Posts da categoria ‘Estádios’

Exatamente um ano antes da abertura dos jogos Olímpicos em Londres, a organização faz a comemoração entitulada #1yeartogo.

A partir de agora, passam a ser contados os dias e não anos para a cerimônia que dá início ao próximo evento. Por este motivo, uma série de comemorações foram oficializadas.

O projeto do parque aquático foi concluído em tempo e sem aumento de custos, e é motivo de orgulho de todos (Leia mais). Além disso, recentemente (8 de  junho) foi lançado o design da tocha olímpica para 2012.

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E para os que gostam de estádios, arquitetura e eventos olímpicos, foi aberta uma promoção que dará uma visita guiada ao parque olímpico. Para participar, basta acertar a resposta da pergunta: Onde será realizada a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de 2012 – London? Dentre os que acertarem o estádio correto,  será feito o sorteio. (Leia as regras aqui)

E tem mais novidade! Hoje, às 19:30 (londres) será anunciado o design das medalhas.

Para ter sempre as novidades e melhores oportunidades sobre os jogos, assine as newsletter no site oficial.

*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.

Sempre menciono o quanto concursos públicos de arquitetura proporcionam grandes projetos à sociedade. Além de grandes soluções arquitetônicas e novas idéias, um concurso público democratiza o acesso a essas obras, sem direcionismo (contrário ao que foi feito com a Copa do Mundo 2014).

Fora do Brasil é muito comum ter concursos deste tipo para grandes projetos como estádios, projetos urbanísticos e, principalmente, obras públicas. Nada mais justo, afinal, se a verba é pública, que o projeto dê a liberdade de qualquer profissional apresentar sua proposta. Assim, a melhor opção é escolhida.

O estádio em questão, é fruto de um concurso internacional  para um estádio em Marrocos e o projeto vencedor é da Scau com a ArchiDesign, com um desenvolvimento arquitetônico que traz soluções climáticas através de um jardim interno e da estrutura do revestimento/cobertura do estádio.

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Com uma capacidade de 80.000, não muito recomendável atualmente pela viabilidade financeira, foi usada a cobertura como a chave para a definições do projeto e redução no custos com a manutenção do estádio.

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A cobertura é, pela minha percepção, inspirada na arquitetura islâmica, particularmente no ‘muxarabi’, elemento muito utilizado nessa arquitetura. O leque, que circunda todo o estádio, tem suas lâminas trabalhas de forma a filtrar a iluminação natural. Essa estratégia possibilita reduções de custo com iluminação e ventilação artificial. A forma como cada uma dessas lâminas é posicionada, deixando esses espaços abertos entre uma e outra, demarca acessos no pavimento térreo e ainda permite uma ventilação natural e eficiente.

A iluminação proporcionada por essa técnica é suficiente para a criação de um jardim interno, que também ajuda a criar um ambiente menos árido, mais agradável, como um oásis. O paisagismo, no caso, também é uma forma de definir e, principalmente, destacar os acessos, facilitando a segurança também em casos de emergência.

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Outro problema comum que a cobertura resolve ou, ao menos, suaviza, é a iluminação do gramado. Geralmente, quando a cobertura quando projetada cobre toda a arquibancada (veja o corte abaixo)  , o gramado acaba sofrendo por ter uma iluminação defasada em algumas partes do campo.

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Neste caso, da mesma forma a luz natural é filtrada e permite que o gramado receba uma certa quantidade de luz – suavizando também a intensidade da sombra no campo, que ainda pode prejudicar um pouco na transmissão televisiva das partidas.

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A previsão de conclusão é para 2013, mostrando que mais uma vez, o Brasil perde oportunidades de inovar, mostrar trabalho em sustentabilidade, principalmente se essa é (ou ao menos era) a grande intenção de colocar o país como líder no setor, ditando regras, tendências e tecnologia nessa área. Vamos torcer para que alguma infra-estrutura urbana agora, que venha através da Copa, seja feita através de concursos públicos de arquitetura. Só temos bons exemplos que vieram dessa forma.

