas, que hoje são desconexas. Muitas melhorias do que temos, dos trajetos, são necessárias e complicadas, sem contar na obrigação de manutenção de vagões e estações .
Deficientes: A construção civil tem normas de acessibilidade (NBR 9050, da ABNT) a serem seguidas, mas muitas vezes não as obras não respeitam ou não executam o projeto devidamente, até mesmo por falta de interesse do cliente. Além da acessibilidade aos diversos equipamentos urbanos, o transporte público deve pensar naqueles que tem alguma restrição ou dificuldade física, incluindo aí, idosos, grávidas, cadeirantes, deficientes visuais, entre outros. É necessária a escolha de pisos públicos que antiderrapantes, que não se deformem com o tempo, ou com obras de servidores de abastecimento de água, luz, gás, telefonia, entre outras, uma boa sinalização, o respeito ,PRINCIPALMENTE, de funcionários públicos que parecem ter direito de avançar e estacionar em calçadas com seus carros, rampas de acesso em todas as esquinas, ausência de degraus, fiscalização eficiente para o cumprimento dos projetos e CONSCIENTIZAÇÃO. Além disso, visando os eventos, claro, devem ser feitas todas as definições de acessibilidade para os estádios.
Aeroviário: Deficiente no país, mas parece bem encaminhado em relação à Copa. O setor tem recebido grandes investimentos. A maioria para ampliação de terminais. A melhor distribuição dos vôos poderiam contribuir para aumento turístico – já que alguns trajetos são um tanto estúpidos para estrangeiros visitarem algumas regiões do Brasil. Não podemos esquecer que cidades como São Paulo tem um dos maiores tráfegos de helicópteros, mesmo que visando a classe mais abastada, o desenvolvimento do setor favorece os negócios do Brasil com outros país e deve ser considerada sim.
Acessibilidade à informação… porque não? Muitos países tem facilidades aos cidadãos permitindo que todo e qualquer habitante ou visitante acesse via rede pública, a internet, facilitando a acessibilidade à informação.
Bom, voltando à acessibilidade voltada à mobilidade urbana, retomo tudo o que foi dito. Nada é resolvido, se todos esses sistemas acima não forem integrados. Integração esta, feita de diversas formas: espacial (estações intermodais), por meio de bilhetes únicos e pelas informações claras que demonstrem a diversidade de opções.
Podemos ser únicos! Nem que fosse em uma única cidade-sede, servindo de exemplo para as outras sedes e outros países, abrindo portas para o Brasil e respeito.
*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.
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