Sempre menciono o quanto concursos públicos de arquitetura proporcionam grandes projetos à sociedade. Além de grandes soluções arquitetônicas e novas idéias, um concurso público democratiza o acesso a essas obras, sem direcionismo (contrário ao que foi feito com a Copa do Mundo 2014).
Fora do Brasil é muito comum ter concursos deste tipo para grandes projetos como estádios, projetos urbanísticos e, principalmente, obras públicas. Nada mais justo, afinal, se a verba é pública, que o projeto dê a liberdade de qualquer profissional apresentar sua proposta. Assim, a melhor opção é escolhida.
O estádio em questão, é fruto de um concurso internacional para um estádio em Marrocos e o projeto vencedor é da Scau com a ArchiDesign, com um desenvolvimento arquitetônico que traz soluções climáticas através de um jardim interno e da estrutura do revestimento/cobertura do estádio.
Com uma capacidade de 80.000, não muito recomendável atualmente pela viabilidade financeira, foi usada a cobertura como a chave para a definições do projeto e redução no custos com a manutenção do estádio.
A cobertura é, pela minha percepção, inspirada na arquitetura islâmica, particularmente no ‘muxarabi’, elemento muito utilizado nessa arquitetura. O leque, que circunda todo o estádio, tem suas lâminas trabalhas de forma a filtrar a iluminação natural. Essa estratégia possibilita reduções de custo com iluminação e ventilação artificial. A forma como cada uma dessas lâminas é posicionada, deixando esses espaços abertos entre uma e outra, demarca acessos no pavimento térreo e ainda permite uma ventilação natural e eficiente.
A iluminação proporcionada por essa técnica é suficiente para a criação de um jardim interno, que também ajuda a criar um ambiente menos árido, mais agradável, como um oásis. O paisagismo, no caso, também é uma forma de definir e, principalmente, destacar os acessos, facilitando a segurança também em casos de emergência.
Outro problema comum que a cobertura resolve ou, ao menos, suaviza, é a iluminação do gramado. Geralmente, quando a cobertura quando projetada cobre toda a arquibancada (veja o corte abaixo) , o gramado acaba sofrendo por ter uma iluminação defasada em algumas partes do campo.
Neste caso, da mesma forma a luz natural é filtrada e permite que o gramado receba uma certa quantidade de luz – suavizando também a intensidade da sombra no campo, que ainda pode prejudicar um pouco na transmissão televisiva das partidas.
A previsão de conclusão é para 2013, mostrando que mais uma vez, o Brasil perde oportunidades de inovar, mostrar trabalho em sustentabilidade, principalmente se essa é (ou ao menos era) a grande intenção de colocar o país como líder no setor, ditando regras, tendências e tecnologia nessa área. Vamos torcer para que alguma infra-estrutura urbana agora, que venha através da Copa, seja feita através de concursos públicos de arquitetura. Só temos bons exemplos que vieram dessa forma.
Falam as más línguas que o Brasil já está abandonando a idéia de ser uma Copa Verde. Espero que estejam realmente falando da boca pra fora. Felizmente, alguns estádios tem propostas boas para evitar pegadas agora que construiremos e reformaremos nossos estádios.
É a partir desse tema da “sustentabilidade” que escrevo este post. Mesmo com a Copa do Mundo já finalizada, muitos assuntos ainda ficaram por ser descritos aqui, mas tudo foi registrado e continuarei mostrando o que pude analisar pela África do Sul.
A tal “sustentabilidade” engloba uma série de setores e de estágios no desenvolvimento de uma Copa do Mundo e das cidades-sede. Desde a construção do estádio até à organização do evento, à elaboração de material de divulgação e às partidas em si, podem ser desenvolvidas atitudes menos poluidoras.
No caso da África do Sul, pouca coisa nesse sentido foi feita. Tanto nos estádios como fora deles há um desperdício enorme de embalagens. Poderiam ser escolhidos materiais mais sustentáveis ou o uso de copos temáticos retornáveis, funcionanco com refil (dentro dos estádios) e deixando aos torcedores um souvenir. No entanto, eram muitas garrafas plásticas de cerveja. Latinhas de refrigerante são super pesadas aqui – sempre parece que ainda tem refrigerante dentro. Embalagens de lanche são enormes, caberiam o dobro de alimento dentro. Enfim, um desperdício atrás do outro, que, além de tudo, não acrescenta nada ao evento.