Fonte de dados e imagens:

Inhabitat

Design Boom

Eco Friend

*Leia Mais sobre o Muxarabi em artigo que escrevi para a Al Nur, gazeta árabe brasileira

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Há certo tempo, postei no meu blog Gol da Arquitetura um texto sobre o estádio do Chivas Guadalajara.  Clique aqui para ler.

estadio chivas retouchedDurante a Copa do Mundo 2010, conheci um mexicano de Guadalajara, Antonio Beltrán Rodríguez e, em uma conversa, soube mais sobre o estádio e obtive umas fotos, por ele tiradas durante a construção, e que publico aqui.

O chamado ‘volcano’ stadium, agora, pelo naming rights, é chamado de Omnilife Stadium e teve como partida inaugural um amistoso entre os donos da casa e o Manchester United. O próximo jogo foi nesta quarta, para a partida de ida da final da Libertadores, entre Chivas e Inter, onde o segundo venceu por 2×1.

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Um dos maiores questionamentos, hoje, é o gramado sintético – que na foto acima ainda não tinha sido colocado. A falta de estudos sobre o assunto é algo geralmente levantado. E é por isso que o próximo texto será sobre o gramado artificial. Acima, a esquerda, podemos ver a plataforma de concreto, pronta para receber a malha têxtil e, a direita, as poltronas dos camarotes do estádio.

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Acima, à esquerda, podemos ver no topo do anel mais baixo os espaços reservados para pessoas portadores de deficiência – legal ver dessa forma pois ao lado desses espaços, há espaços para 1 e 2 acompanhantes. À direita, detalhe da cobertura com apoio treliçado e que de fora parece quase que flutuar sobre o ‘morro ajardinado’.

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Acima, detalhe dos sanitários e dos camarotes ainda sem as poltronas.

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Acima, imagem de um dos camarotes já parcialmente finalizados. Abaixo, podemos ver as imagens iniciais do projeto – bem parecido com o que está sendo concluído.

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A parte de acesso do estádio não tem grandes problemas, pois o estádio é um pouco afastado. A esperança é que essa construção leve mais desenvolvimento para essa região.

Alguns outros detalhes do projeto podem ser vistas no site do arquiteto Jean-Marie Massaud, no site do Chivas e, brevemente, no post que elaborei em Agosto do ano passado, mencionado no início deste post.

* Todas as fotos foram gentilmente por Antonio Beltrán Rodrígues, de Guadalajara, México.

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 Limpeza e visibilidade no Ellis Park

22 de junho de 2010 por Lilian de Oliveira | Copa do Mundo 2010, Estádios

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Foto por Felippe Rodrigues

Foi no jogo de ontem, Espanha x Honduras que pude ver um trecho diferente do estádio. A cada jogo, tento ver a partida de um ponto diferente para ver novos potenciais ou falhas.

Ontem, sentei num lugar péssimo. Bem próximo ao campo (2ª fileira) atrás do gol do Casillas no primeiro tempo.

Me fio pedido, através de comentários dos posts, que fizesse um material sobre os pontos cegos e visibilidade. Elaborarei um post somente sobre isso, mas por enquanto fica aqui um exemplo de ponto cego que não através de barreiras arquitetônicas. Esse problema de visibilidade poderia ser resolvido com o rebaixamento do campo. Aqui em Johannesburgo, o que tem sido feito, somente em alguns trechos, é a cobertura de trechos onde o torcedor não pode ver com qualidade a partida. No entanto, muitos outros foram vendidos – caso dessa fileira da foto abaixo.

