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Ontem, dia 12 de Setembro, aconteceu o Congresso de Segurança, realizado pela FIESP.  O intuito do evento era demonstrar técnicas  de segurança usadas em situações caóticas, como o esforço do exército brasileiro no Haiti, a experiência da África do Sul com a segurança e o combate ao terrorismo Internacional com experiência em Israel.

O General Luiz Guilherme Paul Cruz,  discursou sobre as técnicas no Haiti dando suma importância à parceria com instituições locais para que haja uma ajuda inicial, mas que depois estas instituições possam encabeçar e dar continuidade à programas sociais.

Essa questão serve de exemplo para a segurança no Brasil, que deve se organizar muito e rápido já que sediará tanto a Copa do Mundo 2014 e os Jogos Olímpicos 2016. No Brasil o policiamento é muito segmentado, sendo de controle estadual e não totalmente integrado e esse é um bom ponto a ser questionado.

A palestra dada por Ben Groenewald, Major general da polícia da África do Sul e alto membro da Comissão de Segurança da Copa do Mundo 2010, tratou exclusivamente da experiência do país com o planejamento de segurança para o mega evento.  Após uma apresentação mostrando a extensa abrangência do planejamento para a Copa do Mundo 2010, questionei Groenewald sobre os inúmeros casos de furtos dentro e fora do estádio, problemas com quedas de energia no Ellis Park, greves de policiamento, furtos de bagagem em aeroportos e acesso aos jogos sem ingressos, mesmo com todo o planejamento e onde foi o erro nesse processo todo. O Major General mencionou que um dos erros da Polícia sul-africana foi o raio de 1.8Km em torno dos estádios. Além disso, culpou o Comitê local e a segurança privada por falta de treinamento adequado.

Além disso, Groenewald comentou sobre as divergências entre o policiamento local e suas legislações e as exigências da FIFA. Segundo ele, alguns requerimentos da FIFA queriam passar por cima das leis sulafricanas. O conselho que Groenewald deu, é que as exigências da organização sirvam como diretrizes, mas que mantenhamos as nossas leis. O caso com o qual exemplificou era a cerveja Budweiser que servia em garrafas de vidro, proibida nos estádios da África do Sul. Com divergências, a África do Sul, fez com que a Budweiser desenvolvesse garrafas plásticas para servir suas cervejas. O Major General também mencionou que a FIFA parece estar revisando seus requerimentos e aconselha que o Brasil se antecipe em vê-las para evitar conflitos maiores no futuro.

O Brasil ainda está em fase de estruturação em todos os sentidos e esse é um bom momento para considerar essas experiências.

Segundo o policial sul-africano, o investimento em segurança foi de 1.3 bilhões de rand (moeda sul-africana), e que metade desse orçamento foi destinado exclusivamente a equipamentos e que hoje isso permaneceu para uma luta contínua contra o crime. Já para o oficial Paul Cruz, o legado tão questionado e poder levar o policiamento nacional a outro patamar.

*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.

Mais de dois meses  após o término do mundial e muitos voluntários ainda não receberam seus pagamentos.

Antes de se tornar voluntário, todo candidato assina um contrato com a FIFA, onde são detalhadas as suas obrigações e compromissos e onde deixa claro tudo o que a FIFA e o comitê Local de Organização se compromete a fazer pelo voluntariado.

Depois de selecionados, os voluntários da Copa 2010, na África do Sul, recebem uma carta aos voluntários internacionais (Letter to International Volunteers). Veja imagem abaixo.

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O Stipend, onde grifei de verde, é o pagamento que cada voluntário recebe. Conforme este termo,  recebem esse ’stipend’, os voluntários que cumpriram seus turnos, independente da carga horária, recebendo R100 (rands – moeda sul-africana), equivalente a cerca de R$25,00, por dia de trabalho, ao término do evento.

Alguns voluntários internacionais receberam o pagamento ainda na África do Sul, dependendo da organização de cada cidade. E cada cidade adotou uma forma de pagamento (cartão para saque, depósito em conta ou dinheiro vivo). Na cidade de Johannesburgo, alguns receberam em dinheiro outros receberiam diretamente na conta. Os que receberam ainda em território sul-africano foram taxados em 25%. A justificativa era que todo o trabalho prestado na África do Sul, teria essa taxa a ser cobrada. No entanto, voluntários internacionais de outras cidades não tiveram essa taxa deduzida, pois, segundo a legislação sul-africana, o turista internacional recebe de volta os impostos pagos.

Os responsáveis pelo programa de voluntários do Soccer City (não é o comitê local de organização – LOC), em Johannesburg, enviaram um email geral aos internacionais com um exemplo a ser seguido para que falássemos os dias trabalhados, os valores devidos e/ou as taxas cobradas indevidamente.

Alguns dos voluntários foram taxados também nos valores de comida (não fornecida no início do trabalho voluntários) – o que é incabível – e alguns não receberam seus certificados e os “gift bags”.  Segundo a organização, os certificados foram postados semana passada.

No email com a formatação sugerida pelos responsáveis pelo voluntariado, cada reclamante deveria colocar seus dados bancários e valores e encaminhar o email aos responsáveis. Ao término, na própria sugestão continha o texto:

I sincerely hope that the above matter(s) will be addressed by 24 September 2010 as this is long overdue. Should this email go unanswered, I am willing to escalate the situation, including contacting other Organising Committee members, FIFA members and my local and international media outlets“.

Eu sinceramente espero que o requerido acima seja enviado até 24 de Setembro de 2010, já que já está muito atrasado. Se esse email não for respondido,  estarei disposta a relatar a situação, incluindo  contatar outros membros do Comitê de Organização, membros da FIFA e a minha mídia local e mídias internacionais.”

Até hoje, dia 24 de Setembro, nenhuma resposta foi dada aos voluntários que preencheram esse ‘formulário’ de reclamação e nenhum dinheiro foi depositado na conta fornecida.

Voluntários sul-africanos sofriam e protestavam com a organização sul-africana, que raramente dava informações, dizendo sempre não saber como seria pago e adiando sempre os pagamentos.