Na Fan Fest de Durban, copos temáticos eram distribuídos com chopp. No entanto, não era refil e muitos eram jogados fora. Isso, considerando todo o país e a quantidade consumida, gera uma quantidade de lixo absurda, que poderia ser bem diminuída com a estratégia de refis.
Nas cidades, apesar de serem limpas, não há lixeiras, muito menos onde possam separar o lixo. Perguntei em vários locais e realmente eles nunca reciclaram lixo aqui na África do Sul. Nos estádios haviam lixeiras de reciclagem, mas meio escondidas. Eram poucas e insuficientes considerando a quantidade de lixo gerada em cada partida. Elas estavam somente na área externa do estádio. Todo o lixo interno era jogado em sacolas plásticas e não em lixeiras que não necessitassem de sacolas. Em alguns momentos, vi funcionários espalhando todo o lixo nas imediações do estádio para separar alguns itens – trabalho este que poderia ser evitado.
O transporte em Johannesburgo é totalmente poluente. Carros bons mas alguns mal conservados. Porém, o grande problema é não ter um transporte público adequado. Nem mesmo depois da Copa a África do Sul ganhou algo decente. Continua tudo muito defasado e o transporte é baseado em carros (particulares ou taxis) e vans. O único trem que tem é fraco, liga poucos lugares e não ajudará tanto no transporte da cidade.
A política da FIFA (o Green Goal) não deixou de ser cumprida pela existência dos únicos critérios que foram elaborados no manual de exigências, mas fica aí uma dica para o Brasil. Vamos incrementar esse manual da FIFA e definir novos padrões! Será muito bem visto pelo mundo. Referências como a Copa de 2006, na Alemanha, ou as Olimpíadas de Sidney podem colaborar de certa forma, mas muito além do que já foi feito, podemos alimentar esse “mercado” com a criatividade brasileira, principalmente pelos designers – essa é a chance de tentar conseguir um espaço na Copa do Mundo. Criem, apresentem às cidades-sedes (organizadores locais) e tentem garantir o espaço que não foi dado para a criação do logotipo.
Foto por Gabriela Jardim
Felizmente, uma coisa positiva que vi aqui é que quando se faz compra, a caixa, antes de qualquer coisa, pergunta se quer sacolas plásticas. Dizendo que sim, é cobrada uma taxa a mais. Isso poderia ser incorporado pelo Brasil, ajudando a pegar a idéia das sacolas retornáveis.
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*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.
Sempre foi questionado como um mega evento esportivo como a Copa do mundo ou Jogos Olímpicos podem colaborar em diversas áreas como saúde, educação, cidadania, segurança, etc. Esse post é dedicado à segurança. Acredito que tudo está interligado, mas o caso de Londres, sede das Olimpíadas de 2012, mostra como a simples construção de um estádio pode colaborar com a segurança.
O estádio Olímpico de Londres, projeto do escritório Populous (que também projeta estádios e masterplan dos Jogos Olímpicos de Inverno 2014, em Sochi, Rússia), será um dos maiores do mundo e tem uma preocupação com a sustentabilidade. Além disso, um dos posicionamentos adotados em relação à escolha dos materiais pode colaborar com a segurança. Tudo isso é fruto da idéia de reciclar armas de fogo e facas apreendidas pela polícia britânica, fundindo-as para dar origem a ferro, aço, etc, para a construção do novo equipamento.
Ainda em relação à segurança, para o caso do Brasil, se idéias e atitudes como estas forem adotadas, a junção ao plano de utilizar presidiários (5% dos empregados) na construção de nossos estádios, reduzindo custos em troca de reduções penais na proporção de 3 dias de trabalho: menos 1 dia de pena, juntamos vários pontos que se integram colaborando para segurança e inclusão social. Leia Mais.
1. Mudanças climáticas: minimizar as emissões de gases e facilitar medidas que colaborem com este item.
2.Desperdício: minimizar desperdícios e gastos em cada etapa do projeto, garantindo que nenhum dejeto seja enviado para aterros durante os jogos e incentivar o desenvolvimento de novos equipamentos para processar os resíduos no leste de Londres.
3. Biodiversidade: minimizar os impactos dos jogos nas proximidades de onde os jogos acontecem, mantendo o habitat natural intacto, deixando como legado um Parque Olímpico.
4. Inclusão: Promoção do acesso de todos para celebrar a diversidade de Londres e do Reino Unido, criando empregos, treinamentos e oportunidades de negócios.