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Foto por Felippe Rodrigues
Podemos ver que a barreira feita pelos fotógrafos não permite acompanhar nada da partida. Lance algum pode ser visto, nem mesmo onde está a  bola. No caso, vemos o goleiro de Honduras somente nessa fenda da barreira de fotógrafos oficiais. Tais assentos não deveriam ser vendidos ou o campo deveria ter sido rebaixado para que todos vissem a partida com qualidade.
Outro grande problema é o tipo de escoamento. Felizmente aqui não chove frequentemente nesse período de Copa.
Todos os buracos de escoamento de água estão obstruídos por garrafas de refrigerante e cerveja vendidas no estádio. Além de não permitir o escoamento de água, bebidas empoçam aos pés dos torcedores da primeira fileira. Juntando ao problema das fileiras da arquibancada serem estreitas, muitas pessoas pisam nessas poças e depois nos assentos, garantindo bastante sujeira. Na foto abaixo, alguns torcedores usavam garrafas plásticas para direcionar a água e bebidas esparramadas ao orifício de escoamento.
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Foto por Felippe Rodrigues
Conversei um pouco com um outro cadeirante no Ellis Park, espanhol, que disse ser complicada a acessibilidade ali, mas que no Soccer City é realmente muito boa.
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Muito se fala na diversidade de atividades que podemos e devemos ter dentro de estádios, que é o que o torna uma “arena”.  Eu, particularmente, acredito que muitas coisas são inviáveis por não deixar o equipamento bom nem para uma modalidade esportiva, nem ideal para outra atividade.  Acho que tudo deve ser ponderado. No entanto, várias atividades podem ser beneficiadas, se neste espaço houver uma flexibilidade. Uma das soluções seria a utilização de arquibancadas retráteis.

Foi pensando nisso que entrei em contato com a Lao Engenharia Sustentável para ter mais informações sobre esse tipo de tecnologia.

- Existe algum tipo de exigência espacial para que seja possível colocar uma arquibancada retrátil? Algum tipo de altura ou recuo mínimos para maquinário ou alguma outra necessidade desse tipo?

R: Do ponto de vista espacial, as mesmas exigências que qualquer arquibancada exige: pé direito apropriado (para o conforto e segurança das pessoas acomodadas na plataforma mais alta). No modelo de arquibancada “embutida” um recuo de 1.100mm para acomodá-la quando fechada.

Alguns outros pré requisitos também são exigidos:

  • Inexistência de imperfeições, nivelamento e resistência adequados do piso que suportará a arquibancada.
  • Resistência adequada da parede para suporte e operação da arquibancada modelo “parafusada na parede”.
  • Resistência adequada da viga/laje para suporte e operação da arquibancada modelo “Embutida”.
  • Resistência adequada da parede e piso para suporte e operação do motor modelo “Sem Fricção”.
  • Cabeamento elétrico adequado e incorporado sob medida à instalação dos módulos para operação de arquibancada acionada por motor elétrico.

- É possível criar uma arquibancada retrátil que possa ser utilizada em equipamentos itinerantes ou exige um espaço fixo para instalação?

R: Sim, desde que

1-      O local onde será instalada atenda os pré requisitos citados na questão anterior;

2-      Se tenha uma estrutura logística que compreenda transporte e içamento apropriados.

- Qual é o tempo de movimentação para concluir a redução total de uma arquibancada? Imagino que seja proporcional ao número de degraus, mas há alguma velocidade média?

R: Exatamente, varia com o numero de degraus, mas para se ter uma idéia 02 pessoas conseguem abrir 7 degraus em 10 segundos. Ou seja, uma média de 1 degrau a cada 1,5 segundos. Como cada degrau pode acomodar de 7 a 10 pessoas, podemos também falar em 8 lugares/1,5s (ou 320 lugares/minuto).

- A movimentação da arquibancada exige muita energia? Há um consumo muito alto? Há alguma possibilidade de uma arquibancada se movimentar com captação de energia solar ou exige muito?

R: A movimentação a partir de motores elétricos exigem 2 HP de potência alimentado por um sistema trifásico de energia.

- É possível colocar a tecnologia em uma arquibancada metálica normal ou é necessário construir já com essa intenção?

R: Não é possível, todo o projeto e estrutura devem ser concebidos para que trabalhem de forma retrátil.

- A estrutura dessa arquibancada tem que ser necessariamente metálica ou pode ser de madeira ou outro material?