Em Agosto, foi reportado pelo site News24.com a falta de pagamento aos sul-africanos e a indignação dos mesmos. Hoje, segundo reportagem outra reportagem, o coordenador do programa de voluntários, Onke Mjo, diz que cerca de 10.000 dos 15.ooo voluntários ainda não receberam seus ’stipends’. Diz também que os voluntários internacionais já receberam o dinheiro por não ter como sacar do cartão FNB fornecido, o que, de fato, é mentira. Somente alguns receberam e sob as taxas indevidas.

A desorganização da Copa 2010, foi tamanha que nem mesmo uniforme completo alguns voluntários receberam. Além disso, nenhum voluntário recebeu luvas, como prometido, mesmo com o frio intenso. Informativos aos próprios voluntários eram disponibilizados em algumas cidades e em outras não.

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Acima, kit fornecido para voluntários em Cape Town.  Em Johannesburg, foi distribuído um guia de bolso somente.

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 Iluminação em estádios

24 de setembro de 2010 por Lilian de Oliveira | Copa do Mundo 2010, Infra-estrutura Esportiva

Sempre vemos problemas de iluminação em estádios. Não pode ocorrer uma parte pouco iluminada no campo, há uma quantidade de lux (medida) estipulada pela FIFA para a prática do esporte e há preocupações que devem ser consideradas na hora de projetar um estádio para que não haja problemas como o que vimos na África do Sul onde parte do Ellis Park, em Johannesburg, não acendia (resultando em acessos livres nas catracas, parte dos camarotes sem luz por um tempo e um dos telões desligados – foto abaixo).

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Acima, Brasil x Korea DPR, no Ellis Park, onde falha fez com que um dos telões ficasse desligado durante toda a partida. Foto por Lilian de Oliveira

Foi atrás de algumas informações mais técnicas, sobre sustentabilidade, inovações e outras questões, que entrei em contato com a Philips para saber das tecnologias e do que é mais adequado para os estádios. Quem me respondeu foi Welinfton Tardivo, Engenheiro Eletricista, do departamento de Vendas com projetos de embelezamento urbano e  áreas esportivas.

– Considerando a eficiência e a sustentabilidade, qual é o tipo mais adequado de lâmpadas para a iluminação do campo nos estádios?

RESPOSTA: as lâmpadas de vapor metálico ainda são as mais eficientes para iluminação esportiva. A PHILIPS desenvolveu para áreas esportivas o projetor Arena Vision que possui lâmpada vapor metálico com alto índice de reprodução de cores (acima de 90) e temperatura de cor luz do dia (5600 K), perfeito sistema para eventos televisionados. Além disso, esta tecnologia é a mais eficiente comparada com os demais equipamentos do mercado de iluminação de estádios e, se bem alinhada com o projeto luminotécnico, pode diminuir em grande número a quantidade de projetores a serem utilizados em um campo. Desta maneira, podemos ter menos potência instalada, consumo de energia, quantidade de cabos, disjuntores, transformadores, peso na estrutura metálica, contribuindo assim, diretamente com a sustentabilidade e eficiência energética de uma arena multiuso.

- Há algum tipo de tecnologia nova que podemos esperar encontrar ou que podemos ter barateada, no Brasil, através do uso em estádios?

RESPOSTA: Para 2014 poderemos ter um conceito chamado de PHILIPS Arena Experience. Esta é uma solução completa já integrada em iluminação esportiva, arquitetural, de efeito, de interiores, com telões de LEDs, telas digitais, TVs e displays, além da publicação de conteúdo e integração de mídia. Este conceito tem a finalidade de maximizar as fontes de renda do estádio/clube de futebol, assegurar renda de transmissão de imagem, flexibilizar o uso das dependências do estádio todos os dias do ano, aumentar o retorno dos patrocinadores através do acréscimo de produtos e serviços e gerar aos torcedores e público experiências inesquecíveis todas as vezes que estes retornam a este estádio.

- Alguns estádios tem sua iluminação externa feita com LEDs, tanto na fachada em si, como a iluminação geral de qualquer monumento. No Brasil, os LEDs ainda tem custo elevado. Há a possibilidade de ter uma queda no preço até a Copa, diminuindo assim o impacto ambiental causado por toda a iluminação?

RESPOSTA: com o aumento da demanda, o custo dos LEDs tem diminuído bastante. Só não podemos confundir qualidade e custo.

- No Brasil é feita a produção de LEDs ou toda a tecnologia é importada? Caso seja importada, há alguma previsão ou intenção de se fabricar no país? Quando?

RESPOSTA (adaptada): Adquirimos os chamados Lumileds e fabricamos as luminárias com estas fontes de luz. No Brasil, fabrica-se algumas luminárias com LEDs para interiores e para iluminação pública.

- Para iluminação interna do estádio (áreas de circulação, áreas de serviços como administração, diretoria, marketing, sanitários, etc.), qual o tipo de lâmpada mais adequado?

RESPOSTA: para esta aplicação já possuímos equipamentos em LEDs que são mais eficientes que fontes de luz fluorescentes e incandescentes que ainda são bastante utilizadas.

- Qual a tecnologia mais avançada em termos de sustentabilidade que temos hoje por todo o mundo? Há alguma possibilidade de trazer essa tecnologia para o Brasil para ser utilizada nos estádios da Copa?

RESPOSTA: o ideal é utilizarmos tecnologias mais eficientes com controle de acesso, luminosidade, integrada com outras soluções também eficientes afim de reduzir o consumo de energia e aumentar a vida útil de todo o sistema. Estas questões de sustentabilidade e eficiência energética são recomendações da FIFA para a Copa de 2014.

- Podemos ver algo novo em iluminação pública ou em estádios para a Copa 2014 ou Olimpíadas 2016? Alguma tecnologia em telões de alta definição que pode ser desenvolvida até estas datas?