5. Qualidade de Vida: Inspirar as pessoas pelo país a praticar esportes e desenvolver uma vida ativa, saudável e estilos de vida sustentáveis.
Hoje me peguei pensando no tanto de coisas que aconteceram durante este ano. Foram muitas polêmicas, muitas boas intenções, resultados nem tão bons, algumas boas iniciativas. Enfim, com seus altos e baixos. Resolvi fazer esse post para fechar o ano com um breve resumo da evolução da Copa 2014 em 2009.
Para mim, o ano foi muito proveitoso, pois foi em Maio que criei meu blog “Gol da Arquitetura“, e, graças a ele, aprendi muito com os comentários, com os contatos que fiz e com as metas que estabeleci que me colocava em constante pesquisa e estudo. Foi através dele, que consegui esse espaço no Portal da Copa, como blogueira, me deixando bastante satisfeita, pois obtive mais visibilidade dos meus textos, aumentando ainda mais as discussões saudáveis em torno das questões que estudo.
É por conta do anúncio de quais seriam as cidades-sede, nas proximidades de Maio, que vejo o começo dos maiores acontecimentos do ano.
Maio:Cidades candidatas discutem, rivalizam (algumas saudavelmente, outras nem tanto) para provar ou apenas convencer do quanto seus projetos são bons. Acontece a vulgarização/banalização da palavra “LEGADO” que aparece em todos os discursos, embora ninguém saiba detalhes do que seria realmente isso. Palavra esta que vai permanecer em alta até o fim do ano. A FIFA anuncia as cidades escolhidas. As cidades que ficaram de fora, buscam novas alternativas de investimentos, algumas das escolhidas dentro só pensam em provocar. Há poucos detalhes dos projetos arquitetônicos dos estádios, mas um ou outro já se destaca por conta da apresentação (Porto Alegre e Manaus). Começa o questionamento de alguns estádios como o de “Recife” e o Morumbi (opiniões que continuam polêmicas até o fim do ano).
Junho:O mês do Elefante Branco. Pipocam textos em todos os jornais, revistas (impressos ou virtuais), blogs de célebres críticos ou meros cidadãos “indigentes” sobre a possibilidade de termos elefantes brancos em todo nosso país. Poucos são aqueles que buscam uma resposta para os problemas e a comparação com a África do Sul e com os equipamentos das olimpíadas de Atenas é inevitável. Mais imagens dos projetos das 12 cidades começam a ser publicadas. Cidade de Cuiabá virá polêmica por mudar drasticamente o projeto do estádio após anúncio da FIFA.
Julho: Grandesproblemas como Saneamento básico, transportes (acessibilidade e condições de aeroportos) são intensamente questionados. Assim como a segurança nos estádios. Questionada e criticada a possibilidade do estádio de Cuiabá não ter licitação. Termo “Copa verde” começa a se firmar no país.
Agosto:A sustentabilidade começa a ser a principal de todas as boas intenções e chega ao seu ápice. A partir daí, começam a surgir novos textos, novos estudos, a viabilização da certificação LEED. Morumbi busca a garantia da vaga de estádio representante de São Paulo mostrando novas opções de cobertura e fecha o mês com a decisão da cobertura feita pelo grande escritório alemão GMP architekten. Começam a ser contestados os investimentos públicos em estádios privados. É lançado o PAC da Copa. Ajustes são feitos nos projetos (naturalmente) e BNDES começa a mencionar os altos custos das obras.
Setembro:A mídia especula a eliminação de algumas cidades-sedes. “Manual de Estádios” é lançado e serve como complemento técnico para áreas ainda sem muita regulamentação, colaborando com melhores resultados. João Pessoa, Natal e Recife começam a se integrar, mostrando como as rotas podem beneficiar mais do que somente as cidades-sede.
Outubro:Rio de Janeiro é escolhida a cidade dos Jogos Olímpicos de 2016, o que faz com que todo o olhar deva ser reestruturado, visando um benefício maior ainda ao esporte, a categoria de base e a uma nova forma de se estudar os investimentos para o Rio de Janeiro e estados vizinhos que também colaborarão com o evento (como São Paulo e Bahia). São Paulo novamente é criticada por seu transporte caótico e lamentável, questionando uma possível abertura da Copa. Algumas cidades já começam a capacitar profissionais para facilitar hospitalidade e prestação de serviços (ex: Manaus e cidades de Goiás). Saem novas especificações para arenas, elaboradas pela FIFA.