R: Podem ser de diversos materiais, inclusive mistos: metálica, madeira, fibra de vidro ou carbono.

- Há um limite de degraus?

R: Sim, 20 degraus.

- O custo da arquibancada retrátil no Brasil é muito superior ao da mesma tecnologia fora do país?

R: Não, é bem competitivo.

- Há tecnologias diferentes para a construção desse tipo de arquibancada? Se sim, quais e qual é a usada pela Lao?

R: Basicamente são utilizadas estruturas metálicas com perfis de chapa dobrada e tubos em sua estrutura e pisos em madeira compensada. A LAO também utiliza esta tecnologia.

As arquibancadas retráteis são tradicionais em ginásios americanos. No entanto, não é só em pequenos ginásios que a tecnologia pode ser utilizada. Esse é o caso da American Airlines Arena, nos Estados Unidos, que ainda tem a certificação LEED – certificação essa que comprova a sustentabilidade da construção.

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Uma referência nacional, desenvolvida pela Lao Engenharia, foi na Arena do Pan, em 2007, Rio de Janeiro. Podemos ver blocos de arquibancadas retráteis extras, adicionadas às arquibancadas permanentes.

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Foi pensando em como as arquibancadas retráteis podem ser utilizadas em nossos estádios que me lembrei da StadiArena! O conceito é bastante interessante, embora eu duvide do grau de inclinação e qualidade de visualização de alguns eventos que são mostrados no vídeo explicativo - http://www.stadiarena.com/ – o vídeo pode ser ouvido em português de Portugal.

É nessa circunstância que vejo a maior potencialidade, visando a Copa 2014. Espaços poderiam ser fechados, e a visibilidade controlada pela redução total ou parcial da arquibancada.  Se unirmos a tecnologia de arquibancadas retráteis ao conceito do StadiArena poderíamos ter estádios justificáveis, diferentemente do que temos visto nas apresentações infundáveis quanto ao uso posterior à Copa 2014 e Olimpíadas 2016.

Agradecimentos pela prestatividade da Lao Engenharia em responder as perguntas e por conceder as imagens de suas obras.

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Sempre foi questionado como um mega evento esportivo como a Copa do mundo ou Jogos Olímpicos podem colaborar em diversas áreas como saúde, educação, cidadania, segurança, etc. Esse post é dedicado à segurança. Acredito que tudo está interligado, mas o caso de Londres, sede das Olimpíadas de 2012, mostra como a simples construção de um estádio pode colaborar com a segurança.

O estádio Olímpico de Londres, projeto do escritório Populous (que também projeta estádios e masterplan dos Jogos Olímpicos de Inverno 2014, em Sochi, Rússia), será um dos maiores do mundo e tem uma preocupação com a sustentabilidade. Além disso, um dos posicionamentos adotados em relação à escolha dos materiais pode colaborar com a segurança. Tudo isso é fruto da idéia de reciclar armas de fogo e facas apreendidas pela polícia britânica, fundindo-as para dar origem a ferro, aço, etc, para a construção do novo equipamento. estadioolimpico2

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Ainda em relação à segurança, para o caso do Brasil, se idéias e atitudes como estas forem adotadas, a junção ao plano de utilizar presidiários (5% dos empregados) na construção de nossos estádios, reduzindo custos em troca de reduções penais na proporção de 3 dias de trabalho: menos 1 dia de pena, juntamos vários pontos que se integram colaborando para segurança e inclusão social. Leia Mais.

Já sobre a sustentabilidade, no site oficial dos Jogos de 2012, as propostas são focadas em 5 “temas:

1. Mudanças climáticas: minimizar as emissões de gases e facilitar medidas que colaborem com este item.

2.Desperdício: minimizar desperdícios e gastos em cada etapa do projeto, garantindo que nenhum dejeto seja enviado para aterros durante os jogos e incentivar o desenvolvimento de novos equipamentos para processar os resíduos no leste de Londres.