RESPOSTA: Com certeza será possível termos tecnologias em LEDs para iluminação pública, ao redor dos estádios, nas áreas internas para a Copa 2014 e Rio 2016. Este tipo de tecnologia não é mais o futuro e sim o presente!!! Em relação aos painéis, a PHILIPS já é fabricante há mais de 20 anos e sem dúvida estará presente nestes eventos esportivos.

Há várias opções de posicionamento, tipos de luminárias a serem escolhidas conforme a arquitetura. A Copa 2010 foi exemplo disso. Podemos ver nas fotos abaixo as diferenças. Em Durban e Cape Town, devido à diferença arquitetônica da cobertura, o posicionamento é diferenciado. No entanto, linear, ao longo de toda a extensão. Já no Soccer City e no Ellis Park,  em Johannesburg, foram dispostas em pontos estratégicos. No Soccer city nas ‘curvas’ e centro e, no Ellis Park, no centro.

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Acima à esquerda: Moses Mabhida Stadium (Durban), foto por Antonio Beltrán. À direita, Greenpoint Stadium, (Cape Town), foto por Marcella Arcuri

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Acima, fotos do Soccer City (Johannesburg), por Natália Chacon

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Acima, foto do Ellis Park (Johannesburg)

Ainda sobre a iluminação externa do estádio (fachadas), públic, de emergência a e ainda de fluxos (direcional para acesso do público) são questões que salientarei num futuro post.

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*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.

Durante a Copa do Mundo 2010, na África do Sul, pude ver muito da organização e das expectativas perante o evento que estava sendo realizado. No entanto, agora, pouco tempo depois do término deste mundial, entrei em contato com sul-africanos – com diferentes idades e profissões – para que pudessem dar suas opiniões sobre o que esperam do mundo e de seu país após sediar a Copa. Aproveitei para perguntar, também, algumas coisas sobre os preparativos, que só questionei após algumas observações durante a realização do evento.

Pelas respostas dadas, podemos identificar não só as expectativas locais, mas os problemas sentidos pelas diferentes classes da sociedade.

Os entrevistados

Adriaan Botha - Gerente de programação em TI

Chantel Reyneke – Gerente de Projetos, Inside Living

Lydia Kristi– Gerente de Vendas, Inside Living

Nhlabathi Innocentia Gugu - diploma em secretariado e administração e cursos certificados em segurança. Trabalhou como segurança na Copa do mundo 2010 e, agora, está novamente desempregada.

Rika van  Vuuren – Designer de Interiores, Inside Living

Sudan V. Waghmare – Estudante na Universidade de Witwatersand – foi voluntário na Copa do Mundo 2010.

Gostaria de saber que mudanças em infra-estrutura você pode ver ou presenciar assim que a África do Sul foi escolhida como sede da Copa do Mundo 2010 (transporte, serviços públicos, comunicação, serviços em água e luz, segurança, etc.) ?

Adriaan, Chantel, Lydia e Rika acreditam que teve muito investimento no país e o setor mais mencionado foi o transporte. Além disso, mencionaram benefícios em serviços públicos, eletricidade, água e segurança. No entanto, Rika não tem certeza de que esses investimentos foram feitos devido à Copa do Mundo e que seriam feitos de qualquer forma.

Lydia diz que todos os investimentos tiveram efeito imediato. Ela também acredita que o transporte foi muito beneficiado, mas que o transporte público deveria ser mais acessível, mais disponível e com mais informações sobre o mesmo.

“Até os locais não tem certeza sobre quando e onde pegar o melhor transporte público para se locomover entre cidades diferentes e bairros.”

por Lydia Kristi

Innocentia, Sudan e Lydia mencionam o Gautrain (trem de alta velocidade) como um bom meio de transporte com bastante informação. No entanto, Lydia ainda acha bastante caro e, por isso, não muito acessível para muitas pessoas.

Innocentia menciona também a quantidade de empregos temporários criados.

Algumas dessas mudanças (se alguma) mudou seu estilo de vida de alguma forma? De forma positiva ou não?

Todos concordaram que os melhores benefícios foram em relação ao desenvolvimento viário. No entanto, Rika diz que “se as vias estivessem totalmente finalizadas, melhoraria bastante as viagens diárias”. Discordando de Rika, Chantel diz já ter benefícios com esses investimentos. A diminuição do tráfego, com menores fluxos e menos tempo até seus destinos foi mencionado por Adriaan e Sudan.

“A infra-estrutura viária fez de passear pela cidade de Johannesburg um prazer.”

por Adriaan Botha

“As obras causaram bastante transtorno, obrigando os moradores a pegar um caminho muito mais longo e tomando muito mais tempo”, diz Lydia. Sudan complementa dizendo que recuperou a confiança na polícia e que se sente mais seguro andando tarde da noite. Citou também, benefícios nos aeroportos, tornando-os mais convenientes.

Sobre as preocupações que vieram com a Copa do Mundo, Adriaan menciona a eletricidade que teve blackouts reduzidos dessa vez – sendo que antes, no inverno, era muito mais frequente. Já Lydia, levantou o caso da xenofobia, com ataques crescendo antes do evento e possíveis aumentos do crime e com a falta de segurança das crianças. Isso teria causado bastante preocupação na população.

Innocentia contou com uma vaga temporária como segurança no evento e foi dessa forma que a Copa do Mundo também levou pontos positivos para sua vida.

Quais são os impactos sociais que você viu em Johannesburg que aconteceram devido à Copa do Mundo?

Adriaan menciona que, com a Copa do Mundo, houve uma melhora na comunicação e melhor tolerância entre grupos com cultura diferente, unindo o país. Lydia acredita que alguns benefícios para o esporte foram garantidos, dando maior acessibilidade ao rugby e ao futebol, que antes eram bem separados. Além disso, agora os esportes são mais aceitos pelas diversas culturas do país.