Novembro:Mês do Apagão – Incidente mostra como o país está vulnerável. Com a idéia de PAC da Copa, todas as cidades tentaram colocar inúmeros projetos como investimentos necessários à realização da Copa, embora isso não seja verdade. Bienal de Arquitetura realiza workshop que pretende estudar e orientar o posicionamento das cidades-sede perante os investimentos urbanísticos. Nesse evento acontece um ciclo de palestras sobre as arenas da Copa e onde está exposta uma maquete inédita da nova cobertura para o Morumbi. Mais cidades começam projetos de capacitação de cidadãos, como Fortaleza e Curitiba.
Dezembro:Mês das cheias em SP mostra como a urbanização da cidade e a intensa impermeabilização da metrópole é um grande problema a ser resolvido. Mesmo assim, a cidade continua com seu plano de novas faixas nas Marginal. O ano termina com algumas licitações ainda em aberto, outras já sendo finalizadas. Morumbi continua como dúvida, Cuiabá ainda é questionada. Verbas começam a extrapolar e alguns investimentos começam a ser negados, levando as cidades a buscar novas soluções.
Outros fatos que não posso deixar de mencionar é o incrível crescimento que tenho visto de estudos (de universitários e profissionais) que começam a se dedicar a áreas específicas ligadas ao futebol, ao urbanismo e à arquitetura esportiva. Novos incentivos aos esporte, tecnologias mais saudáveis e ciclovias parecem ganhar espaço, prometendo melhorias para os avanços em 2010. O crescimento de eventos, palestras e fórums sobre a Copa é grande e colabora com o avanço natural das idéias.
Termino esse resumo dos fatos, pedindo desculpas por algum fato importante que eu tenha esquecido e agradecendo a todos que colaboraram, comentaram, criticaram ou simplesmente leram. Obrigada e que 2010 traga avanços saudáveis ao Brasil.
*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.
Já faz tempo que os ciclistas pedem ciclovias e que muitos estudiosos vêem benefícios na construção das mesmas e no incentivo ao uso das magrelas. Como temos uma “Copa Verde” e a obrigação de uma sociedade com hábitos saudáveis, para passarmos a imagem desejada durante o evento, nada mais justo que começar a trabalhar esse meio de transporte barato, prazeroso e que propicia múltiplos benefícios aos adeptos e à sociedade como um todo.
Nesse post, me proponho a citar as cidades que sediarão a Copa do Mundo FIFA 2014, no Brasil, que já mencionaram planejamento para a construção desses equipamentos urbanos. Além disso, menciono algumas tecnologias que envolvem as bicicletas, referências internacionais e os benefícios e possíveis dificuldades no desenvolvimento desta idéia.
Dentre as candidatas, Cuiabá embora tenha seu foco no sistema rodoviário, propõe a construção de algumas ciclovias paralelamente às avenidas trabalhadas para a Copa. Já Porto Alegre, promete construir alguns trechos ainda este ano e Curitiba, sempre a frente no quesito “bom transporte”, pretende terminar ainda esse ano um estudo da malha cicloviária que pretende ser metropolitana, além de um plano diretor que também traz novas medidas e diretrizes para a utilização das bicicletas como meio de transporte diário dos curitibanos. Leia mais sobre os planos de Curitiba. Além desse planejamento, somando ao Dia Mundial Sem Carro (ontem, dia 22/09), a cidade elaborou um programa de oficinas de manutenção de bicicletas, marchas, troca de pneus, pedalada defensiva, assim como uma grande campanha de respeito ao pedestre. Nada como uma grande campanha que conscientiza aos poucos a sociedade, não? Grande exemplo de Curitiba às outras cidades.
Belo Horizonte foi uma das primeiras cidades a ter as ciclovias reivindicadas. Felizmente, já temos o Rio de Janeiro como grande exemplo de como o sistema de ciclovias é bom para turismo, saúde, lazer e transporte. Conforme o Riotur, a cidade maravilhosa conta com cerca de 132,50km de ciclovias. Ótimo exemplo para outras cidades litorâneas e planas (geografia que colabora, e muito, para a adoção desse transporte). Mas, pelo contrário do que se pensa, cidades mais montanhosas podem, sim, ter ciclovias. Exemplo disso, é São Paulo, que apesar de só ter uma ciclovia “decente”, tem o governo sendo pressionado para a elaboração de novos trechos. Recentemente, faixas temporárias (ainda que só no fim de semana) foram criadas, o Minhocão (também no fim de semana) vira uma grande ciclovia. Apesar de tudo estar em más condições, nota-se um grande desenvolvimento da intenção em colocar a bicicleta no dia a dia paulistano. Fatores que mostram isso são: permissão de bibicletas nos metrôs e o aluguel das bicicletas nas estações, que contam com ajuda de bicicletários em alguns pontos da cidade. Ainda são poucas unidades e relativamente poucos usuários, mas tem ganhado visibilidade.
