
O Morumbi tem se esforçado? Sem dúvida!
No entanto, por mais que o Morumbi venha se tornar um estádio mundialmente exemplar, seu entorno É limitado e não vejo a menor possibilidade em mudar este fato.
Desde a candidatura do Morumbi como representante da cidade de São Paulo na Copa do Mundo FIFA 2014, no Brasil, vi os principais problemas ligado a esta limitação físico-espacial devido a intensa urbanização da região e da não programação viária para um centro gerador de trânsito.
Para exemplificar as diferenças espaciais de grandes estádios ao redor do mundo, e, até mesmo aqui no Brasil, fui à grande ferramenta de trabalho: Google Earth! - para analisar e separar as imagens aéreas do espaço em volta desses estádios.
As imagens abaixo são de estádios da Copa de 2006 (Alemanha) e da Copa de 2010 (África do Sul), portanto, no padrão de mundial de futebol. Todas as imagens abaixo mostram uma arquitetura que conta com espaços livres no entorno, para comportar e abrigar tamanho público, tráfego e ainda tem liberdade para criar estruturas futuras para atender novas exigências, cujo surgimento é natural.

Acima: Esquerda – Commerzank Arena, Alemanha; Direita – Gelsenkirchen, Alemanha; Abaixo: Esquerda – Soccer City, Johannesburgo; Direta – Moses Mabhida, Durban – ambos na África do Sul.

Voltando à imagem de São Paulo, no Morumbi, podemos notar a proximidade das construções ao redor do estádio. Não há espaço para abrigar um público grande com segurança, conforto E funcionalidade. Sem contar nas vagas de estacionamento. Além do Morumbi, outros estádios de São Paulo sofrem com o mesmo problema, a urbanização desenfreada e não-planejada no que se diz respeito ao funcionamento do estádio. Exemplo disso, é o Pacaembu, também “travado”. É por isso, e outros motivos que já mencionei no meu blog Gol da Arquitetura, que seria muito positiva a construção de outro estádio na capital paulista. No entanto, como isso tem um custo alto (embora eu enxergue um bom retorno à sociedade) e como o governo não faz estudos para ver a potencialidade e pesquisas programáticas que um estádio poderia ter para se justificar sem ter que vender posteriormente a preço de banana, como o Engenhão (sobra do Pan), acredito que o Morumbi será mesmo o real representante da capital financeira do país, embora não seja escolhida como sede da abertura.
Voltando às comparações…
Assim como São Paulo se urbanizou desorganizadamente, a Inglaterra também se desenvolveu desorganizadamente, considerando sua história toda. Isso resulta também no mesmo problema dos estádios. Um dos maiores e mais famosos do mundo, o Wembley, tem certa semelhança no problema espacial. Mesmo assim, o Wembley (foto abaixo) está mais “folgado” e a Inglaterra conta com uma malha metroviária e transporte urbano exemplar difícil de se comparar ao paulista. A malha inglesa é ramificada, integrada e abrangente, já a paulista é cumulativa, limitada, deficiente e, pior, mal vista. Veja post onde tem as malhas de algumas cidades.

Até mesmo comparando com estádios italianos, que são, no geral, considerados os piores palcos para o futebol, ao menos preservam espaços para possíveis correções – modificações estas que serão feitas em massa na Itália – Leia Mais

A esquerda, Delle Alpi, em Torino, Itália, e é utilizado pela Juventus e pela Torino. A direita, estádio San Nicola, em Bari, Itália, um dos estádios que melhor exemplificam a questão da circulação e, consequentemente, da segurança.
No Brasil, considerando os estádios da Copa, temos:

A esquerda, o Beira-Rio, com amplo espaço que ajuda a manter fluidez e ainda serve como lazer para a cidade. A direita a Arena da Baixada (”antiga” Kyocera Arena), fadada a sofrer os mesmo problemas que o Morumbi, caso queira abrigar eventos maiores.
Comparando neste momento, os concorrentes, ao lado de São Paulo, para a abertura da Copa, Brasília, também apresenta grande liberdade – Qualidade da cidade:

É por esse, e por muitos outros motivos, que São Paulo pode perder a chance de sediar a abertura. Embora São Paulo reflita toda a diversidade do país e tenha muito a mostrar à imprensa mundial, ela tem que ter qualidade, segurança e mobilidade para o evento em si. Pena é perder a chance de mostrar tudo o que temos de bom neste período que precede a Copa, alvo de TODAS as imprensas, por pura teimosia.
Fonte: http://www.goldaarquitetura.blogspot.com/
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