Rika, por sua vez, diz que nada mudou em seu círculo social. Tanto Sudan quanto Chantel mencionaram a união dos sul-africanos. Sudan complementa salientando a criação de um grupo chamado LeadSA onde pretendiam fazer da Copa do Mundo um sucesso, permanecendo juntos como uma nação contra o crime e a corrupção. Esse grupo pedia também para que os sul-africanos mantivessem o controle, que não ultrapassassem o limite de velocidade, que não dirigissem bêbados e que não pagassem propinas. Apesar desses benefícios, Sudan acredita que economicamente não houve maiores benefícios para os pobres e necessitados.

Você viu alguma campanha contra a AIDS antes ou durante a Copa do Mundo? Se sim, o número de campanhas aumentou?

Adriaan, Chantel e Rika compartilham da idéia que as campanhas se mantiveram igual, sem crescimento algum. Já Lydia, acredita que houve um aumento nas campanhas através da TV, mas não acha que seja devido ao mundial.

Sudan já tem uma percepção um pouco diferenciada e que apesar de ter, definitivamente, muitas campanhas antes do mundial, não pode dizer que houve um crescimento. No entanto, acredita que o governo deu alguns passos extras para conscientizar os turistas para usar proteção. Sudan diz ter visto na mídia sul-africana uma estimativa de que mais de 1 bilhão de camisinhas foram disponibilizadas durante a Copa do Mundo.

Innocentia reparou em um aumento de campanhas durante os preparativos da Copa do Mundo. Foi advertido sobre como se comportar e como se proteger não só da AIDS como de outras doenças. Informativos sobre o tráfico de crianças para outros países para prostituição também foi dado à população.

Os turistas estão retornando aos seus países. Você acha que alguma coisa vai mudar para a África do Sul ou para a África como um todo por conta da atenção recebida através do evento ou você acha que os benefícios ficarão limitados ao turismo?

Lydia acredita que a África do Sul marcou o coração dos turistas e que estes voltarão para conhecer mais, não somente pelo esporte. Gostaria de acreditar que essa atenção ganhada trará benefícios não só para o turismo. Já Chantel é um pouco mais desesperançosa e acredita que será limitado ao turismo. De qualquer forma, espera que a segurança e serviços públicos continuem a crescer como prometido. Além disso, acredita que a África, bem como a África do Sul, contará com mais respeito e que ganhará um espaço no coração de todos.

Rika, Adriaan, Innocentia e Sudan acreditam em um crescimento econômico com mais negócios envolvendo o país e mais investimentos, já que o mundo teve a oportunidade de ver o potencial do país.

Tanto Sudan quanto Adriaan apostam na nova imagem dada à África e África do Sul. Adriaan diz que o mundo viu que “somos civilizados com infra-estrutura de primeiro mundo e que somos amigáveis e pessoas hospitaleiras.”

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 Gramados sintéticos

2 de setembro de 2010 por Lilian de Oliveira | Copa do Mundo 2010, Sem categoria

Foi nas vésperas da final da Libertadores que voltou com tudo a discussão sobre o gramado sintético, gramado este utilizado no ‘Volcano’ Stadium, do Chivas Guadalajara, no México. A discussão sobre o tema não passou do que se comenta sempre – queimaduras, possíveis lesões nos atletas. Por esse motivo, resolvi pesquisar um pouco mais sobre os gramados sintéticos e colocar aqui algumas informações sobre os pontos positivos, sobre as inovações do setor têxtil e características desse material. Para isso, contei com colaboração da SLC Têxtil (que me cedeu informações) e com o trabalho final de graduação de Sérgio Caciatore Filho, da FEI, que recebeu premiação no concurso italiano de inovação tecnológica, “1° Italian Textile Technology Award”.

Sistemas

Cobertos com areia ou com borracha. A areia é uma sílica específica que constitui a maior parte do peso do gramado (90%) e serve de lastro para o carpete não se movimentar sob algumas condições de clima como chuvas torrenciais ou climas muito frios ou quentes. Quando coberto com borracha, vai também, por baixo, uma pequena parcela de areia. A camada de borracha deve permanecer cerca de 3mm abaixo do comprimento total do filamento.

“Filamentos muito altos – maiores que 60 mm não mantém a borracha dentro do gramado, havendo uma dispersão do recheio para fora e para os lados. Esta dispersão ou deslocamento do recheio de borracha provoca altura irregular do campo em diferentes pontos, sendo este comportamento do gramado não aceitável dentro das normas e limites de um bom campo. A borracha deslocada também influencia na interação da bola com o campo, causando um movimento imprevisível e prejudicando a jogabilidade.

Outro problema resultante do excesso de altura do filamento é um campo excessivamente macio, fora dos padrões da FIFA, o que provoca fadiga por esforço desnecessário. A interação jogador-campo é grandemente afetada pelo abuso do recheio de borracha. O jogador precisa dispender maior energia no arranque para poder vencer a inércia, aumentada pela flexão da borracha. Além da borracha acumulada por deslocamento para os lados alterar a performance do jogador durante a corrida – em função da diferença de altura e maciez nos diversos pontos do gramado – isto também altera o comportamento e a velocidade da bola para níveis não aceitáveis e difíceis de calcular, prejudicando o drible, o passe e o chute ao gol.”

O material utilizado é o polipropileno e polietileno.

A fibra de Polipropileno (PP) é feita de material plástico, tendo como característica ser uma fibra mais “seca”. É o tipo de fibra mais usado atualmente, pois tem custo mais baixo, e um razoável rendimento nos campos de futebol.

O Polietileno (PE),é uma fibra mais “nobre”. Sua formulação avançada traz como características principais a maciez e sedosidade dos fios. Seu aspecto se assemelha muito à grama natural, sendo menos abrasiva e garantindo ao longo dos anos um melhor aspecto visual.

polipropileno e polietileno

Acima, polipropileno e polietileno

Como funciona

A instalação é feita sobre uma camada de concreto, onde há sulcos para drenagem.

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Para que a grama sintética fique mais estável, dando estabilidade dimensional e mais reforço na estrutura é utilizada normalmente uma manta de poliéster. No entanto, no Brasil são poucas e pequenas empresas que produzem o material – inexpressivo perto do mercado de gramas sintéticas no Brasil, que cresceu bastante a partir da década de 90 com crescimento do setor esportivo e decorativo.