A maior desculpa de todas, no caso de São Paulo (e de algumas outras cidades), é a segurança. Isso se deve à péssima idéia de que uma ciclovia é uma ciclofaixa. Estudos nos Estados Unidos já provaram que para uma ciclovia seja segura, ela tem que ter uma barreira contra o carro, um limite, caso contrário, os motoristas invadem o espaço. Medida esta que deve ser implementada no Brasil se quisermos algo que realmente funcione e que possa convencer nossos cidadãos mais preocupados. Outras cidades também podem ter ciclovias, mas até agora nada foi muito estudado.
Junto com as ciclovias em si, vêm outras infra-estruturas: bicicletários, chuveiros e vestiários nas empresas, pontes para bicicletas (em algumas ocasiões são fundamentais), aumento do número de bicicletas gratuitas pela cidade e diminuição do custo de bicicletas para quem quiser comprar a sua. Além disso, trazer novas tecnologias no ramo das bicicletas para o Brasil, seria extremamente interessante para estimular a sociedade.
Temos muitas cidades pelo mundo que podem nos servir de referência. Há muito tempo, a Holanda já tem seu transporte baseado nas bicicletas. Dificilmente vemos uma foto de Amsterdam ou Eindhoven, por exemplo, onde não apareça uma bicicleta encostada ou sendo utilizada. Já a França, tem um dos maiores e mais organizados sistemas de locação pública de bicicletas, que também gera empregos. Esses empregos são os diretamente ligados à manutenção de todos os equipamentos. Recentemente, Hamburgo, na Alemanha, disponibilizou para sua população o mesmo sistema, com bicicletas simples e vermelhas, como forma de fazer um vínculo com a cidade, tornando-as um símbolo. Leia mais aqui.
Bicicletas do StadtRAD, de Hamburgo, Alemanha
Abaixo, vemos a infra-estrutura que o Canadá está elaborando. O projeto é do grande arquiteto Santiago Calatrava, e é estratégia da cidade de Calgary para aproximar a população das escolhas mais saudáveis. A intenção também seria mostrar a outros países a iniciativa, como exemplo a ser seguido. A ponte em questão, chamada Peace Bridge, é específica para pedestres e bicicletas, em pistas separadas, e liga o bairro ao centro da cidade cruzando o rio Bow.
Na América, temos Boston a frente, prevendo o maior sistema de compartilhamento de bicicletas, com mais de 290 estações onde os cidadãos podem apanhá-las e devolvê-las.
Mais especificamente sobre as bicicletas, temos tecnologias e materiais diferentes para bicicletas públicas e para aqueles que querem ter as suas bicicletas personalizadas. Abaixo, menciono algumas curiosidades e novidades no ramo das magrelas:
Bicicletas “Renovo” – resistentes e trabalhadas a mão, em madeira. Elas podem ser feitas em várias madeiras como, por exemplo, cedro e até mesmo em bambu. Originárias de Portland, nos Estados Unidos.
Acima, a bicicleta dobrável! Já vi um modelo que se dobra mais facilmente, essa já é mais complexa. Em todo caso, existem vários modelos, para aquelas pessoas que não tem espaço para guardá-la no trabalho. Mais.
Os benefícios: Além do grande benefício ao meio ambiente, que é óbvio pela ausência de poluentes, temos também a diminuição dos ruídos. Podemos contar também os benefícios à saúde. Uma pesquisa elaborada pela Universidade de Campinas e apresentada por reportagem da Globo, mostra que os jovens são mais sedentários nas cidades grandes.
Muito além desses benefícios óbvios, é o benefício em relação ao contato dos cidadãos com as belezas e problemas da cidade sob um novo ponto de vista. O contato com o novo, com a cultura, o despertar de novos interesses. Acrescenta ao morador, dá uma nova qualidade de vida – diferente daquela de dentro do carro. Aumenta a interação entre as pessoas, aumentando a prática da cidadania.
Desafios:
- Enfrentar os preconceitos e a mentalidade de que o carro é sempre a melhor opção e mais confortável.