3. Biodiversidade: minimizar os impactos dos jogos nas proximidades de onde os jogos acontecem, mantendo o habitat natural intacto, deixando como legado um Parque Olímpico.

4. Inclusão: Promoção do acesso de todos para celebrar a diversidade de Londres e do Reino Unido, criando empregos, treinamentos e oportunidades de negócios.

5. Qualidade de Vida: Inspirar as pessoas pelo país a praticar esportes e desenvolver uma vida ativa, saudável e estilos de vida sustentáveis.

specialreports_2edb.london_olympic_stadiumFontes:

Enviroment Change . org , Inhabitat, London 2012

*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.

Hoje me peguei pensando no tanto de coisas que aconteceram durante este ano. Foram muitas polêmicas, muitas boas intenções,  resultados nem tão bons, algumas boas iniciativas. Enfim, com seus altos e baixos. Resolvi fazer esse post para fechar o ano com um breve resumo da evolução da Copa 2014 em 2009.

Para mim, o ano foi muito proveitoso, pois foi em Maio que criei meu blog “Gol da Arquitetura“, e, graças a ele, aprendi muito com os comentários, com os contatos que fiz e com as metas que estabeleci que me colocava em constante pesquisa e estudo. Foi através dele, que consegui esse espaço no Portal da Copa, como blogueira, me deixando bastante satisfeita, pois obtive mais visibilidade dos meus textos, aumentando ainda mais as discussões saudáveis em torno das questões que estudo.

É por conta do anúncio de quais seriam as cidades-sede, nas proximidades de Maio, que vejo o começo dos maiores  acontecimentos do ano.

Maio: Cidades candidatas discutem, rivalizam (algumas saudavelmente, outras nem tanto) para provar  ou apenas convencer do quanto seus projetos são bons. Acontece a vulgarização/banalização da palavra “LEGADO” que aparece em todos os discursos, embora ninguém saiba detalhes do que seria realmente isso. Palavra esta que vai permanecer em alta até o fim do ano. A FIFA anuncia as cidades escolhidas. As cidades que ficaram de fora, buscam novas alternativas de investimentos, algumas das escolhidas dentro só pensam em provocar. Há poucos detalhes dos projetos arquitetônicos dos estádios, mas um ou outro já se destaca por conta da apresentação (Porto Alegre e Manaus). Começa o questionamento de alguns estádios como o de “Recife” e o Morumbi (opiniões que continuam polêmicas até o fim do ano).

Junho: O mês do Elefante Branco. Pipocam textos em todos os jornais, revistas (impressos ou virtuais), blogs de célebres críticos ou meros cidadãos “indigentes” sobre a possibilidade de termos elefantes brancos em todo nosso país. Poucos são aqueles que buscam uma resposta para os problemas e a comparação com a África do Sul e com os equipamentos das olimpíadas de Atenas é inevitável.  Mais imagens dos projetos das 12 cidades começam a ser publicadas. Cidade de Cuiabá virá polêmica por mudar drasticamente o projeto do estádio após anúncio da FIFA.

Julho: Grandes problemas como Saneamento básico, transportes (acessibilidade e condições de aeroportos) são intensamente questionados. Assim como a segurança nos estádios. Questionada e criticada a possibilidade do estádio de Cuiabá não ter licitação. Termo “Copa verde” começa a se firmar no país.

Agosto: A sustentabilidade começa a ser a principal de todas as boas intenções e chega ao seu ápice. A partir daí, começam a surgir novos textos, novos estudos, a viabilização da certificação LEED. Morumbi busca a garantia da vaga de estádio representante de São Paulo mostrando novas opções de cobertura e fecha o mês com a decisão da cobertura feita pelo grande escritório alemão GMP architekten. Começam a ser contestados os investimentos públicos em estádios privados. É lançado o PAC da Copa. Ajustes são feitos nos projetos (naturalmente) e BNDES começa a mencionar os altos custos das obras.