A altura dos fios está diretamente relacionada com a atividade esportiva que será praticada no gramado. Por isso, é trabalhado com os diversos tipos de altura das fibras, desde o modelo desenvolvido para a prática de futebol, considerando alturas que variam de 28mm a 60mm, até os tipos que podem ser usados em ambientes externos ou internos, como por exemplo: playgrounds, campos de golf, jardins de inverno, bordas de piscina e paisagismo em geral. Nestes casos a grama mais recomendada tem a altura de seus fios entre, 12mm, 20mm e 25mm.

Novas tecnologias

Na iniciativa tecnológica apresentada pelo Engenheiro Têltil, Sérgio Caciatore, premiado na Itália, é anexada uma manta de não-tecido* ao maquinário de Tufting (produtora da tela de grama sintética). Juntando mais uma barra de agulhagem de não-tecidos, entre as existentes na máquina de Tufting, é conseguido uma maior ancoragem à base e uma vida útil maior, ganhando maior durabilidade do produto.

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Acima, imagens do filamento anexado à manta e, ao lado, já ultrapassando a tela de polipropileno.

Vantagens

A grama sintética tem como vantagens a possibilidade de ter tratamentos antibacterianos, anti-chamas, absorção de água, resistência e volume além de cor, brilho e textura.

Referências

A grama sintética é comumente utilizada em campos de futebol society. No entanto, grandes estádios como é o caso do Omnilife ‘Volcano’ Stadium, no méxico e como o Luzhniki Stadium, na Rússia, já utilizam gramados sintéticos.

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Acima, à esquerda, a superfície pronta para o recebimento do gramado no Omnilife Stadium, Guadalajara, MX. Acima, à direita, o gramado artificial já instalado do estádio Luzhniki, na Rússia. Este estádio é candidato a sede da 2018 ou 2022.

Esta tecnologia é muito positiva no caso dos estádios que tem uma arquitetura mais parecida com os estádios europeus, onde a cobertura vai até o final das arquibancadas. Essa cobertura atrapalha no recebimento de luz solar adequado ao gramado, favorecendo o desenvolvimento de pragas.

Há quem use uma mescla de gramado natural e gramado sintético – os chamados híbridos. Na última Copa, na África do Sul, dois estádios se utilizaram da técnica.

* NBR13370 nãotecido é uma estrutura plana, flexível e porosa, constituída de véu manta de fibras ou filamentos,orientados direcionalmente ou não consolidados por processos mecânicos (fricção) e /ou químico (adesão) e /ou térmico (coesão).

Fontes:

ESTUDO COMPARATIVO ENTRE GRAMA SINTÉTICA CONVENCIONAL E SUA ADAPTAÇÃO COM A MANTA DE PES – Centro universitário da FEI, Sérgio Luiz Caciatore Filho, São Bernardo do Campo, SP, 2010.

SLC Têxtil – para mais informações/dúvidas é possível entrar em contato com a empresa pelo email: vendas@slctextil.com.br

FieldTurf

Green Vision

*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.

 Voluntariado: prós e contras e como se tornar um

4 de agosto de 2010 por Lilian de Oliveira | Copa do Mundo 2010

Durante essa Copa do Mundo, percebi o quanto o voluntariado é desconhecido pela maioria das pessoas. Justamente por isso, explico aqui as experiências que tive como voluntária para aqueles que tem interesse.

Inscrição

Para qualquer evento esportivo de grande porte as inscrições acontecem cerca de um ano antes. Esse é o caso da Copa do Mundo também. Cada evento tem um site oficial e nesse site tem uma seção de voluntários onde são explicadas as funções, como se inscrever e condições que devem ser aceitas. No caso da Copa do Mundo, deve ser preenchido um formulário com informações básicas pessoais, profissão, possíveis experiências anteriores em eventos esportivos e/ou experiências como voluntário, habilidades linguísticas e se há carteira de habilitação e de que tipo (moto, carro, ônibus, etc.)

A partir desse formulário, a FIFA faz uma triagem dos possíveis candidatos e selecionam aqueles que podem colaborar com o evento de melhor maneira possível. Chamam aí, cerca de 5 meses antes do evento, para uma entrevista em inglês no consulado do país sede – consulado no país onde reside o candidato. Nessa entrevista é esclarecido como funciona o evento, qual o seu possível cargo (escolhido dentre as opções marcadas pelo candidato no formulário inicial) e são feitas perguntas para analisar seu perfil e interesse em trabalhar no evento.  As verdadeiras intenções! Para aqueles que querem ser voluntários na Copa de 2014 e Olimpíadas 2016, no Brasil, pode ser que o cronograma e etapas mudem um pouco por sermos daqui. No entanto, isso é um padrão da FIFA, os estágios podem mudar, mas as análises continuarão as mesmas.

Caso o candidato seja selecionado, cerca de dois ou três meses antes do início dos jogos, ele será avisado de que foi selecionado e fará um treinamento online (ou presencial dependendo da função e caso seja do país/cidade sede). Todos recebem um treinamento sobre a política do evento – o que pode e o que não pode, noções mínimas de comportamento (não fumar em público, não usar uniformes fora do horário de trabalho, não beber usando uniforme, etc.) e de higiene. Alguns treinamentos mais específicos da função são feitos nas vésperas. Mas nenhum trabalho de voluntário é muito complexo. No entanto, exige bastante disponibilidade, flexibilidade e capacidade de resolver problemas rapidamente e com discrição.

O trabalho

São inúmeras áreas disponíveis para voluntários: credenciamento, protocolo, venda de tickets, logística, suporte de idiomas, serviço ao espectador, mídia (em campo, na zona mista ou no centro de mídia), marketing, serviços médicos e de fisioterapia, transporte, hospitalidade, atendimento a voluntários, recepção em aeroportos e hotéis, entre outras. Todas são apresentadas e explicadas para que você escolha suas preferências.