- Garantir a qualidade de tudo que for proporcionado e a manutenção de tudo isso é algo a se pensar. De repente, parcerias de grandes empresas na manutenção de trechos de ciclovias, parcerias com empresas que industrializam e comercializam as bicicletas poderiam ajudar no crescimento do uso.
- Campanhas!!!
Encontrei também uma matéria sobre “dicas” para deixar nossas cidades mais sustentáveis. São simples e realmente seriam boas.
Como a maioria das cidades mencionou que quer construir muitos quilometros de ciclovias, cabe a nós, cobrar o cumprimento da palavra dada e a qualidade desses trajetos, para que não sejam meras faixas que não garantem o respeito no trânsito.
*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.
Amanhã, dia 22 de Setembro, é o dia Mundial sem carro.
Baseando-se na minha experiência de vida como moradora de São Paulo e “comemorando” esse quase 1 ano, em que não moro mais na capital, apoio a idéia. Confesso que uma das minhas maiores queixas dos tempos em que morava nesse caos viário que é São Paulo, era a perda de tempo no trânsito. Minha vida se resumia em acordar, ir pro trabalho, ter 1 hora de almoço com comida insossa e cara (pois é o que se tinha perto), trabalho, voltar pra casa e dormir… no máximo, uma academia se sobrasse tempo, humor e pique, depois de horas no trânsito.
Aprendi lá, a andar muito a pé, economizando e ainda fazendo mais um exercício. Se na época já tivessem as bicicletas nos metrôs, imagino que seria uma das adeptas. É só evitar grandes avenidas para evitar um acidente. Conheço muitas pessoas que abandonaram seus carros e ganharam muito em relação à qualidade de vida e saúde, consequentemente, e ainda conheceram muito mais a cidade e tiveram muito mais contato com a cultura e os problemas de São Paulo.
Junto com o dia Mundial sem carro, vem o teste de mobilidade, que coloca várias pessoas em vários meios de transportes diversos para fazer um mesmo percurso e analisa o tempo que cada um obteve. Entram nesse estudo: pedestres, motos, carros, ônibus, trens, cadeirantes, ciclistas e até mesmo uso de mais de um meio de transporte.
O resultado deste ano foi o seguinte:
No site oficial, pode-se ler mais sobre a história do dia Mundial sem carro, do desafio, dicas para melhorar o trânsito das nossas cidades e a programação elaborada. Para quem se interessar, no Youtube, há vários vídeos sobre o desafio, deste e de outros anos. Basta procurar por “Desafio intermodal”
Acho que um dia, pode abrir muito a cabeça da população, pelo menos em parte, abrindo a opção de se conhecer a cidade de outra forma, com novos pontos de vistas. Acho que é uma mentalidade que pode ser mudada e colaboraria muito para a sociedade brasileira. Principalmente nas cidades litorâneas, mas também em outras cidades que sediarão a Copa, essa idéia pode ser bem vida. As litorâneas e Brasília, por exemplo, são belos exemplos de geografias que facilitam a idéia de ciclovias, por exemplo.
Sobre as ciclovias, esse será o assunto do próximo post. Quem está se mobilizando, quais os pontos positivos e negativos (será que existem?), dificuldades, tecnologias, referências. Vale a pena conferir… EM BREVE!
Você adotará o dia mundial sem carro na sua cidade? É uma forma de ver a cidade sob outro olhar, não só pensando no ambiente, mas na sua própria percepção do local, maravilhas e problemas de onde se vive. Eu aconselho! Se eu mesma não tivesse adotado a idéia de “sebo nas canelas”, não sentiria aquela pontinha de saudade de São Paulo pela cultura em massa que ela proporciona ao cidadão a cada dia, a beleza nos detalhes mínimos das construções, das tampas de bueiro, dos grafites, das vestimentas, do cheiros das feiras, yakissobas e raras árvores, de tudo que não se sente, que não se nota, de dentro da bolha que o automóvel é.
*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.
14 de setembro de 2009 por Lilian de Oliveira | Idéias Verdes
Complementando o post sobre o estacionamento solar, coloco aqui o que saiu dia 09-09-09 em matéria no site Planeta Sustentável sobre o carro elétrico brasileiro, no design do Palio Weekend, que será lançado pela Fiat em 2011.
Algumas questões ainda estão em fases de testes e há algumas limitações do carro que também podem restringir o público: preço, velocidade máxima de 100Km/h (restringindo-os às cidades), porta-malas menor pelo tamanho da bateria, entre outros.