Setembro: A mídia especula a eliminação de algumas cidades-sedes. “Manual de Estádios” é lançado e serve como complemento técnico para áreas ainda sem muita regulamentação, colaborando com melhores resultados. João Pessoa, Natal e Recife começam a se integrar, mostrando como as rotas podem beneficiar mais do que somente as cidades-sede.

Outubro: Rio de Janeiro é escolhida a cidade dos Jogos Olímpicos de 2016, o que faz com que todo o olhar deva ser reestruturado, visando um benefício maior ainda ao esporte, a categoria de base e a uma nova forma de se estudar os investimentos para o Rio de Janeiro e estados vizinhos que também colaborarão com o evento (como São Paulo e Bahia). São Paulo novamente é criticada por seu transporte caótico e lamentável, questionando uma possível abertura da Copa. Algumas cidades já começam a capacitar profissionais para facilitar hospitalidade e prestação de serviços (ex: Manaus e cidades de Goiás). Saem novas especificações para arenas, elaboradas pela FIFA.

Novembro: Mês do Apagão – Incidente mostra como o país está vulnerável. Com a idéia de PAC da Copa, todas as cidades tentaram colocar inúmeros projetos como investimentos necessários à realização da Copa, embora isso não seja verdade. Bienal de Arquitetura realiza workshop que pretende estudar e orientar o posicionamento das cidades-sede perante os investimentos urbanísticos. Nesse evento acontece um ciclo de palestras sobre as arenas da Copa e onde está exposta uma maquete inédita da nova cobertura para o Morumbi. Mais cidades começam projetos de capacitação de cidadãos, como Fortaleza e Curitiba.

Dezembro: Mês das cheias em SP mostra como a urbanização da cidade e a intensa impermeabilização da metrópole é um grande problema a ser resolvido. Mesmo assim, a cidade continua com seu plano de novas faixas nas Marginal. O ano termina com algumas licitações ainda em aberto, outras já sendo finalizadas. Morumbi continua como dúvida, Cuiabá ainda é questionada. Verbas começam a extrapolar e alguns investimentos começam a ser negados, levando as cidades a buscar novas soluções.

Outros fatos que não posso deixar de mencionar é o incrível crescimento que tenho visto de estudos (de universitários e profissionais) que começam a se dedicar a áreas específicas ligadas ao futebol, ao urbanismo e à arquitetura esportiva. Novos incentivos aos esporte, tecnologias mais saudáveis e ciclovias parecem ganhar espaço, prometendo melhorias para os avanços em 2010. O crescimento de eventos, palestras e fórums sobre a Copa é grande e colabora com o avanço natural das idéias.

Termino esse resumo dos fatos, pedindo desculpas por algum fato importante que eu tenha esquecido e agradecendo a todos que colaboraram, comentaram, criticaram ou simplesmente leram. Obrigada e que 2010 traga avanços saudáveis ao Brasil.

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 Porque ninguém convencerá a FIFA (cont.)

1 de outubro de 2009 por Lilian de Oliveira | Estádios

Algumas fotos não estão sendo anexadas aqui devidamente. Por esse motivo, coloco no meu blog pessoal (Gol da Arquitetura) a continuação das imagens para aqueles que se interessaram.

Clique aqui para ver a continuação.

Me desculpem pelo transtorno!

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 Porque ninguém convencerá a FIFA

28 de setembro de 2009 por Lilian de Oliveira | Estádios

morumbi, sp, brasil

O Morumbi tem se esforçado? Sem dúvida!

No entanto, por mais que o Morumbi venha se tornar um estádio mundialmente exemplar, seu entorno É limitado e não vejo a menor possibilidade em mudar este fato.

Desde a candidatura do Morumbi como representante da cidade de São Paulo na Copa do Mundo FIFA 2014, no Brasil, vi os principais problemas ligado a esta limitação físico-espacial devido a intensa urbanização da região e da não programação viária para um centro gerador de trânsito.

Para exemplificar as diferenças espaciais de grandes estádios ao redor do mundo, e, até mesmo aqui no Brasil, fui à grande ferramenta de trabalho: Google Earth! -  para analisar e separar as imagens aéreas do espaço em volta desses estádios.