É interessante que todo candidato saiba que a principal função de um voluntário é que ele realmente possa  auxiliar nas tarefas. Portanto, durante o evento, o voluntário tem que comparecer nos horários, não pode faltar e é muito mal visto se tiver atrasos. Isso atrapalha muito no andamento de jogos, já que, apesar do trabalho não ser difícil, é de extrema importância para o andamento das partidas, principalmente em alguns esportes, onde o contato do voluntário fica muito mais próximo do que em Copas do Mundo.

Vantagens

Além de ter acesso a alguns jogos, um voluntário tem acesso aos bastidores e realmente vê como funciona a organização dos eventos. Tem acesso a ensaios,  à treinos de reconhecimento de campo, à zonas restritas dos ginásios e estádios, e, para os fãs, aos atletas e treinadores. No entanto, isso não permite assédio – claro –  e mesmo sendo voluntário você tem certas restrições conforme seu cargo. É muito raro encontrar um voluntário com acesso a tudo. Em dia/horário de jogo, esse acesso fica ainda mais difícil por conta de segurança e da organização.

Alguns eventos permitem que o voluntário assista aos jogos se não tiverem em horário de trabalho. Exemplos:

  • No caso da Copa do Mundo 2010, na África do Sul, só era permitida a presença de voluntários que estivessem escalados para trabalhar dentro do estádio naquela partida;
  • No caso da Copa do Mundo 2006, na Alemanha, os voluntários poderiam ocupar espaços vazios nos estádios se tirassem os uniformes (para que não fossem abordados fora de trabalho) e se estivessem com a jornada cumprida;
  • No Pan 2007, no Rio de Janeiro,  fora dos horários de trabalho, voluntários tinham locais adequados para assistir às partidas se trajados de uniforme ou eram liberados para ocupar espaços vazios se tirassem as roupas oficiais.

Desvantagens

Certas vezes, por estar trabalhando, perde-se a noção geral do evento – principalmente no Pan-americano e, possivelmente, em Olimpíadas também. Como são vários locais onde os esportes são realizados, as vezes, o voluntário não sabe o que se passa em determinados esportes e acaba vendo um ou outro resultado por telões ou TVS.  Devo salientar que o clima é muito diferente no evento e pela TV. Além disso, dados e informações que costumamos ver nas coberturas televisivas são coisas que definitivamente não temos contato quando estamos como voluntários.

Na Copa do Mundo, também não é possível ver todas as partidas nos estádios. Querendo ou não, em algumas partidas você é um telespectador como qualquer outro. Às vezes, em horário de jogo, você está trabalhando em outro estádio.

O que se ganha

Há duas formas de se encarar isso. Não se faz dinheiro sendo voluntário, como o próprio nome diz. Tudo a que o voluntário tem direito é esclarecido desde o início das inscrições. Geralmente, o que é oferecido é: alimentação, uniforme e, às vezes, transporte. Passagens, hospedagem e alimentação fora do horário de trabalho é por conta do candidato. No caso da África do Sul, houve um caso único de se oferecer um valor por dia de trabalho, R100 (cem rands, moeda local) – cerca de R$25,00. Geralmente, o evento dá alguma lembrancinha no final dos jogos aos voluntários como forma de agradecimento. Na Alemanha foi um relógio, na África do sul foi um kit com mochila, Zakumi (mascote) de pelúcia e pins oficiais.

Como reconhecimento, todos esses eventos entregam um certificado.

Além disso, o que considero mais importante é o ganho pessoal e profissional. Para aqueles que trabalham com esporte, os ganhos em contatos e em experiência num evento de grande porte é muito importante. Entrar em contato com culturas diferentes (seja da equipe ou com torcedores) é muito significativo também.

Próximos eventos

Deixo os links de alguns eventos esportivos que estão com inscrições abertas ou prestes a abrir. Quem tiver interesse, pode preencher os formulários e ficar no aguardo. Inglês é o mínimo esperado. Clique sobre o evento para ser redirecionado para o site oficial.

Em Agosto de 2011, abrirá para a Euro2012 (Polônia e Ucrânia).

Para quem tem interesse em participar como voluntário em grandes eventos esportivos, basta ficar atento aos portais de notícias na internet. Sempre é noticiada a abertura das inscrições.

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*As opiniões do blog são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Portal 2014.

 Efeitos sociais da Copa na África do Sul

30 de julho de 2010 por Lilian de Oliveira | Copa do Mundo 2010

Algumas coisas não são tão exploradas durante a Copa devido ao tanto de informações e atividades paralelas que acontecem. No entanto, a Copa vai além do evento esportivo do futebol ao qual todos temos acesso e muitas dessas atividades tem efeitos sociais.

Num país 15 anos pós-apartheid a geração ainda é a mesma e levará um certo tempo, pelo menos algumas gerações, até os hábitos anteriores serem superados.

É sobre essa questão que a Copa do Mundo teve um de seus efeitos. Na África do Sul, o rugby é visto como um esporte dos brancos e o futebol como um esporte dos negros. Era fácil ver brancos acompanhando o mundial – pela magnitude do evento. No entanto, o mais difícil era o contrário.  O estádio Soccer City, localizado próximo a Soweto ( South Western Townships – algo como cidadelas do sudoeste), bairro de habitantes predominantemente negros, pode ter um uso futuro destinado à prática do rugby. Anteriormente, o estádio era o FNB e foi completamente remodelado para o Mundial de 2010. Com essa reforma, o rugby perderia um de seus principais palcos. Foi aí que entrou a grande jogada social.

Com a ausência de um local para jogar no momento e com a possibilidade de ter um palco melhor para o rugby após a Copa, foi feito um acordo de que o rugby fosse jogado num estádio próximo: o Orlando Stadium, dentro de Soweto – palco do show que aconteceu antes da Copa, onde faleceu a neta de Mandela.

Foi então que o Blue Bulls jogou em Soweto (contra time da Nova Zelândia) e aí a ‘novidade’ se espalhou. A partir desse momento, o rugby começou a ser acompanhado também por negros, que passaram a vestir o uniforme azul do time.

Veja o vídeo sobre a recepção do Blue Bulls em Soweto.