Pelo lado positivo temos o custo do km rodado: 5 centavos!!! Além, claro, da ausência de poluentes emitidos pelo veículo.
Palio Weekend elétrico, a ser lançado pela Fiat. Foto retirada do site Planeta Sustentável.
De qualquer forma, com incentivos, futuramente o carro pode ser barateado, viabilizando ainda mais a idéia do estacionamento que postei anteriormente. Acho que é um caminho interessante, que parecemos dar em passos pequenos, mas que com a Copa, podem surgir mais incentivos e acelerar o desenvolvimento destes projetos.
O que eu pensava que seria mais utópico, está se tornando, aos poucos, mais viável ainda, colaborando com a imagem verde que a Copa 2014 quer passar. De repente, a própria Fiat poderia patrocinar um desses estacionamentos, fomentando ainda mais às vendas desse carro elétrico que já é comum em vários países.
Além do carro elétrico, a Fiat também desenvolve um caminhão elétrico – para um país onde todo o transporte de cargas é feito via rodovias (ignorando a existência dos rios e a potencialidade que uma malha ferroviária teria), essa idéia, se bem aplicada, seria um boom positivo para a diminuição da poluição, embora não seria para a diminuição do tráfego intenso de nossas capitais.
Veja a matérica completa no site Planeta Sustentável, inclusive mostrando as diferenças entre os carros elétricos e à combustão e modelos internacionais.
*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.
5 de setembro de 2009 por Lilian de Oliveira | Idéias Verdes
Novamente bato na mesma questão da imagem que queremos passar através da Copa do Mundo FIFA 2014.
A Copa de 2006 serviu para os alemães mostrarem a amistosidade de seu povo, acabar com a imagem sisuda que eles tinham, ou, pelo menos, suavizá-la. Muitos dos que foram para a Alemanha durante o evento, presenciaram um povo que gosta muito de festa e que sabe se divertir. Com isso, a Alemanha conseguiu abrir muitas portas, inclusive no ramo dos negócios.
O Brasil, por sua vez, pretende passar a imagem de um país voltado a sustentabilidade, com um povo consciente e aí se firmar como uma referência nesse âmbito voltado ao combustível mais saudável, agronegócio, entre outros. Para tanto, precisamos mostrar atitudes mais verdes efetivamente inseridos no nosso cotidiano (tanto das pessoas, quanto das empresas). Existem muitas coisas que devemos mudar como, por exemplo, conscientizar a população de não poluir de forma alguma (principalmente jogar lixo na rua… algo que não exige esforço algum e que já deveríamos ter o hábito desde pequenos), conscientizar para que nossos homens (principalmente homens) não saiam urinando pelas ruas, disponibilizando banheiros públicos, usar tecnologias mais conscientes e, o que venho tratar nesse post, iniciar um processo de despoluição realmente eficaz e mais intenso de nossos rios.
Nossos rios são muito esquecidos e eles podem ser o potencial da cidade. Podemos ver isso em inúmeras cidades, onde o rio realmente faz parte da paisagem urbana… Paris, Veneza, Amsterdam, entre outras. Na maior parte das cidades européias, e em algumas na China, por exemplo, o rio tem grande importância e é tratado devidamente, passando ou tendo passado por um grande trabalho de despoluição.
Os rios brasileiros são praticamente mortos e, aos poucos, estão recebendo atenção, mas acho que esse momento é ótimo para desengavetar projetos (pois temos aos montes) e ainda criar novas propostas, com novidades! Inclusive em 2006, o MIT (Massachusetts Institue of Technology, Boston, EUA), referência em excelentes projetos, esteve no Brasil (mais especificamente em São Paulo) fazendo propostas para aos pontos caóticos da cidade. Esse trabalho foi desenvolvido junto a alunos da USP e do MACKENZIE… inclusive eu era uma dessas alunas.
Fizemos propostas bastante interessantes, diversificadas, e o rio, em quase todas as propostas foi destaque, devolvendo a eles, áreas onde poderiam inundar. Alguns acharam pontos na capital onde poderiam ser feitas grandes estações de tratamento de esgoto, também.
