Sempre vemos problemas de iluminação em estádios. Não pode ocorrer uma parte pouco iluminada no campo, há uma quantidade de lux (medida) estipulada pela FIFA para a prática do esporte e há preocupações que devem ser consideradas na hora de projetar um estádio para que não haja problemas como o que vimos na África do Sul onde parte do Ellis Park, em Johannesburg, não acendia (resultando em acessos livres nas catracas, parte dos camarotes sem luz por um tempo e um dos telões desligados – foto abaixo).

Acima, Brasil x Korea DPR, no Ellis Park, onde falha fez com que um dos telões ficasse desligado durante toda a partida. Foto por Lilian de Oliveira
Foi atrás de algumas informações mais técnicas, sobre sustentabilidade, inovações e outras questões, que entrei em contato com a Philips para saber das tecnologias e do que é mais adequado para os estádios. Quem me respondeu foi Welinfton Tardivo, Engenheiro Eletricista, do departamento de Vendas com projetos de embelezamento urbano e áreas esportivas.
– Considerando a eficiência e a sustentabilidade, qual é o tipo mais adequado de lâmpadas para a iluminação do campo nos estádios?
RESPOSTA: as lâmpadas de vapor metálico ainda são as mais eficientes para iluminação esportiva. A PHILIPS desenvolveu para áreas esportivas o projetor Arena Vision que possui lâmpada vapor metálico com alto índice de reprodução de cores (acima de 90) e temperatura de cor luz do dia (5600 K), perfeito sistema para eventos televisionados. Além disso, esta tecnologia é a mais eficiente comparada com os demais equipamentos do mercado de iluminação de estádios e, se bem alinhada com o projeto luminotécnico, pode diminuir em grande número a quantidade de projetores a serem utilizados em um campo. Desta maneira, podemos ter menos potência instalada, consumo de energia, quantidade de cabos, disjuntores, transformadores, peso na estrutura metálica, contribuindo assim, diretamente com a sustentabilidade e eficiência energética de uma arena multiuso.
- Há algum tipo de tecnologia nova que podemos esperar encontrar ou que podemos ter barateada, no Brasil, através do uso em estádios?
RESPOSTA: Para 2014 poderemos ter um conceito chamado de PHILIPS Arena Experience. Esta é uma solução completa já integrada em iluminação esportiva, arquitetural, de efeito, de interiores, com telões de LEDs, telas digitais, TVs e displays, além da publicação de conteúdo e integração de mídia. Este conceito tem a finalidade de maximizar as fontes de renda do estádio/clube de futebol, assegurar renda de transmissão de imagem, flexibilizar o uso das dependências do estádio todos os dias do ano, aumentar o retorno dos patrocinadores através do acréscimo de produtos e serviços e gerar aos torcedores e público experiências inesquecíveis todas as vezes que estes retornam a este estádio.
- Alguns estádios tem sua iluminação externa feita com LEDs, tanto na fachada em si, como a iluminação geral de qualquer monumento. No Brasil, os LEDs ainda tem custo elevado. Há a possibilidade de ter uma queda no preço até a Copa, diminuindo assim o impacto ambiental causado por toda a iluminação?
RESPOSTA: com o aumento da demanda, o custo dos LEDs tem diminuído bastante. Só não podemos confundir qualidade e custo.
- No Brasil é feita a produção de LEDs ou toda a tecnologia é importada? Caso seja importada, há alguma previsão ou intenção de se fabricar no país? Quando?
RESPOSTA (adaptada): Adquirimos os chamados Lumileds e fabricamos as luminárias com estas fontes de luz. No Brasil, fabrica-se algumas luminárias com LEDs para interiores e para iluminação pública.
- Para iluminação interna do estádio (áreas de circulação, áreas de serviços como administração, diretoria, marketing, sanitários, etc.), qual o tipo de lâmpada mais adequado?
RESPOSTA: para esta aplicação já possuímos equipamentos em LEDs que são mais eficientes que fontes de luz fluorescentes e incandescentes que ainda são bastante utilizadas.
- Qual a tecnologia mais avançada em termos de sustentabilidade que temos hoje por todo o mundo? Há alguma possibilidade de trazer essa tecnologia para o Brasil para ser utilizada nos estádios da Copa?
RESPOSTA: o ideal é utilizarmos tecnologias mais eficientes com controle de acesso, luminosidade, integrada com outras soluções também eficientes afim de reduzir o consumo de energia e aumentar a vida útil de todo o sistema. Estas questões de sustentabilidade e eficiência energética são recomendações da FIFA para a Copa de 2014.
- Podemos ver algo novo em iluminação pública ou em estádios para a Copa 2014 ou Olimpíadas 2016? Alguma tecnologia em telões de alta definição que pode ser desenvolvida até estas datas?
RESPOSTA: Com certeza será possível termos tecnologias em LEDs para iluminação pública, ao redor dos estádios, nas áreas internas para a Copa 2014 e Rio 2016. Este tipo de tecnologia não é mais o futuro e sim o presente!!! Em relação aos painéis, a PHILIPS já é fabricante há mais de 20 anos e sem dúvida estará presente nestes eventos esportivos.
Há várias opções de posicionamento, tipos de luminárias a serem escolhidas conforme a arquitetura. A Copa 2010 foi exemplo disso. Podemos ver nas fotos abaixo as diferenças. Em Durban e Cape Town, devido à diferença arquitetônica da cobertura, o posicionamento é diferenciado. No entanto, linear, ao longo de toda a extensão. Já no Soccer City e no Ellis Park, em Johannesburg, foram dispostas em pontos estratégicos. No Soccer city nas ‘curvas’ e centro e, no Ellis Park, no centro.

Acima à esquerda: Moses Mabhida Stadium (Durban), foto por Antonio Beltrán. À direita, Greenpoint Stadium, (Cape Town), foto por Marcella Arcuri

Acima, fotos do Soccer City (Johannesburg), por Natália Chacon

Acima, foto do Ellis Park (Johannesburg)
Ainda sobre a iluminação externa do estádio (fachadas), públic, de emergência a e ainda de fluxos (direcional para acesso do público) são questões que salientarei num futuro post.
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