As imagens abaixo são de estádios da Copa de 2006 (Alemanha) e da Copa de 2010 (África do Sul), portanto, no padrão de mundial de futebol.  Todas as imagens abaixo mostram uma arquitetura que conta com espaços livres no entorno, para comportar e abrigar tamanho público, tráfego e ainda tem liberdade para criar estruturas futuras para atender novas exigências, cujo surgimento é natural.

Commerzbank Arena, Alemanha Gelsenkirchen, Gelsenkirchen, Alemanha

Acima: Esquerda – Commerzank Arena, Alemanha; Direita – Gelsenkirchen, Alemanha; Abaixo: Esquerda – Soccer City, Johannesburgo; Direta – Moses Mabhida, Durban – ambos na África do Sul.

Soccer city, Johannesburgo, Africa do sul Moses Mabhida, Durban, Africa do sul

Voltando à imagem de São Paulo, no Morumbi, podemos notar a proximidade das construções ao redor do estádio. Não há espaço para abrigar um público grande com segurança, conforto E funcionalidade. Sem contar nas vagas de estacionamento. Além do Morumbi, outros estádios de São Paulo sofrem com o mesmo problema, a urbanização desenfreada e não-planejada no que se diz respeito ao funcionamento do estádio. Exemplo disso, é o Pacaembu, também “travado”. É por isso, e outros motivos que já mencionei no meu blog Gol da Arquitetura, que seria muito positiva a construção de outro estádio na capital paulista. No entanto, como isso tem um custo alto (embora eu enxergue um bom retorno à sociedade) e como o governo não faz estudos para ver a potencialidade e pesquisas programáticas que um estádio poderia ter para se justificar sem ter que vender posteriormente a preço de banana, como o Engenhão (sobra do Pan), acredito que o Morumbi será mesmo o real representante da capital financeira do país, embora não seja escolhida como sede da abertura.

Voltando às comparações…

Assim como São Paulo se urbanizou desorganizadamente, a Inglaterra também se desenvolveu desorganizadamente, considerando sua história toda. Isso resulta também no mesmo problema dos estádios. Um dos maiores e mais famosos do mundo, o Wembley, tem certa semelhança no problema espacial. Mesmo assim, o Wembley (foto abaixo) está mais “folgado” e a Inglaterra conta com uma malha metroviária e transporte urbano exemplar difícil de se comparar ao paulista. A malha inglesa é ramificada, integrada e abrangente, já a paulista é cumulativa, limitada, deficiente e, pior, mal vista. Veja post onde tem as malhas de algumas cidades.

Wembley Stadium, Londres, Inglaterra

Até mesmo comparando com estádios italianos, que são, no geral, considerados os piores palcos para o futebol, ao menos preservam espaços para possíveis correções – modificações estas que serão feitas em massa na Itália – Leia Mais

Delle Alpi, Torino, Italia San Nicola, Bari, Italia

A esquerda, Delle Alpi, em Torino, Itália, e é utilizado pela Juventus e pela Torino. A direita, estádio San Nicola, em Bari, Itália, um dos estádios que melhor exemplificam a questão da circulação e, consequentemente, da segurança.

No Brasil, considerando os estádios da Copa, temos:

Beira rio, Porto alegre, brasil Arena da baixada, Curitiba, brasil

A esquerda, o Beira-Rio, com amplo espaço que ajuda a manter fluidez e ainda serve como lazer para a cidade. A direita a Arena da Baixada (”antiga” Kyocera Arena), fadada a sofrer os mesmo problemas que o Morumbi, caso queira abrigar eventos maiores.

Comparando neste momento, os concorrentes, ao lado de São Paulo, para a abertura da Copa, Brasília, também apresenta grande liberdade – Qualidade da cidade:

Mane garrincha, Brasilia, brasil

É por esse, e por muitos outros motivos, que São Paulo pode perder a chance de sediar a abertura. Embora São Paulo reflita toda a diversidade do país e tenha muito a mostrar à imprensa mundial, ela tem que ter qualidade, segurança e mobilidade para o evento em si. Pena é perder a chance de mostrar tudo o que temos de bom neste período que precede a Copa, alvo de TODAS as imprensas, por pura teimosia.