Enfim, isso me despertou uma nova visão do rio, e andei pesquisando, vendo o trabalho do arquiteto Alexandre Delijaicov. Quem se interessar, pesquisem pelas teses dele sobre o assunto. Seria muito interessante ter no país uma nova visão do rio, onde ele fizesse parte da vida dos brasileiros dando a liberdade do brasileiro vivenciar o rio. Poderíamos ter até portos e parques fluviais urbanos, onde poderíamos ter passeios de barco, exposições itinerantes, infra-estrutura móvel, e até mesmo o desafogamento de nossas movimentadas e poluentes rodovias. Além disso, a orla poderia ser um grande espaço de convivência, interação e facilidade aos pedestres, ciclistas e mais ainda… aos cidadãos.
Dentre as opções que vejo até agora, somente o Beira-Rio (pela sua localização) mostra algum desenvolvimento nesse setor. No caso, seria o tratamento da orla, que ganharia equipamentos e maior visibilidade, mas acho que todas as cidades, independente de estar ou não próximo de rios, deveriam trabalhar cuidadosamente esse assunto e dar andamento o mais breve possível. Seria bom para o brasileiro, para nossa cultura, e ainda daria uma boa visibilidade ao país.
Um grande exemplo a ser seguido é o Tâmisa, que passou por um longo processo de despoluição. Neste caso, levou cerca de 150 anos, mas hoje em dia é referência. Por mais que não tenhamos nossos rios despoluidos até a Copa, é fundamental ter essa preocupação. Poderíamos contar com ongs voltadas ao controle dos rios, como, por exemplo a Rede das Águas, que monitora a qualidade das águas.
Em Novembro, o IAB, estará realizando um workshop, durante a 8º Bienal de Arquitetura, onde um grupo dividido por cidade-sede, fará propostas urbanas para serem executadas ou não pelas cidades. Espero que algumas delas apresentem algo relativo aos rios também e espero mais ainda que as propostas sejam aceitas e botadas em prática.
3 de setembro de 2009 por Lilian de Oliveira | Idéias Verdes
Os maiores problemas das cidades são gerados pelos automóveis: barulho, poluição, barreiras visuais (pontes e viadutos), barreiras físicas (para pedestres, principalmente), congestionamento, grandes áreas impermeáveis geradas pelos estacionamentos espalhados por todas as partes. Além disso, o rodoviarismo, pelo asfalto, é um dos maiores contribuintes para as ilhas de calor que as cidades, principalmente as grandes metropoles, apresentam. Tudo isso se agrava com a falta de áreas verdes e ruas arborizadas, como a maioria das cidades brasileiras, aquém da quantidade de m² por habitante idealizada pela OMS.
É nesse momento que entra em questão o projeto conceitual de Neville Mars: a floresta solar. Essa floresta é constituída por estruturas em forma de árvores cuja copa é formada por painéis solares. Desta forma, essa mesma copa produz sombra para os automóveis e ainda recarregam os carros elétricos.
Claro que não podemos considerar isso imediatamente para o Brasil. Não temos carros solares como alguns países tem. Mas será que não está na hora de tentar baratear e produzir esses carros aqui no Brasil. Seria bastante interessante e daria bastante visibilidade esse tipo de investimento. A FIFA exige (com razão) uma certa quantia de vagas para atender aos estádios. Estamos projetando desertos áridos no meio de nossas cidades. Porque não olhar de forma diferente e produzir algo neste estilo? O projeto que mais se assemelha a essa idéia mais sustentável é o estacionamento ao lado do maracanã, junto a um terminal com sistemas de transportes integrados. No entanto, ninguém fala dele, parece até que não vai sair do papel.
Voltando ao estacionamento conceitual: Os painéis solares se comportam como um girassol. Isso mesmo! É super inteligente o projeto, eles seguem a orientação do sol, obtendo os melhores resultados possíveis. De quebra, ainda tem uma estética simpática, tornando o espaço do estacionamento muito mais dinâmico e agradável.
Poderia até não estar presente em todas as cidade-sedes, mas poderia, ao menos, estar presente em uma dela… podendo ser Curitiba, que já é representante de inovações no transporte, ou iniciando nas cidades de porte menor, por ser mais fácil implementar o uso do carro elétrico inicialmente, talvez Natal, pela proximidade com a Europa, pode ser mais barato importar a tecnologia. Enfim, algo poderia ser feito considerando esse projeto de Neville Mars.
Algo que poderia complementar esse conceito é o piso. Esses estacionamentos poderiam ter pisos trabalhados e com permeabilidade de água de chuva, assim também colabora com outros problemas que já foram mencionados acima.
E claro, um bom paisagismo, poderia complementar esse projeto com algo natural.