Essa atitude foi mínima perto do que a África do Sul sofre ainda. No entanto, é uma das formas como o esporte pode colaborar, em especial a Copa do Mundo.

Mas há mais de uma forma como encarar um efeito social. Há também programas sociais realizados, que é o caso da marca Nike. Apesar de não ser patrocinadora do evento, esteve muito presente na África do Sul, com campanhas paralelas e não diretamente ligada ao nome “Copa do Mundo”.  Também em Soweto, a empresa que diz entender a importância do esporte e o poder dele em mudanças sociais, projetou e disponibilizou à sociedade um mega centro de treinamento com uma infra-estrutura de qualidade para o futebol e para instrução, educação e conscientização de sul-africanos. A atitude não deixa de ser parte de um grande projeto chamado “Write the Future” (Escreva o Futuro) que também apareceu durante o evento em comerciais muito bem elaborados e grandes shows em LEDs nos edifícios do centro de Johannesburgo.

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Foto Nike

O nome do projeto é bastante coerente com a postura de proporcionar, através do esporte e do CT em si, um futuro mais adequados à uma parcela da população sul-africana que sofre muito com falta de infra-estrutura básica. O projeto também tem parceria com a RED, que conscientiza sobre o vírus HIV, que atinge grande parcela da população.

soweto

soweto nike write the future

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Fotos oficiais da Nike

Veja vídeo de Pep Guardiola no Centro de Treinamento da Nike

A FIFA em si também não deixa a parte social a parte. Ao mesmo tempo em que acontecia a Copa do Mundo, em Alexandra, outro bairro com uma população pobre, era sede do evento Football For Hope. O evento era um mundial realizado com jovens desfavorecidos de 32 nações. O problema deste evento foi a divulgação. Durante os jogos da Copa do Mundo, nas placas publicitárias, aparecia uma menção do Football For Hope, mas muitos não sabiam o que realmente era isso. Muito mais visibilidade poderia ter sido dada.

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Foto FIFA

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 Uma Copa longe de ser sustentável

20 de julho de 2010 por Lilian de Oliveira | Copa do Mundo 2010, Idéias Verdes

Falam as más línguas que o Brasil já está abandonando a idéia de ser uma Copa Verde. Espero que estejam realmente falando da boca pra fora. Felizmente, alguns estádios tem propostas boas para evitar pegadas agora que construiremos e reformaremos nossos estádios.

É a partir desse tema da “sustentabilidade” que escrevo este post. Mesmo com a Copa do Mundo já finalizada, muitos assuntos ainda ficaram por ser descritos aqui, mas tudo foi registrado e continuarei mostrando o que pude analisar pela África do Sul.

A tal “sustentabilidade” engloba uma série de setores e de estágios no desenvolvimento de uma Copa do Mundo e das cidades-sede. Desde a construção do estádio até à organização do evento, à elaboração de material de divulgação e às partidas em si, podem ser desenvolvidas atitudes menos poluidoras.

No caso da África do Sul, pouca coisa nesse sentido foi feita. Tanto nos estádios como fora deles há um desperdício enorme de embalagens. Poderiam ser escolhidos materiais mais sustentáveis ou o uso de copos temáticos retornáveis, funcionanco com refil (dentro dos estádios) e deixando aos torcedores um souvenir. No entanto, eram muitas garrafas plásticas de cerveja. Latinhas de refrigerante são super pesadas aqui – sempre parece que ainda tem refrigerante dentro. Embalagens de lanche são enormes, caberiam o dobro de alimento dentro. Enfim, um desperdício atrás do outro, que, além de tudo, não acrescenta nada ao evento.

Na Fan Fest de Durban, copos temáticos eram distribuídos com chopp. No entanto, não era refil e muitos eram jogados fora. Isso, considerando todo o país e a quantidade consumida, gera uma quantidade de lixo absurda, que poderia ser bem diminuída com a estratégia de refis.

Nas cidades, apesar de serem limpas, não há lixeiras, muito menos onde possam separar o lixo. Perguntei em vários locais e realmente eles nunca reciclaram lixo aqui na África do Sul. Nos estádios haviam lixeiras de reciclagem, mas meio escondidas.  Eram poucas e insuficientes considerando a quantidade de lixo gerada em cada partida. Elas estavam somente na área externa do estádio. Todo o lixo interno era jogado em sacolas plásticas e não em lixeiras que não necessitassem de sacolas.  Em alguns momentos, vi funcionários espalhando todo o lixo nas imediações do estádio para separar alguns itens – trabalho este que poderia ser evitado.

O transporte em Johannesburgo é totalmente poluente. Carros bons mas alguns mal conservados. Porém, o grande problema é não ter um transporte público adequado. Nem mesmo depois da Copa a África do Sul ganhou algo decente. Continua tudo muito defasado e o transporte é baseado em carros (particulares ou taxis) e vans. O único trem que tem é fraco, liga poucos lugares e não ajudará tanto no transporte da cidade.

A política da FIFA (o Green Goal) não deixou de ser cumprida pela existência dos únicos critérios que foram elaborados no manual de exigências, mas fica aí uma dica para o Brasil. Vamos incrementar esse manual da FIFA e definir novos padrões! Será muito bem visto pelo mundo. Referências como a Copa de 2006, na Alemanha, ou as Olimpíadas de Sidney podem colaborar de certa forma, mas muito além do que já foi feito, podemos alimentar esse “mercado” com a criatividade brasileira, principalmente pelos designers – essa é a chance de tentar conseguir um espaço na Copa do Mundo. Criem, apresentem às cidades-sedes (organizadores locais) e tentem garantir o espaço que não foi dado para a criação do logotipo.

green goal fifa ellis park

Foto por Gabriela Jardim

Felizmente, uma coisa positiva que vi aqui é que quando se faz compra, a caixa, antes de qualquer coisa, pergunta se quer sacolas plásticas. Dizendo que sim, é cobrada uma taxa a mais. Isso poderia ser incorporado pelo Brasil, ajudando a pegar a idéia das sacolas retornáveis.