Fonte: http://www.goldaarquitetura.blogspot.com/

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 Uma arquibancada para o torcedor!

2 de setembro de 2009 por Lilian de Oliveira | Estádios

Nada melhor do que um post às arquibancadas em homenagem a esse blog que está surgindo. Além disso, a arquibancada é geralmente um pouco esquecida, assim como o gramado. Ambos são o palco do futebol: de onde ele é assistido e onde ele realmente acontece.

O que seria uma arquibancada ideal? Acho que todo arquiteto que projeta um estádio deveria se perguntar isso, da mesma forma que deveria se perguntar ” eu sei fazer um gramado ideal?”.  Nenhum arquiteto se forma com total conhecimento de tudo, e por isso, frequentemente saímos em busca de respostas e consultoria de especialistas. Contanto que possamos conseguir boas soluções, isso não é vergonha nenhuma.

A FIFA tem especificações para a melhor forma de se projetar, mas acho que podemos ir além. Não é necessariamente  mais caro ir além. Há inúmeras escolhas no momento de projetar até o momento de especificar. Inicialmente, devemos pensar na inclinação, essencial para que todos vejam com clareza e nitidez. Há ângulos corretos para que a circulação seja eficiente e para que o torcedor da frente não atrapalhe o que está atrás. Numa arquibancada mal projetada o bom, velho e típico brasileiro baixinho sempre se dá mal, como em qualquer evento – experiência própria!

A partir desse ângulo definido, definem-se as saídas! Que devem ser próximas, por segurança E conforto e bem sinalizadas, evitando grandes percursos e para que seja o menos cansativo possível – isso se chama acessibilidade!

Claro que nessa acessibilidade está a obrigatoriedade de se juntar as facilidades aos cadeirantes ou pessoas com outros tipos de deficiência. É o mínimo que toda construção deve fornecer.

Enquadrando-se nesse quesito, temos os pisos desses degraus! Eles tem que comportar as cadeiras (obrigatoriamente dispostas e numeradas)  e ainda permitir a passagem de outro torcedor, evitando aqueles transtornos típicos de cinema quando alguém quer sair no meio do espetáculo. Uma solução que também colabora com isso é  a escolha de cadeiras com assentos que levantam.

De nada adianta também colocar tudo isso, se os materiais não forem resistentes. Aglomerações geram, por natureza, reações que se somam, e, como conhecemos o Brasil, a intervenção da polícia junto a de alguns torcedores, podem fazer tudo ir por água abaixo em segundos.

Um bom design não faz mal a ninguém! Quem pode dizer isso de boca cheia é o Allianz Arena, claro que os custos variam com isso, e que custos diferenciados podem ser trabalhados em cada setor do estádio, no entanto o quanto menos discrepância tiver e quanto mais conforto, baseado na ergonomia tivermos, mais saudável e democrático o evento se torna – contrariando, assim, várias atitudes que os clubes tomam, como aumento do preço do ingresso, elitizando o futebol.

Allianz Arena - Poltrona - Foto: "beaunose", flickr

Allianz Arena - Poltrona - Foto: "beaunose", flickr

Nada disso vale a pena, principalmente considerando a Copa do Mundo FIFA 2014, no Brasil, se não colocarmos em prática campanhas de conscientização, uma polícia mais preparada e com técnicas novas (de repente baseando-se na técnica inglesa contra o hooliganismo). Na minha opinião, nada disso serve, também, se todos esses espectadores estiverem sentados debaixo de um sol escaldante ou de uma chuva forte, até mesmo garoa. A cobertura é essencial ao conforto daquele que movimenta o futebol, o torcedor.

Allianz Arena - Arquibancada - Foto: usuário farm1.static, Flickr

Allianz Arena - Arquibancada - Foto: usuário farm1.static, Flickr

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