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 Fim da Copa: cerimônia, festas e partida final

12 de julho de 2010 por Lilian de Oliveira | Copa do Mundo 2010

Conto aqui a minha experiência como voluntária ontem, último dia de trabalho.

Mesmo muitos voluntários estando escalados para trabalhar durante a partida, foi noticiado que os únicos que entrariam no estádio seriam alguns poucos (cerca de 20) que poderiam ter o privilégio de entrar no estádio tanto para o encerramento quanto para a partida final – o que não parece lógico, pois, como final, lotaria. Imaginamos que os escolhidos seriam aqueles que falavam espanhol e/ou holandês – além do inglês, claro. Engano nosso! Seriam escolhidos aqueles que mais trabalharam e estes ganhariam um adesivo prateado oficial a ser colado na credencial – adesivo esse distribuído também à mídia. No entanto, o critério de seleção foi ridículo e nada tinha a ver com dias trabalhados (muito mesmo por não terem um bom controle disto), mas sim com o contato e afinidade que cada voluntário tinha com seu supervisor. Membros de algumas áreas não teriam, definitivamente acesso algum ao estádio, nem mesmo podíamos passar pelos detectores de metal.

Muitos voluntários conversaram com seus supervisores e esperavam pelos seus adesivos até pouco antes do início da abertura e, de repente, uma coordenadora que apareceu somente para a final, anunciou o fim dos adesivos e que nenhum daqueles voluntários que estavam ali poderiam acessar nem mesmo a ponte de acesso ao estádio, que não pedissem mais adesivos e que os deixassem trabalhar.  Muitos tiveram suas credenciais caçadas ao tentar entrar no estádio mas muitos conseguiram entrar mesmo assim. A entrada foi feita de diversas formas: recortando um adesivo prateado similar dos ingressos jogados no chão, entrando bem mais cedo como mídia, entrando pela garagem do estádio pelo elevador de carga, entre outras formas das quais desconheço. Haviam voluntários de outras cidades durante a partida e muitos torcedores sem bilhetes. Tive contato com dois gregos que choravam emocionados por ver a final e que não haviam comprado bilhete. Não faço idéia de como entraram.

A segurança foi mais forte, contava com pessoal extra, mais gente para auxiliar em primeiros-socorros e ainda com o exército e bombeiros de prontidão. No entanto, o acesso foi mais difícil que o normal, mas ainda repleto de falhas. Enquanto a preocupação era não deixar voluntários assistirem à final, muitas mochilas passavam sem uma boa revista e torcedores sem bilhetes entravam por ali.

seguranca Foto por DJ Joo

Cerimônia de Encerramento

Bem mais atrativa que a de abertura, talvez por ser à noite, a festa teve Shakira como atração principal e show de luzes que acrescentavam na beleza da apresentação. Sentiu-se muita falta de uma menção ao Brasil, sede dos próximos jogos – coisa que geralmente acontece, dando uma prévia do que podemos esperar para o próximo mundial. Diferentemente de como foi no Pan, não houve menção ou agradecimento algum aos voluntários, que no Pan, no Rio de Janeiro (2007), ganharam ingresso livre à festa e foram saudados pelo trabalho realizado.

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Fotos por DJ Joo

A Partida

Num jogo muito bem disputado, as torcidas faziam festa desde o início do dia. A torcida holandesa é uma das que vem mais fantasiada – sem dúvida, é a mais engraçada. Não torcem como os argentinos, mexicanos e brasileiros, mas se divertem muito.  A torcida se emocionava muito durante a partida. Muitos choravam de alegria e foi muito bom ter esse contato com um público tão emocionado pelo futebol, coisa que não vemos nem no Brasil.

leoes Foto por Natália Chacon

Com o gol marcado no 2º tempo da prorrogação a Espanha se tornou campeã pela 1º vez e a torcida chorava, corria, cantava e balançavam as bandeiras espanholas.

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Foto acima, à esquerda, por Felippe Rodrigues e, ao centro e à direita, por DJ Joo

A torcida comemorava muito na porta do estádio. Enquanto isso, a organização local fazia uma festa para o pessoal de mídia e voluntários credenciados no Soccer city. Amanhã, para os voluntários do estádio em questão, haverá um amistoso entre times das áreas de trabalho no gramado onde aconteceu a abertura e encerramento da Copa do Mundo FIFA 2010, apresentações e demais atividades como forma de interação daqueles que ajudaram o evento acontecer.

Durante todo o período que precedia a final, muitas brincadeiras entre as torcidas eram feitas. Sem violência alguma e de forma engraçada. Até mesmo as equipes de imprensa no centro internacional de transmissão (IBC) entravam na brincadeira, como a equipe espanhola, que colocou na porta de seu estúdio um boneco voodoo, um recado e uma camisa temática para a Holanda.

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Fotos por Felippe Rodrigues

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Fotos por Gaspare Longo

As vezes é sofrido ser voluntário num evento onde tudo pode dar errado e onde temos que correr para esconder falhas e agradar a todos. No entanto, temos nossos momentos de glória. Privilégios que pouquíssimos podem ter.

Hoje, assisti ao ensaio de luzes e da cerimônia de encerramento, que até onde vimos parece que ganhará muito mais vida que o de abertura. Shakira, que não esteve na festa inicial, participará desta vez! Ao que tudo indica, os caças também já vistos se apresentarão novamente sobre o estádio, já que faziam seus percursos agora à noite.

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Foto por Felippe Rodrigues

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Fotos acima por Gaspare Longo

Pouquíssimos voluntários estavam presentes pois vários já voltaram para seus países e muitos tinham hoje como dia de folga. Por sorte nos deparamos com a taça e com a bola da final. Um fotógrafo oficial da FIFA fazia uma sessão de fotos.  Embalada numa valise Louis Vuitton, o troféu era manipulado com muita cautela por um outro funcionário que vestia luvas especiais para não marcá-lo.

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Fotos por Felippe Rodrigues

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Foto por Gaspare Longo

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